domingo, 5 de janeiro de 2014

Escrito do Céu

"Sobre a terra,  antes da escrita e da imprensa, existiu a poesia."    Pablo Neruda





Puedo escribir los versos más tristes esta noche. 

Escribir, por ejemplo: «La noche está estrellada, 

y tiritan, azules, los astros, a lo lejos.» 

El viento de la noche gira en el cielo y canta. 


Puedo escribir los versos más tristes esta noche. 

Yo la quise, y a veces ella también me quiso. 

En las noches como ésta la tuve entre mis brazos. 

La besé tantas veces bajo el cielo infinito. 

Ella me quiso, a veces yo también la quería. 

Cómo no haber amado sus grandes ojos fijos. 

Puedo escribir los versos más tristes esta noche. 

Pensar que no la tengo. Sentir que la he perdido. 

Oír la noche inmensa, más inmensa sin ella. 

Y el verso cae al alma como al pasto el rocío. 

Qué importa que mi amor no pudiera guardarla. 

La noche está estrellada y ella no está conmigo. 

Eso es todo. A lo lejos alguien canta. A lo lejos. 

Mi alma no se contenta con haberla perdido. 

Como para acercarla mi mirada la busca. 

Mi corazón la busca, y ella no está conmigo. 

La misma noche que hace blanquear los mismos árboles. 

Nosotros, los de entonces, ya no somos los mismos. 

Ya no la quiero, es cierto, pero cuánto la quise. 

Mi voz buscaba el viento para tocar su oído. 

De otro. Será de otro. Como antes de mis besos. 

Su voz, su cuerpo claro. Sus ojos infinitos. 

Ya no la quiero, es cierto, pero tal vez la quiero. 

Es tan corto el amor, y es tan largo el olvido. 

Porque en noches como ésta la tuve entre mis brazos, 

Mi alma no se contenta con haberla perdido. 

Aunque éste sea el último dolor que ella me causa, 


y éstos sean los últimos versos que yo le escribo.


( Pablo Neruda)








E desenhou trémulo e hesitante . Desenhou com amor, com sofrimento, com dor. Desenhou lá do alto, onde o ar é limpo e as lágrimas são diamante. Pegou na sua pena e traçou as linhas que a sua alma encomendou à sua mão, sem arte, só com coração.
Queria dar tudo de si, grotesco, mesmo hediondo e retorcido era o reflexo do seu doce sentimento e a sua pena riscou traços de paixão .





Aquele mundo saberia quão enorme era a sua adoração. 
Não, não poderia deixar a paixão rebentar em chamas; consumir-se-ia e a tudo com ele e os seus afectos tornariam pó.
Continuou a desenhar como se a estrela maior não voltasse a nascer, sossegou o espírito nos traços da pena e sorriu feliz. Todos veriam e compreenderiam que era grande, amava e podia gritá-lo aos céus e aquela terra inteira, porque depois daquela noite todos saberiam.




 Assim que acabou as figuras sentiu-se feliz, excitado, ansioso. sentou-se no pico mais alto a observar. Viria ter com ele e sorriria radiante o seu amor. Esperou, esperou a eternidade.




                                       

16 comentários:

  1. Gosto imenso de Neruda, bem como da música que nos deixas aqui.

    O texto lindíssimo, desenhado como os desenhos, não do alto mas de dentro, "onde as lágrimas são diamante". Todas as esperas terminam um dia.

    Gostei imenso.

    Beijinho

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Viva JP, obrigada ! Bom Domingo e um beijinho. D

      Eliminar
  2. Tens aqui um pedacinho de céu. Gostei muito. Beijos
    Luisa

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Viva Luísa. Obrigada.
      Um resto de bom Domingo. Beijinho.
      D

      Eliminar
  3. Acho que quem gosta de poesia gostará por certo de P. Neruda, e do teu texto, extremamente poético. A poesia realmente pode acontecer sempre de várias formas, faz extravasar a alegria ou a tristeza, para cantar um encontro ou uma espera que não tem fim.
    Um texto excelente! Parabéns D!
    xx

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá Laura querida. Sabes, eu tenho plena consciência que não sou poeta. Acho este conto mais um pequeno conto de amor. Ser poeta é ser maior, e eu só escrevinho umas coisinhas, mas fico sempre contente que nem um gaiato quando me dizem que fiz bonito. :):):)
      Obrigada e um beijinho da D.

      Eliminar
  4. Não podia deixar de comentar, porque achei o texto lindo, a citação fantástica, o poema belíssimo e a música maravilhosa, tudo unido pelos Andes, no Peru.
    Podias publicar os poemas dos teus posts em português, mas raramente o fazes. Adorei ! Beijos.
    Mia e André- Quase

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. André-Quase , coitadinho do piquenino :):)
      Estou feliz. Só disseram coisas bonitas dum texto em eu eu não exponho o dark side que me acompanha ! :)
      Gosto dos poemas nas línguas originais em que foram pensados e escritos. A tradução tira-lhes a musicalidade e despersonaliza-os um pouco.
      Obrigada e mil beijos para os dois. D

      Eliminar
  5. Muy bello poema y bella reflexión. Me a gustado mucho tu Blog. Además, la canción de fondo también es muy bonita.
    Saludos y feliz año 2014!!!

    ResponderEliminar
  6. Hola LIVC .Me alegro de que te haya gustado lo que escribí .
    Buen 2014. Saludos y gracias. D

    ResponderEliminar
  7. Ciao Roque, é um prazer conhecê-lo,
    Neruda é insuperável e as linhas de Nazca são espetaculares!

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Grazie Sciarada. Benvenuti.
      Abbraccio e buon 2014

      Eliminar
  8. Adorei o teu blog...
    A tua escrita...
    Corre MD! Corre!

    um anjo

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ou voo, como um anjo :):)
      Olá Angel, mi casa es su casa. Obrigada, também pela companhia.
      Um Xi <3 D

      Eliminar
  9. También pensé que el poema fue bien con las imágenes, yo estaba tratando de imagen yo observar estos magníficos y artefactos de la antigüedad y recoger los sentimientos de tu poema, espero que sepa lo que quiero decir. Creo que algo escrito
    en amor y luz
    Cyn

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Me gusta mucho Neruda, Peru, lá música Y las lineas. Me gusta mucho mesmo.
      Gracias Cyn querida.

      Eliminar

É aqui que me mandas dar uma curva