quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Esse Lugar-Comum

"De vez em quando a eternidade sai do teu interior e a contingência substitui-a com o seu pânico.
 São os amigos e conhecidos que vão desaparecendo e deixam um vazio irrespirável.
 Não é a sua 'falta' que falta, é o desmentido de que tu não morres." - Vergílio Ferreira




A Morte, esse Lugar-Comum


É trivial a morte e há muito se sabe 
fazer - e muito a tempo! - o trivial. 
Se não fui eu quem veio no jornal, 
foi uma tosse a menos na cidade... 

A caminho do verme, uma beldade 
— não dirias assim, Gomes Leal? — 
vai ser coberta pela mesma cal 
que tapa a mais intensa fealdade. 

Um crocitar de corvo fica bem 
neste anúncio de morte para alguém 
que não vê n'alheia sorte a própria sorte... 

Mas por que não dizer, com maior nojo, 
que um menino saiu do imenso bojo 
de sua mãe, para esperar a morte?... 

Alexandre O'Neill







Sinto-me agitada sem motivo, sorumbática e cinzenta,  como o temporal que faz lá fora, agoniada até...
Sei porque vivi, ser assaz normal o esmorecimento sempre  que experienciamos uma perda que nos toca fundo. 
Depois do choque, vem a incredibilidade, a negação, a raiva, a aceitação e a dor. Só o passar de muitas primaveras nos trará alguma paz e conformação, até nada mais restar do que memórias maravilhosas e uma interminável saudade. Foi assim com o Pai, com os Avós, com os Sogros, com os Amigos e com os Amores de 4 patas.
Sinto por eles que nos deixaram, que nos privaram do seu carinho, do seu amor, do seu apoio, da sua convivência. É um sentimento egoísta, porque penso mais em mim e na falta que me fazem, do que neles, que amavam viver e foram arrancados à vida, volvidos ao pó das estrelas que um dia criaram vida num charco lamacento, vida essa que nos criou a nós para a podermos amargar.
Olho para dentro de mim e encontro aquela tristeza de quem sabe que o que me espera, é um facto não uma possibilidade. Não quero pensar. Não quero. Eu sei, mas não quero. Também sei que esse querer não me pertence, mas não quero saber.
Eu que gosto de me considerar avisada, actualizada, informada, sobretudo prevenida , sou um nada como os demais no onde , como e quando, e honestamente dou graças por ser assim ignorante.




                              

16 comentários:

  1. Um dia de cada vez Maria e, como me ensinaste, um dia começas a sorrir sozinha por razões que só tu conheces.
    Um beijo minha querida

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    1. Eu sei tudo isso meu doce, mas hoje doí-me a cabeça, doem-me as costas, está um temporal dos diabos, os gatos começaram a miar às 6 e tal , cada a chamar pelo outro, acho, porque assim que os juntei calaram-se... eu é que já não preguei olho depois... estou na minha fase azul...tem dias.. Beijos, milhares, milhões !!!

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  2. Vá, miúda , já se viu que é dia não. Anima-te ! M&M's, caneca cê chocolate com natas... O tempo não ajuda, mas tu não és uma desistente. Anda, vá ! Um beijo

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    1. Piquena, um dia não hão-de ser dias. Amanhã talvez haja sol.
      Jinhos.

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  3. Olá, M D
    Gosto muito de Vergílio Ferreira, gosto muito de Alexandre O'Neill, gosto muito dos Pink Floyd, e... gosto muito do que escreves.
    Todos temos dias menos bons. Eu perdi a mulher amada (MUITO amada) há mais de 10 anos. E ainda tenho dias cinzentos por causa disso...

    Estou passando principalmente para desejar um bom final de semana.
    O meu tempo para dedicar aos blogs é muito curto.
    Só por esse motivo as minhas postagens são tão raras, e as visitas aos blogs amigos não são feitas com a frequência que eu desejaria...
    Um beijo do amigo
    Miguel

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    1. Viva, Miguel. A perda de um ente querido é praticamente insustentável. Sinto muito por si. Eu sei que o tempo tudo ameniza, mas é como diz, tanto lá fora como cá dentro hoje está cinzento demais.
      Obrigada e BFS para si também amigo. Abraço. D

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  4. Cada dia é um dia diferente, por muito iguais que possam parecer, e há que viver um dia de cada vez, com as suas alegrias e tristezas. Quando o mar está revolto, trás tudo à superfície, e se formos pacientes, volta á calma azul do costume.
    Beijos querida.

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    1. :):).... Vai passar. Beijo e obrigada.

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  5. Olá, M D

    Deveria ser algo trivial, um lugar-comum pela sua inevitabilidade.
    Mas não, nunca nos habituamos. É sempre uma surpresa, um susto, uma dor imensa.
    Com o tempo fica a saudade e a recordação das coisas boas.
    De vez em quando vêm uns dias menos bons. Sei como é...
    Um sorriso :)

    Bj

    Olinda

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    1. É isso mesmo Olinda. O amanhã é mais um dia que passa e nos aligeira o pesar.
      Hoje faz sol. :):):)
      Bom FIM‑DE‑SEMANA e um beijinho. D

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  6. Olá, :p gostei muito do teu blog e daquilo que escreveste.. Simplesmente lindo.
    Sigo, *
    Beijinho
    http://naervilhadapolly.blogspot.pt/

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  7. Olá Ana, bem-vinda e obrigada pelas simpatia.
    O teu cantinho é simpático como tu.
    Beijinho e BFS. D

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  8. Lugar nada comum, Maria. As perdas são momentos transformadores, difíceis de digerir, demorados de ultrapassar. Mas sem dias cinzentos, não apreciaríamos devidamente os momentos felizes, porque não existiria um termo de comparação para a nossa alma. Amanhã (ou depois) o sol volta a sorrir, ainda que seja apenas no nosso âmago.
    Beijinho, um doce fim-de-semana
    Ruthia d'O Berço do Mundo

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    1. Viva Ruthia. A vida prega-nos partidas quando menos esperamos, é certo, mas também é certo que há sempre um novo amanhecer. Obrigada pelo apoio e pela simpatia.
      Bom Fim de Semana

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É aqui que me mandas dar uma curva