quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

At War

"Cremos que a guerra é um mal, mesmo quando é uma necessidade, mas sabemos que há para os povos outros males maiores, porque os há que excedem a morte e a miséria - são a sua desonra e aniquilamento." - António O. Salazar




Poema da Terra Adubada

Por detrás das árvores não se escondem faunos, não. 
Por detrás das árvores escondem-se os soldados 
com granadas de mão. 

As árvores são belas com os troncos dourados. 
São boas e largas para esconder soldados. 

Não é o vento que rumoreja nas folhas, 
não é o vento, não. 
São os corpos dos soldados rastejando no chão. 

O brilho súbito não é do limbo das folhas verdes reluzentes. 
É das lâminas das facas que os soldados apertam entre os dentes. 

As rubras flores vermelhas não são papoilas, não. 
É o sangue dos soldados que está vertido no chão. 

Não são vespas, nem besoiros, nem pássaros a assobiar. 
São os silvos das balas cortando a espessura do ar. 

Depois os lavradores 
rasgarão a terra com a lâmina aguda dos arados, 
e a terra dará vinho e pão e flores 
adubada com os corpos dos soldados. 

António Gedeão






Ontem escrevi em resposta a um post num blog gratificante de se seguir, que se Portugal  tivesse participado activamente na   Segunda Grande Guerra, as coisas jamais seriam como são agora. O povo ter-se-ia forçosamente ajustado à penosa tarefa de se reerguer como raça e reconstruir como País, teria rastejado dos escombros da miséria, endurecido, trabalhado até ceder à exaustão e crescido. Todos cresceram depois do massacre que fustigou a Europa e dizimou as árvores da vida de tantos milhões de famílias. Todos menos os Portugueses, que "Orgulhosamente sós" regrediram. Regrediram miseravelmente até transbordar o ponto de ebulição de quem via que o País era Lisboa; o resto era mera paisagem por onde deambulavam pessoas incultas e sem asseio, vergadas de sol a sol sob o peso das suas labutas diárias, daquilo que as suas mãos faziam arduamente brotar de torrões secos e duros, pessoas de feições bestiais, metidas consigo, cujos pontos altos das suas vidas eram  a taberna à noite, e a missa ao Domingo.
Depois da reviravolta, veio a liberdade, a alegria, a música ... Há panaceias que, pela sua forte composição, devem ser tomadas com moderação, porque as overdoses se não matam, destroem, corroem e enfraquecem. e enfraquecem , principalmente a quem não tem por hábito sentir alívio das penas.
Com Portugal foi igual, sem tirar nem por.
Nem o País nem as pessoas têm a endurance necessária para suportar uma tragédia de grandes proporções. É certo que já há tempos que vimos tomando desgraça a conta-gotas, mas a minha pergunta é o meu medo, e uma Guerra ? Nada que se compare a produções de Holywood com tipos bem parecidos que enfarruscam a cara e coxeiam depois de rebentar com a Panzer Division, nada disso.
Uma guerra a sério, com racionamentos, bombas e mortos pelas ruas. Com os nossos maridos , filhos e filhas pulverizados numa qualquer terra cujo nome não conseguimos pronunciar, em nome duma qualquer tríade politico-económica que não entendemos, mas aceitamos, porque nos dizem que é assim. 
E nós vamos , como sempre fomos, carne para canhão, carneiros para o matadouro, tristes, calados e perfilados, porque não temos  nervo, nem  energia, nem preparação basilares para enfrentar a adversidade.
Seríamos seguramente mais um no rol dos pequenos países cuja identidade desapareceu no mapa do pós- guerra, depois de estabelecida a nova ordem mundial



                                     


PS.: Este fado foi uma das músicas mais tocadas durante a guerra Colonial Portuguesa.
Tenho um post antigo( da altura  que isto dos blogs era para mim  um mistério com 3 meses de idade ), de Agosto de 2012 na mesma linha deste e foi nele que me inspirei , ontem no comentário, hoje no post.
                      http://acontarvindodoceu.blogspot.pt/2012/08/rei-capitao-soldado-ladrao.html

Deixo-vos uma música que para mim diz muito de guerra, mais moderna, não tão moderna como os Drones assassinos, mas actual QB à luz desta actualidade...

     
                                       

10 comentários:

  1. Maria Dulce, minha querida, não posso estar mais de acordo. Até a citação do Salazar se torna actual no presente contexto. Dentro do peito, peço a Deus que não.
    Beijinho da tua amiga Luisa

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    1. Infelizmente acho que acontecerá, não para o ano, nem para o outro, nem na geração dos nossos filhos, talvez nem na dos nossos netos, e será o conflito mais terrível jamais visto. É da morte que vem a renovação, as fénix são belas e renascem das cinzas e o mundo seguir-lhes-à os passos.... infelizmente.

      Jokas, Maria Luísa.

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  2. Já vi que o mood de hoje é contra os canhões.... Outra coisa que também reparei, é que quando o assunto se afigura sério a sério, as pessoas não lêem, ou se lêem não comentam. É pena, porque pensar num futuro tenebroso não é coisa de doidos.
    melhor da crise de sinusite?
    Põe-te fina.

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    1. Já vi, não me incomoda nada, dó-me muito a cabeça.
      A maior parte desta malta não é da nossa idade e não é masoquista. Só aos masoquistas lhes agrada sofrer por antecipação.
      Vou tomar a medicação, xixi e cama.
      Acho que tenho febre. Bye

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  3. Já tenho lido posts seus com alguma qualidade, outros duvidosos e ainda outros, como este, um autêntico lixo, que começa com uma citação de Salazar. Não podia ter escolhido pior. A partir daí o resto até pode ser excelente, mas ninguém consegue ultrapassar aquela abertura de merda.

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  4. Não obstante qualquer pensamento, consideração ou opinião do caríssimo Anónimo sobre Salazar, o mesmo consta da História deste Pais. Salazar faz parte, aconteceu, ou como diria o outro, shirt happenes sometimes... Faz-me lembrar aquele tipo de caneta dos MIB ZZZZZZZT. E pronto , apagamos Salazar.
    O que eu escrevo pode ser uma m*rda, mas é a minha m*rda.
    Obrigada pelas gentis palavras.

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  5. Bem, a leitura traz-me à memória tal provérbio de se não te mata torna-te mais forte.

    Eu até percebo o Salazar no contexto que presumo que tenha sido escrito.

    As guerras podem mostrar-se 'vantajosas' a médio ou longo prazo, mas a que preço???

    De qualquer das formas, a história é feita de batalhas, violência e nunca mudará.

    Não somos perfeitos nem nunca a história o será.

    O pior é não se aprender com o passado...

    Obrigado pela reflexão.

    Por outro lado, estou-me a lembrar: e se os espanhóis ou castelhanos tivessem ficado por cá aquando das revoluções em que estivemos sob o seu domínio?
    Teríamos outro país, na certa.

    Nunca se pode extrapolar ou imaginar acontecimentos passados e acreditar que as consequências seriam como nós pensamos.

    Beijinhos, vou-me a pensar nas faturas da guerra: demasiado caras, muito elevadas.
    Há países que não têm feito outra coisa e olha onde estão...

    Bem, desta me vou.
    Desculpa o desvario.

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    1. Há quem entenda a guerra necessária como uma eugenia, e nós Portugueses temos tido o território nacional invicto há séculos.
      Não acredito que responder á violência com mais violência seja a solução, mas a pomba da paz está cada vez mais depenada, e no bico já não traz um ramo de Oliveira, trás a espoleta duma granada.

      Dá que pensar, se dá.
      Boa noite, Pérola

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  6. Às vezes até me esqueço de como A. Gedeão tem bons poemas. Tenho de fazer um post sobre ele! E lá andaremos nós a repetir-nos....:-)
    Muito interessante e completo o outro teu post. Sobre este, diria que o Salazar até tinha umas tiradas apreciáveis do ponto de vista da retórica, e que o teu texto é muito incisivo. Tens toda a razão, às vezes é preciso morrer para renascer. Portugal ainda continua a ser Lisboa, e o resto paisagem e pastagem. Mas ninguém pensa, pensar faz doer a cabeça.
    As melhoras !
    xx

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    1. Provavelmente ando a ver muitos filmes pós-apocalípticos , mas lá no fundo, naquele nó no estômago que incomoda e provoca aquela sensação de expectativa permanente, onde o medo está de tocaia, sei que não estou louca e muito menos errada. Como dizes e muito bem, a história está constantemente a repetir-se..jokas e obrigada

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É aqui que me mandas dar uma curva