quinta-feira, 10 de julho de 2014

Falareis de nós como de um sonho ...

  "Falareis de nós como de um sonho."
Jorge de Sena 





Eu gosto das aldeias socegadas, 
Com seu aspecto calmo e pastoril, 
Erguidas nas collinas azuladas - 
Mais frescas que as manhãs finas d'Abril. 

António Gomes Leal



(o Avô Zé Roque, o Tio Manuel da Moca e o Tio Daniel)


Para mim "Ir à Terra" era sinónimo de aventura, avançar pelo desconhecido, fazer-me forte quando o medo vinha, chorar à noite e fechar os olhos receosos dos monstros que se escondiam por detrás de cada sombra da janela.
Eu e a Mãe somos alfacinhas, mas o pai, albicastrense de gema, primogénito de uma família numerosa de Gaviãozinho, Santo André das Tojeiras , desenvolveu as costelas de Alis Ubbo quando, com apenas um ano de idade, veio viver com os padrinhos para a capital.

Os avós continuaram no seu pacato vilarejo à beira da Ribeira do Ocreza, na sua pequena casa térrea com um sótão escuro, lareiras em cada quarto, um jardinzinho murado e um anexo com um forno de cúpula alva e redonda, onde se cozia o pão e se preparavam todos os doces e cozinhados importantes das festas.
Os bolos da Avó Hortense, com erva doce, azeite puro e mel, eram famosos nas redondezas.

Não havia estrada para lá chegar, só um caminho com frequentes lombas de grandes pedregulhos negros, barreiras naturais difíceis de ultrapassar pelos automóveis de então.
O percurso fazia-se de comboio até Castelo Branco, onde o Avô Zé Roque e o tio Manuel da Moca e mais dois ou três compadres, nos esperavam com uma  récua bem selada que fazia o transporte até ao Gaviãozinho.
O perfume das estevas em flor na beleza agreste da paisagem,  foi marcado a ferro e fogo na minha memória de criança. Passe o tempo que passar, uma fragãncia leve, vindo sabe-se lá de onde,  acorda a recordação e tenho outra vez 4 anos e grito do colo da Mãe "Arre macho!" e ela ri, com aquele sorriso tão lindo e tão jovem, o mesmo que ainda hoje conserva nos lábios enrugados.

O Avô saia cedo, tratar dos animais, regar os campos, colher diospiros que me dava às colheradas e que ainda hoje adoro comer... A Avó preparava o mata-bicho e seguia com a merenda que aprontara a juntar-se a ele. A mãe cozinhava o almoço para os de fora e só os voltávamos a ver à tardinha, quando regressavam do campo , sempre com um afago e uma flor para a menina. Conversávamos e riamos à mesa do jantar, à luz de candeeiros a petróleo com os vidros desenfarruscados que brilhavam uma luz quente e difusa.  Juntavam-se tios e primos, uns que conhecia , muitos que nunca vira na vida. Conversavam e cantavam, com o avô a dedilhar a guitarra. No fim, as mulheres como era costume, arrumavam as loiças que iam lavar em grandes alguidares de barro, os homens iam fumar e conversar para o jardim,  e o Avô Zé pegava-me ao colo e levava-me a ver as figuras no céu, que era branco de luzes numa noite de breu.


( A pequena D, adorava os banhos de rio, ao colo  da Mãe)


Tomar banho no rio era uma festa; "as de Lisboa", de fato de banho e touca, eram uma visão do paraíso para os moçoilos habituados a saias compridas e colarinhos apertados. A Tia Adelaide, que acompanhava sempre estas expedições e não vestia fato de banho, ria a bandeiras despregadas e tão intensamente, que se chegava a pensar que a sua saia molhada, não o fora pelas águas do Ocreza.
O rio era frio , mas tão transparente que se viam os peixinhos curiosos debicar junto aos nossos pés. Lembro-me de ter uma cuequinha de banho vermelha com bolinhas brancas e muitos folhos, que me almofadavam o assento e eu chapinhava feliz.

Devia andar pelos meus oito anos, quando a Avó Hortense desenvolveu um problema grave e incurável de bronquite asmática, que juntamente a uma condição cardíaca pré-existente não lhe permitiria viver muito tempo se continuasse no Gaviãozinho.
Venderam-se terras na "terra" e comprou-se uma quinta com casa e estábulo na Barra Cheia , perto da Moita, para os avós se poderem mudar e terem alguma qualidade de vida.
Foi como trazer uma bela planta silvestre  e transplantá-la para um vaso, numa terra distante. Pegou, floriu, mas perdeu o viço, a cor e o cheiro, e os Avós nunca mais foram os mesmos. Estavam por cá, mais saudáveis, mais cuidados, perto dos filhos e dos netos , mas a alegria da sua alma, essa ficara naquele vilarejo da Beira Baixa, enterrada numa sepultura triste e sem nome, onde nunca mais ninguém lhe descobriu o rasto.


                                
(Precious Memories, by Bob Dylan & Willie Nelson)

86 comentários:

  1. Não posso ler estas coisas... não posso.

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    1. Então, minha querida UP... É assim tão mau?
      Olhe , "Hoje deu-me para isto # 355" ... Fazer o quê, é das antiguidade dos neurónios...
      Beijinho. :):):)

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  2. Até fiquei de coração apertado agora :/

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    1. Sabes Andreia, apesar de terem melhores condições, mais carinho e menos trabalho, foram desenraizados e definharam espiritualmente...
      Beijinho, minha querida.

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  3. A Quinta dos teus avós na Barra Cheia foi o único sítio em que eu me lembro haver maior diversidade de árvores de fruto por metro quadrado.
    Lembro-me quando sós teus avós foram para Odivelas já velhinhos, e todos choravam com saudades da quinta.
    Lembro-me deles no teu casamento assim como da Avó Adelaide e da Tia Adelaide.
    Lembranças boas.Xi<3

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    1. De todos, só a Tia Adelaide durou quase até aos 100 anos...
      A saudade is a bitch....
      Jocas

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  4. As fotos são bonitas, mas a história terminou triste. A minha avó materna teve enfarto do coração, e depois derrama cerebral, e ficou fraquinha por alguns anos até morrer. ;*

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    1. Sabe Marcos, por vezes as nossas raízes, o vento no cabelo, a chuva no rosto, poder correr livre por montes e vales , faz parte da nossa identidade como uma impressão digital. Apesar do conforto, do carinho da proximidade da famílias, faltava-lhes a Beira Baixa e essa tristeza que lhes embaçava o olhar, acompanhou-os até ao fim.
      Abraço

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  5. a verdade é que a saudade é positiva. Relembra apenas as coisas boas. Se as memórias não fossem boas, não se chamaria saudade, às memórias boas. Deveriam "fabricar" uma palavra para memórias negativas.
    Tenho tantas _______, das pancadas que levava na cabeça do meu primo Luís, quando lhe roubava a última bomboca de morango.

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    1. Bobocas de morango, são uma recordação positiva, cá pelos meus lados. :):):):)
      Sabes que um dia destes comprei uma coisa parecida e já não sabem ao mesmo?
      Beijinho E.M. :):)

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  6. Bela história. Felizes são aqueles que têm o que contar dos seus antepassados. Eu, particularmente, não tive o privilégio de conhecê-los, salvo um tio que vi uma única vez em cima de uma cama, vítima de tuberculose e já na hora da morte.

    Beijos e muita paz para ti e para os teus.

    Furtado.

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    1. O que importa na vida, Rosemildo é que quem não tem um passado para apoiar o futuro, pode começar de fresco, do zero e criar as suas próprias bases de prosperidade e felicidade.
      Beijo e dias risonhos.

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  7. Boa tarde, MD
    A gente lê com gosto este seu recordar dum tempo que só a lembrança mantém vivo.
    Entendo bem o sentimento de seus avós, na altura em que foram para outra terra, que não a deles, e que você tão bem descreve, na analogia que faz com uma «bela planta silvestre a ser transplantada para um vaso». É mesmo isso: sobrevive-se, mas uma parte murcha, perde o viço. Porque, querendo ou não, as raízes sentem a falta do calor da terra onde se criaram, e que foi seu primeiro amor.
    Abço amigo

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    1. É isso mesmo, Carmem. Alegres flores que coloriam campos, montes e vales, livres e brilhantes, foram mudadas para um vaso grande, bonito, moderno, aconchegante, mas um vaso com uma terra diferente e paredes que limitam que as raízes cresçam livres. Nós somos as nossas raízes e crescemos a partir delas. Muitos conseguem, outros , nem por isso. A idade avançada não ajudou...
      Beijo, querida.

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  8. Eu tenho saudade deste tempo nem sei porque , que doidera, nem podia falar ,
    me expressar que já estava apanhando, mas tenho saudade, algumas coisas eram legais,
    os docinhos da vovó, as festas em família...
    bjs
    http://eueminhasplantinhas.blogspot.com.br/

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    1. Também eu , Simone... Como eu gostava de poder passar, nem que fosse um só dia, com os meus avós, com o meu pai, na província, em Belém antiga... Até no liceu... :):):)

      Beijinho, querida.

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  9. Que belas recordações. É uma pena que nem tudo acaba com um final feliz. Mas a felicidade dos tempos idos jamais se apagará da memória e do coração.
    Beijos

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    1. É verdade, querida Gracita. Quero muito acreditar que os Avós foram felizes por cá os cerca de 20 anos que ainda viveram, da melhor maneira que conseguiram adaptar-se ou até resignar-se a esta realidade.
      Beijo querida amiga e BFS

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  10. Um excelente texto, um desenrolar de memórias muito agradável de ler pese o final. Ainda assim a Barra Cheia não foi dos piores locais, onde seus avós foram parar. Era uma zona de quintas, o rio não estava longe, não era assim tão diferente das aldeias. Se fossem viver para um apartamento na cidade grande a situação era bem pior.
    Mas ainda assim não era o "seu lugar".
    Eu não tive lidação com meus avós maternos. Viviam na Beira Alta e os meus pais não tinham dinheiro para irmos para lá. Fomos uma altura em que meus irmãos tiveram a coqueluche vulgo "tosse convulsa" Fomos os três, com minha mãe para casa dos avós. O pai ficou a trabalhar. Lembro que era uma cada feita de pedra negra, com a loja em baixo e a casa de habitação em cima. "Chamavam loja à parte de baixo mas na realidade aquilo seria mais logico ser chamado de curral, pois era aí que meus avós tinham 3 cabras e 4 ovelhas. Lembro que tinha uma escada também de pedra para a casa, Mas do interior da casa só lembro da cozinha, onde a minha avó acendia uma fogueira no chão e colocava por cima uma panela de ferro preta de três pés. Não lembro quantas divisões eram, nem se tinha algum mobiliário, nada.
    Adorava a minha avó paterna. Ela vivia connosco no velho Barracão. Ainda hoje lembro do deu porte e de algumas coisas que ela dizia, Morreu quando eu tinha 6 anos. Uma manhã, era inverno, chovia imenso. A mãe trabalhava na Seca do Bacalhau e por causa da chuva não houve trabalho. Então ela fez uma malga com sopas de café de cevada e disse-me para levar à avó à cama. Como ela não trabalhava a avó não precisava levantar tão cedo para cuidar da gente. Eu levei, a vó sentou na cama, pegou na malga, agradeceu fez-me uma festa na cabeça e começou a comer e eu fui-me embora. Passado um bocado a mãe estava a lavar a loiça e pediu-me para ir buscar a malga à avó para lavar. Eu fui e encontrei a avó caída na cama a malga virada e grande parte das sopas de café derramada. Gritei pela mãe que começou a chorar mal a viu e nos mandou para casa de um tio. A pobre da avó Piedade tinha morrido de ataque cardíaco serenamente enquanto tomava o pequeno almoço.
    Um abraço

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    1. Oh Elvira, como deve ter sido confuso e triste para uma criança de 6 anos perder a avó de repente e assistir praticamente à sua partida :(
      Lá N "terra", as casas eram de xisto e as lojas eram parte de todas as casas, por que guardavam os animais que transmitiam calor e servia de armazém para o vinho, o azeite, as tranças de cebolas etc. Não me lembro de ver a loja na casa da minha avó, mas a Mãe diz que ficava para trás e a frente e o forno é que eram térreos ao nível do jardim.
      A Elvira é uma lutadora e uma vencedora. :):)
      Um grande beijinho e BFS.

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  11. Não sei se já te tinha dito isto mas gosto de te ler.

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    1. Querida loira, és a loira mais doce do mundo. Mesmo que já tenhas dito, gosto tanto quando dizes outra vez :):):)
      Beijos. Muitos. BFS

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  12. Gosto muito de ler suas histórias, faz bem a alma.
    Amei, um abraço carinhoso e agradecida por sua visita.

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    1. Viva Theresa, obrigada , querida. Faz bem ler seus comentários.
      Beijinho.

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  13. As recordações mais antigas parecem estar sempre envoltas numa névoa de sonho, parecem-nos sempre um sonho tão longínquo...
    Diospiros e a final tristeza de sair da terra onde sempre se viveu. Por melhores que sejam as condições posteriores, a sensação de "arrancamento" é uma ferida que não sara nunca, como não sarou.
    Uma narrativa muito bela sobre a tua infância, ilustrada por belíssimas fotos com o sabor da antiguidade.
    Ah! Adorei o tio Manuel da Moca, um nome fantástico :-)
    xx
    Postarei alguma coisa dentro de alguns dias.

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    1. LAURINHA, QUE SAUDADES !!! :):):)
      Voltaste, ou vieste de visita ? Seja como for, é uma alegria "ver-te" de novo.
      O tio Manuel da Moca, era tão castiço como o o seu apelido :):)
      Um grande beijo e muitas saudades.

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  14. A minha terra sempre foi a cidade. Meus avós maternos (com quem vivi sempre até falecerem) fugiram da terra deles, ainda novos, e pouca ou nenhuma ligação mantive com o local.
    Hoje, "cansado" da cidade, sou eu que procura outras terras, cidade, aldeias, de preferência mais calmas (e algumas com ligações familiares). Tenho sido interessante essa procura.

    A família é numerosa, as recordações também.

    Tudo de bom.

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    1. Eu também sou da cidade, habituada a tudo o que a cidade tem para oferecer. O Marido é de perto de Braga e poder rumar para lá, se tiver a felicidade de chegar à idade da reforma (em havendo reformas...) é o que mais ambiciono.
      Abraço amigo e BFS.

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  15. M D Roque, vim aqui agradecer o carinho da visita e comentário lá no meu blogue e deparo com esses texto que me tirou lágrimas dos olhos, linda escrita, amei poder conhecer um pouquinho dessa parte de sua vida.
    Viver é isso mesmo, ainda bem que tens essa linda memória, embora doa com a nostalgia!
    Que lindo poder recordar, que bom ter história para contar, que bom ter tido essa linda família, pois também tive a minha, me lembro dos meus avós paternos, pois os maternos nem cheguei a conhecer, mas minha mãe contava muito, que bom seu espaço, és de uma sensibilidade incrível!
    Amei conhecer aqui, tenhas um lindo fim de semana!

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    1. Olá Ivone, obrigada pela simpatia.
      As memórias são o que nos resta daquele tempo que passou a correr, mas que lembramos tantas vezes como se fosse nesse momento.
      Um grande beijo querida.
      PS: O nome da minha Mãe é Ivone e eu acho que é um nome lindo. :):):):)

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  16. Oi querida,
    Linda história saudosista.
    Se eu form contar a minha estória de vida à partir dos cinco anos, digo cinco anos, pois não me lembro ter vivido um dia antes; daria um livro bem grosso, só que precisaria de alguém como você que escreve tão bem para fazê-lo.
    Um beijo
    Lua Singular

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    1. Dorli, você é um doce de menina. Obrigada pela simpatia. :):):)
      Se quiser começar, eu ajudo no que souber. Há histórias que nunca devem ficar por contar. :)
      Beijos. Muitos.

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  17. Olá M D Roque,
    Que relato delicioso de se ler,
    fiquei imaginando cada cena descrita aqui...
    Lembranças agradáveis, outras nem tanto, mas
    todas fizeram parte da sua história...
    Beijos e um maravilhoso final de semana :)

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    1. Viva Clau, obrigada. É sempre bom lembrar, lembrar tudo. O que foi alegre, o que foi triste, faz tudo parte da nossa grande experiência dos poucos anos que a vida nos concede.
      Beijo e BFS. :)

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  18. As lembranças são lindas e fazem parte tb da sua história. Emocionante.

    bjokas =)

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    1. Obrigada, Bell. Sempre uma ternura de menina. :):)
      Beijo e BFS

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  19. A generosidade desta partilha de ternura, de vida genuína e sã que muitos experimentaram mas que muitos mais nem sonham (que existiu e ainda existe embora menos bucólica) é uma graça para todos os que aqui vêm. Obrigado.

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    1. Já não existe quase nada sem tecnologia. A luz eléctrica só chegou ao Gaviãozinho já os meus avós estavam na Barra Cheia. Notícias, só pelos bufarinheiros e os peixeiros que passavam duas vezes por mês e pelo carteiro que ia lá montado no burrico de quinze em quinze dias. :):):)
      Ir ao médico demorava quase um dia e as panaceias eram caseiras e eficazes , enquanto as mais elaboradas ficavam entregues ás chamadas mulheres de virtude, que eram parteiras e ervanárias, com um conhecimento riquíssimo e de tradição familiar...
      Muita coisa me lembro, mas a maior parte sei pela curiosidade que me impelia a questionar toda a gente acerca de tudo.
      Abraço, Agostinho. :)

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  20. Olá,Boa noite,MD Roque
    encanto de lembranças, belíssimo e emocionante...
    quando duas culturas se deparam uma com a outra, não como superior ou inferior, mas como diferentes formas de existir, uma significa para outra uma revelação... e apesar de terem melhores condições, mais carinho,...e tendem à ser + vulnerável na questão da identidade, prevalecendo a sensação do deslocamento, do impacto que o distanciamento em relação à comunidade de origem acaba tendo sobre a formação e condição existencial...
    Obrigado pelo carinho,belo final de semana, beijos!

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    1. Foi assim mesmo Felis. Tinham muito, mas faltou-lhes o essencial.
      Obrigada, beijo e BFS :)

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  21. Olá MD Roque. Que linda história, pena que o final é um pouco triste não é. as lembranças nos marcam de uma forma tão significativa e nos ajudam muito a crescer e a nos tornar quem somos hoje. Os avós são pessoas que fazem falta demais a gente, mas sei que as lembranças que ficaram serão sempre as melhores. Queria agradecer muito, também , por ter visitado meu blog. Volte sempre :D
    Grande abraço
    Blog Fernu Fala II

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    1. Viva, Fernando, bem vindo. É isso mesmo, são as memórias e as vivências que estruturam a pessoa que nós somos.
      Obrigada pela presença e pela simpatia. :):)
      BFS e um abraço. D

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  22. Lindo seu relato, fragmento de sua vida! Fotos antigas... Conforta a saudade quando contamos nossas histórias! Bjks Tetê

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    1. Abrimos o baú que tem aqueles pedacinhos de tempo antigo que guardamos como tesouros e é tºao bom recordar, Tetè.
      BFS e beijinhos

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  23. Uma recordação com primor e com fotos bem nostálgicas com certeza nos faz emocionar.
    Já seguindo seu espaço

    Bjoks

    My
    http://entreelassempre.blogspot.com.br/

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    1. Viva, My, bem-vinda.
      Obrigada pela presença e um grande beijinho pela simpatia.
      BFS. :):):)

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  24. Um texto cheio de alma. Que maravilha.

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    1. Minha querida Cuca, é meu o privilégio de a ter por aqui a ler os meus rabiscos.
      Um grande, grande beijinho. :)

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  25. M D Roque , seu texto me emocionou . A forma doce como nos conta sua história revela além da beleza da escrita , sua aguçada sensibilidade . Agradeço a partilha . Beijos e ótimo domingo .

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    1. Viva, Marisa, obrigada :):):)
      Um grande beijinho e bom Domingo.

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  26. Oi amiga,
    Passando para lhe desejar um ótimo domingo.
    A internet está ruim aqui no Brasil.É uma loucura. Ou você entra muito cedo ou bem à noite. Mas acordei tarde e está sendo difícil comentar
    Beijos
    Lua singular

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    1. Viva, Dorli. Obrigada amiga! :)
      Um excelente Domingo para você também.
      Beijão. :):):)

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  27. No “DEUSA” respondi assim aos teus comentários:

    Miguel28 de Junho de 2014 às 18:32

    Querida D
    Antes de me embrenhar na "night"... - o que farei a seguir ao jantar - passei por aqui a dar uma olhada nas minhas deusas :) e tive a grata surpresa de te ver, e ainda por cima louca!!!
    É tão bom ser louco! Pena que só o possamos ser tão poucas vezes...
    Estou a aproveitar a viagem, se não muito, muito, pelo menos o mais possível.
    Vai aparecendo. Gosto de te ver.
    Ah! E que tal estou com os meus 100 quilos??? Espera, tu não me viste... TENS que ver!
    Um beijo muitA grande.



    Miguel11 de Julho de 2014 às 18:27

    Lamento... mas, para já, já... não posso fazer-te a vontade. Ainda não estou completamente bem... Mas, se não me quiseres assim... retiro-me já e apareço mais tarde, talvez na próxima semana :)))
    Não entendi essa dos 54 dias que faltam... Queres explicar-me?
    Fico a arder de curiosidade...
    Um beijo, ou uma beijoca - escolhe.

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    1. Faltam (agora já menos de) 54 dias para percorrer alguns dos caminhos que tu caminhaste em Itália e lambuzar-me e beleza, Miguel, mal posso esperar. E tu aguçaste-me a curiosidade com as tuas fantásticas postagens.
      Beijo, beijoca, beijinho, beijão, escolho tudo e devolvo em dobro ! :):)

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  28. Adorei ler a sua história, fez-me voltar aos meus tempos de criança e das minhas férias de verão na casa dos meus avôs.
    As mudanças nem sempre são fáceis de aceitar e para as pessoas do campo, habituadas desde sempre aos seus "cantinhos", ainda era mais dificil, mesmo que as condições novas até fossem melhores.
    Um grande beijinho
    Maria

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    1. Foi isso que aconteceu Maria. A quinta não era um quintal, ainda tinha um espaço considerável, com todas as frutas e legumes que eles pudessem imaginar. Mas era aquele rectângulo que os confinava. Não tinham rios nem montes nem... liberdade. E o constante zelo pela parte dos filhos ( que só costumavam viajar duas ou três vezes por ano até ao Gaviãozinho) provavelmente sufocava-os e apesar de bem intencionado, era redutor.
      Beijinho e bom fim de Domingo.

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  29. Este belo post fez-me lembrar a minha aldeia, os meus avós (embora tenham lá vivido toda a sua vida) e também porque lá havia um ti Moca (Joaquim Moca de seu nome).
    Adorei as fotos.
    Boa Semana.
    Bjinhos**

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    1. Olá querida aluap Al, São recordações felizes, quase todas elas. Até as da quinta... :):)
      Boa semana e um beijinho.

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  30. Olá M D Roque,

    Hoje passo apenas para agradecer o seu carinho, conforto e solidariedade.
    Oportunamente, retornarei às visitações e comentários.
    Imensamente grata.

    Beijo.

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    1. Vera Lúcia, obrigada pela visita. Muita coragem e um grande beijinho

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  31. A vida era difícil, mas tinha as suas compensações... As famílias tinham valores preciosos que os faziam muito unidos!
    Boa semana!!
    Beijus,

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    1. Isso é que é uma inegável verdade, Luma. A vida era mais dura, mas menos complicada e os valores, esses valiam mesmo . :):)
      Beijinho e boa semana

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  32. Fez-me recordar as visitas a casa dos meus avós paternos na Pampilhosa.
    Boa semana!

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    1. O ambiente bucólico devia ser idêntico, passe a maior interioridade de Castelo Branco. :):)
      Abraço, Pedro, boa semana

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  33. Querida Dulce
    Adorei este teu texto!
    As tuas recordações trouxeram-me à memória as minhas próprias lembranças, um tanto ou quanto semelhantes...
    Obrigada! Revivi tempos muito felizes.

    PS - Não tenho por hábito responder no meu blog aos comentários que recebo, excepção feita ao último post, onde respondi ao "desafio".
    Para te poupar o trabalho de lá voltares :) transcrevo, a seguir, a minha resposta:

    "Querida Dulce
    Também não sou poeta, apenas, de vez em quando, escrevo uns singelos e despretensiosos versos, que vou publicando aqui, contando de antemão com a benevolência da(o)s comentador(a)es.
    Para ti rabisquei esta brincadeira:

    Era moçoila ladina
    Nesses tempos tão bonitos
    Como menina bonita
    Ficava-se p’los beijitos

    Valeu a pena a espera
    Tudo terminou em bem
    Em eterna Primavera
    Foi feliz como ninguém

    E com esta me despeço
    Deste lindo desafio
    Mais castigo não mereço
    Espera por mim no Rossio…

    Muito obrigada pela colaboração.
    Beijos aos molhos"

    PS - Hoje, dia 14, como habitualmente, publiquei novo post.
    Gostaria de "saber" a tua opinião.
    + 1 beijito

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    1. Mariazita, é sempre um prazer visitar o teu espaço.
      Obrigada pela "resposta". :):)
      Beijinho grande e at´r já.
      Boa Semana :):)

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  34. Olá Dulce! Passando para agradecer a tua visita e teu amável comentário lá no Literatura & Companhia, assim como desejar uma ótima semana para ti e para os teus.

    Beijos e muita paz para todos.

    Furtado.

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    1. Viva, Rosemildo. Muito obrigada!
      Retribuo a em dobro, junto com um beijinho . :):)

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  35. Dulce,a vida antigamente por certo era bem mais prazerosa. Não foi á toa que os avós perderam o viço com a mudança! Uma bonita história e me encantei com as fotos tb! bjs e boa semana,

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    1. Olá Anne, creio que foi isso mesmo que aconteceu.:):)
      Obrigada e um grande beijo.

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  36. Meu Deus como gosto de histórias antigas. Curto tudo do antigo, música, móveis, histórias, estórias, imóveis, roupas, fotos e tudo isso encontrei neste post. Que maravilha. Já estou te seguindo. Obrigado pela visita lá na Mesa.

    Abraços

    Carlos Hamilton
    www.mesadeconversa.com

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    1. Viva Carlos, obrigada :):):)
      Um Abraço.

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  37. Nem toda a gente teve o privilégio de sentir o campo em criança.
    Adorei o teu texto, é belíssimo.
    Apesar de grande para blogues, lê-se de um fôlego, já que o conteúdo e a narrativa são muito apelativos.
    Querida amiga, tem uma boa semana.
    Beijo.

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    1. Obrigada Nilson. Quem bom que gostou :):)
      Beijinhos e boa semana também para você.

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  38. Olá obrigada por ter ido lá no meu blog. Eu nasci em 62 e fico pensando que esta geração nova não terá e não tem o mesmo privilégio que nós, sere humanos mais maduros temos. Além de experiencia de vida, vivenciamos marcos históricos tanto para o Brasil como para o mundo. Bjs

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    1. Viva Solange. É verdade, esta geração não reconhece valores como os que nos guiaram há 50 anos, porque foram desaparecendo progressivamente á medida que os anos passaram. Penso que só nos últimos anos ficaram mais conscientes da precariedade da vida no planeta e das medidas urgentes e necessárias para que o bucolismo dos meus avós aliado á inovação tecnológica possa ser uma realidade saudável.
      Boa semana, obrigada e um beijo

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  39. Excelente relato de um tempo antigo também vivido por mim. Foi pena os avós serem "desenraizados" porque isso os levou à tristeza.
    Beijo.

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    1. Também penso que sim Graça. Não obstante a quinta ter uma dimensão considerável, creio que se sentiram de algum modo limitados, apesar da qualidade de vida ter melhorado bastante.
      Boa semana, obrigada e beijos.

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  40. Olá, Dulce!

    Ainda que não more longe, só agora aqui chego...para ler este bonito texto feito de memórias doces, que mais doces se tornam à medida que os anos vão passando...

    Também nasci no campo, no tempo do candeeiro a petróleo e broa feita no forno a lenha, e é do campo que continuo a gostar.

    Gostei muito do texto; bela descrição desses tempos que se foram e já não voltam.
    Um abraço e bom resto de semana.
    Vitor

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    1. Viva, Vítor , bem - vindo ! :):)
      As nossas memórias, principalmente as que nos são mais queridas, são aqueles pequenos pedaços de tempo que conseguimos conservar, bem guardados do baú das recordações.
      Obrigada, um abraço e bom resto de semana para si também :):)

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  41. Olá, querida
    Estou passando apenas para desejar as melhoras da tua sinusite.
    Com a receita que te dei não tens razão para não respirar livremente :))))
    Beijos muitA grandes!!!

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    1. :):):), obrigada, piquena!! Um beijinho muito, muito grande :):)

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  42. Querida Dulce

    As Memórias (ainda) são o motor da Alma.
    Não tenho nada de qualquer das Regiões, mas senti o "chamamento" dos tempos pela magnífica narrativa, que é um valioso Documento duma Época que te deixou manifestas felicidades.
    Adorei.



    Beijos


    SOL

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    1. Viva, Sol, obrigada !!!
      Assim eu tivesse tempo para escrever, como memórias tenho guardadas. :):)
      Boa semana e um beijinho.

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  43. Apesar de não ter nascido numa aldeia, sentia o apelo dos campos e passava muito tempo junto dos avós maternos. Estes cheiros nunca mais se esquecem. A terra tem este poder, portanto não admira que os teus avós nunca mais fossem os mesmos. daí as raízes terem tão grande significado.
    Este teu texto, soou-me, portanto, familiar no sentido em que vivi muitos dos momentos que relatas. Acrescento que escreveste um texto bucólico que, além do que referi, "revi-me" a ler cenas idênticas de um quotidiano rural contadas por alguns dos nossos grandes romancistas.
    Mais uma confidência: tenho família que vive nos arredores de Lisboa. Na minha juventude, passava muitas férias junto dela. Achava sempre curioso quando ouvia alguém dizer que ia à terra. Nunca diziam aldeia. Isto diz muito!
    Bj, querida D :)

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    1. Sendo eu Alfacinha, "a terra" nunca foi verdadeiramente a minha "terra" ... O melhor que arranjei foi esta espécie de proxy, primeiro no Gaviãzinho, quando ia á terra com o Pai, depois em Braga, quando vou á terra com o Marido. Sempre assumi qualquer delas como a "a terra" e adoro todos os minutos que lá passo.
      Aos avós faltou-lhes a liberdade de espraiarem as raízes pelo agreste bucolismo do Gaviãzinho.
      Beijo, EU, minha querida. :)

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É aqui que me mandas dar uma curva