"Não mudamos com a idade na estrutura do que somos. Apenas, como na música, somo-lo noutro tom."
Vergílio Ferreira
É bom envelhecer!
Sentir cair o tempo,
magro fio de areia,
numa ampulheta inexistente!
Saul Dias
Chamam-lhe terceira idade. Não acredites em tudo o que para aí dizem.
Pode ser verdade que , como num bom livro, a capa se deteriore com o manuseamento constante da procura de muitas passagens, mas o que conta realmente é o que está para lá do impactante desgaste que o encerra. O que é de valor é a graciosidade e a excelsitude do que contém o seu interior.
És assim, tu
Uma primeira edição, um tomo semi secular com um ou outro sinal da erosão de muitos dias, mas valioso e único.
Uma primeira edição, um tomo semi secular com um ou outro sinal da erosão de muitos dias, mas valioso e único.
És sim, para mim és único.
Se fráguas passaste, o tempo deu-te leveza no transpor, trouxe-te a maturidade, a sabedoria e a candura de um avô e a elegância de viver que só quem alcança os sessenta anos com um sorriso de menino consegue entender.
Sempre me entendeste e apoiaste, mesmo naquelas insanidades que viram uma existência do avesso. Hoje como antes, ris-te de ti, ris-te de mim, e juntos rimo-nos de nós e levamos a vida com um sorriso. Sorrir é fundamental. Rir é catártico. Sempre soubeste. Sempre riste e soubeste fazer-me sorrir.
Sempre me deixaste ao leme do barco, enxertando-me com tua força quando as ondas escoiceavam selvagens . Se tempestades desabavam , na segurança dos teus braços enxuguei com ternura a água que me escorria do rosto e eu sabia ali, naquele segundo, que tudo iria ficar bem.
Tal como sei hoje. Sei. Sei-te de cor.
Quando estendes a mão e me levas à estratosfera do esplendor, eu deixo-me levar por ti. Até ao fim do mundo, se quiseres. Porque sei que me trarás de volta ao meu aconchego. Ao nosso borralho.
Vamos os dois por aí
( Fotos de MD Roque)
( Fotos de MD Roque)



As palavras que se apõem ao que já é belo, pouco acrescem. E tudo o que está dito e implícito acima é muito, muito belo.
ResponderEliminarSem mais palavras: muitos parabéns, cara MD.
Querido X, obrigada pela magnanimidade do comentário.
EliminarMil beijos e um excelente dia de 5ª feira.
Um texto muito belo. E claro que a terceira idade tem a sua beleza. Desde logo a sabedoria que só a idade proporciona.
ResponderEliminarUm abraço e uma boa semana.
A terceira idade é apenas uma convenção social Elvira. Sempre defendi que a idade é um estado de espírito e cada vez acredito mais e mais que tenho razão.
EliminarBeijinho e obrigada.
Bela dissertação acerca da valorização do ser.
ResponderEliminarE, obrigada por lembrar-me de Mireille Mathieu, há algum tempo esquecida em alguma gaveta da memória.
Temos que dar nome a tudo e ditar parâmetros para tentar organizar as coisas na sociedade, é certo, mas, para alguns, a dita terceira idade pode não ser exatamente a terceira, pode ainda, ser apenas a segunda ou, por outro lado, até a quinta, tantas são as vivências e transformações por que certas vidas passam.
Mas, seja de que forma for, não deveria nunca ser razão de desmerecimento, como alguns, menos afortunados das ideias, teimam em considerar, pretendendo que seja o esplendor da pele, ainda rija, o regulador da importância duma vida. Esses não sabem, e talvez nunca venham a saber, que a importância da vida reside nas atitudes, que por sua vez, são mais bem regidas pela sabedoria. A sabedoria e a placitude são adquiridas com o tempo.
abç amg
Absolutamente, Carmem.
EliminarComo diria Schopenhauer "Os primeiros quarenta anos de vida dão-nos o texto: os trinta seguintes, o comentário."
Beijo grande
Um belo post...
ResponderEliminarO tempo passa , desgasta a capa, mas a sabedoria oriunda da experiência pode ser encontrada com ternura no interior.
Tenha uma linda semana,
Élys.
Absolutamente Élys. :) :)
EliminarAgradeço. Um grande abraço
Já muitas vezes disse que gosto muito mais de mim próprio agora, e da minha vida, do que gostava nos meus tempos de juventude.
ResponderEliminarBem sei que são fases diferentes, necessárias.
Mas também sei que gosto mais desta fase da vida.
Sabe que eu também Pedro. Eu e o meu marido, passado um ror de anos de vida em comum, já nem precisamos falar muito para nos entendermos. Esta sintonia adquire-se com a paciência de muitas horas e o conhecimento profundo um do outro. Ele já ultrapassou a barreira social convencionada, mas ficou estranhamente igual :):):):)
EliminarAbraço a oriente e obrigada
Tolerar é a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, procurando compreender e aceitar, da melhor forma, as diferenças com relação ao comportamento alheio. Belo texto!...
ResponderEliminarAbraçO
É isso mesmo Nidja. Obrigada, amiga.
EliminarBeijinho
Cara M. D. Roque,
ResponderEliminarGostei muito do texto de quem sabe de cor e das gárgulas que vigiam.
Bom dia,
Outro Ente.
Viva, Outro Ente.
EliminarNão lhe roubei as gárgulas, porque estas são muito minhas, :) :) :) :) mas confesso que lhe retirei a ideia para o estafanço mais memorável dos últimos 25 anos, o que reforça a ideia de que velhos são os trapos.
Obrigada pela simpátia.
Uma excelente Quinta Feira
As gárgulas existem a séculos. E a séculos elas nos vigia e nos mostrando com seu olhar acusador tudo que fazemos. Nada fica encoberto.
ResponderEliminarGuardiões dos tempos, Juliana :)
EliminarBjo.
Estás com certeza a dirigir-te ao teu marido, e vejo este post como uma declaração de amor.
ResponderEliminarA terceira idade não é senão uma categoria onde se tentam "enfiar" pessoas; nem sei bem a partir de que idade...
talvez a partir dos 60?... Há dias estive a falar com um amigo, que me disse estar à espera da 4ª idade
paras se realizar verdadeiramente; ir para o campo, voltar às origens, viver a vida de forma solenemente calma.
O que significa que, se a vida nos der essa oportunidade, poderemos ser mais intensamente nós, a partir de uma certa idade.
Gostei de saber desse riso que se mantém, e da tua grande apreciação por um livro que embora de capa um pouco
"surrada", o interior legível continua intacto, apesar de tão manuseado.
Lindo post, com Paris como pano de fundo.
Belo regresso, Dulce.
xx
É isso mesmo Laurinha. Fez 60 anos e não lhe notei qualquer mudança ! Um Senior Citizen "taliqual" como quando tinha 58 ou 59 !!
EliminarO pergaminho sulcado da nossa pele traduz vivências riquíssimas e não degradação.
Beijos, minha querida e obrigada.
Já tinha saudades de aqui vir e abrir muito os olhos para continuar a ler antes de as emoções fazerem subir-me água aos olhos, como agora.
ResponderEliminarUm beijinho e muitos parabéns, querida MD. :-)
Querida Susaninha, sempre uma doce menina :):):)
EliminarMuito, muito obrigada e um beijo do tamanho do mundo.
Miuda, tu escreveste bonito para o teu rapaz.
ResponderEliminarFeliz de quem tem quem lhe goste assim, sabendo eu que é recíproco.
Pena teres poucas fotos da viagem. Bjoka.
A viajem foi linda. Foi para os dois. Para ele e para mim também.Ficámos a conhecer-nos melhor ainda, se possível . Encontrámos força e determinação que sabíamos ter, mas andavam arredadas. Foi revelador , renovador e bastante romântico também.
EliminarBeijo, Lu
A idade é apuramento. Por isso é importante preparar o sabor para este novo paladar - apenas um intróito que me surgiu após as citações...
ResponderEliminarQuanto ao teu excelente texto quer pelo conteúdo, quer pela sua condução, quase nada acrescento de valor: percebi (embora agora o saiba porque já respondeste num comentário) que era dirigido ao teu marido. Mais do que o amor que lhe está subjacente, entendo-o como uma homenagem a um ser pleno que é essencial na tua vida pelas particularidades que revela nos momentos cruciais da vivência a dois. Esta cumplicidade é, a meu ver, o pilar fundamental das relações duradouras. Bem, de certeza que ficou orgulhoso...:)
Parabéns a ti por lhe mostrares o seu valor. Parabéns a ele pelo aniversário e pelo que é para ti.
(Fui acompanhando a viagem. Sempre lindíssimas fotos e legendas divertidas.)
BJOS, querida Dulce :)
Muito agradecemos a tua presença sempre incentivadora e os teus excelentes comentários, construtivos e certeiros.
EliminarUm grande, grande beijo, minha amiga.:) :) :)
É com essa fé que o mundo se mantém nos eixos, MD.
ResponderEliminarApesar dos preconceitos de muita gente jovem e não só que pretendem ser muito "actuais" ocultando e negando valores que são universais é nos sessenta que as coisas sedimentam ganham consistência e impedem a desagregação do edifício-comunidade.
Como sempre, excelente texto.
Bj.
Sem tirar nem pôr, Agostinho. Um comentário excepcional, que muito agradeço.
EliminarAbraço.
... gente jovem, e não só, que pretende ser muito "actual"...
EliminarAssim talvez me livre de uma palmatoada da prof.
podemos ser "actuais" e ao mesmo tempo conservadores de valores, Agostinho.
EliminarE os valores são os alicerces que "impedem a desagregação do edifício-comunidade."
Abraço, meu amigo