"As paixões são como ventanias que enfunam as velas dos navios, fazendo-os navegar; outras vezes podem fazê-los naufragar, mas se não fossem elas, não haveria viagens nem aventuras nem novas descobertas."
Voltaire
Eu hontem passei o dia
Ouvindo o que o mar dizia.
Chorámos, rimos, cantámos.
Fallou-me do seu destino,
Do seu fado...
Depois, para se alegrar,
Ergueu-se, e bailando, e rindo,
Poz-se a cantar
Um canto molhádo e lindo.
António Botto
Não nasci com costela de mareante.
Adoro o mar, a sua força, a sua cor, a sua beleza, a bipolaridade do seu carácter, o embalo do seu marulhar... O sal, as marés e as maresias são filhos adoptivos do meu código genético e coabitam pacificamente com os restantes segmentos do meu genoma.
Adolescente, larguei amarras de Lisboa na véspera de completar 16 primaveras, a bordo de um navio de cruzeiro com destino a Southampton. Nessa noite vivi mil vidas e morri mil mortes.
A meio do Golfo de Viscaya, uma inesperada e violenta tempestade jogou o paquete como a pequena bola prateada de uma máquina de flippers e abriu de par em par as portas do Inferno a todas as personificações marítimas do medo.
Diz-se que o terror pode ser belo; é a mais pura das verdades. O negrume das vagas pontuadas por alvos picos como lâminas de prata contrastava com um céu antracite-arroxeado, rasgado incessantemente por raios que bailavam ao som violento do ribombar e da chuva que fustigava violentamente a embarcação. O pesadelo durou infinitamente e, num instante, como num passe de magia, um brilhante e radioso sol nascente saúda-nos, risonho e límpido, como se nada se tivesse passado.
A minha relação com barcos, até então aventureira, sinbadesca e sonhadora, nunca mais foi a mesma. Até o ronhoso cacilheiro me dá calafrios.
Mas alturas há em que we have to do what we have to do, e pronto.
Ao som duma voz forte que interpretava muito convenientemente "Volare", partimos à descoberta do mar, numa verdadeira casca de noz.
As ondas saudaram a minha decisão, resolvemos as nossas diferenças e ficámos em paz, o mar e eu.
A meio do Golfo de Viscaya, uma inesperada e violenta tempestade jogou o paquete como a pequena bola prateada de uma máquina de flippers e abriu de par em par as portas do Inferno a todas as personificações marítimas do medo.
Diz-se que o terror pode ser belo; é a mais pura das verdades. O negrume das vagas pontuadas por alvos picos como lâminas de prata contrastava com um céu antracite-arroxeado, rasgado incessantemente por raios que bailavam ao som violento do ribombar e da chuva que fustigava violentamente a embarcação. O pesadelo durou infinitamente e, num instante, como num passe de magia, um brilhante e radioso sol nascente saúda-nos, risonho e límpido, como se nada se tivesse passado.
A minha relação com barcos, até então aventureira, sinbadesca e sonhadora, nunca mais foi a mesma. Até o ronhoso cacilheiro me dá calafrios.
Mas alturas há em que we have to do what we have to do, e pronto.
Ao som duma voz forte que interpretava muito convenientemente "Volare", partimos à descoberta do mar, numa verdadeira casca de noz.
As ondas saudaram a minha decisão, resolvemos as nossas diferenças e ficámos em paz, o mar e eu.
Navegar é preciso...














Tantas e belas imagens e nem uma da bela e temerária marinheira?
ResponderEliminarExcelente reflexão (e escolha de banda sonora, já gora).
Beijinhos
Ruthia d'O Berço do Mundo
Viva, Ruthia. A minha intenção sempre foi ilustrar a beleza... :) :) :)
EliminarObrigada e um beijinho
Adorei o texto, faz-nos viajar! E as fotografias lindíssimas só nos aguçam ainda mais essa vontade :)
ResponderEliminarSabes querida Andreia, se tivesse menos 30 anos, juro que fazia um Interrail - on - a - budget, Europa fora. Com um planeamento consciente, seria fantástico para um mês, vá lá, 20 dias de férias.
EliminarJá pensaste nisso :):):)
Beijoca.
Que fotos lindas!
ResponderEliminarAmei o texto, muito lindo!
O mar nos inspira e nos solta, creio que quando ficamos perto dele, percebemos o quanto somos pequenos e passamos a valorizar mais as pequenas coisas...
Navegar é preciso!!!!!!
bjus
Obrigada pela visita ao meu blog!
Voltarei sempre!
http://www.elianedelacerda.com
Olha, Elyane,muito obrigada, sim?
EliminarFico muito feliz com o seu comentário.
Voltarei seguramente ao seu espaço!
Um beijo :):):)
Oi querida
ResponderEliminarQue texto lindo! Nos envolveu e nos levou a viajar principalmente quando nos ofereceu paisagens tão belas
Beijos no coração
Que bom que gostou, Gracita. As suas palavras enchem-me de alegria-
EliminarObrigada e mil beijos :):)
Boa tarde amiga
ResponderEliminarque lindo post!
Eu gosto muito mar, só tenho receio de entrar o mar, porque não sei nadar! Mas adoro o som das ondas, e a brisa que vem bater em nosso rosto!
abraço amigo
Maria Alice
Viva, Maria Alice. Eu adoro o mar. Agora já me conciliei com barcos, mas o mar é o meu primeiro bom dia, ao despertar.
EliminarObrigada e um grande beijo. :):):)
Dulce,
ResponderEliminarAs gôndolas estão nos trinques.
:)
Marcos
Lindas, mas frágeis, Marcos... foi bom... aliás, foi um encanto :):):)
EliminarAh Dulce essa viagem marítima na adolescência deve ter sido um susto!!...No entanto o que
ResponderEliminarsinto em ti é um grande fascínio pelo mar, e pelo "ir".
As fotos são maravilhosas que tenho que olhar e voltar a olhar.
OMG só eu é estou sempre no mesmo sítio, quando "navegar é preciso"..::-)
Obrigada sobretudo pelas fotos, de uma beleza ímpar, e a música excelente!
xx
Minha querida, quem agradece sou eu. Estás sempre presente, com a palavra certa em cada momento. Ler-te é fantástico- És genial e bem disposta. Que mais se pode pedir numa amiga ?
EliminarMil beijos daqueles, cheios de ternura por ti. :) :) :)
Sempre me questionei se irias fazer o tour de Gondola. Ainda bem que foste. Cada foto mais linda do que a outra.
ResponderEliminarBejinho
Querida Lu, do aeroporto Marco Polo até S. Marco . é UMA HORA e picos no waterbus. Depois em Veneza, tens dois meios de locomoção: de vaporetto ou a pé... tinha MESMO que me conciliar com as minhas fobias marítimas. Correu bem.
EliminarJocas :):)
OI DULCE!
ResponderEliminarNOTA-SE TUA PAIXÃO PELO MAR, EMBORA DEPOIS DE UM SUSTO ASSIM, ACHO QUE PASSASTE A TEME-LO TAMBÉM. COMIGO SERIA ASSIM, POIS EU O AMO, MAS CHEGANDO NO MÁXIMO AOS JOELHOS.
UM BELO POST COM ILUSTRAÇÕES TAMBÉM LINMFDAS.]ABRÇS
http://zilanicelia.blogspot.com.br/
Viva, Lani. Penso que eu e o mar já fizemos as pazes :):)
EliminarEu gosto de mergulhar, de nadar, não consigo estar na praia sem ir nadar, posso até perder o pé, sempre paralelo à rebentação, mas sempre com consciência das minhas limitações.
Beijoca :):):):)
Parece que teve uma má experiência. Eu tenho uma grande paixão por ele, mas nunca fiz nenhuma viagem digna desse nome de barco.
ResponderEliminarBelas imagens. Veneza é um paraíso para quem tem paixão pelas fotografias. Continuação de boas férias
Um abraço e bom fim de semana
Obrigada, querida Elvira. Fotografia é uma paixão de longa data. Sou uma amadora aceitável, creio. :):):)
EliminarBeijinho grande, grande :)
Viver a fábula? Confesso que me escapa a razão de ser "fábula" esta "saga" maravilhosa pela recolha de poemas, textos, fotografias... um deslumbramento. Estará na diferença de dimensão entre a pessoa e o palco que pisa, o ambiente que respira?
ResponderEliminarParabéns por este trabalho que já vai no quinto capítulo. E continuação de boas férias.
Viva, Agostinho. Fábula tem a sua razão de ser. Sairá um post ainda esta semana qu explica o título da série. Obrigada pela simpatia e B F S. Abraço. :)
ResponderEliminarSó podia ser neste lugar idílico a tua reconciliação com memórias terríficas...
ResponderEliminarPode-se amar o mar (eu amo-o e estou perto dele poucas vezes) e toda a sua magnificência e recear navegá-lo, numa travessia de longo curso (apesar de fazer um cruzeiro seja um daqueles meus sonhos românticos...). Já fiz a travessei do Tejo e mais umas coisitas, mas pisar terra firme é sempre um alívio. No caso em apreço, nunca te perdoarias se não fizesses esta experiência!
Das fotos...Que mais dizer...Acompanhei-te!
Excelente a narração da "aventura" em adolescente. Nada fica a dever ao episódio do "Adamastor".
Bjo, querida D :)
O importante é ir vencendo is nossos Adamastores e ficar bem com a vida. Lá, na ilha mágica da lagoa prateada, o encantamento ajudou.
EliminarBeijos, queria EU. Bom Domingo :)