"Não há último adeus, senão aquele que se não diz"
Alexandre Dumas
Viajar, num sentido profundo, é morrer. É deixar de ser manjerico à janela do seu quarto e desfazer-se em espanto, em desilusão, em saudade, em cansaço, em movimento, pelo mundo além.
Miguel Torga
Más novas são como drones sinistros, que acoitados nas sombras de um céu carregado, deflagram desolação por toda a parte onde caia a tristeza que pulverizam na sua umbrífera viagem pelo éter dos sentidos.
A onda de choque propaga-se velozmente em vagas de densa e fria incredulidade , que embarga qualquer acção. Faz-se breu. Faz-se dor.
Não posso crer, diz com o mar prestes a despencar em catadupas frente a uma córnea já vermelha de aflição. Desde miúdo, desde miúdo. Olho-o sem o ver. Temos que ir. Posso jurar que a janela baila à minha frente e o meu estomago a acompanha numa rumba silenciosa, enovelando-se mais e mais a cada passo. Uma corrida. Uma partida.
Rumar ao norte sem norte. Fixo pontos no caminho. Não são cardeais, mas é para lá que seguimos.
Os segundos somam minutos que dão lugar a horas que parecem não querer passar.
Não penses, descansa. Como, com este filme que se desenrola inexorável a cada pestanejar ?
Com calma. Com força. Com o respeito que lhe devemos.
A circunstância é sempre igual. A tristeza não tem unidade de medida, porque é grande demais.
Cumpre-se o ritual. Fecha-se mais um ciclo de vida, de uma vida rica, plena , doce e sensata. Corta-se o fio prematuramente, mas as lembranças, essas perdurarão através da prole e das memórias felizes das pessoas que tocou na fugaz passagem.
É noite. Está frio e as poucas pessoas que cruzam os caminhos de sombras cruas não têm rosto, são manchas sem sentido num momento de dor.




Esperança
ResponderEliminarTantas formas revestes, e nenhuma
Me satisfaz!
Vens às vezes no amor, e quase te acredito.
Mas todo o amor é um grito
Desesperado
Que apenas ouve o eco...
Peco
Por absurdo humano:
Quero não sei que cálice profano
Cheio de um vinho herético e sagrado.
Torga é sempre bom. Obrigada Xico. Abraço
EliminarGostei muito desta viagem virtual.
ResponderEliminarGostava de não a ter feito, mas tantas vezes até a tristeza é bela, Pedro.
EliminarAbraço a oriente
Fotos magnificas... e Torga. Amei!!!
ResponderEliminarUm beijo
Torga nunca desaponta. Braga também não. Beijinho Cristina.
EliminarA viagem. A passagem do tempo. A vida que foi e era e será. Gostei de ler.
ResponderEliminarUm beijo.
E será sempre, enquanto memória dela houver. E se as memórias são grandes, Graça... beijinho e obrigada, minha amiga
EliminarÉ sempre demasiado doloroso o fecho de um ciclo de vida.
ResponderEliminarPara os que amei e amo e que já partiram, nunco digo adeus, digo apenas um até breve, pois para mim eles permanecem eternamente comigo dentro do meu coração.
Ficam as recordações para amenizar um pouco a sensação de perda e saudade.
Beijinhos
Maria
A vida continua nas lembranças doces. E até já é o mote da vida de todos nós.
EliminarBeijinho Maria, obrigada
A tristeza não tem unidade de medida, porque é grande demais.
ResponderEliminarÉ assim que tenho me sentido por muitos dias, mas arrisco a esboçar esperanças para seguir.
Um grande início de semana...
Viva, Malu, obrigada.
EliminarCombater a tristeza com alegria que já vivemos é fundamental.
Beijinho.
Olá, MD
ResponderEliminaresse fechar de ciclo para o qual nunca estamos suficientemente preparados, suficientemente mentalizados.
Um deixar de ser manjerico e desfazer-se em saudade - é tão assim.
As fotos são lindas, apesar da tristeza desmedida.
um bj amg no seu coração
Obrigada Carmem. É o tempo e as recordações felizes quem manda na tristeza e colmata a falta.
EliminarBraga, mesmo deserta, é sempre linda
Beijinho, minha amiga
Braga, doce amor, cidade minha do coração. Abraço
ResponderEliminarBraga é a minha cidade de adopção. E nunca desaponta.
EliminarAbraço
Apesar da ilusão de ter na mão o leme, às vezes, durante décadas, a confiar na pendularidade das marés que levam e trazem o barco à praia, o dia em que a precaridade do barro se faz presente surpreende-nos.
ResponderEliminarQue o retomar dos dias se faça na esperança dos dias que hão de vir.
Bem composto e belas fotografias.
"Que o retomar dos dias se faça na esperança dos dias que hão de vir."
EliminarNem mais, Agostinho, meu amigo. É isso mesmo.
Abraço grande
Apesar da ilusão de ter na mão o leme, às vezes, durante décadas, a confiar na pendularidade das marés que levam e trazem o barco à praia, o dia em que a precaridade do barro se faz presente surpreende-nos.
ResponderEliminarQue o retomar dos dias se faça na esperança dos dias que hão de vir.
Bem composto e belas fotografias.
Gosto quando o Agostinho gosta a dobrar.
EliminarGrande, grande abraço, meu amigo
"Não há último adeus, senão aquele que se não diz"
ResponderEliminarE não dizemos, mesmo! Vai-se sentindo e adormecendo nas memórias.
Belíssimo "adeus" em palavras de uma poesia tão tua!
Bjo, Dulce
Querida Odete, que tem a magia de desatar o nó das minhas divagações.
EliminarBeijos e mil obrigados, minha amiga
Olá, MD
ResponderEliminarsó para lhe deixar um beijo.
;)
Obrigada Carmem. :)
EliminarBonitas as fotos!
ResponderEliminarViva, Marta. Braga à noite tem mais arte e magia do que a fotógrafa que lhe tentou captar a beleza. :) :)
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