No início de mais um ciclo estival ao qual carinhosamente chamo " My Bat Nights", articulei este poema de David Mourão Ferreira, companheiro de muitas noites calidas.
sábado, 9 de julho de 2016
segunda-feira, 20 de junho de 2016
Viagens na Minha Terra
A cidade não é um lugar. É a moldura de uma vida.
(Todas as Fotos por MD Roque )
Mia Couto
Em cada esquina te vais
Em cada esquina te vejo
Esta é a cidade que tem
Teu nome escrito no cais
A cidade onde desenho
Teu rosto com sol e Tejo
Manuel Alegre
Nasci em ti à sombra da Memória, num dia sufocante de um mês estival num ano aprisionado.
Cresci e vivi em ti toda a minha vida.
Conheço-te a cor, o sabor e o aroma, aquele cheiro de maresia e sol, que aflora um sorriso aos lábios mais carrancudos.
Em ti procriei, chorei e ri.
Em ti encontrei a minha felicidade, a que cada um busca para si, aquela que não se sonha, mas se constrói.
Posso correr mundo, mas volto sempre para ti, porque és tu o meu porto seguro, a minha casa, a minha mãe.
Alenta-me a ideia de que um dia seremos uma só e que guardarás bem guardado o meu último suspiro.
Lisboa
Lumen et Mare, ad te insanis
Lumen et Mare, ad te insanis
(Todas as Fotos por MD Roque )
terça-feira, 24 de maio de 2016
Cumplicidades
Todas as grandes personagens começaram por serem crianças, mas poucas se recordam disso
Antoine de Saint-Exupéry
Eu bem sei que te chamam pequenina
E ténue como o véu solto na dança,
Que és no juizo apenas a criança
Anthero de Quental
Vai ver o que ela está a fazer, está tão calada.
Não é a tua vez?
Se calhar é, mas estou a pedir... vai lá, vá, vais ?
Voou um jornal desarrumado e um semblante conformado, e foi.
Acho melhor chegares aqui. Pousei o livro e levantei-me em slow-motion , revendo mentalmente qual a calamidade possível advinda de uma caixa de construções em espuma, um tapete, dois gatos e poucas coisas à mão de semear...
Poucas, mas boas.
O creme das fraldas. A grande bisnaga com abertura fácil para os adultos e inviolável para as crianças que quebrado o protocolo da sua invulnerabilidade infantil, jazia vazia a um canto da sala, enquanto uma boca semi desdentada e arreganhada deixava a sua marca tão branca como a sua face feliz.
Vai ser artista de certeza, diz ele com um meio sorriso. Vai pois, vou já industriá-la na arte do ralhete, respondi atordoada, olhando em redor... tudo branco... nem os gatos escaparam.
Menina feia. Estás a ver ? Sim ? Não se brinca com o creme. Suja. É muito feio !
Gátssssss ! Gargalhou. É feio, que menina má ! Os gatos não precisam de creme ! Não, não !
Olhou para mim e fez beicinho. VÔ! ... e foi refugiar-se nas pernas dele, sentida que deu dó.
Foi o princípio do fim da minha popularidade e o começo da maior e mais bela cumplicidade do mundo.
O Vô é um babado e a neta não o troca por ninguém...nem pela sua mamã.
Sou a Vózinha, fico ciumenta, fico sim... ele segreda-me ao ouvido, quando me vê meio tristonha, deixa lá, isto passa, é uma fase. Eu gosto de ti, nunca vai passar, porque nunca foi uma fase, foi sempre amor.
Histórias dos Ditos & Escritos
amor,
avó,
felicidade,
neta
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