quinta-feira, 26 de novembro de 2015

As Palavras

"As palavras são a nossa condenação. Com palavras se ama, com palavras se odeia. E, suprema irrisão, ama-se e odeia-se com as mesmas palavras! "

Eugénio de Andrade




¿Qué cantan los poetas andaluces de ahora?
 ¿Qué miran los poetas andaluces de ahora?
 ¿Qué sienten los poetas andaluces de ahora?
 Cantan con voz de hombre, ¿pero dónde están los hombres?
 con ojos de hombre miran, ¿pero dónde los hombres?
 con pecho de hombre sienten, ¿pero dónde los hombres?
 Cantan, y cuando cantan parece que están solos.
 Miran, y cuando miran parece que están solos.
 Sienten, y cuando sienten parecen que están solos.
 ¿Es que ya Andalucía se ha quedado sin nadie?
 ¿Es que acaso en los montes andaluces no hay nadie?
 ¿Que en los mares y campos andaluces no hay nadie?
 ¿No habrá ya quien responda a la voz del poeta?
 ¿Quién mire al corazón sin muros del poeta?
 ¿Tantas cosas han muerto que no hay más que el poeta?
 Cantad alto. Oireis que oyen otros oídos.
 Mirad alto. Veréis que miran otros ojos.
 Latid alto. Sabréis que palpita otra sangre.
 No es más hondo el poeta en su oscuro subsuelo.
 encerrado. Su canto asciende a más profundo
 cuando, abierto en el aire, ya es de todos los hombres

Rafael Alberti








Queria poder ensinar as palavras que aprendi. Queria saber explicar a doçura das palavras, a sua música, a sua luz, a sua força.
Não encontro palavras que contem a história das minhas palavras de menina.
As letras estão lá, alinhadas em conjuntos que formam frases, mas as frases não têm delicadeza, nem carinho, nem alegria. São fracas e sem sentido, pintadas com sucessivas camadas de uma força fraca como um verniz que lasca e se desprende e parte em mil pedaços.







É o que faz insuflar palavras com raiva. Troam e retumbam, mas são feias, ocas e vazias. Não dizem nada, não ensinam nada, não têm amor.
Não há poesia sem amor, nem homens sem poesia. O mundo será um deserto de gente afásica porque não tem palavras para amar.
E lá longe, no horizonte indefinido das palavras justas, talvez um dia as letras formem a palavra luz.




 ( Todas as Fotos de MD Roque)






domingo, 15 de novembro de 2015

I have a Dream

Yesterday is now

The Past is today



"I’m sorry, but I don’t want to be an emperor. That’s not my business. I don’t want to rule or conquer anyone. I should like to help everyone - if possible - Jew, Gentile - black man - white. We all want to help one another. Human beings are like that. We want to live by each other’s happiness - not by each other’s misery. We don’t want to hate and despise one another. In this world there is room for everyone. And the good earth is rich and can provide for everyone. The way of life can be free and beautiful, but we have lost the way.
Greed has poisoned men’s souls, has barricaded the world with hate, has goose-stepped us into misery and bloodshed. We have developed speed, but we have shut ourselves in. Machinery that gives abundance has left us in want. Our knowledge has made us cynical. Our cleverness, hard and unkind. We think too much and feel too little. More than machinery we need humanity. More than cleverness we need kindness and gentleness. Without these qualities, life will be violent and all will be lost....
The aeroplane and the radio have brought us closer together. The very nature of these inventions cries out for the goodness in men - cries out for universal brotherhood - for the unity of us all. Even now my voice is reaching millions throughout the world - millions of despairing men, women, and little children - victims of a system that makes men torture and imprison innocent people.
To those who can hear me, I say - do not despair. The misery that is now upon us is but the passing of greed - the bitterness of men who fear the way of human progress. The hate of men will pass, and dictators die, and the power they took from the people will return to the people. And so long as men die, liberty will never perish. .....
Soldiers! don’t give yourselves to brutes - men who despise you - enslave you - who regiment your lives - tell you what to do - what to think and what to feel! Who drill you - diet you - treat you like cattle, use you as cannon fodder. Don’t give yourselves to these unnatural men - machine men with machine minds and machine hearts! You are not machines! You are not cattle! You are men! You have the love of humanity in your hearts! You don’t hate! Only the unloved hate - the unloved and the unnatural! Soldiers! Don’t fight for slavery! Fight for liberty!
In the 17th Chapter of St Luke it is written: “the Kingdom of God is within man” - not one man nor a group of men, but in all men! In you! You, the people have the power - the power to create machines. The power to create happiness! You, the people, have the power to make this life free and beautiful, to make this life a wonderful adventure.
Then - in the name of democracy - let us use that power - let us all unite. Let us fight for a new world - a decent world that will give men a chance to work - that will give youth a future and old age a security. By the promise of these things, brutes have risen to power. But they lie! They do not fulfil that promise. They never will!
Dictators free themselves but they enslave the people! Now let us fight to fulfil that promise! Let us fight to free the world - to do away with national barriers - to do away with greed, with hate and intolerance. Let us fight for a world of reason, a world where science and progress will lead to all men’s happiness. Soldiers! in the name of democracy, let us all unite!"
The Great Dictator


                                                       



Para o Futuro.Para a minha neta.

sábado, 7 de novembro de 2015

Me with You - A Love Story

"A infância não se repete, nem na lembrança, nem na imaginação. Quando, muito, dá-se outra infância. "

Miguel Torga



És pequenina e ris ... A boca breve
É um pequeno idílio cor-de-rosa ...
Haste de lírio frágil e mimosa!
Cofre de beijos feito sonho e neve!

Doce quimera que a nossa alma deve
Ao Céu que assim te faz tão graciosa!
Que nesta vida amarga e tormentosa
Te fez nascer como um perfume leve!

O ver o teu olhar faz bem à gente ...
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores
Quando o teu nome diz, suavemente ...

Florbela Espanca









Estou de quatro, relincho, resfolego, rosno, sacudo a desgrenhada cabeleira cinzenta que ela puxa como se rédeas fossem e ri.
É tão linda quando ri. É tão lindo o seu sorriso de onde despontam pequenas promessas de alvos dentinhos... dois ratinhos, digo eu, vá mostra à Avó e ela ri e diz "Bâ" e eu deliro e olho em redor ansiosa que alguém esteja por perto para testemunhar aquele prodígio... E ela ri com o sorriso mais lindo do mundo. Ri para mim. É linda. Tão linda.

Ainda me lembro  o quanto eu queria tanto, mas tanto, ter uma boneca vestida de princesa...   correram mais de cinquenta anos para ter uma princesa que é uma boneca, a maior riqueza com que se nos é permitido brincar, mimar, ninar, acarinhar.






E fiquei tola, tontinha, palerma, deslumbrada.

Eu é saltos, pulos, balbucios , cuidados.

Eu é loucuras mil,  inconsequentes e pueris, que me levam de volta à meninice e à princesa vestida de boneca, que é boneca de carne e osso e princesa do meu coração.

Quem diz que a alegria traduzida em amor não mareja as outras meninas com agua e sal, mais intensamente do que o pesar traduzido em decepção e tristeza? Dou por mim afogada num sentimento renovado e tão doce, tão terno, tão puro,  que a alegria cai-me em cascatas dos olhos e eu rio a chorar.

O coração matraqueia-me o peito porque se sente apertado e quer saltar, agigantou-se e quer bradar e tocar o mundo com a felicidade que sente.

Querença desmedida, estupenda, difícil de descrever, aquela  que sinto quando tenho o meu mundo sentado no colo e o posso tocar e acariciar com a palma da mão.



                                                     


(Fotos de MD Roque)