"O que mais importa não é o novo que se vê mas o que se vê de novo no que já tínhamos visto."
Vergílo Ferreira
The News
Here is The News:
'Two incredible shoes.
Two incredible shoes.
That's The News.
When it rains
they walk down drains.
They glow
in the snow.
They grizzle
in a drizzle.
They sneeze
in a breeze.
They get warm
in a storm.(...)
M. Rosen
Não sei ao certo em que altura da vida se iniciou o meu processo de mecanização.
Deve ter acontecido entre o adormecer numa noite escura e fria e o acordar num dia triste e cinzento, com o som amargo do despertador a chamar para mais uma realidade diluída nos anos que já passaram comigo aqui. Resmunga-se o grunhido habitual à alvorada que ainda não despontou e vai-se a ver se chove.
O meu andamento ritmado toca diariamente as mesmas notas, toada descomposta de som e de cor, batida constante e cadenciada, mecânica, igual. É a minha normalidade. É o que dá o tom ás horas que compõem os meus dias, todos diferentes e sempre tão iguais entre si em cada minuto que passa. Não passa nada. É bom. É normal.
Não sei ao certo em que altura da vida criogenizei os pensamentos e opiniões para servirem o advento da minha imortalidade futura. Sempre acreditei que enquanto de mim houver memória numa memória do porvir, o nome da minha identidade terá a imortalidade fugaz que a minha normalidade conferiu à minha existência.
Mas sei precisar ao milésimo de segundo o momento da vida em que a minha normalidade sofreu o mais forte abalo telúrico de sempre. Um bomba feita gente pequena que mexeu com os meus dias, revolveu as minhas horas, revirou os meus minutos, os meus tons e os meus sons.
No degelo dos ideais, encontrei uma verdade maior e um sentido único com derivações de cor e sabor a vida nova.

É isso mesmo. Ver o que é lembra como era, verdade Maria D?
ResponderEliminarVerdade, Lu. Revisitar o passado num sorriso de criança, faz-nos repensar todas as nossas prioridades e projectos de vida :) :) :)
EliminarO melhor vem quando menos contamos, mas depois nunca mais o esquecemos.
ResponderEliminarÉ verdade Andreia. Todas as lembranças felizes que temos, reflectem o melhor que nos aconteceu.
EliminarBeijinho querida
O importante para mim, sempre foi a capacidade de sermos diferentes e de podermos ajudar os outros, nesta sociedade difícil que construímos e que temos de atravessar. Procuremos ajudar e acho que seremos premiados com Amizade, talvez, quando verdadeiro o sentimento mais importante !
ResponderEliminarTem razão Ricardo. Um individuo pode não possuir nada material a que possa chamar seu, mas se tiver amigos de verdade, é riquíssimo em valor sentimental. É algo muito raro de se encontrar, porque é difícil ser-se desinteressado e dar só pelo prazer de poder dar, de ajudar e de se sentir bem, sem segundas intenções.
EliminarUm bom fim de semana e um abraço amigo :)
No início acordamos, olhamos em volta e vemos as coisas iniciais, imaculadamente inocentes. Vamos à descoberta e acreditamo-nos invencíveis, invulneráveis e, neste ponto, a confiança atraiçoa-nos - atraiçoamo-nos a nós próprios - passando a agir intuitivamente, apesar de seres inteligentes. Aos poucos instala-se a rotina dos dias na teima em manter o nosso mundo de aparências sem que percebamos o cerne: as aparências somos nós: nós seres aparentes em processo de protelamento por insuficiência de tempo ou por desfasamento do tempo real.
ResponderEliminarRebela-te, desconforma-te: revela-te.
Um bom domingo, MD, com surpresas das coisas (re)veladas.
EliminarÉ bem mais simples e confortável viver na nossa cápsula temporal do que nos aventurarmos á descoberta de nós próprios, Agostinho.
EliminarNão e fácil lidar com a mudança nem as surpresas são todas agradáveis ou sequer surpreendentes.
Por aqui não se diz que se não gosta do que nunca se experimentou, por isso... :) :) :)
Bom Domingo, Agostinho.
Abraço amigo :)
Há uma pancada de tempo que não vinha aqui. Quem perde sou eu, bem sei. Mas isso não impede que volte à estação em que saí da carruagem e, a partir daí, retome a viagem até ao presente. Por quê? Porque isto, aqui, tem substância, um gosto especial.
EliminarAo ler a resposta da MD ocorreu-me a ideia de intranquilidade: e se eu não me exprimi convenientemente utilizando a expressão “coisas (re)veladas? Queria eu referir-me às coisas que vemos sem as ver – o sol, a lua, um sorriso, uma flor, uma maçã… tanta coisa boa que está ao nosso dispor. Nossas. Reveladas mas que continuam veladas aos nossos sentimentos.
Repensar a vida, mesmo quando as manhãs nos parecem iguais. Há sempre qualquer coisa que marca a diferença se estivermos atentos. Um bom texto ao som da voz de Teresa Salgueiro...
ResponderEliminarBeijo.
Creio que somos nós quem faz a diferença, mas temos dificuldade em constatar essa realidade, Graça. :)
EliminarBoa semana e um beijinho
Sem dúvida que o mais importante será conseguir descobrir a novidade no que já não é novo.. É olhar com outro olhar, olhar de uma outra forma, só que a normalidade tem tendência a fechar-nos numa rotina, que por vezes pode ser menos má, porque não nos deparamos com novidades más, mas por outro lado, temos o perigo de nos virmos a tornar autómatos, se não nos depararmos de vez em quando com uma tentativa de observação das coisas à nossa volta, enquanto não somos salvos de uma certa "mecanização" por uma bela novidade, por esse "abalo telúrico" de que falas.
ResponderEliminarA imortalidade futura é o que restará de nós naqueles que ficam, e essa imortalidade vai-se construindo nos instantes preciosos que com eles passamos.
Uma bela música, e um belo texto!
xx
Nem mais. Laura dixit!
EliminarBeijinho e boa semana :)
Sim, verdadeiro mesmo!
ResponderEliminarobservo hoje lugares que antes eu passava e até vivi por anos, mas que meus olhos veem de outra forma, acho até meio estranho!
Concordo!
Bjus
http://www.elianedelacerda.com
E isso aplica-se às pessoas também Elyane. :) :)
EliminarBeijo e boa semana
Nossas ações e reações refletem as experiências vividas. A memória presentifica o passado e faz significar cada momento que experimentamos no dia a dia. AbraçO
ResponderEliminarÉ isso mesmo Nidja, minha amiga :)
EliminarBeijinho
Com a idade, vamos acomodando-nos e a rotina instala-se e apodera-se de tudo à nossa volta. Até ao dia em que somos avós. E aí começa um novo ciclo e tudo se renova. A nossa vida passa a dividir-se no antes e o depois desse momento. Aconteceu comigo no dia 4 de Fevereiro de 2009.
ResponderEliminarUm abraço
A dividir-se e a desdobrar-se, Elvira :) :) ... faz um mês amanhã :)
EliminarBeijinho
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Credo ! :) :) ... Obrigada (acho) é sempre bom estar informada legalmente em caso de estupro !
Eliminar1 - Nunca sabemos quando ou qual o olhar que nos acorda para nos revisitarmos. Mas, seguramente, serão circunstâncias que a, dado momento, se conjugam.
ResponderEliminar2 - Há rotinas necessárias mas, mesmo essas, nunca se processam de igual forma.
3 - Perpetuamo-nos sempre, de alguma forma, na memória dos outros (um exemplo: estou a escrever sobre a minha avó paterna e já faleceu há 40 anos).
4 - E, no teu agora, tens um ser que conferiu um outro sentido na tua vida. E muitas coisas deixaram de fazer sentido...
5 - Excelente texto.
(Hoje deu-me mais jeito comentar por itens.)
Bjo, querida D :)
E eu mesmo por itens, de pernas para o ar ou do avesso, adoro ler o que escreves.
EliminarObrigada e um beijinho
Malditas rotinas....
ResponderEliminarAjudam e complicam ao mesmo tempo :)
EliminarMinha querida MD,
ResponderEliminarLi e reli este seu magnífico texto e já estava para aqui a engenhar resposta a esta sua reflexão acerca da cadência que a vida adquire, quando deparo-me com um "comentário" em idioma asiático a que prontamente lhe responde de uma forma tão franca e a tocar a perplexidade, que deu-me semelhante acesso de riso, aqui, sozinha, que nem imagina...
Achei que merecia saber o bem que me fez - e sem Actimel =)
Mas, em relação ao texto, digo-lhe, que, de minha parte, esta cadência monocórdica é sufocante, não que seja dada a aventura ou desgoste do sossego, mas é o saber exatamente como o dia vai começar e correr e terminar, sem que acrescente-se-lhe aquele algo que vale a pena, aquele algo que não queremos ver passar um dia atrás do outro sem que realmente se materialize. E num ser empreendedor, numa vida que foi, até um dia, plena de produção, chegar a este espaço-temporal da vida em banho-maria torna-nos acabrunhados. Isto é o mais próximo do que sinto em relação a esse tema.
Um bjo amg
:):):)
EliminarTenho alguns seguidores chineses e há sempre o tradutor. É bom saber o que nos escrevem na caixa de comentários, nem que seja ( como parece o caso) a oferta de serviços legais em caso de estupro. :) :) :)
Os nossos ritmos são necessários e tornam-se muitas vezes sufocantes e difíceis de quebrar.
Aí está uma aforismo excelente, Carmem " passar a vida em banho- maria" ! É isso mesmo que nos acontece sem darmos realmente por isso.
Beijinho