sábado, 7 de novembro de 2015

Me with You - A Love Story

"A infância não se repete, nem na lembrança, nem na imaginação. Quando, muito, dá-se outra infância. "

Miguel Torga



És pequenina e ris ... A boca breve
É um pequeno idílio cor-de-rosa ...
Haste de lírio frágil e mimosa!
Cofre de beijos feito sonho e neve!

Doce quimera que a nossa alma deve
Ao Céu que assim te faz tão graciosa!
Que nesta vida amarga e tormentosa
Te fez nascer como um perfume leve!

O ver o teu olhar faz bem à gente ...
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores
Quando o teu nome diz, suavemente ...

Florbela Espanca









Estou de quatro, relincho, resfolego, rosno, sacudo a desgrenhada cabeleira cinzenta que ela puxa como se rédeas fossem e ri.
É tão linda quando ri. É tão lindo o seu sorriso de onde despontam pequenas promessas de alvos dentinhos... dois ratinhos, digo eu, vá mostra à Avó e ela ri e diz "Bâ" e eu deliro e olho em redor ansiosa que alguém esteja por perto para testemunhar aquele prodígio... E ela ri com o sorriso mais lindo do mundo. Ri para mim. É linda. Tão linda.

Ainda me lembro  o quanto eu queria tanto, mas tanto, ter uma boneca vestida de princesa...   correram mais de cinquenta anos para ter uma princesa que é uma boneca, a maior riqueza com que se nos é permitido brincar, mimar, ninar, acarinhar.






E fiquei tola, tontinha, palerma, deslumbrada.

Eu é saltos, pulos, balbucios , cuidados.

Eu é loucuras mil,  inconsequentes e pueris, que me levam de volta à meninice e à princesa vestida de boneca, que é boneca de carne e osso e princesa do meu coração.

Quem diz que a alegria traduzida em amor não mareja as outras meninas com agua e sal, mais intensamente do que o pesar traduzido em decepção e tristeza? Dou por mim afogada num sentimento renovado e tão doce, tão terno, tão puro,  que a alegria cai-me em cascatas dos olhos e eu rio a chorar.

O coração matraqueia-me o peito porque se sente apertado e quer saltar, agigantou-se e quer bradar e tocar o mundo com a felicidade que sente.

Querença desmedida, estupenda, difícil de descrever, aquela  que sinto quando tenho o meu mundo sentado no colo e o posso tocar e acariciar com a palma da mão.



                                                     


(Fotos de MD Roque)

28 comentários:

  1. Mãe de um rapaz, e avó de uma princesa, hoje com 6 anos mas que eu criei até aos 4 altura em que entrou para a pré, sei bem o que está a viver.
    Tudo de bom para as duas.
    Um abraço e bom fim de semana

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    1. Elvira, minha amiga, depois de uma vida a ser mãe a correr, poder ser mãe duas, três, quatro vezes e poder saborear é uma bênção.
      Beijinho de avó para avó, minha amiga

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  2. Que maravilha de post e que saudades eu tinha disto. :-)
    Querida M D, "que a alegria cai-me em cascatas dos olhos e eu rio a chorar" além de uma frase linda é - sinto - precisamente o que esta avó também linda merece.
    Um abraço apertado. Obrigada por compartilhar assim a sua alegria. É contagiante.

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    1. Ai Susaninha... quem dera que o tempo se pudesse comprar ao quilo, que encomendava uma tonelada de horas...
      É fantástico e, como diz, contagiante. Todos os dias.
      Beijinho, minha querida :)

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  3. Amar é bom. Amar uma criança é extraordinário!

    Beijo, MD. :)

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    1. O mais extraordinário que possamos imaginar... eu fui mãe duas vezes e agora sou uma data delas... é a loucura :)
      Beijinho Maria

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  4. Ottimo poema, ottimo testo e belle fotografie. Buona domenica.

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  5. Mais belo que o texto a transbordar de ternura (e baba...:-)), é mesmo a tua neta!
    Um tipo de história de amor, ao contrário de outro tipo de relacionamentos, que nunca
    terá fim. E são estes amores eternos que nos dão alento, alegria e vontade de futuro.
    A alegria continuará a cair, até porque ela tem ainda tanta coisa "na manga" para fazer-te
    chorar de rir, ou simplesmente, causar-te deslumbramento. Aquele tipo de deslumbramento
    apenas porque sim.
    Um texto e fotos maravilhosos! Bela, a música.
    xx

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    1. Ui Laurinha, a Alice é um poço de surpresas diárias. E eu uma enorme deslumbrada... a idade também ajuda a amolecer, sabes? Por isso se diz tantas vezes que os avós são para mimar e "estragar".
      Beijinho, minha querida :)

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  6. A prova que ser avó é mesmo ser mãe duas vezes.
    Continue assim feliz!!

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    1. Ai Pedro, é ser mãe uma data de vezes. Que loucura fantástica :)
      Abraço a Oriente, meu amigo :)

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  7. Nossa, sensacional!!! estou seguindo... curti muito

    https://odebatenerd.blogspot.com.br/

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    1. Olá Raphael, bem vindo !
      Obrigada ! Abraço :)

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  8. É realmente fantástico ser avó, eu também tenho uma princesinha com 11 mesinhos.
    Um abraço
    Maria

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    1. Não é fantástico, Maria?
      Eu estou de rastos, mas não me canso :) :) :)

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  9. Quanta ternura e sensibilidade neste texto. Gostei da ligação à infância. Ser avó é mesmo assim, um deslumbramento...
    Beijo.

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    1. Está confirmado: sou uma deslumbrada de altíssimo gabarito :) :) :) :)
      Beijinho Graça

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  10. A ternura de uma avó tão docemente demonstrada.
    Um abraço.
    Élys.

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    1. É fantástico ser avó :) :)
      Obrigada Élys, um abraço

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  12. Muy bello y tierno

    Besos de Lunna Gris.

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  13. Participo do encantamento quando amigas relatam momentos que vivem com os netos. E rio com o riso e o brilho que ilumina o seu olhar...
    Conforme ia lendo, vi traduzido neste excelente texto esses momentos. A par, senti o que vivo quando tenho cá a Maria (filha da companheira do meu filho). Como vivem no Porto, só de vez em quando posso ser tão criança quanto ela. Literalmente!
    Teres a tua Alice, uma linda princesa, a crescer tão perto de ti, é uma bênção!
    A ver se ainda tenho a felicidade de viver momentos idênticos aos teus. Contudo, nunca será a mesma coisa, pela distância.
    BJOS, a ti e à tua Alice :)

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    1. Minha amiga, as maratonas que eu faço para uns minutos de escrita.
      Muito te agradeço a presença , a amizade e o precioso acompanhamento.
      Mil beijos

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  14. Comovente história de amor. Felizes os que o sentem!
    Eu sei o que é isto, felizmente!

    Bj

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    1. É um fogo que arde sem ser ver, Agostinho, mas ´sente-se, sente-se tanto.
      Um abraço, meu amigo

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É aqui que me mandas dar uma curva