domingo, 18 de novembro de 2018

Crisis, What Crisis ?

"No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise."

Dante Alighieri





O Mundo está "em crise":

Crise Económica
Crise Financeira
Crise Climatérica
Crise Judicial
Crise de Ética
Crise Existencial
Crise de Ansiedade
Crise de Identidade
Crise de Honestidade
Crise Religiosa

Crise de carácter

Crise disto, daquilo e daqueloutro ...

O que está mal no mundo, o que está podre, quebrado, o que entrou em desuso e é usado até à exaustão, o que é abusivo, destrutivo, disruptivo, o que é intolerante, cruel, inclemente e sectário, o que é desonesto, parasita, verme, canalha,  o que é extremista, obtuso, ignorante, insultuoso, intratável, sem trato nem tracto nem tacto, nem sabor, nem gosto, nem olfacto.

Amorfo

Tudo o que destrói
Tudo o que desconstrói
Tudo o que é criminoso
Tudo o que é crítico

É tudo culpa "da crise" 





                          

sábado, 7 de julho de 2018

As 10 mais... ou mais ou menos... por aí

Nem sempre podemos agradar, mas podemos tentar escrever sempre agradavelmente.

Parafraseando Voltaire de um modo muito meu, vou tentar não desapontar e aceitar continuar a corrente que a Sarin me propôs para este verão, subordinada ao tema :

10 actividades que tenciono fazer este Verão

Então, let the fun begin :

1. Tentar tirar o blog do coma induzido e escrever alguma coisa de jeito, tarefa hercúlea, bem sei, mas pode acontecer que acorde inspirada depois de uma noite mal dormida em que, após a  martelada do despertador,  reparo que acabou o café.Tragédias sempre foram uma fonte de inspiração.

2. Não apanhar sol. Para quê gastar dinheiro em banhas para as rugas, quando sei perfeitamente que o pior inimigo dos pés de galinha é espetar as fuças nos UVs.

3.Tomar dose reforçada de suplemento para a paciência neste período de época alta no que toca ao turismo e à estupidez humana.

4. Não comer crepes com gelado à maluca.Apesar de me estar completamente a borrifar para as dietas, tenho que ter um bocadinho de bom senso, caramba! Crepes com gelado e frutos vermelhos... vou deixar os apetites para algo mais saudável como um bem derretido queijinho de Azeitão com bolachas integrais.

5. Acabar de ver La Casa de Papel, de que não consigo de modo algum encontrar os episódios 14 e 15 e isso deixa-me bastante contrariada.

6. Ler mais do que 6 livros nas férias de Setembro (... é verdade, faltam precisamente 2 meses)

7. Nadar. É tão preciso como navegar.

8. Experimentar ouriço do mar, que me dizem ser a 8ª maravilha gastronómica. Não sou fã de sushi ou sashimi. A ver vamos , ou melhor a saborear, saboreamos.

9. Sentar-me ao PC e explorar todas as hipóteses viáveis de fazer o Caminho de Santiago sem me dar um fanico...Talvez de carro ?

10. Descansar muito. É difícil, mas vou tentar dar o meu melhor.

Do meu tempo 



Ponho às aranhas a Loura de Também quero um Blog.A Susana de A Voz à solta . A Capitã Cooka de Stars & Mythical Creatures .  A Sexinho de O Sexo e a idade e o Robinson Kanes de Não é Que não Houvesse 😊😊😊

 Boa época estival para todos os que gostam de muito calor. Pessoalmente dispenso tudo o que suba acima do 30º, mas faço votos para que todos os que vão a banhos, nos mares, nos rios ou nos lagos... está bem, piscinas também, voltem repousados para mais um ano de rebuliço. 

domingo, 17 de junho de 2018

Estranhos, todos

"O ser humano não é intrinsecamente bom nem mau. O que verifico é que a bondade é mais difícil de alcançar e de exercer. E bem e mal são conceitos demasiado amplos. É mais fácil ser mau, mau nas suas formas menores, mau em tudo aquilo que nos afasta do outro, do que ser bom."

José Saramago









O ser humano... o ser humano é uma caixa de pandora quase fechada. É capaz de práticas abnegadas, desprendidas, até altruístas  e de cometer ao mesmo tempo  o mais hediondo dos crimes, com toda a destreza, como se de nada se tratasse.

Saramago tem toda a razão quando afirma que é muito mais fácil ser mau; sinto isso na pele todos os dias. Era tão bom poder pregar um estalo em vez de sorrir e tentar contemporizar. Quantas vezes o irreverente demónio que advoga as minhas decisões não me diz para os mandar catar?... ou pior ?

O tal anjo da guarda, que é certo e sabido que todos temos e que nos ensina o caminho das pedras para que possamos amar o próximo, mesmo quando queremos que não haja próximo porque estamos fartos de gente maçadora a azucrinar o parco equilíbrio que nos resta , esse não diz nada, porque já sabe que a coisa iria funcionar tipo " gato do Sr. Lopes", e acabava por sobrar para ele.

Há três anos, quando abracei a minha condição de avó, tomei a resolução de nunca mais pintar o cabelo. Não foi decisão que considerasse de animo leve, já que deixar sair a cor natural depois de anos e anos de tintas não é tarefa fácil, já para não falar no aspecto desleixado e ar de desmazelo que o espelho devolve todos os dias durante mais de um ano, e que não deixa de fazer fornicoques na massa cinzenta.
Alcançado o objectivo e o lindo tom sal e pimenta brilhante e sadio que se pretendia, verifico que o meu singelo encanto em tons de cinzento, cedo se converteu naquilo a que chamo" branco mais branco, não há"...

Não culpo a vida, os desgostos e as tristezas. Tudo isto sempre fez e fará parte do percurso. Culpo as pessoas, as pessoas são estranhas. Culpo a insensibilidade, a arrogância, a malvadez. Culpo as falhas profundas que o tempo sulcou na minha fleuma...culpo a moda do stress.

Dias há que de apoplética chego aos 22 de máxima, e maldigo tudo e todos, desde a z8-GND-5296 até à fossa das Marianas...

Qualquer dia...

"Morreu na contramão atrapalhando o público"

Fez três meses que perdi a minha mãe. Pensa-se muito em tudo isto. A nossa própria mortalidade é um pensamento constante...

Não há paz, só gente muita gente; gente grande ,pequena, alta, baixa, gorda, magra, clara ,escura, numa cacofonia de palavras sem sentido, o ruído , o barulho, e a recorrente vontade de fazer mal.



segunda-feira, 30 de abril de 2018

Azul, que te quero azul

“Para vermos o azul, olhamos para o céu. A Terra é azul para quem a olha do céu. Azul será uma cor em si, ou uma questão de distância? Ou uma questão de grande nostalgia? O inalcançável é sempre azul.” 

Clarice Lispector





Fecho os olhos e deixo-me levar. Vou ao sabor da maré do sentimento. Flutuo num caudal pardacento. Vou com a corrente para onde a corrente me levar. Não quero saber. Não me interessa. Não quero acordar nesta realidade  a que a própria realidade me obriga . 

Mudar de espaço físico não é deixar para trás os males do mundo e os meus. É apenas não pensar neles enquanto os sentidos absorvem a novidade.

Cansa a monotonia carregada de um cinzento desespero.








Quero cor.
Quero vida.
Quero azul.


quinta-feira, 15 de março de 2018

Separação



"Morrer — dormir, nada mais; e dizer que pelo sono se findam as dores, como os mil abalos inerentes à carne — é a conclusão que devemos buscar. Morrer — dormir; dormir, talvez sonhar "...






Não me lembro de ter nascido, mas agora que penso que existo, é porque seguramente nasci.

O nascimento vem quase sempre associado à dor da separação.

As dores do parto (agora completamente desvalorizadas com o advento das epidurais que desconheço), e as dores do neonato, aflitivas e desesperadas de quem não aprendeu a respirar gasoso e  quer desesperadamente voltar para o seu aconchego. 

Devo ter chorado também, mas tinha o peito quente da minha mãe em meu aguardo, o bater daquele coração que certamente me embalou durante os nove meses em que me abrigou no seu ventre, e a voz, aquela voz que acariciava, acalmava e ungia amor.

Desde que tenho memória, nas minhas memórias existe sempre um par de olhos cor do mar, sorridentes e meigos, afagos ternos que enchiam o coração de felicidade e um colo sereno para desabafar alegrias e tristezas.

Foi sempre assim. Mesmo quando ambas colidíamos  como fogosos meteoritos nas nossas opiniões de mulheres de signo do fogo, acabávamos sempre a rir. Sempre. De tudo. De nada.

                                                                  ...

Quis o destino que na quinta feira resolvesses descansar um pouco naquela poltrona que teimaste trazer para a casa nova, porque era a poltrona do Pai. E adormeceste, Mãe.

Acredito que sonhaste com o Pai, que eram novos, belos, saudáveis e orgulhosos dos filhos, dos netos e da bisneta. E sentiste-te tão feliz, que não quiseste voltar.

Sempre que fecho os olhos, vejo-te lá, calma , serena, descansada. Só te faltava o calor do teu embalo, porque esse acompanhou-te para que lá de longe nos possas embalar.

Naquele dia negro de vento e chuva, no dia em que completariam , tu e o Pai, 60 anos de bodas de diamante, olhando para o fumo que subia da lúgubre chaminé e que contra a força de todos os elementos da Natureza subia direitinho até se diluir no éter, soube que ias ficar bem.

Não há dor maior, do que a dor da separação.

Olha por nós com o amor com que nos guiaste sempre e que com nos ensinaste a amar.


Beijos, minha Mãe.



terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Bem te conheço, oh Máscara...

"Só a fantasia permanece sempre jovem; o que nunca aconteceu nunca envelhece."
 
Schiller





Nunca gostei muito de me mascarar.

Num tempo de  Carnaval,  numa galáxia temporal muito, muito distante, quis muito disfarçar-me de Rainha de Copas, seguramente influências de Lewis Carroll e de Walt Disney, mas não havia fatiota de guarda roupa que preenchesse os requisitos, pelo que fui levada ao engano de que um fato de fada com todos os atributos da mesma, iria ser espectacularmente divertido e inquestionavelmente deslumbrante.

Lá fui eu  toda lampeira, coberta de tules verde água, com uma varinha estrelada, vaporosa e não segura, mas conformada qb.
O meu contento foi tão breve quanto curto era o caminho de casa. O meu Pai,  benza-o Deus e à franqueza que creio lhe ter herdado, assim que me viu com o ensemble do disfarce, não conseguiu deixar de apontar que o velado e etéreo chapéu de fada se parecia demasiado a um cartucho de castanhas assadas... o que era tristemente verdade.

Não me lembro de mais disfarces de Carnaval na minha meninice. Nunca cheguei a vestir-me de Rainha de Copas, mas há bem pouco tempo, inventei uma fatiota de Mad Hatter para uma festa de fantasias, que me assentou que nem uma luva... mero acaso ou facto comprovado de  personalidade gemelar ?

E depois convenci a prole de que Alice era o melhor nome para uma neta de moi, e podem crer que foi na mouche. Não conheço tagarela mais curiosa e espertalhona, caramba !

Ainda assim, e porque os recalcamentos da infância são lixados, tentei convencer a Alice de que seria uma excelente Rainha de Copas, já previamente munida de prints e fotos dos diversos filmes e de vários fatos de máscara para sustentar a minha argumentação, mas não venci nem convenci . Fui derrotada em toda a linha por uma simpática roedora que deitou por terra todas as minhas pretensões à criação de uma Minnie me ...



sábado, 27 de janeiro de 2018

Say "Cheese" !

"O prazer da comida é o único que, desfrutado com moderação, não acaba por cansar."




Nunca escondi que sou gulosa.

Tenho os meus petiscos de eleição. Gosto de doces bem confeccionados, mas perco-me por queijo. Qualquer queijo. Todo o queijo.
O meu pai era de Castelo Branco. Lá em casa havia sempre queijo. Queijo tipo rabaçal de boca cheia, queijo picante ( o famigerado queijo chulé), queijo conservado em azeite aveludado e suave, queijo tipo Nisa, mais seco e fantástico e queijo tipo Serra para comer à colherada , simplesmente fabuloso . 

Para mim, desde que haja queijo, está-se bem.

Ou pelo menos estava-se

Não me lembro de não ter queijo para comer sempre que me apetecesse.
E apetecer, apetece sempre, mas diz que não.

Com o avançar da idade tornamo-nos mais serenos, mais calmos, mais ricos em saber e em saber que ganhámos candura, temperança,  conhecimento e peso.
O peso, não é apenas o dos anos, é mais o do que o esqueleto suporta e comporta e toda uma série de óbices que traz por acréscimo.

HDL, LDL, VLDL, TOTAL... totalmente   dessincronizados...

Drogas, chás e dietas... eu... a ... fazer... dieta !!!!

Tudo light e com moderação... pois sim.

Alguém já provou queijo limiano light ? Daquele que não se sabe bem se  estamos a comer o queijo ou a embalagem de plástico ? Não ? Então provem e digam de sua justiça.
Alguém já provou qualquer queijo digno do nome em versão light que não soubesse a PVC fatiado?
E leite magro? Parece a aguada de cal, com que a minha avó caiava a chaminé. Não tem sabor nem odor... é tudo menos leite.

Este ano de 2018 é o ano da "Grande Mudança". Deixarei de ser uma cinquentona enxuta e passarei humildemente à condição de sexagenária.
A Grande Mudança vai chegar sem qualquer alteração, se Deus quiser. Mudarei muito pouco ou nada na minha vida. Seja pela efeméride, tampouco pelas gordurices. 
Não vou comer coisas light nem PVCs ou esferovites.

Para tudo é preciso moderação e eu sempre soube quando era preciso parar, mas vou deixar as alfaces para os grilos e as sementes para os passarinhos: tenho um queijo de Azeitão à minha espera que é um mimo.