"No desespero e no perigo, as pessoas aprendem a acreditar no milagre. De outra forma não sobreviveriam."
Erich Maria Remarque
Não acredito em nada. As minhas crenças
Voaram como voa a pomba mansa,
Pelo azul do ar. E assim fugiram o
As minhas doces crenças de criança.
Fiquei então sem fé; e a toda gente
Eu digo sempre, embora magoada:
Não acredito em Deus e a Virgem Santa
É uma ilusão apenas e mais nada!
[...]
Eu creio, sim, creio, eu creio em Deus!
Florbela Espanca
Passada já metade da sua existência terrena, tantos dias vividos, vistos e sentidos, tanta informação, tanto conhecimento, tanta avaliação, tanta escolha, para qualquer agnóstico teísta o conceito de Deus é algo vago e inacessível. Fundamenta a sua crença em algo superior ao homem que orquestra o universo , mas Tomé que no fundo sempre foi, não crê muito no que não vê.
É fácil atribuir a existência de Deus ao que vai no coração dos homens, que procuram sempre justificar os seus actos e as suas práticas, o bem e o mal, com a religião, qualquer religião qualquer Deus, qualquer demo.
A vida é aquele carrossel que rodopia incessante, onde entramos e saímos ao fim do número de voltas para as quais só temos bilhete de ida.
Por mais que se queira tomar as rédeas do cavalinho que montamos, nem sempre a agitação do estrado ondulante o permite. Alturas há em que a musica infantil e alegre se transforma no sobressalto duma Laranja Mecânica, que vira do avesso qualquer existência que se pensa controlada.
É então que o agnóstico crê, crê no que não vê, agarra com ambas as mãos a fé que desconhecia possuir, pede, implora, reza até.
Reza a Deus. Deus concede. O homem acredita.
Deus existe, afinal. Louvado seja Deus.
Deo ubique est
"Deus não pode estar em todo o lado e por isso criou as mães"
Provérbio judáico


