domingo, 9 de julho de 2017

Vencida da Vida ?


"Nada é mais fácil do que se iludir, pois todo o homem acredita que aquilo que deseja seja também verdadeiro"

Demóstenes






 


Muitos posts atrás quando iniciei os Ditos e Escritos e para me situar no espaço e no tempo,  escrevi sobre acontecimentos da minha vida passada. Nunca escondi que o PREC foi a pior altura da minha existência, ultrapassada com alguma adaptação às dificuldades do momento em que se vivia e com a filiação no Partido Socialista, corrompendo de algum modo os ideais pela continuidade. Vivi o partido por dentro, por isso sei. Quando falo,falo do que sei porque experienciei. Não falo apenas porque li ,  ouvi falar ou consta em manifestos.

Assim que a abertura proveniente de nova mudança se proporcionou, pude regressar a mim  e assumir o PPD de Sá Carneiro sem medo de repercussões. Pode ter nascido um mito. Nunca saberei se era ali que estava realmente Portugal. Toda a minha fé partidária se esfumou num triste 4 de Dezembro em Camarate.


A partir daí, tudo perde por comparação e a  ideia recorrente sobre a política no nosso país no pós 25 de Abril,  é que  todas as  eleições legislativas obedecem ao conhecido axioma de que  só mudam  as moscas.


Foi para mim e alguns milhões de Portugueses extremamente gratificante a prisão de José Sócrates no âmbito da Operação Marquês. Deu-nos uma pequena experiencia em democracia na sua verdadeira acepção. Se um Ex-Primeiro Ministro pôde ser detido por corrupção e tráfico de influencias com vista à obtenção de proveitos, ninguém iria ficar impune neste país, fosse qual fosse o crime que cometesse, porque afinal as instituições democráticas funcionam bem e recomendam-se.

Nada mais ilusório.

O prisioneiro 44 de Évora esteve a expensas do estado, escreveu livros, deu entrevistas e continua por aí, a carpir o martírio e as injustiças e a pedir a beatificação.

Vão mudando as cores, mas é só. Os trafulhas continuam a pavonear-se pelo Tamariz, outros por Paris, outros por Maiorca e continuam a delapidar o erário público com os mesmos exageros que apontavam aos antecessores. Continuam a gozar de uma impunidade radicada e estabelecida em relação a algo que sempre prezei muito durante toda a minha vida : RESPONSABILIDADE.

Não prevejo melhoras. O balão de oxigénio foi retirado, mas apenas para refill . Há-de voltar. Virá  cheio? Espero sinceramente que seja suficiente para todos, porque esta terra queimada de tantas políticas , já não  consegue produzir mais táticas.








6 comentários:

  1. "Vão mudando as cores, mas é só. Os trafulhas continuam a pavonear-se pelo Tamariz, outros por Paris, outros por Maiorca e continuam a delapidar o erário público com os mesmos exageros que apontavam aos antecessores. Continuam a gozar de uma impunidade radicada e estabelecida em relação a algo que sempre prezei muito durante toda a minha vida : RESPONSABILIDADE."
    Não posso estar mais de acordo...
    Uma boa semana.
    Beijos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada Graça. Posso parecer retrógrada no modo de pensar, mas não creio que seja de todo incorrecta.

      Eliminar
  2. Vivemos num tempo, em que os verdadeiros valores... se curvam perante a máquina de interesses partidários... e a responsabilidade... dilui-se no meio de tudo isso... entre conchavos e compadrios...
    Um belíssimo e lúcido texto!
    Beijinho! Boa semana!
    Ana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigada Ana. Vivemos o culto da irresponsabilidade social. è muito triste.
      Beijinho.

      Eliminar
  3. No meu próximo post, deixarei um link para aqui, MDR, a propósito de uma citação que encontrei num dos seus posts, e que adorei descobrir por aqui, no outro dia...
    Beijinho! Bom fim de semana!
    Ana

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Beijinho, minha querida. BFS para si também :)

      Eliminar

É aqui que me mandas dar uma curva