domingo, 19 de novembro de 2017

Polícia, para que te quero

O homem que não sabe controlar-se a si mesmo torna-se absurdo quando quer controlar os outros.



Textos Judaicos










O abuso de autoridade das forças policiais é uma aberração que devia ter legislação e punição disciplinar adequada.
Abusar da autoridade não significa apenas andar por aí aos tiros e causar vítimas inocentes ou não, seguramente danos colaterais da falta de formação e preparação adequadas, com que os nossos agentes são despejados para as ruas, para manter a paz e fazer  cumprir a lei.  

Senão vejamos o que se passou hoje.

O João saiu de casa cedo para ir trabalhar. Saiu com a família toda. Iam bem dispostos , tomaram café no Sr. Macário, conversaram com os vizinhos e rumaram ao carro.
Meteram-se a caminho e a primeira paragem foi o Centro Comercial para deixar a esposa e as crianças a ver as montras e as iluminações de Natal.

Seguiu para o trabalho, sem pressa, tinha tempo, aliás ia com tempo porque sabia da dificuldade de estacionar em Belém num Domingo com Render da Guarda.

Chegou com tempo ao seu destino, como costuma dizer a voz falsa do GPS. Não havia lugares livres para estacionar, naturalmente... Mirou um TucTuc a aguardar passageiro, olhou para o relógio e deixou-se ficar a aguardar que saísse.

Havia mais polícia na rua, como normalmente acontece nos dias do Render da Guarda.
Um agente garboso, novinho, tão novinho que até parecia verde, estava em amena cavaqueira com a simpática e esguia condutora/guia, sentada no banco do motorista do TucTuc, que entretanto foi tomado por meia dúzia de turistas e partiu alegremente à descoberta de Lisboa.

O João que esperara pacientemente o lugar, estacionou.

É então que o mesmo agente verdinho e garboso, que animadamente conversara com a condutora do TucTuc informa o João que não pode estacionar ali.
"Mas Sr. Agente, estava aqui um TucTuc, que é uma viatura sujeita às mesmas regras de estacionamento que os outros veículos, e o Sr. Agente não só deixou estar, como entabulou animada conversa com a condutora." "Circule, já disse!" Mas é porque sou homem que não posso estacionar, ou quê ?" Disse o João aborrecido e arrancando com o carro. Nem 3 metros, outro agente manda-o parar ,  sair do carro e identificar-se, chega o colega, mais um empurrão, e é então que o João fez o que ninguém deveria fazer... empurrou de volta.

Seguraram-no virado para o carro, para o tentar algemar. O João ofereceu resistência, aquilo era um bocado ridículo... então e por isso mesmo, entrou em cena o Corpo de Intervenção, foi-lhe dada voz de prisão. Detido, roto de calças , camisa e casaco,  foi enfiado vigorosamente numa carrinha blindada e enviado para a Esquadra  do Lumiar. 
Tudo isto aconteceu bem em frente ao seu local de trabalho...

Se não fosse triste demais, daria seguramente para rir à gargalhada.

Pergunto-me e deixo no ar este pensamento:

Que Polícia é esta que nós temos que para autuar um incumprimento de transito, tem que  o CI intervir e prender uma pessoa que ia pacificamente trabalhar, tratando-a do mesmo modo como trataria  um ladrão ou um terrorista  ?

Que o João merecia uma multa, sem dúvida, agora CI e voz de prisão e aquele aparato todo ?!?

E isto sai-nos bem caro, a todos, todos os dias...



















4 comentários:

  1. Não esquecer o oposto - o desrespeito pelas forças de segurança.
    Um erro nunca corrige outro.
    Boa semana

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    1. Absolutamente, Pedro. Desrespeitar uma indicação de trânsito, porque foi o que aconteceu, implica uma multa. Quanto muito pediam-lhe a identificação, faziam o despiste do álcool e autoavam-no. O resto foi para inglês ver, português pagar e humilhar o homem, porque afinal, quem manda pode.
      Abeaço.

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  2. O abuso de autoridade está cada vez mais impregnado na mente das pessoas sejam elas polícias ou não. Gostei da narrativa.
    Uma boa semana.
    Um beijo.

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    1. Olá Graça, obrigada. Não estou a querer crucificar a Plícia em geral, nem penso que o rapaz não tenha dito duas ou três coisas menis ageadáveus. Apenas pretendo sobressair o exagero, porque, como em todo o lado, nas fileiras da nossa força policial há indivíduos intragáveis. Pessoalmente conheço alguns que no exercício das suas funções pensam que são Deus.
      Beijinho.

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É aqui que me mandas dar uma curva