quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Sou e não sou , serei... Quem sabe ? Eu sei que não sei...



Se sabemos viver, sabemos tudo.

Textos Judaicos
















Quem somos, donde viemos, para onde vamos...

As célebres dúvidas existenciais para as quais ninguém tem resposta certa.

Ninguém ? Ninguém não! Eu pelo menos durante dois meses por anos sei EXACTAMENTE de onde vim e para onde vou.

Vim do trabalho e vou para casa. Vim da casa e vou para o trabalho.

Pode parecer monocórdico, monótono, enfadonho até, mas desengane-se quem pensa que algo tão simples não possa promover fúrias, complicações, desatinos, peripécias mil e até gargalhadas sem fim.

E é aqui que chegamos à parte do quem somos.
Pois na realidade , dias há que não sei, ou  só sei que nada sei, ou sei muito mais do que julgo e muito menos do que imagino, ou só sei o que já não me surpreende, ou sei o que sou e ignoro em que posso tornar-me, ou se não sei aprendo e se já sei ensino, ou como nada sei, não duvido de nada, ou lanço o saber e não terei tristeza, ou sei coisas inúteis que é muito melhor do que não saber nada, ou sei o que todos sabem, que é o mesmo que nada saber, ou muito sei porque bem conheço a minha ignorância, ou sou sábia porque sei que ignoro tudo ( o que por vezes dá um jeitaço...), mas no fundo reconheço que a condição humana do saber é o silencio ...


Sei lá eu...

De uma coisa não sei, mas tenho a  certeza, é que todos os dias durante estes dois meses,  me sinto dentro de uma fita de pelicula gasta e sem cor definida, em que os mocinhos e os bandidos trocam constantemente entre si de personagem e de falas, mas o filme é mudo e eu felizmente não os oiço, talvez porque já não os posso ouvir e preze o silencio como se fosse volfrâmio. Não sou a garota histérica amarrada aos carris do comboio, sou o comboio que percorre todas as estações , espera não atropelar ninguém e no final da corrida, a soprar negro de fumo, anseia por caras alegres e sorrisos cansados mas genuínos, e o balsamo do  som sem ruido que consegui deixar fechado lá atrás, para além do portão azul.

Estão 30 graus  lá fora, a dona sol ofusca a primeira estrela e o chá fervente anima e reconforta. O ronronar também. Até o ressonar me arranca um sorriso de reconhecimento e paz. É tão bom não ter nada para dizer.


É apenas para viver.







3 comentários:

  1. Se tinha dúvidas que devemos viver um dia de cada vez, e intensamente, os últimos dias teriam dissipado essas dúvidas.
    Boa semana

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  2. o acto do Hato foi terrível. Penso que sim Pedro, um dia de cada vez.
    abraço.

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  3. "É tão bom não ter nada para dizer."
    Mas disseste TANTO!!!
    Saber viver, no sentido da vivência interior e do encantamento de proximidade, é sapiência!
    Excelente!
    Bjo, Dulce

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É aqui que me mandas dar uma curva