quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Viver a Fábula - Parte 3 - Renascemos ?

"A vontade, se não quer, não cede, é como a chama ardente, que se eleva com mais força quanto mais se tenta abafá-la."
Dante Alighieri



"Sai da mão de Deus que a contempla 
antes de criá-la, como uma criança 
que chora e ri sem verdadeiro motivo, 
a alma ingénua que tudo ignora, 
excepto quando, movida pelo desejo de retornar a Ele, 
segue de bom grado o que a diverte."

Dante Alighieri



Viajamos?
Viajámos.

 Partimos cedo e rapidamente, quase a alcançar meia velocidade do som, rumo à visão da felicidade humana,  fundamentada na luz e na doçura - lumen et dulcedo.
Busquei a luz e encontrei-a. Senti-me iluminada em terra de iluminados e renascida pelo renascimento que emanava das águas cor de safira do Arno e corria terra dentro como um vento de mudança, um furacão de arte tornado ventania de conhecimento,  e o mundo nunca mais girou geocentrico.

Expatriada junto à porta da cidade penso no exilado, na sua sina, na sua dor, a bendita dor que criou mundos dentro do mundo e dentro de nós próprios.

É nisto que dá viver os sonhos. O eu que conhecemos absorve todos os outros com que se cruza e  que lhe mostram o caminho das luzes até a porta do Paraíso a partir de onde as estrelas nos guiam sob um sol escaldante, como naquele sonho de onde nunca queres acordar.




























Parvi Florentia mater 


Magnificus in urbe, Magnificus


    

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Viver a Fábula - Parte 2 - Caminhamos ?

"Ficar perdido é o único lugar que vale a pena ir." 
 Tiziano Scarpa 



Em Veneza a vermelha,
Nenhum barco aparelha;
Nem pescador, no mar,
Se vê pescar.
Só, sobre o cais sentado,
Vela o leão do Estado,
Que ao horizonte adianta
A brônzea planta.

Alfred de Musset





Os sonhos da primeira adolescência, a da descoberta física, aquele curto espaço de tempo que nos definirá emocionalmente, por ser sem dúvida o período mais marcante das nossas vidas quando as alterações psicossomáticas se anunciam e mais se evidenciam, o imaginário dos nossos sonhos púberes é aquele  que fará sempre parte da aura rebelde daquele eu que moldámos e continuamos a ajustar continuamente. 

Cruzaremos todas as encruzilhadas do nosso trajecto, esculpiremos a nossa personalidade entalhando cada ruga do nosso carácter com fino cinzel, amadureceremos as vontades e o pensar, mas os sonhos, ah! os sonhos , esses continuam lá, onde os deixámos, inalteráveis e irrequietos, fazendo cabo de guerra com o tempo.


Chegado o momento, é pormos a vida em ordem e dar-lhes corda.

É fechar os olhos e dar o tal salto de fé.



















É um privilégio perder-se em explorações no berço do explorador e achar-se a pisar o mesmo chão,  olhar os mesmos espelhos em cada esquina, sentir a mesma luz bailar em reflexos líquidos de estrelas mil e deixar-se emocionar pelo esplendor.


                 

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Viver a Fábula - Parte 1 - A voar

"Deixa voar bem alto a fantasia! Sem ilusões, o mundo que seria?"

 Ramón Campoamor y Campoosorio 





"[...]Na minha doida fantasia em brasa 
Constrói-a, num instante, o meu desejo! 
[...]Sonho... que eu e tu, dois pobrezinhos, 
Andamos de mãos dadas, nos caminhos 
Duma terra de rosas, num jardim, 
Num país de ilusão que nunca vi..."

Florbela Espanca



Sempre defendi que o futuro é criação  nossa, fruto de escolhas feitas, comportamentos adoptados e oportunidades criadas, perdidas ou ganhas.
A vontade é uma força que move montanhas, só travada muitas vezes pela sabedoria e pela paciência.
O momento pode não ser hoje, mas seguramente chegará, se tivermos o discernimento e a determinação necessários.
Dar vida aos sonhos , é aventurar-se na criação, tocar com o dedo numa tecla, sentir a vida pulsar acelerada na carótida, a respiração estugar e o coração galopar.
É avançar para o desconhecido, sem rede nem certezas.
É ir e pronto.
E fomos.


















E foram dias de sonho...