Rugidos estridentes e garras
afiadas, são as palavras que melhor definem os
grandes felinos do covil. Esta é
a história de 2 grandes gatos e da sua descendência.
O Rei Leão, espécime possante, oriundo dos vigorosos clãs das terras altas do
Norte, vivido e sábio, encontrou território de caça por estas paragens
inóspitas há mais de 40 anos, tomou como seu o moto verde da pradaria da
reserva selvagem de Fernando Fonseca, e
vai levando os seus dias entre muitos tormentos e poucas alegrias, mas sempre
com o coração de Leão cheio daquele
sentimento também de cor verde, que torna as suas convicções cada vez mais
fortes e inabaláveis. É o macho dominante, o protector e o líder do clã.
A Leoa nasceu em terras
alfacinhas num quente dia de Agosto, sob o auspicioso signo de Leão. Pouco dada
a clorofilas, tem sangue azul e é a mais
ruidosa do grupo. Já viu melhores dias; já foi A Leoa por excelência, mas apesar de
menos ágil, é excelente caçadora, tem o espírito indomável do antes quebrar do
que torcer, e orienta o covil com mão de ferro, caçando dia e noite para
assegurar o conforto e subsistência do clã e deixando complacentemente ao Rei
Leão a ilusão da autoridade, prestando submissa vassalagem entre patadas e
rugidos, mas sempre ( e tão ao jeito de
boa fêmea) uns passinhos mais à frente
do que o senhor seu soberano possa imaginar …
Do acasalamento destes
portentosos felinos, nasceram duas crias fêmeas, ambas fulvas e formidáveis,
ambas geniosas , indomáveis e concretizadoras, ambas imbuídas do moto verde da
pradaria que vive no coração de Leão do Rei seu pai, desprezando completamente
o sangue azul da descendência materna, porque também elas tomaram por
companheiros jovens Leões da pradaria, movidos pelo mesmo sentimento que
transforma derrotas em estrondosas vitórias e endurece o espírito, tornando-o
impermeável a todas as misérias que lhe possam travar a caminhada ou inundar o percurso.
Uma Leoa é sempre uma Leoa, mesmo
quando está em minoria… mas como o clã é gregário e o seu bem estar está acima
de tudo e de todos, a Leoa irredutível vai amolecendo e dá por si a vibrar com
o conjunto, a aplaudir algo que não aprecia muito, a rejubilar com as poucas
alegrias, a consolar as muitas tristezas… em suma a afagar e lamber as feridas,
como uma boa matriarca.
É então, que os que estavam
habituados a ouvir os seus rugidos à distancia de quilómetros, conseguem somente
distinguir um miado tranquilo e um ronronar de felicidade de quem na vida
cumpriu a sua missão.



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