terça-feira, 12 de agosto de 2014

O Génio

"Não há regras. Apenas siga o seu coração"         Robin Williams



"Carpe diem. Aproveitem o dia, rapazes. Tornem as vossas vidas  extraordinárias."

( in O Clube dos Poetas Mortos)







Corria o ano de 1993.
A filha mais velha estava a dar os primeiros passos na introdução a uma língua estrangeira, neste caso o inglês. Foi algo que a cativou desde as primeiras aulas e era interessada e incrivelmente bem falante no que tocava a pronúncia.
Em 1993, diferentemente ao que "no meu tempo" se praticava, o Inglês ministrado a nível primário e até secundário, era bastante básico. Os livros eram muito infantis e, no meu parecer, as crianças aprendiam as coisas numa ordem inversa, quando o que interessava mesmo era aprender a comunicar o melhor possível. 
Claro que tínhamos a Buchholz e outras livrarias onde se podiam adquirir livros originais, mas aqui por casa o tempo nunca foi um bem de que se pudesse dispor, nem para apoiar os filhos convenientemente.
Também por esses tempos, estava o Mano colocado na NATO AWACS em Geilenkirchen, perto de Colónia, na Alemanha.
Sendo a base de Geilenkirchen uma base da NATO, o staff era maioritariamente composto por elementos da força aérea americana, sendo a base em si uma pequena cidade dentro da cidadezinha onde estava situada.
Numa das minhas visitas, e porque tinha um aparelho de VHS que lia cassetes em  NTSC, trouxe o acabadíssimo de lançar Aladdin da Disney, o primeiro filme em que quem dava voz aos personagens eram conhecidos actores e actrizes da sétima arte.
O filme foi o primeiro de muitos que adquiri sem legendas nem dobragens em que fossem usados termos que não eram falados em Portugal.
Qualquer uma das minhas filhas pode , em qualquer momento que se lhe peça, recitar de cor o filme que marcou o seu contacto directo com o inglês americano, que não sendo a língua pura, era falado por milhões tal como era falado no filme, diferentemente do que era impingido nas escolas.
Cresceram com o Aladdin e os seus personagens irreverentes e músicas alegres.
Cresceram a ouvir o Génio da garrafa conceder três desejos ao rapazinho da rua, que no fim alcança o seu sonho, não por qualquer passe de mágica, mas  pela sua tenacidade, valentia e honradez, e, altruísta,  usa o último desejo, não em proveito próprio, mas para dar liberdade àquele louco azul, ao fala-barato que nos levou às lágrimas e no fim nos envolveu num terno abraço.
Quem viu Weapons of Self Destruction , chorou como louco e riu como doido,  compreende agora o homem que se escondia por detrás do génio.


Todos os dias , milhares de pessoas tocam a nossa vida duma forma positiva, sem nós de tal nos apercebermos. Podemos considerar-nos uns privilegiados por os nossos caminhos, de algum modo, se terem cruzado.

Até sempre, génio genial, ovaciono de pé


                 

30 comentários:

  1. Ó Maria, sinto-me tão triste…
    Soubemos ontem à noite, o alarme foi dado pelo miúdo para quem o Robin Williams era mais, muito mais do que alguém que se vê só nos filmes…
    Disse-me o miúdo "..só agora pensei que talvez ele tenha sido um palhaço toda a vida; fazendo e rindo por fora mas em lágrimas por dentro"…
    Se calhar foi Maria e dói-me que assim tenha sido…
    Estou como quem perdeu um amigo de casa….

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    1. Tenho o Jack em todos os formatos que as sucessivas TVs aceitavam, porque as garotas adoravam o filme... afinal elas cresceram com as loucuras do Flubber, do Jumanji, do Peter Pan, da Mrs. Doubtfire...
      Como diz o Aladdin do fim do filme, "Genie, you're free now".
      Beijo, querida.

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  2. Fiquei tristíssima com a notícia. Quem diria que um homem que irradiava alegria sofria de depressão profunda?...
    Um beijinho para ti, Maria

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    1. Olá Miú. Um actor multifacetado e comediante fora de série... triste, triste. Nunca saberemos o que o deprimiu ao ponto de embarcar na derradeira viagem.
      Beijinho e obrigada.

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  3. O Clube dos Poetas Mortos é um dos meus filmes de sempre :'(

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    1. TEve bons momentos.
      Lebro-me bem de ver com as miúdas o Weapons of Mass Destruction e ficar siderada com a genialidade e pujança física dele... afina, olha...

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    1. Pode ser que vá por os anjos a sorrir, ou até mesmo a gargalhar, Elvira :)
      Beijinho

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  5. Finalmente vou de férias!
    Confesso que estou necessitado de descansar.
    Desde que vim para Itália, no dia 29 de Maio, tenho dado belos passeios, visitado locais que não conhecia e revisitado outros já conhecidos.
    Mas, a par disso, o trabalho tem sido a um ritmo bastante acelerado, com o intuito de, o mais rapidamente possível, poder regressar a Portugal. Este objectivo ainda está um pouco longe de ser alcançado…
    Agora chegou o momento de gozar férias. E aí vou eu, no próximo dia 14.
    O regresso… é uma incógnita. Quando voltar vos farei saber 
    Para que não me esqueçam… deixo-vos mais algumas fotos do passeio que me foi oferecido como prensa de aniversário…
    Para veres as fotos e o resto do texto… terás que ir ao “DEUSA” 
    Um beijo
    Miguel

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    1. De férias, então a ida a Itália não foram férias ?!
      Diverte-te e descansa, meu amigo. Irei sem dúvina ao Deusa admirar a tuas fotos.
      Mil beijinhos.

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  6. Dulce,

    Pescador de Ilusões foi o filme dele que vi esta semana, por acaso.

    ;
    Marcos

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  7. Um excelente filme, noutro registo, mas muito bom, Era muito versátil e parecia que tinha um olhar tímido mas feliz... quem vê caras, como diz o ditado...
    Abraço, Marcos.

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  8. São homens destes que fazem o mundo valer a pena. Vale mais um homem assim, de mãos vazias, do que os milhares de loucos armados de preconceitos, ambição e medo que vivem no Médio Oriente.

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    1. Isso é que é, Agostinho.
      Pena que a alegria que transmitia ao mundo não sobrasse para ele.
      Abraço amigo.

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  9. Interessante a forma como contaste toda a influência que ele veio tendo ao longo da carreira, aí em casa...
    O primeiro filme que vi com ele foi o Good Morning Vietnam, e a partir daí vi grande parte dos filmes, e o que me marcou mais foi mesmo o Clube dos Poetas Mortos. Um grande actor, muito versátil, e o que ressaltava das entrevistas que dava era alegria e uma simpatia extrema, mas como costumo dizer, duvido muito quando uma pessoa parece estar sempre alegre....Que pena, pois ainda teria tanto para fazer.
    Uma ovação muito merecida!
    xx

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    1. É triste ser um comunicador por excelência que arranca gargalhadas em plateias ao rubro, e que não tenha conseguido vencer a sua angústia. Ainda teremos o privilégio de o voltar a ver no grande cercam em novos filmes com o seu inigualável humor.
      Aplaudamos o artista.
      Beijos, Laurinha. :')

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  10. Vou ser lapidar: excelente homenagem que lhe fazes, partilhando vivências (as dele como ator, as tuas e as das tuas filhas, enquanto referências assimiladas, contribuindo para a sua sólida formação linguística - de facto o inglês nas escolas privilegiava a escrita e a gramática, mesmo que o programa não apontasse essa direção).
    Mortes como esta, curiosamente (embora lamente imenso), não me surpreendem assim tanto. A alma de génios convive, geralmente, muito mal com o mundo real. E não é por snobismo...
    O Clube dos Poetas Mortos foi uma pedrada no charco, por vários aspetos que, decerto, percebes. Ousar ser diferente tem muitos custos... Bjo, querida D
    (Voltarei para ler e comentar o que tens postado)

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    1. Fazer a diferença é difícil ; manter um padrão qualitativo é titânico . A linha é fina demais e tantas vezes não se tem sequer a noção que já se está do lado de lá.
      Beijos, querida EU. É bom ter- te de volta.

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  11. Weapons of Self Destruction é um dos momentos mais hilariantes e brilhantes de stand-up comedy.
    Mas havia outras facetas no génio que não eram menos excepcionais - o actor, o entrevistado, o apresentador, aquela capacidade invulgar de improviso.
    Uma notícia muito triste a da morte de Robin Williams

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    1. Absolutamente, Pedro. Aquele raciocínio arguto, mais veloz do que a própria sombra... E o registo dramático , menos regular mas igualmente brilhante. Gostava que tivesse tido para si parte da alegria que transmitiu. Quero acreditar que sim.
      Abraço, meu amigo

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  12. Realmente o inglês aprende-se melhor ouvindo-se. Adorei o pedacinho de filme do Aladino. Quanto a Robin Williams sinto imenso a morte dele. Admirava-o tanto com actor. Também sou das que fui marcada indelevelmente pelo filme "Clube dos poetas mortos".
    Beijo.

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    1. Foi uma partida triste, de uma pessoa que fez carreira da alegria e dos sorrisos que arrancava em todos os rostos sem qualquer dificuldade, Graça.
      Um grande beijinho

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  13. Olá, estimado amigo.
    Depois de longa ausência, volto a lhe visitar e confesso que somente agora percebi que ainda não seguia o seu blog, todavia, já corrigi minha falta! Por outro lado, eu digo:a vida é assim! Uns lutam para nela continuar e outros, simplesmente, desistem e a deixam...
    Um forte abraço e até mais!

    “Que a Luz do Sagrado ilumine o vosso caminho...”
    Aceite meu abraço e até mais!
    http://vendedordeilusao.blogspot.com

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    1. Agradeço a atenção e o abraço, caro vendedor de ilusão, e retribuo comum abraço amigo.
      Felicidades :)

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  14. Sou apaixonada por filmes e costumo ver um a cada noite (rss). Ainda tenho o hábito de pegá-los na locadora, o que meu sobrinho considera anti-moderno, já que se utiliza de recursos outros oferecidos atualmente. O nome do ator sempre foi um referencial para mim, quando da escolha, pois muito o admirava. Vi muitos de seus filmes, sendo que o último assisti no dia de sua morte. Lamento, profundamente. Você escolheu um belo caminho na elaboração da postagem. Bjs.

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    1. Olá Marilene.
      Ele era um Jack , um menino grande com olhos assustados que cresceu depressa demais.
      Beijo e obrigada.

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  15. Olá velhota. Saudades minhas ?
    Tenho lido todos os teus posts, mas comentar pelo télélé é complicado.
    Este fala-me ao coração sobre o Clube dos Poetas Mortos e o Jack e tive que me solidarizar com ele, em duas ou três palavras.
    Bjoka.

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    1. Miúda, por onde tens andado hummm?
      Ok. Capice.
      Obrigada e um Xi-<3

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É aqui que me mandas dar uma curva