quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Me, Myself and I.....


"Viver torna-se uma tão estúpida obsessão que dormir bem - sempre mais do que se precisaria, esticando a ronha até ao limite do olho fechado - é cada vez mais considerado como um abraço acamado que se dá à Morte. Que disparate: dormir é viver bem."Miguel Esteves Cardoso


Que grande confusão

Não estou habituada a ter muita gente em casa a não ser quando tenho a família reunida para jantar e tenho que andar numa fona dum lado para o outro…

Isto de ter alguém na cozinha à volta com os meus tachos e panelas faz-me um bocado de impressão, porque ninguém está autorizado a mexer nos meus utensílios de cozinha !!! O lava-loiças está apinhado… pessoa desarrumada ! Para fritar um ovo, suja 3 frigideiras !! … soa a coisa familiar…



No quarto revolve-se o roupeiro… 
”- Peraí, que isto não é o What not to Wear, e os fatinhos e vestidinhos dos casamentos não são para mandar fora !!!!” … nunca se sabe quando é que eu volto a conseguir caber num deles, ou quando é que poderão ser necessários para a vida social agitada que eu costumo levar… sempre posso combinar com umas meias de descanso ou um par de sapatos ortopédicos… Isso NÃO !!! A minha camisa hippie em cetim roxo, jamais(leia-se jámé)… pshhhté , largue lá o colete de pelo de camelo, que ainda vai voltar a estar na moda  !!!!!!!!!!!!!!! – vou-me é embora daqui que isto mete pilhas… assim não sai nada do armário… soa a coisa familiar…


Raios… quando preciso ir … porque preciso  ir, está sempre ocupado…. E há que tempos que está lá gente … e nas duas !!!! … e com a água a correr há quase meia hora !!! “ Oiça lá, não pode fechar a torneira enquanto se ensaboa??”… é que a água está cara e o gás nem se fala e não é para estar para aí a correr de castigo… é tipo  “ Que se lixe… está quentinha e sabe tão bem”, não é ??? … soa a coisa familiar…


Olho para a sala e vejo os meus batráquios felinos alapados num colo e penso “Traidores!!  “, colo quentinho é colo quentinho… só querem comer,  dormir , festinhas e calor… estão gordos que nem uns texugos e pesam… Ahahahah… Bem feita !! … alguém já está desconfortável com 7 quilos em cima do diafragma e outros 7 em cima da perna esquerda… soa a coisa familiar…


Bolas, nem o meu refúgio escapa… está por lá alguém espojado com o meu livro na mão a ver a SIC notícias e a fazer zapping para o Food Channel,  diz mal do Governo, atira com alguns impropérios ao Relvas e maldiz o tipo que não lhe afiambrou um par de estalos nos Açores, ao mesmo tempo que aponta meticulosamente uma receita de Butterscotch… soa a coisa familiar…


Eu acho isto tudo muito confuso,  e confusões já bastam as da minha guerra, aqui em casa é para tentar estar sossegada… é por isso que não digo mais nada. Estou calada, quieta, quentinha… e a babar-me na almofada…  Bolas !!!!! … já são 11 da manhã !!!! Raios ! Não posso  adormecer  a ver o Identity…

sábado, 3 de novembro de 2012

O Fim



"Aproximo-me suavemente do momento em que os filósofos e os imbecis têm o mesmo destino."- Voltaire




Este é um post parvo.


É sobre O Fim....


Quem é que gosta de ler coisas secantes e deprimentes acerca da morte ?



Eu , que costumo gravitar pelas novidades da blogosfera e dos Blogs que costumo seguir, se me deparasse com uma dissertação sobre a iminente mortalidade de todos nós, saía do raio da página a sete pés, porque coisas que nos ralem já nós temos QB na nossa vida, e não precisamos da opinião destrambelhada duma tipa que escreve umas coisas de vez em quando.

Podem não querer a minha opinião, mas eu dou-a na mesma. É de borla e só lê quem quer. A morte é a única certeza que temos na nossa vida a partir do exacto minuto em que nascemos. Não escolhe hora ,idade, sexo, religião, raça ou extracto social. Chega quando quer, é silenciosa e eficaz , e nós deixamos de ser.


E perguntam vocês: “ – Hoje ‘tá-te a dar, não ?!??”

E respondo eu:” - Quando um rapaz saudável com 28 anos se senta a ver televisão e a mulher o encontra morto uma hora depois, vítima duma embolia, dá que pensar, não dá?”



Dá que pensar e muito, naquilo que não queremos pensar. Já vos aconteceu num “Dia Não”, na véspera dum exame médico mais específico, por exemplo, olhar para o espelho e pensar “- Se calhar já estou morta e ainda não dei por isso”…

Eu acho que não tenho medo da morte. Acho hoje… daqui a uns tempos e algumas doenças, se calhar mudo drasticamente de opinião. Não perco tempo a pensar se morrer é o final. Não me interessa, não quero saber… nunca ninguém voltou para contar como foi, por isso é coisa que não me preocupa. Não gostava de ficar para aí a vegetar sem noção do tempo e do espaço, sem conhecer ninguém, sem controlo das minhas funções psicossomáticas. Poderá ser a morte pior que a completa perda de dignidade e humanidade? Poderá ser a morte pior que o sofrimento atroz duma doença terminal ?

Faço mil e um malabarismos para não ter que acompanhar funerais, mas sei que há um em particular que por muito que não queira, não posso deixar de comparecer.


Quem é crente reza pelo reino dos céus, por um paraíso, seja em que religião for. Eu sou crente á minha maneira e no fim espero poder encontrar paz.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Toda a Verdade


In vino veritas Plinio



O chamado néctar dos Deuses, é coisa que não me diz muito. Na minha família, tanto do lado do Pai, como do lado da Mãe, bebia-se moderadamente e às refeições. Consumiam-se socialmente outros tipos de bebidas alcoólicas, principalmente nas reuniões de fim de semana da entourage, e só tenho ideia do Tio A ser menos tolerante às espirituosas e, com o espírito a extravasar, tratava de  fazer a festa, deitar os foguetes e apanhar as canas, para deleite dos demais. Era figura de proa deste grémio de saudáveis malucos, que recordo sempre com tanto carinho.


Sendo o Marido um Verde ( de consciência ecológica, de clube, da Terra Verde do Norte, onde tem origem o Vinho com o mesmo nome… ), seria natural que tentasse acompanhar as suas preferências de consumidor moderado da sua bebida de eleição, mas não consegui.




E perguntam vocês:”- Então D, custava muito acompanhar o Marido às refeições, como casal maravilha que são, e tomar com ele um copinho de vinho ???”
E respondo eu:” – Quem já bebeu um vómito, que atire a primeira pedra!!!”



Pois é, rapaziada, vinho verde TINTO, o tal, o bom, o da Terra, não é para qualquer um, e sobretudo não é garantidamente para mim.





Mas eu tentei , pah !!!  … Depois do casamento, fomos para o Minho, conhecer o resto da (muita) família que não veio a Lisboa para o enlace.

 Quem conhece as gentes do Minho, conhece a generosidade e o calor com que recebem as pessoas. Lá na Terra, porta sim, porta sim, morava um tio, um primo, uma madrinha ou um padrinho. Porta sim, porta sim eramos sempre recebidos com um lanchinho, onde constava invariavelmente o jarro de Verde Tinto gelado, vindo directamente da adega. Ao princípio, eu debicava a comida, mas o bicóque, jamais ! (leia-se jámé). Com o passar do tempo, tive a vaga sensação que não me gramavam… a mim, que era uma querida, uma linda, o cúmulo da simpatia, um doce de pessoa….

Um dia, em se aproximando a data da viagem anual á Terra, manifestei o desejo de se não realizar desta vez, pois a tal sensação de exclusão ainda permanecia mesmo passados alguns anos. Finalmente o Marido teve a bondade de me explicar que eu não me entrosei nas tradições deles: pouco comia e não bebia, e que isso me qualificava como uma niquenta fedúncia de Lisboa. Choquei !!!!!!!!


Decidida a dar uma volta de 180 graus ao meu prestígio no Minho, decidi começar a emborcar de “pénalti” todas as malgas daquela nojeira carrascuda, que me pusessem á frente, aquele fel  que deixava as alvas tigelas tintas de sangue e a minha psique  transtornada.

Eu, que sou uma piquena que se gaba de memórias nítidas dos seus dois anos de idade,  deixei de ter memória dos dias que passava na Terra, onde no Inverno o Café do Mata-Bicho era pingado com “branquinha” , e eu amanhecia  e continuava completamente zombificada  durante praticamente todo o dia e  maior parte  da estadia.

Com a idade, veio a sabedoria do provar, gabar e (Blarrrghhh) saborear em pequenos sorvos, de modo a nunca ter a malga vazia e não haver chance de a voltarem a encher.


Só com a idade veio o deslumbre e a capacidade de conseguir apreciar condignamente toda a magnificência do Gerês, mas ao Vinho Verde, ou mesmo ao Vinho em geral, deixo para os poetas, músicos  e cantores a sua apologia, porque eu não me reconheço  mérito para tal, nem hoje nem nunca.