"O nosso mundo vive demasiado sob a tirania do medo"
Bertrand Russel
[...]Faz como os outros fizeram
Quando chegou o momento
De perder o medo à morte
Por ter muito amor à vida.
Não é fácil amares o medo.
O medo é devastador, esconde-se no toque húmido de uma carícia, numa lágrima que rola, num beijo molhado, na troca de prazeres selvagens e desprotegidos, numa folha de papel afiada que faz verter uma gota carmesim.
O medo destrói. Mergulha nos teus fluidos ondulantes, insidioso e vil, acoita-se e desenvolve, cresce imundo e letal no teu seio. Aniquila de dentro para fora, mudo e traiçoeiro, até ser tarde demais.
Então ficas só. Isolada do mundo no mundo do medo.
Tens medo, aquele medo que não tem panaceia nem cura. Queres fugir, mas o medo não te permite sair do casulo de clausura a que foste votada, aquela cela estéril onde vives só, só tu e o teu medo. A humanidade lá fora, ficou dentro de uma bolha hermética cujo toque não te toca, por não lhe poderes tocar.
O desespero enovela-se-te nas cordas de onde a voz não desata nem sai.
No fogo da tua memória, sessões contínuas do filme da tua vida fogem da palavra fim.
O medo levou-te a força, mas a vontade resiste. Até quando, não sabes. Sentes a dissolução da carnadura, mas o espírito, esse lutará sempre aferrado com unhas e dentes ao medo que o quer destruir, porque aprender o medo é poder amá-lo e sobreviver.

Diz Krishnamurti: Through self-awareness we begin to discover and so comprehend the cause of fear, not only the superficial but the deep casual and accumulative fears. Fear is both inborn and acquired; it is related to the past, and to free thought-feeling from it, the past must be comprehended through the present. The past is ever wanting to give birth to the present which becomes the identifying memory of the "me" and the "mine" the "I". The self is the root of all fear.
ResponderEliminarHá que nomeá-lo, para vencê-lo.
Bom dia, cara MD.
Este medo nem é novo nem novidade, mas como moda assassina , o eu-pessoa-integrada-num-grupo-de-risco, teme-o.
EliminarAssusta-me não o conhecer convenientemente, para o poder tratar por tu, X.
Beijinho e bom fim de semana
O medo tolda-nos as ações, mas quando conseguimos enfrentar e superar ficamos mais fortes
ResponderEliminarDaí o aforismo que diz que o que não nos mata, fortace-nos, Andreia. :):):)
EliminarBeijinho, linda, e BFS
Pequenos medos todos temos. Medos assim nem todos. Sempre fui muito afoita, como dizia a minha avó. Mas já sofri de um medo irracional que me deixou completamente paralisada Bom o médico disse que tinha sido ataque de pânico. Três. O primeiro em Faro há 29 anos, o último em Óbidos no dia de Ano Novo há 6 anos. Uma coisa tão pavorosa que não desejo nem ao pior inimigo como soe dizer-se.
ResponderEliminarPercebi pela foto que estava falando do Ébola. Claro que tenho um certo receio de uma epidemia. Afinal a história já teve tantas , desde a siflis, a peste , a varíola, a tuberculose, sei lá mais quantas. E a história sempre se repete (dizem). Mas nesse aspeto o medo não me atormenta. Não sofro por antecipação. Talvez também porque não tendo familiares, nem amigos próximos naquela zona , o perigo não me parece tão real.
Um abraço e bom fim de semana
Sabe , Elvira, nunca fui medrosa, nem pessimista nem sofro por antecipação. Sou expectante dos acontecimentos, como a maior parte dos humanos, mas tento ser objectiva em relação a quase tudo o que sucede ao meu redor. Comes with the job :):):):
EliminarA incapacidade física ou mental que a idade acarreta, assusta-me um bocado, mas quero muito acreditar que conseguirei lidar com as situações à medida que se forem apresentando.
Tenho um irmão em Luanda. Eu própria pertenço a um grupo de risco na enventualidade de uma pandemia. É mais do que natural que pense nisso, mas seguramente não me tirará o sono, como o fazem as caimbras nas pernas à noite. :):):):)
Beijinho e BFS.
É bem verdade, que tememos a morte, mas precisamos trabalhar isso desde pequenos, pois não somos eternos!
ResponderEliminartemos receio do Ebola, pois não queremos morrer e uma epidemia seria o caos em nosso país com um sistema de saúde tão precário!
bjus e bom final de semana!
http;//www.elianedelacerda.com
Não me assusta a ideia de morrer, tanto quanto me assusta a ideia de ver sofrer todos a quem quero bem. Eu sou uma pessoa resolvida e em paz comigo própria, Gosto de me sentir ao leme do barco da minha vida e poder arriscar até ao limbo do conhecimento que possuo. O vírus não é controlável, ainda não. África é agora o laboratório do mundo.
EliminarBeijo Elyane
[ às vezes não faz mal não saber? ]
ResponderEliminarO que não sabemos, não nos pode prejudicar, diz-se... Eu não acredito... Ignorance is bliss, é uma falácia. Se o mundo desaba à nossa volta, não adianta esconder a cabeça num buraco e esperar que passe. Pode ser que o conhecimento da causa ajude na solução, :):):):)
EliminarUma penderia de Ébola é na realidade uma ideia aterradora e presentemente a personificação do medo. Acredito que as vacinas experimentais funcionem e que em breve se possa respirar de alívio.
ResponderEliminarBeijos, velhota.
*Pandemia :-)
EliminarComo já disse anteriormente, Lu, África é o laboratório do mundo. Se nã tivesse morrido já tanta gente, que acredito piamente em números muito superiores aos publicamente divulgados, diria até que era mais um golpe sensaciolalista das farmacêuticas, como aconteceu com a Gripe A, o H1N1, para escalar desenfreadamente uma corrida às vacinas. Atrever-me-ia mesmo a alvitrar que o Ébola era mais uma produção in vitro para criar o caos e a histeria entre as populações dos países considerados desenvolvidos, cujas defesas somáticas têm sido continuamente debilitadas pela toma constante de antibióticos nos leites e derivados e noutros produtos essenciais, como o peixe com mercúrio, ou as aves carregadas de nitrofuranos, ou até mesmo a fruta e os legumes transgénicos....
EliminarAs grandes pandemias ,as históricas, as relevantes que dizimaram populações em todos os continentes foram identificadas, combatidas e controladas. Como diz a Elvira, a história tende a repetir-se , provavelmente em ciclos de renovação é um outbreak duma mutação maluca dum assassino sem rosto pode estar prestes a irromper como uma explosão nuclear violenta, cuja onda de choque se sentirá por toda a parte.
Aí, teremos que viver e conviver com o medo , o medo da incerteza, o medo da irracionalidade, o medo do próprio medo.
Joca, Lu
Ó Sra. Professora, a usar um "Padas" com corrector automático ?!?! ... Escreve barbaridades, se não nos acautelamos :) :) :)
EliminarExcelente texto sobre o medo,este. E lembrei-me do poeta Al Berto: "o silente medo de continuar vivo"...
ResponderEliminarBeijo.
...um astro ininteligível e de órbita difícil guia-me, ilumina-te. pelas frestas de um espaço oco prescruto o eco do meu corpo...leitura fantástica, Graça.
EliminarBeijinho :)
Creio que o medo nos ajuda a crescer e a tomar rumos mais interessantes na VIDA!!!
ResponderEliminarMuitas vezes por mais devastador que seja ele só nos faz bem...
Bom domingo!!!
Viver é uma luta constante connosco, com os nossos medos, as nossas fobias e principalmente com as escolhas que fazemos. Assim o creio, Malu.
EliminarBeijinho :):):)
Excelente título!
ResponderEliminarO medo vive escondido nas mais variadas esquinas, em cada canto, e acoita-se dentro de nós, o lugar mais seguro para que sobreviva. Não sei se teremos que amá-lo, mas teremos pelo menos de aprender a conviver com ele. Porque existem medos razoáveis, como no caso específico de doenças de fácil contágio. Podem tomar proporções enormes, e podem passar de um continente aos outros à velocidade da luz.
O inimigo que mais nos amedronta é sempre aquele que não é visível aos nossos olhos.
"A morte saiu à rua" e tarda a voltar para casa.
Bom texto, Dulce!
xx
Absolutamente, Laurinha. É muito mais fácil enfrentar os temores, olhos nos olhos, do que desconhecer de onde parte o primeiro golpe, aquele que é baixo e traiçoeiro é perfeitamente capaz de nos derrubar.
EliminarBeijos grandes, grandes, querida.
Excelente reflexão.
ResponderEliminarO medo traz insegurança e a insegurança
alberga grandes tragédias.
Ai de nós se deixarmos o medo controlar
os nossos dias!
Obrigada por este texto que revela toda as nossas fragilidades,
levando-nos a pensar nelas.
Bj
Olinda
Conviver com o medo é aprendê-lo. Não há quem viva sem medo, há sim quem aprenda a conviver e a ultrapassar os temores. É coragem, é bom senso... É saber viver, Olinda.
EliminarBeijo.
eu gostava de dizer que o medo só vence se deixarmos, mas soa tanto a frase feita, que não acrescenta nada de valor ao que aqui está registado. e depois, os medos de hoje, não obedecem a um padrão. assumem várias formas.
ResponderEliminarNão viver num constante sobressalto não significa que não se tem medo. Viver com os nossos medos, que como muito bem diz não obedecem a padrões nem a formas específicas e conhecê-los , é uma forma de coexistência em que não somos subjugados...
EliminarBeijinho, querida . :):):)
Não vale a pena ter medo.
ResponderEliminarTem que se combater o mal na origem
Esse parece ser o segredo.
Boa semana
Mas vale mais nós termos medo, do que o medo nos ter a nós, Pedro :) :) :) :)
EliminarAbraços a Oriente e boa semana.
O medo isola e paralisa. Mas quem não tem medo não tem noção da fragilidade da vida.
ResponderEliminarBeijinhos
Nem mais, Miuzinha :) :)
EliminarBesos!
O medo anda connosco todos os dias, nas notícias de guerras iminente, extremistas, tempestades solares, vírus descontrolados. Como não ter medo? Necessário é saber controlar as nossas respostas ao medo, isso sim.
ResponderEliminarBoa semana MD Roque.
Cada amanhã é sempre um agradecimento, anónimo.
EliminarBoa semana, obrigada.
Uma pega brava, MD, num excelente texto.
ResponderEliminarTempos de verde no meu corpo, sim.
Das noites pintadas a negro das botas
para que o medo na voz não se visse
n’ a morte saiu à rua num dia assim".
E o dia imprevistamente não se tingisse
de rubras papoilas, definitivas, do fim.
Viva, Agostinho, agradeço. :):)
EliminarUm grande abraço e bom fim de semana.
Direi mesmo: não se consegue "viver" com medo. Quando muito, engana-se a vivência. E tudo o que escreves neste texto é mesmo assim. O medo aniquila e deixa mesmo marcas físicas. Há que "fazer das tripas coração" para se afastar os fantasmas que nos consomem. Há mesmo que conviver com eles ou saber lidar com eles. Refiro-me ao medo no sentido amplo, pois há medos que se ultrapassam---
ResponderEliminar" A única coisa que devemos temer é o próprio medo" - disse F. D. Roosevelt.
Deves conhecer mas como é um texto fantástico deixo-te o link (Mia Couto) - https://docs.google.com/document/d/1aXX8ZEekztqzOTIhY5sEiIBbg2YF5NRbvCYt3-cCTk8/edit?pli=1
e http://youtu.be/wSnsmM_3xrY
Adorei ler, querida D :)
Já tinha lido, mas reler é sempre bom, quando a leitura é boa.
EliminarObrigada e uma beijoca.