"A mão que embala o Berço,é a mão que governa o mundo"Victor Hugo
... e não só...
Já vos falei da minha guerra: é
um micromundo, cheio de gente, luz e sombras, sabores, barulhos e personagens castiças.
A minha guerra ao Domingo é quase
uma Guerra Mundial, palco de gentes de muitas nações, credos e locuções.
Os soldados são verdadeiros
gladiadores que vão conquistando terreno passo a passo, numa luta muitas vezes
desigual. Como na maior parte das guerras a sério, muitos são atingidos e ficam
temporariamente incapacitados pelo friendly fire, o que na hora do rush, é um
pesadelo.
A hora do rush, normalmente
compreende as horas da tarde até ao escurecer, em que depressa e bem é moto, a adrenalina ultrapassa
a barreira do som, e a energia irrompe muitas vezes em acções impensadas, mas de um modo
geral, é mais frequente disparar-se para o ar palavras que geram confusões , algumas vezes de
proporções imensas.
(Abro um pequeno parêntesis para deixar
extravasar os pensamentos que me assolam nessas alturas :
Gostava de poder
estalar um chicote e ladrar meia dúzia de impropérios alto e bom som , de
preferência em alemão, coreano, bantu, ou qualquer outra língua áspera que
tivessem o efeito de surpreender e atemorizar a caserna, para conseguir ordem
nas hostes e conquistar mais rapidamente alguma normalidade nas funções)
Ontem foi a Crise dos Bules ( ou Cubas, ou até mesmo Bulls, para parecer mais cosmopolita), mesmo depois de ter informado que uma
tarde com autismos e birrinhas não ia acontecer… No meio de cantilenas, assobios e uivos (!!),
conseguir algum silêncio é um feito considerável, e conseguir entender o cerne
dos problemas, então nem se fala.
Um dos soldados, que até por sinal é um dos
bons soldados, queixava-se muito amofinado que estava a ser deliberadamente
prejudicado por quem lhe fornecia o armamento, ao mesmo tempo que
ostensivamente agarrava com uma mão uma nádega do soldado que estava ao
seu lado, e que parecia nem se incomodar ou estar sequer a dar por tal - síndrome de
futebolista-em-campo ???
“ Escute , está falar a sério,
certo ? – Claro que estou ! – Então quer que eu leve em conta o que me está a
dizer, verdade? - Claro que sim ! É que
tem sido toda a tarde… - Então tire lá a mão do rabo do outro e repita lá tudo
mais devagar …. “
No fim e como de costume, a
montanha pariu um rato e no dia seguinte o episódio até irá dar origem a
algumas larachas e muita risota.
Nas horas mortas vão-se contar os feitos e as
peripécias e vamos acabar como sempre começamos, um por todos, e todos por um.













