quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Back to School


"A primeira fase do saber, é amar os nossos professores." Erasmo




Nurse's Song

When the voices of children are heard on the green,
And laughing is heard on the hill,
My heart is at rest within my breast,
And everything else is still.
"Then come home, my children, the sun is gone down,
And the dews of night arise;
Come, come, leave off play, and let us away,
Till the morning appears in the skies."
"No, no, let us play, for it is yet day,
And we cannot go to sleep;
Besides, in the sky the little birds fly,
And the hills are all covered with sheep."
"Well, well, go and play till the light fades away,
And then go home to bed."
The little ones leaped, and shouted, and laughed,
And all the hills echoed.

W.B.






Mais um dia que amanhece chuvoso e triste. Este Inverno tem chorado todas as mágoas da sua vida e da vida de outros invernos que antes dele se limitaram a ser cortantemente frios e ventosos.
Pela janela embaciada, aceno à minha mulherzinha que caminha debaixo de chuva apertando o passo, como se fosse possível com a sua aceleração escapar ao aguaceiro. Obrigações de estudante que toma sempre muito a sério. Este será o último ano, queira Deus e estude ela.
Lembro-me dos meus tempos de lente aplicada. Nunca fui uma estudante portentosa como o Mano, que era raro estudar muito, aprendia por osmose, ria eu. Bons resultados comigo era diferente, obrigava a muitas horas de estudo, muitos apontamentos, muitos livros. Só os estrangeirismos me pareciam  naturalmente fáceis , sendo  óbvia  a escolha de área.
 Confesso que fiquei desapontada quando vi a professora de Inglês. Baixa, magra e esquálida, com uma cabeça levemente desproporcionada onde pontuavam uns enormes e atentos olhos escuros, a Professora R não correspondia minimamente à minha ideia duma professora de línguas. Pior foi ouvir-lhe o tom tão pouco britânico com que fazia questão de se pronunciar , sempre em inglês. Detestei-a no momento em que nos "anglofonou" os nomes própriops e nos chamava aquelas coisas sem sentido algum.
Detestei a sua maneira de ensinar, os testes que deu, as dezenas de livros que nos obrigou a ler na língua materna do autor, a sua rigidez e intransigência, os poemas que tínhamos que decorar diariamente... francamente acho que detestei aqueles cinco anos de Inglês que tive com ela, tediosos, sufocantes, cargosos, exigentes.
Passadas décadas desde a minha última aula com a Professora R, olhando em retrospectiva tudo o que contrariada com ela aprendi, recordo a sua imagem com um sorriso e a imensa gratidão de alguém que ainda sabe de cor a Nurse's Song de William Blake e tantos outros poemas e citações de tantas dezenas de autores,  à força de os recitar vezes sem conta ( algumas a título de reprimenda por alguma impertinência - como conversar na durante a aula ). Agradeço-lhe tudo o que me ensinou sem eu ter consciência de que queria aprender,  porque diferentemente de outras matérias, de outras aulas, de outros mestres, esta foi luz que  nunca se apagou do meu conhecimento.



                               

16 comentários:

  1. Outros tempos, professores de outra estirpe, outros saberes, mas bons e saudosos tempos :):)

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  2. memórias que ficam....

    este tempo não dá tréguas.

    beijo

    :)

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    1. Memórias que ficam enredadas na saudade que cresce a cada dia que passa . :)
      Um beijo, Piedade , obrigada e boa semana.

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  3. As recordações são o melhor que podemos guardar!
    Beijinho e boa semana

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    1. Pois são Ana, verdadeiros tesouros, e os únicos pedaços dum tempo que não para, que podemos guardar como nossos.
      Boa ( má) semana e um grande beijinho

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  4. Lembra-me a minha professora de francês. Senhora rígida, intransigente, que não aceitava desculpas nem esquecimentos. Na altura achava-a um horror, mas hoje bendigo o que ela me transmitiu.

    Bj

    Olinda

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    1. É isso mesmo Olinda. A juventude não é paciente, só a idade nos mostra a verdadeira sabedoria... infelizmente :):)
      Boa (má) semana. Beijo

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    1. Hola Costa Rica! Hola Alexandra.
      Saludos cordiales
      Gracias . XX

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  6. Também tive uma espécie de bruxa a Francês, que era um verdadeiro Hitler de saias. Tenho dias que até dela sinto saudades. :):):):):):):)

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    1. A Professora R era boa professora, quero eu dizer que ensinava muito bem , apesar de ser demasiado exigente. Aprendi coisas com ela que hoje nem na faculdade se aprendem. Conheci autores fantásticos, aprendi a pensar em inglês, quando quero falar ou escrever nessa língua. Podia ser um Gremlin, mas era excepcional. Pena que nós teenagers inconscientes, como diria o actor, só o tenhamos percebido tarde demais.

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  7. Diria que a primeira fase do saber é amar os nossos professores, e que os professores também amem os seus alunos.
    Todo o bom professor é exigente. Um dia mais tarde são sempre esses os professores que recordamos com gratidão. Tive uma professora de Português, de Francês e de Técnicas de Tradução de Francês que era exactamente assim; a obrigava-nos a ler muita poesia francesa, a fazer trabalhos sobre História e monumentos, e não permitia qualquer tipo de distracção. Mas embora muito exigente, sempre gostei muito dela. Era a professora Helena...:-)
    xx

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    1. Amando-os ou detestando-os, seguramente que nos marcaram pela positiva. Podíamos ter chegado a essa conclusão muito antes, mas mais vale tarde do que nunca. A verdade, Laurinha é que fizeram parte do processo de moldagem na pessoa que hoje somos. Beijo. :):):)

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  8. Parece que a disciplina,o rigor e até o decorar pode ter ensinamentos profundamente proveitosos.

    Oxalá ainda houvessem professoras R.

    beijinhos

    que partilha amorosa.

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    1. Acredito que haja por aí milhares de professoras R., Pérola. O ensino é que foi drasticamente alterado e as nossas crianças não aprendem o que deviam nem como deviam. Os pais, como primeiros educadores são também os primeiros culpados na grande falta que grassa entre a nossa juventude, a que antigamente chamávamos respeito.
      Beijos.

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É aqui que me mandas dar uma curva