"Minha inteligência tornou-se um coração cheio de pavor"
Álvaro de Campos
Quantas vezes, ficava a olhar, a olhar
A tua dôce e angelica Figura,
Esquecida, embebida num luar,
Num enlêvo perfeito e graça pura!
E á força de sorrir, de me encantar,
Deante de ti, mimosa Creatura,
Suavemente sentia-me apagar...
E eu era sombra apenas e ternura
Teixeira de Pascoaes
A tua dôce e angelica Figura,
Esquecida, embebida num luar,
Num enlêvo perfeito e graça pura!
E á força de sorrir, de me encantar,
Deante de ti, mimosa Creatura,
Suavemente sentia-me apagar...
E eu era sombra apenas e ternura
Teixeira de Pascoaes
Faz hoje um ano.
Nasceu apressada, a pequena amostra de gente, mas iluminou com o seu choro as lágrimas de alegria que corriam ansiosas pelas faces expectantes de quem esperava a boa nova.
Era uma trouxinha diminuta que cabia na cova de um braço, mas irradiava tanto amor como uma estrela à volta da qual gravitavam uma série de mundos próprios de cada um, porque cada um encerra em si o seu próprio mundo e são todos esses mundos juntos, que formam o universo de igualdades e diferenças a que chamamos humanidade.
Rapidamente nos tornámos heliocêntricos de carinhos e desvelos. Era vê-la brilhar radiante para nós.
Uma tarde, igual a tantas tardes em que conversávamos sobre tudo e sobre nada , o tsunami do horror irrompeu em cascatas sangrentas.
O telescópio côncavo da minha memória desse dia, teima em não me deixar recordar vividamente os pormenores.
O gelo das mãos dormentes, o rosto sem cor, uma fresta branca por onde saía o som " Não a deixes" " Sossega que não deixo". Não deixei.
Vi as luzes, ouvi a sirene, sempre com a trouxinha apertada contra o peito, alheia no seu pequeno mundo, ao que se passava com os outros mundos que orbitavam ao seu redor. Bendita inocência.
Foram dias terríveis. Foram dias de incertezas e de ignorância.
Não saber.
Não saber torna-nos impotentes perante tudo.
Eu queria estar lá e confortá-la, e sentá-la no colo e dizer-lhe que sim, que podia chorar, que chorar alivia , que iria ficar bem. "Tudo se vai compor, verás" falava para o éter do gadget que segurava nos dedos impessoais com a convicção que a insegurança e o medo não me deixavam imprimir às palavras.
Noites insones povoadas de fantasmas negros e esvoaçantes, aflitivos e dolorosos como espadas aguçadas , o fantasma da sepse, o fantasma da hemoglobina sem valores optimistas, o fantasma do surto e outros que reneguei como se de demónios se tratasse...
Noites em que as lágrimas se afogavam num lamaçal por onde corria o coração como um cavalo selvagem , cascos em riste, imparável, sempre em sobressalto .
A trouxinha, a estrelinha que já era a minha vida, passou a ser a única luz naqueles dias de trevas. Eramos só as duas, só nós e os nossos pensamentos.
Fiz as pazes com Deus, com quem deixara de conversar há algum tempo, por mirar para além dos horizontes que a vista alcança e não o encontrar . Um bom pai deve ser um pai presente. Tantas vezes no meio de tanta angústia e sofrimento, no meio de tanto mal, não lhe achei vestígio. Senti que desertara... ou quem sabe terei sido eu quem não quis procurar mais ?
Pedir perdão por pecar por omissão ? Fechei os olhos e rezei. Não me lembro de ter alguma vez rezado como rezei naqueles dias e naquelas noites.
E Deus ouviu. E ela veio para casa, fraca e combalida, mas com o mesmo brilho e a mesma determinação que eu sempre lhe conheci no olhar.
Voltou para a sua estrela e tudo recuperou a cor e o brilho que empalidecera.
Faz um ano um destes dias.
Hoje faz um ano que nasceu o nosso pequeno sol e que os nossos mundos pessoais reaprenderam as translações de outrora, agora com uma cadência diferente.
A alegria começa com A e comemora hoje o seu primeiro aniversário. Que possa ser o primeiro de muitos e que seja sempre feliz.
( Todas fotos por MD Roque)




Associo-me aos seus votos - que seja o primeiro de muitos.
ResponderEliminarE sempre em muito boa companhia.
Boa semana
Viva Pedro
EliminarMuito obrigada em nome da Alice.
Um grande, grande abraço, meu amigo.
Parabéns ao vosso "pequeno sol". Que brilhe sempre nas vossas vidas e que seja feliz. Gostei muito do texto.
ResponderEliminarUm beijo.
Obrigada Graça. Um beijo meu, outro da Alice
Eliminarque seja o início de uma vida longa e feliz.
ResponderEliminarmuitos beijos para as duas!
Queira Deus que sim, Flor.
EliminarGrandes beijocas minhas e da Alice
que bom que tudo correu bem, um beijinho e que seja uma boa semana, muitos parabéns para a vossa estrelinha
ResponderEliminarÉ a primeira vez que consigo falar/escrever sobre o que se passou.
EliminarJá passou. :)
Beijinho s meus e da Alice, Diana. Obrigada.
Alguma coisa me fez vir aqui. Intermitentemente passo por cá porque esta galáxia tem luz.
ResponderEliminarRecordo-me da emoção que com que revelou o nascimento da Alice - o Sol que se ergueu para iluminar o vosso caminho.
Na altura tocou-me (mais) por estar à espera do nascimento de uma menina-neta.
E, agora, reparo que eclipses houve que perturbaram o brilho da A. mas que felizmente tudo voltou ao normal. Graças a Deus.
Também, do meu lado, houve uma sombra a perturbar a elipse da minha estrela L. mas, aos 10 meses, começou a irradiar em pleno a sua luz.
Parabéns e muita saúde para si, MD, e para a sua menina.
Bj
olá Agostinho. Obrigada meu amigo.
EliminarAlturas há em que tudo se equaciona e só o que importa mesmo é de valor.
A saúde, a alegria de viver, o amor, a amizade...
Bom 2016 e um grande abraço.
Que felicidade, muitos parabéns!!!
ResponderEliminarBeijo
Viva Cristina . Obrigada ! :) :)
EliminarBeijinho.
...Fiquei preso à leitura. Partilho da sua felicidade - parabéns. Cumprimentos
ResponderEliminarOlá Carlos. Grata.
EliminarUm abraço e bom 2016
Acho que ainda venho a tempo de desejar que de ora em diante sejam só alegrias e felicidade na vida da Alice.
ResponderEliminar(acho que tinha perdido este post)
Um beijinho para as duas e um abraço, mais um, à maravilhosa avó que a Alice tem.
Bem haja Susaninha. Tenho um bom feeling para 2016. Pode ser que sim :) :)
EliminarBeijinho
Olá, querida Dulce!
ResponderEliminar1- Citações: sempre o Homem e a necessidade intrínseca de ter chão, raízes, afeto e o seu desencanto perante o lado obscuro das coisas. Ainda assim, não abdica de glorificar o que o emociona, o que o encanta.
2- Texto: e já passou um ano e eu só cá venho hoje, dia 25 de fevereiro! Imperdoável! Arrepiei-me e emocionei-me. Lembro-me dessa aflição, dessa dor. Não tenho palavras, apenas consigo percecionar esses dias de angústia. E, sim, como percebo essa reconciliação com Deus...
Passada a tempestade, só tens tido bonança. Que assim seja para sempre. Deixo, simbolicamente um bjo para a Alice. De vez em quando, deixo-os noutros espaço...:)
Para ti, um bjo por seres um ser maravilhoso :)
Aqui, ali ou acolá, estamos presentes.
EliminarBeijo, querida Odete. Um meu outro da Alice