"No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise."
Dante Alighieri
O Mundo está "em crise":
Crise Económica
Crise Financeira
Crise Climatérica
Crise Judicial
Crise de Ética
Crise Existencial
Crise de Ansiedade
Crise de Identidade
Crise de Honestidade
Crise Religiosa
Crise de carácter
Crise disto, daquilo e daqueloutro ...
O que está mal no mundo, o que está podre, quebrado, o que entrou em desuso e é usado até à exaustão, o que é abusivo, destrutivo, disruptivo, o que é intolerante, cruel, inclemente e sectário, o que é desonesto, parasita, verme, canalha, o que é extremista, obtuso, ignorante, insultuoso, intratável, sem trato nem tracto nem tacto, nem sabor, nem gosto, nem olfacto. Amorfo
Nem sempre podemos agradar, mas podemos tentar escrever sempre agradavelmente.
Parafraseando Voltaire de um modo muito meu, vou tentar não desapontar e aceitar continuar a corrente que a Sarin me propôs para este verão, subordinada ao tema :
10 actividades que tenciono fazer este Verão
Então, let the fun begin :
1. Tentar tirar o blog do coma induzido e escrever alguma coisa de jeito, tarefa hercúlea, bem sei, mas pode acontecer que acorde inspirada depois de uma noite mal dormida em que, após a martelada do despertador, reparo que acabou o café.Tragédias sempre foram uma fonte de inspiração.
2. Não apanhar sol. Para quê gastar dinheiro em banhas para as rugas, quando sei perfeitamente que o pior inimigo dos pés de galinha é espetar as fuças nos UVs.
3.Tomar dose reforçada de suplemento para a paciência neste período de época alta no que toca ao turismo e à estupidez humana.
4. Não comer crepes com gelado à maluca.Apesar de me estar completamente a borrifar para as dietas, tenho que ter um bocadinho de bom senso, caramba! Crepes com gelado e frutos vermelhos... vou deixar os apetites para algo mais saudável como um bem derretido queijinho de Azeitão com bolachas integrais.
5. Acabar de ver La Casa de Papel, de que não consigo de modo algum encontrar os episódios 14 e 15 e isso deixa-me bastante contrariada.
6. Ler mais do que 6 livros nas férias de Setembro (... é verdade, faltam precisamente 2 meses)
7. Nadar. É tão preciso como navegar.
8. Experimentar ouriço do mar, que me dizem ser a 8ª maravilha gastronómica. Não sou fã de sushi ou sashimi. A ver vamos , ou melhor a saborear, saboreamos.
9. Sentar-me ao PC e explorar todas as hipóteses viáveis de fazer o Caminho de Santiago sem me dar um fanico...Talvez de carro ?
10. Descansar muito. É difícil, mas vou tentar dar o meu melhor.
Boa época estival para todos os que gostam de muito calor. Pessoalmente dispenso tudo o que suba acima do 30º, mas faço votos para que todos os que vão a banhos, nos mares, nos rios ou nos lagos... está bem, piscinas também, voltem repousados para mais um ano de rebuliço.
"O ser humano não é intrinsecamente bom nem mau. O que verifico é que a bondade é mais difícil de alcançar e de exercer. E bem e mal são conceitos demasiado amplos. É mais fácil ser mau, mau nas suas formas menores, mau em tudo aquilo que nos afasta do outro, do que ser bom."
José Saramago
O ser humano... o ser humano é uma caixa de pandora quase fechada. É capaz de práticas abnegadas, desprendidas, até altruístas e de cometer ao mesmo tempo o mais hediondo dos crimes, com toda a destreza, como se de nada se tratasse.
Saramago tem toda a razão quando afirma que é muito mais fácil ser mau; sinto isso na pele todos os dias. Era tão bom poder pregar um estalo em vez de sorrir e tentar contemporizar. Quantas vezes o irreverente demónio que advoga as minhas decisões não me diz para os mandar catar?... ou pior ?
O tal anjo da guarda, que é certo e sabido que todos temos e que nos ensina o caminho das pedras para que possamos amar o próximo, mesmo quando queremos que não haja próximo porque estamos fartos de gente maçadora a azucrinar o parco equilíbrio que nos resta , esse não diz nada, porque já sabe que a coisa iria funcionar tipo " gato do Sr. Lopes", e acabava por sobrar para ele.
Há três anos, quando abracei a minha condição de avó, tomei a resolução de nunca mais pintar o cabelo. Não foi decisão que considerasse de animo leve, já que deixar sair a cor natural depois de anos e anos de tintas não é tarefa fácil, já para não falar no aspecto desleixado e ar de desmazelo que o espelho devolve todos os dias durante mais de um ano, e que não deixa de fazer fornicoques na massa cinzenta.
Alcançado o objectivo e o lindo tom sal e pimenta brilhante e sadio que se pretendia, verifico que o meu singelo encanto em tons de cinzento, cedo se converteu naquilo a que chamo" branco mais branco, não há"...
Não culpo a vida, os desgostos e as tristezas. Tudo isto sempre fez e fará parte do percurso. Culpo as pessoas, as pessoas são estranhas. Culpo a insensibilidade, a arrogância, a malvadez. Culpo as falhas profundas que o tempo sulcou na minha fleuma...culpo a moda do stress.
Dias há que de apoplética chego aos 22 de máxima, e maldigo tudo e todos, desde a z8-GND-5296 até à fossa das Marianas...
Qualquer dia...
"Morreu na contramão atrapalhando o público"
Fez três meses que perdi a minha mãe. Pensa-se muito em tudo isto. A nossa própria mortalidade é um pensamento constante...
Não há paz, só gente muita gente; gente grande ,pequena, alta, baixa, gorda, magra, clara ,escura, numa cacofonia de palavras sem sentido, o ruído , o barulho, e a recorrente vontade de fazer mal.
“Para vermos o azul, olhamos para o céu. A Terra é azul para quem a olha do céu. Azul será uma cor em si, ou uma questão de distância? Ou uma questão de grande nostalgia? O inalcançável é sempre azul.”
Clarice Lispector
Fecho os olhos e deixo-me levar. Vou ao sabor da maré do sentimento. Flutuo num caudal pardacento. Vou com a corrente para onde a corrente me levar. Não quero saber. Não me interessa. Não quero acordar nesta realidade a que a própria realidade me obriga .
Mudar de espaço físico não é deixar para trás os males do mundo e os meus. É apenas não pensar neles enquanto os sentidos absorvem a novidade.
Cansa a monotonia carregada de um cinzento desespero.
"Morrer — dormir, nada mais; e dizer que pelo sono se findam as dores, como os mil abalos inerentes à carne — é a conclusão que devemos buscar. Morrer — dormir; dormir, talvez sonhar "...
Não me lembro de ter nascido, mas agora que penso que existo, é porque seguramente nasci.
O nascimento vem quase sempre associado à dor da separação.
As dores do parto (agora completamente desvalorizadas com o advento das epidurais que desconheço), e as dores do neonato, aflitivas e desesperadas de quem não aprendeu a respirar gasoso e quer desesperadamente voltar para o seu aconchego.
Devo ter chorado também, mas tinha o peito quente da minha mãe em meu aguardo, o bater daquele coração que certamente me embalou durante os nove meses em que me abrigou no seu ventre, e a voz, aquela voz que acariciava, acalmava e ungia amor.
Desde que tenho memória, nas minhas memórias existe sempre um par de olhos cor do mar, sorridentes e meigos, afagos ternos que enchiam o coração de felicidade e um colo sereno para desabafar alegrias e tristezas.
Foi sempre assim. Mesmo quando ambas colidíamos como fogosos meteoritos nas nossas opiniões de mulheres de signo do fogo, acabávamos sempre a rir. Sempre. De tudo. De nada.
...
Quis o destino que na quinta feira resolvesses descansar um pouco naquela poltrona que teimaste trazer para a casa nova, porque era a poltrona do Pai. E adormeceste, Mãe.
Acredito que sonhaste com o Pai, que eram novos, belos, saudáveis e orgulhosos dos filhos, dos netos e da bisneta. E sentiste-te tão feliz, que não quiseste voltar.
Sempre que fecho os olhos, vejo-te lá, calma , serena, descansada. Só te faltava o calor do teu embalo, porque esse acompanhou-te para que lá de longe nos possas embalar.
Naquele dia negro de vento e chuva, no dia em que completariam , tu e o Pai, 60 anos de bodas de diamante, olhando para o fumo que subia da lúgubre chaminé e que contra a força de todos os elementos da Natureza subia direitinho até se diluir no éter, soube que ias ficar bem.
Não há dor maior, do que a dor da separação.
Olha por nós com o amor com que nos guiaste sempre e que com nos ensinaste a amar.
"Só a fantasia permanece sempre jovem; o que nunca aconteceu nunca envelhece."
Schiller
Nunca gostei muito de me mascarar.
Num tempo de Carnaval, numa galáxia temporal muito, muito distante, quis muito disfarçar-me de Rainha de Copas, seguramente influências de Lewis Carroll e de Walt Disney, mas não havia fatiota de guarda roupa que preenchesse os requisitos, pelo que fui levada ao engano de que um fato de fada com todos os atributos da mesma, iria ser espectacularmente divertido e inquestionavelmente deslumbrante.
Lá fui eu toda lampeira, coberta de tules verde água, com uma varinha estrelada, vaporosa e não segura, mas conformada qb.
O meu contento foi tão breve quanto curto era o caminho de casa. O meu Pai, benza-o Deus e à franqueza que creio lhe ter herdado, assim que me viu com o ensemble do disfarce, não conseguiu deixar de apontar que o velado e etéreo chapéu de fada se parecia demasiado a um cartucho de castanhas assadas... o que era tristemente verdade.
Não me lembro de mais disfarces de Carnaval na minha meninice. Nunca cheguei a vestir-me de Rainha de Copas, mas há bem pouco tempo, inventei uma fatiota de Mad Hatter para uma festa de fantasias, que me assentou que nem uma luva... mero acaso ou facto comprovado de personalidade gemelar ?
E depois convenci a prole de que Alice era o melhor nome para uma neta de moi, e podem crer que foi na mouche. Não conheço tagarela mais curiosa e espertalhona, caramba !
Ainda assim, e porque os recalcamentos da infância são lixados, tentei convencer a Alice de que seria uma excelente Rainha de Copas, já previamente munida de prints e fotos dos diversos filmes e de vários fatos de máscara para sustentar a minha argumentação, mas não venci nem convenci . Fui derrotada em toda a linha por uma simpática roedora que deitou por terra todas as minhas pretensões à criação de uma Minnie me ...
"O prazer da comida é o único que, desfrutado com moderação, não acaba por cansar."
Nunca escondi que sou gulosa.
Tenho os meus petiscos de eleição. Gosto de doces bem confeccionados, mas perco-me por queijo. Qualquer queijo. Todo o queijo.
O meu pai era de Castelo Branco. Lá em casa havia sempre queijo. Queijo tipo rabaçal de boca cheia, queijo picante ( o famigerado queijo chulé), queijo conservado em azeite aveludado e suave, queijo tipo Nisa, mais seco e fantástico e queijo tipo Serra para comer à colherada , simplesmente fabuloso .
Para mim, desde que haja queijo, está-se bem.
Ou pelo menos estava-se
Não me lembro de não ter queijo para comer sempre que me apetecesse.
E apetecer, apetece sempre, mas diz que não.
Com o avançar da idade tornamo-nos mais serenos, mais calmos, mais ricos em saber e em saber que ganhámos candura, temperança, conhecimento e peso.
O peso, não é apenas o dos anos, é mais o do que o esqueleto suporta e comporta e toda uma série de óbices que traz por acréscimo.
Drogas, chás e dietas... eu... a ... fazer... dieta !!!!
Tudo light e com moderação... pois sim.
Alguém já provou queijo limiano light ? Daquele que não se sabe bem se estamos a comer o queijo ou a embalagem de plástico ? Não ? Então provem e digam de sua justiça.
Alguém já provou qualquer queijo digno do nome em versão light que não soubesse a PVC fatiado?
E leite magro? Parece a aguada de cal, com que a minha avó caiava a chaminé. Não tem sabor nem odor... é tudo menos leite.
Este ano de 2018 é o ano da "Grande Mudança". Deixarei de ser uma cinquentona enxuta e passarei humildemente à condição de sexagenária.
A Grande Mudança vai chegar sem qualquer alteração, se Deus quiser. Mudarei muito pouco ou nada na minha vida. Seja pela efeméride, tampouco pelas gordurices.
Não vou comer coisas light nem PVCs ou esferovites.
Para tudo é preciso moderação e eu sempre soube quando era preciso parar, mas vou deixar as alfaces para os grilos e as sementes para os passarinhos: tenho um queijo de Azeitão à minha espera que é um mimo.
"Um espirito mesquinho é como um microscópio, aumenta as pequenas coisas, mas impede de ver as grandes."
P. Chesterfield
O perdão no geral, é um mito.
É necessário uma sublime nobreza de alma para alcançar o engrandecimento do perdão.
Não acredito na capacidade de perdoar. Normalmente confundimos perdão com tolerância, com aceitação, mas não poderão ser de modo algum confundidos em termos de grandeza espiritual.
Não será seguramente o perdão um dos meus votos para o vindouro 2018. Não lhe vejo futuro e há que ser pragmático.
Os meus melhores votos de entendimento e paz e que os homens consigam finalmente desempenhar o seu papel de vigilantes da vida e não se limitem a ser apenas estáticas figuras de acção e espectadores passivos dos factos.
Ao toque da décima segunda badalada, guardemos alguns minutos para introspeção e depois libertemos o grito que nos exorciza os demónios , nos purifica a alma e nos liberta da masmorra dos últimos 365 dias, de onde corremos para abraçar a vida nova que se nos oferece.
Que tenhamos a sabedoria de a saber viver com sensatez.
O tempo que passa, não passa depressa, o que passa depressa é o tempo que passou.
Vergílio Ferreira
Perguntaram-me o que queria este Natal. E eu pedi tempo.
Não preciso de roupas ou adornos. Para que os quero, se nem tenho tempo para os usar ?
Não preciso de doces ou cálidos vinhos. Para que os quero se não tenho tempo de os saborear?
Para quê pedir saúde se nem tempo tenho para poder estar doente ?
Fiz uma pesquisa na internet, fonte de todas as soluções para quem como eu sofre de síndrome crónica de falta de tempo.
Li por lá que é apenas uma questão de saber geri-lo com comedimento e sensatez.
Abri uma conta-poupança de tempo, que gere e aplica não as horas mortas, que essas são um luxo que desconheço há muito tempo, mas contabiliza ao centésimo de segundo o tempo desocupado e, com sorte, daqui a 10 anos talvez consiga um dia inteirinho de qualidade só para mim.
Quando finalmente tiver a sorte de ter tempo, afinal acabou o meu tempo, quem sabe.
Não podendo dar tempo ao tempo nem mais tempo a mim própria , aproveitei uma consulta online para passar aqui, cinco anos depois de muitas alegrias, alguma decepção e bastante marasmo - mea culpa- para desejar a todos os amigos e a todos os que nunca desistiram de me ler, mesmo quando nada escrevia , um SANTO NATAL.
Bem hajam e que o tempo seja para vós uma enorme jubilação .
As pessoas são chatas e convencidas. Nasceram assim ou fizeram-se deste modo, nesta sociedade do audiovisual e das redes sociais ?
Em mais uma das minhas fazes anuais de morcego, descobri um novo tipo de animal humano, que prima pela omnisciência que adquire tipo mousse Alsa: basta juntar água.
Refiro-me ao Homogooglens, o tudólogo do Google.
O nível de conhecimento que o Google confere a estas pessoas, que proliferam como mosquitos ao redor da luz que emana da partícula de Deus que carregam permanentemente consigo como se do fogo primordial se tratasse , é excepcional, elevadíssimo e sempre correcto.
Como pode um comum mortal de preovecta idade competir com um homogooglens de brilhante telefone na mão, a debitar impropérios acerca da incompetência das pessoas que não cumprem o que está escarrapachado no Google com todas as letras, mapas e imagens ?
Isto merece uma crítica negativa no Facebook ou no Tweeter.
Tal inépcia mimoseia-nos com entrada directa para a candidatura a desqualificado de primeiro grau, pela incapacidade de ler e fazer cumprir o que diz o Google ali, logo na primeira página , após uma pesquisa que devolve mais de cinco mil entradas.
Tentar explicar ao homogooglens que em Montain View os Senhores não gerem as páginas particulares de cada um, limitam-se a ser um motor de busca no geral, por sinal bastante competente, mas cujas actualizações deixam bastante a desejar, não é tarefa fácil, é tarefa impossível. É que está ali, ALI, na sua mão vê? Vejo, mas está errado. Provecta, estúpida e iletrada, que nem ler sabe...
Imprimo um printscreen da página oficial e mostro-o ao homogooglens... papel e tinta para deitar para o lixo, claro... isso é de onde? Não está no Google! Está, se procurar e não se ficar pela fachada...
Já experimentou googlar o seu nome ? Então faça-o e veja quantos são e qual deles é o Senhor.
Deixo-os no vício, entretidos a descobrir-se na internet e ao êxtase que lhes proporciona o imenso saber que lhes oferece.
Está quase na hora de sair para o escuro e tentar encontrar no silêncio da noite a absolvição para os meus pecados, que devem ser muitos e copiosos, porque ninguém merece tão insensata expiação.
Três coisas devem ser feitas por um juiz: ouvir atentamente, considerar sobriamente e decidir imparcialmente.
Sócrates ( não , não era Engenheiro...)
Com tanta ladroagem , tanto burlão, tanto assassino, tanto criminoso em geral a aguardar julgamento por delitos cuja gravidade ultrapassa tantas vezes a imaginação, o João foi hoje presente ao juízo de instrução, praticamente 24 horas após a perpetração do seu "crime" de lesa agente da PSP em pensamentos e algumas palavras, que se traduziram no bico de obra de que aqui falei, na anterior publicação.
Foi ouvido e condenado a DOIS ANOS de pena suspensa, e apenas por falta de antecedentes que imputassem qualquer risco ao seu comportamento de homem e cidadão português, durante quase 40 anos.
Foi a sentença também acrescida de uma sanção pecuniária de 250,00€ .
O João resignou-se. Quer esquecer que tudo isto aconteceu e voltar à normalidade e pacatez da sua vida profissional e familiar. Quer voltar a sair para pescar e abstrair-se do mundo.
Pena que a justiça nos tempos de hoje não seja apenas cega, mas surda, parcial e prolixa.
E dura lex, sed lex, deveria ser igual para todos, mas aqui é que a porca torce o rabo, porque "todos" não são iguais perante a lei.
Como dizia Orwell e muito bem, uns são muito mais iguais do que os outros, basta serem conhecidos, poderem cobrar favores e terem um pé de meia offshore.
O homem que não sabe controlar-se a si mesmo torna-se absurdo quando quer controlar os outros.
Textos Judaicos
O abuso de autoridade das forças policiais é uma aberração que devia ter legislação e punição disciplinar adequada.
Abusar da autoridade não significa apenas andar por aí aos tiros e causar vítimas inocentes ou não, seguramente danos colaterais da falta de formação e preparação adequadas, com que os nossos agentes são despejados para as ruas, para manter a paz e fazer cumprir a lei.
Senão vejamos o que se passou hoje.
O João saiu de casa cedo para ir trabalhar. Saiu com a família toda. Iam bem dispostos , tomaram café no Sr. Macário, conversaram com os vizinhos e rumaram ao carro.
Meteram-se a caminho e a primeira paragem foi o Centro Comercial para deixar a esposa e as crianças a ver as montras e as iluminações de Natal.
Seguiu para o trabalho, sem pressa, tinha tempo, aliás ia com tempo porque sabia da dificuldade de estacionar em Belém num Domingo com Render da Guarda.
Chegou com tempo ao seu destino, como costuma dizer a voz falsa do GPS. Não havia lugares livres para estacionar, naturalmente... Mirou um TucTuc a aguardar passageiro, olhou para o relógio e deixou-se ficar a aguardar que saísse.
Havia mais polícia na rua, como normalmente acontece nos dias do Render da Guarda.
Um agente garboso, novinho, tão novinho que até parecia verde, estava em amena cavaqueira com a simpática e esguia condutora/guia, sentada no banco do motorista do TucTuc, que entretanto foi tomado por meia dúzia de turistas e partiu alegremente à descoberta de Lisboa.
O João que esperara pacientemente o lugar, estacionou.
É então que o mesmo agente verdinho e garboso, que animadamente conversara com a condutora do TucTuc informa o João que não pode estacionar ali.
"Mas Sr. Agente, estava aqui um TucTuc, que é uma viatura sujeita às mesmas regras de estacionamento que os outros veículos, e o Sr. Agente não só deixou estar, como entabulou animada conversa com a condutora." "Circule, já disse!" Mas é porque sou homem que não posso estacionar, ou quê ?" Disse o João aborrecido e arrancando com o carro. Nem 3 metros, outro agente manda-o parar , sair do carro e identificar-se, chega o colega, mais um empurrão, e é então que o João fez o que ninguém deveria fazer... empurrou de volta.
Seguraram-no virado para o carro, para o tentar algemar. O João ofereceu resistência, aquilo era um bocado ridículo... então e por isso mesmo, entrou em cena o Corpo de Intervenção, foi-lhe dada voz de prisão. Detido, roto de calças , camisa e casaco, foi enfiado vigorosamente numa carrinha blindada e enviado para a Esquadra do Lumiar. Tudo isto aconteceu bem em frente ao seu local de trabalho...
Se não fosse triste demais, daria seguramente para rir à gargalhada.
Pergunto-me e deixo no ar este pensamento:
Que Polícia é esta que nós temos que para autuar um incumprimento de transito, tem que o CI intervir e prender uma pessoa que ia pacificamente trabalhar, tratando-a do mesmo modo como trataria um ladrão ou um terrorista ?
Que o João merecia uma multa, sem dúvida, agora CI e voz de prisão e aquele aparato todo ?!?
E isto sai-nos bem caro, a todos, todos os dias...
“Mais do que o dinheiro, o mundo é movido pelas trocas de favor.”
HARUKI MURAKAM
Há novelos que em começando a desenrolar uma ponta os fios da meada espalham-se por todo o lado e de tal modo, que chega a um ponto em que deixa de haver ponta por onde se lhes pegar.
Aqui a solução é agarrar no baraço e colocar tudo no mesmo saco.
Não me interpretem mal. Como toda a gente com valores definidos e com alguma experiência de facto, acredito que todo o assédio sexual é tóxico, lesivo e perigoso, e deve ser punido como o acto de violação que representa.
Queria apenas falar-vos do actor que deu corpo ao meu vilão favorito de todos os tempos,o ubíquo, misterioso e indeterminado Kayser Söze, brilhantemente interpretado na tela por Kevin Spacey, um dos homens do momento.
Quem viu atentamente o filme de 1997 " Meia noite no jardim do bem e do mal" realizado por Clint Eastwood, não pode ter ficado indiferente à "roupagem" cénica de Spacey, uma pele sobre a pele, de tal modo que a certo ponto ninguém consegue dissociar o actor da personagem.
Eu, que não sou psicóloga nem vidente, nem tenho um QI astronómico, com aquela interpretação soube.
Por isso sempre pensei que o Óscar em 1999 por "American Beauty" foi mais que merecido, apesar da ambiência do argumento tender a deixar o actor um tanto confortável.
O facto de que um homem com mais de 40 anos que vai a todas as cerimónias dos Óscars ano após ano acompanhado pela mãe, ajuda a fortalecer a tese.
OK. O Kevin Spacey é homossexual. Que novidade!!
Não quis revelar-se até há alguns dias atrás. E dai? Escolha dele.
Assediou sexualmente homens durante 30 anos...
Pois , é capaz de o ter feito a alguns, ele próprio o confessou.
Agora que abriu a Caça às Bruxas, com o Weinstein, não vai parar por aqui. Ontem o Kevin, amanhã quem sabe ?
Até há pouco tempo Frank Underwood era o presidente de todos os estados, agora em estado de desgraça, foi despedido. Não estarão a impor o impeachment ao presidente errado ?
Quem (dentro dessa corja que são os social climbers) nunca tenha em Hollywood, lucrado com benefícios e proveitos obtidos consensualmente na horizontal, que atire a primeira pedra.
Calculo a quantidade de carreiras que não se alicerçaram em favores que agora são escarros de ódio em cheio na cara de quem os ajudou.
Dizem os antigos que uma mão lava a outra e ambas lavam... as costas - grande verdade, porque hoje nas costas de tanta gente, conseguimos um vislumbre das nossas próprias.