sábado, 30 de novembro de 2013

Arcano existêncial

"Apaixona-te pela tua existência." - Jack Kerouac



Quando se tem 5 ou 6 anos, crenças, verdades absolutas e mitos ( que não sejam o Papão ou o Pai Natal) ainda estão longe das nossas questões existenciais mais prementes e queremos pouco saber quem somos ( ora essa!), de onde viemos, para onde vamos( desde que seja divertido...), se somos uma criação divina ou apenas uma espécie mais evoluída, se a essência precede mesmo a existência... dentre todas questões que nos assolam na idade dos porquês, estas não são seguramente as que martirizam a nossa realidade.

Por essa altura da minha vida, ia passar as férias grandes para Nandufe onde uma irmã da Mãe, casada com um alfaiate/industrial avícola tinha uma quinta de "produção"de frangos e ovos. A quinta era enorme, linda, cheia de sombras frescas, árvores de frutos e bagas selvagens... Amoras da minha perdição, directamente do produtor para o consumidor, com uma data de arranhões das silvas à mistura. Tinha um tanque que parecia uma piscina onde a Avó lavava a roupa (... lá está o cheirinho a sabão azul e branco), tinha um rio cheio de bichos alfaiates, cristalino e quente, cheio de pedrinhas roliças no fundo,tinha uma balsa feita de bidons velhos, pneus e madeira , e tinha o Tó.




O Tó tinha talvez mais dois ou três anos do que eu, e já tinha ido a Viseu, o que era um feito, naquele tempo. Tinha um pião com corda, uns carrinhos de madeira e tinha um... Zezere.

um Zezere, era um pau com folhas de eucalipto espetadas de modo a que, quando batesse o vento rodopiassem num bailado cheio de tours en l'air e pirouettes,  antes de voltar lenta e docilmente à palma da nossa mão. 

Ao que parece a arte dos Zezeres tinha o que se lhe dissesse, e o Tó combinou um encontro secreto para me ensinar a confecção e as palavras mágicas que permitiam ao Zezere aquela magnífica performance.

Só que foi adiando, o tempo passou e eu regressei a Lisboa. Com 7 anos já teria que me tornar uma lente respeitável; eu não sabia, mas aquele fora o meu último ano em Nandufe.


No Verão seguinte, na praia de Carcavelos, avistei um senhor que transportava um Bambu cheio de pauzinhos com... Zezeres, Seria ?
Corri célere e louca de alegria e perguntei ao senhor se sabia fazer Zezeres. O homem olhou para mim a sorrir e disse que não, que aquilo eram só moinhos de papel.



Escusado será dizer que nunca mais vi o Tó e que sempre que pego numa folha de eucalipto a esfrego nas mãos para lhe sentir o cheiro, aquele perfume único, que, se eu fechar os olhos e estender a mão, garanto que sentirei o Zezere a pousar, calmo e acariciante.


Acredito que na existência,  na essência da pessoa em que me construí, durante toda a minha jornada de aquisição gradual de conhecimento do ovo até hoje, tenho uma séria lacuna a preencher, uma pergunta que poderia ser a resposta a todas as minhas questões existências: Afinal, o que é um Zezere * ?

( *pronuncia-se Jejere, com os és mudos - ou mais aquele sze-sze em vez de je... Szeszere...acho que sim !)




sexta-feira, 29 de novembro de 2013

A Arvore


"Todas as coisas têm o seu mistério, e a poesia é o mistério de todas as coisas." F.G.L




Arbolé, arbolé 


seco y verdé. 

La niña del bello rostro 
está cogiendo aceituna. 
El viento, galán de torres, 
la prende por la cintura. 
Pasaron cuatro jinetes 
sobre jacas andaluzas 
con trajes de azul y verde, 
con largas capas oscuras. 
«Vente a Córdoba, muchacha». 
La niña no los escucha. 
Pasaron tres torerillos 
delgaditos de cintura, 
con trajes color naranja 
y espadas de plata antigua. 
«Vente a Sevilla, muchacha». 
La niña no los escucha. 
Cuando la tarde se puso 
morada, con luz difusa, 
pasó un joven que llevaba 
rosas y mirtos de luna. 
«Vente a Granada, muchacha». 
Y la niña no lo escucha. 
La niña del bello rostro 
sigue cogiendo aceituna, 
con el brazo gris del viento 
ceñido por la cintura. 

Arbolé arbolé 
seco y verdé.





A árvore da vida. Algumas não passam de raízes, outras pequenos caules que qualquer mão de criança pode arrancar. Outras ainda crescem e tornam-se potentes de folhagem, de sombra e resguardo. Ninguém sabe até quando a árvore dará frutos e nos permitirá colhê-los. Não há certezas. Incertezas, muitas, todos os dias, a cada minuto. 

 Ninguém sabe até quando florescerá ou secará, mirrará e se juntará ao pó do chão.


                                     Até quando, Arbolé arbolé ?








( Depois da ronha vem a melancolia... é normal)



quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Da Ronha...

"O penoso fardo de não ter nada para fazer..."( -Boileau)


... Afinal não pesa assim tanto!  Quem é que se pode dar ao luxo de ter um dia de ronha ? EU posso...mais uma tarde de ronha... vá lá, depois das 4, já posso fazer por não fazer nada e dedicar-me a coisas essenciais ao meu bem estar, tais como ouvir música, ler, ver séries, beber litradas de hidratante e comer  Mon Cheris.

Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!!!!
                                 ( Isto é um imenso suspiro de infindável prazer...)

Aqui Onde se Espera ( Fazer Ronha)Aqui onde se espera 
- Sossego, só sossego - 
Isso que outrora era, 

Aqui onde, dormindo, 
-Sossego, só sossego- 
Se sente a noite vindo, 

E nada importaria 
-Sossego, só sossego- 
Que fosse antes o dia, 

Aqui, aqui estarei 
-Sossego, só sossego - 
Como no exílio um rei, 

Gozando da ventura 
- Sossego, só sossego - 
De não ter a amargura 

De reinar, mas guardando 
- Sossego, só sossego - 
O nome venerando... 

Que mais quer quem descansa 
- Sossego, só sossego - 
Da dor e da esperança, 

Que ter a negação 
- Sossego, só sossego - 
De todo o coração ?



Lucky  Me  :)

                                                                                                                                                                        

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O Cochicho e a Menina.

"Rostos animados...Tomar duche, nadar... Sapatos cómodos ...Música nova, escrever, plantar, Viajar,  cantar,  ser amável." 
Bertolt Brecht






Viemos do fundapique 

passámos no tudasaque 
não há mal que mal nos fique 
nem há cu que não dê traque 
mal a gente vem ao mundo 
logo a gente vai ao fundo 



[refrão] 

Natação obrigatória 
na introdução à instrução primária 
natação obrigatória 
para a salvação é condição necessária 
não há cu que não dê traque 
não há cu que não dê traque 
mal a gente vem ao mundo 
logo a gente vai ao fundo 






Encontrei uma colega de escola. É uma espécie em extinção, essa das colegas de escola, especialmente quando somos pessoas algo antigas, não clássicas peças de museu, claro está, mas peças daquelas que ainda se adquirem por um valor considerável numa reconhecida loja de antiguidades,  em S. Bento, por exemplo.
Falámos de coisas que tinham tanto pó e teias de aranha, que foi uma risota conseguir dar-lhes o antigo brilho. 

Como crianças de 7 anos se divertiam com ...nada... é uma verdade prodigiosa !

Lembrámo-nos da natação, que como diz a letra da música, era obrigatória, na instrução primária, isto nos externatos particulares. Uma piscina na altura era o expoente máximo da riqueza e do estatuto social de alguém. 
Os afortunados de Belém /Restelo que podiam pagar, tinham acesso a um lago, tina, qualquer coisa com água e peixes, que devido à sua densidade e cor, era carinhosamente apelidado de "Caldo Verde" 


Foi lá que aprendi a nadar primeiro a bater pés agarrada a um varão, depois com uma tábua, com um cinto... 
O professor de natação era um rapagão bem constituído que fazia as delícias das sopeiras e das amas e que dava pela alcunha de "Cochicho".Tinha um ponteiro de bambu comprido com que nos batia nos braços, nas pernas e na cabeça, quando não conseguíamos sincronizar os movimentos com as respirações.

Nos padrões de hoje o Cochicho era um espectáculo... pessoalmente, sempre o achei feínho, como qualquer menina de 9/10 anos, para quem os padrões de beleza masculina eram os ternurentos e bochechudos querubins de olhos azuis que revestiam as pinturas religiosas espalhadas por todos os recantos de todas as igrejas modernas para aquela altura.

Como já tive ocasião de contar num post anterior, todos os Domingos de manhã, em jejum e de cabeça coberta, tínhamos aulas de catequese que culminavam com a confissão a um padre, depois a missa e a comunhão.

Num desses dias depois da aula, diriji-me ao  genuflexório bafiento e gasto que tinha ficado livre, e depois do "Padre , perdoe-me porque pequei", lá comecei a contar a minha semana ao indvíduo para lá das ripas de madeira. Acabada a confissão, soa uma voz aterradora, profunda e trovejante que me diz, " E o Cochicho, Menina, o que é que tem a dizer sobre o Cochicho ?" Morri.

O "Drama , o horror" ... a vergonha, o medo. ... não sei explicar... só podia ser Deus, porque nunca vira um padre na natação !!! ... e eu que até nem achava grande piada ao Chochicho !
 Aterrorizada, desatei num pranto, e foi necessária a intervenção da catequista para me tirar dali, levar para casa e entregar-me aos meus pais, informando-os da penitência em Padre Nossos, Ave Marias, Salve Rainhas, e que falassem comigo sobre os pecados mortais.

Assim que terminei os catecismos e as comunhões obrigatórios para completar a escolaridade imposta pelo regime, excepto em ocasiões de casamentos e baptizados, não voltei à igreja. Terminei com o jugo do medo, mas as cicatrizes morais, essas acho que nunca desapareceram.

A colega foi embora em abraços e lágrimas de saudade, e eu quedei-me em pensamentos a cogitar no Cochicho, de quem nunca soube o verdadeiro nome.


 

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Um Génio Em (O) Moção

"Deus ter-nos-ia posto água nas veias, em vez de sangue, se nos quisesse sempre imperturbáveis." - Jules Verne



L'ombre
Suit


Sombre
Nuit ;
Une
Lune


Brune
Luit.

Tranquille
L'air pur
Distille
L'azur ;
Le sage
Engage
Voyage
Bien sûr !

L'atmosphère
De la fleur
Régénère
La senteur,
S'incorpore,
Evapore
Pour l'aurore
Son odeur.

Parfois la brise
Des verts ormeaux
Passe et se brise
Aux doux rameaux ;
Au fond de l'âme
Qui le réclame
C'est un dictame
Pour tous les maux !

Un point se déclare
Loin de la maison,
Devient une barre ;
C'est une cloison ;
Longue, noire, prompte,
Plus rien ne la dompte,
Elle grandit, monte,
Couvre l'horizon.

L'obscurité s'avance
Et double sa noirceur ;
Sa funeste apparence
Prend et saisit le coeur !
Et tremblant il présage
Que ce sombre nuage
Renferme un gros orage
Dans son énorme horreur.

Au ciel, il n'est plus d'étoiles
Le nuage couvre tout
De ses glaciales voiles ;
Il est là, seul et debout.
Le vent le pousse, l'excite,
Son immensité s'irrite ;
A voir son flanc qui s'agite,
On comprend qu'il est à bout !

Il se replie et s'amoncelle,
Resserre ses vastes haillons ;
Contient à peine l'étincelle
Qui l'ouvre de ses aquilons ;
Le nuage enfin se dilate,
S'entrouvre, se déchire, éclate,
Comme d'une teinte écarlate
Les flots de ses noirs tourbillons.

L'éclair jaillit ; lumière éblouissante
Qui vous aveugle et vous brûle les yeux,
Ne s'éteint pas, la sifflante tourmente
Le fait briller, étinceler bien mieux ;
Il vole ; en sa course muette et vive
L'horrible vent le conduit et l'avive ;
L'éclair prompt, dans sa marche fugitive
Par ses zigzags unit la terre aux cieux.

La foudre part soudain ; elle tempête, tonne
Et l'air est tout rempli de ses longs roulements ;
Dans le fond des échos, l'immense bruit bourdonne,
Entoure, presse tout de ses cassants craquements.
Elle triple d'efforts ; l'éclair comme la bombe,
Se jette et rebondit sur le toit qui succombe,
Et lé tonnerre éclate, et se répète, et tombe,
Prolonge jusqu'aux cieux ses épouvantements.

Un peu plus loin, mais frémissant encore
Dans le ciel noir l'orage se poursuit,
Et de ses feux assombrit et colore
L'obscurité de la sifflante nuit.
Puis par instants des Aquilons la houle
S'apaise un peu, le tonnerre s'écoule,
Et puis se tait, et dans le lointain roule
Comme un écho son roulement qui fuit ;

L'éclair aussi devient plus rare
De loin en loin montre ses feux
Ce n'est plus l'affreuse bagarre
Où les vents combattaient entre eux ;
Portant ailleurs sa sombre tête,
L'horreur, l'éclat de la tempête
De plus en plus tarde, s'arrête,
Fuit enfin ses bruyants jeux.

Au ciel le dernier nuage
Est balayé par le vent ;
D'horizon ce grand orage
A changé bien promptement ;
On ne voit au loin dans l'ombre
Qu'une épaisseur large, sombre,
Qui s'enfuit, et noircit, ombre
Tout dans son déplacement.

La nature est tranquille,
A perdu sa frayeur ;
Elle est douce et docile
Et se refait le coeur ;
Si le tonnerre gronde
Et de sa voix profonde
Là-bas trouble le monde,
Ici l'on n'a plus peur.

Dans le ciel l'étoile
D'un éclat plus pur
Brille et se dévoile
Au sein de l'azur ;
La nuit dans la trêve,
Qui reprend et rêve,
Et qui se relève,
N'a plus rien d'obscur.



La fraîche haleine
Du doux zéphir
Qui se promène
Comme un soupir,
A la sourdine,
La feuille incline,
La pateline,
Et fait plaisir.

La nature
Est encor
Bien plus pure,
Et s'endort ;
Dans l'ivresse
La maîtresse,
Ainsi presse
Un lit d'or.

Toute aise,
La fleur
S'apaise ;
Son coeur
Tranquille
Distille
L'utile
Odeur.

Elle
Fuit,
Belle
Nuit ;
Une
Lune
Brune
Luit


(Jules Verne)



Cresci com a fantasia de Jules Verne. Eu que sempre enjoei no mar, tive a minha primeira paixoneta pelo Capitão Nemo ( a outra, a eterna, pelo mestiço de La Valletta, que seguramente conheceu Dorian Grey numa das suas viagens, pois , passados tantos anos, continua belo, sedutor e misterioso). Atravessei a Terra em 5 semanas com a cabeça cheia de aventuras e ar quente, percorri as estepes geladas acompanhando o correio do Czar, lutei no Arquipélago contra filibusteiros e caí rendida quando  Brando foi o Chistian de todos os Christians.
Georges Mélies , cineasta genial, foi pioneiro em adaptar as obras de Verne ao cinema,  em produções surpreendentemente bem conseguidas para a época.

Chamaram-lhe  merecidamente o grande  visionário, como anteriormente o tinham feito a Da Vinci

Com dezenas de obras fantásticas publicadas, é curioso descobrir em si o poeta sensível. Dentre muitas, Tempête et calme - (1828-1905) . Gostei.


                  

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Da costela do Al-Andalus

"Antigamente a Lusitânia e a Andaluzia 

eram o fim do mundo, mas agora, com a

 descoberta das Índias, tornaram-se o 

centro dele" Tomás de Mercado








Un embrujo de folclore y color... Sembrado al sur, 
un mezclarse entre volantes con los duendes de alegría 
donde el llanto se hace cante, y cantando su agonía, 
baile y copla, risa y llanto, al son de las castañuelas, 
mezcla un concierto de palmas con la luz de las candelas 
y este ritmo se hace danza ¡En todo el pueblo andaluz!.

Jaén; tierra de olivar... De llano seco y colina, 
de vientos que han retorcido los troncos con la sequía; 
de perlas hecha aceituna -milagro de verde oliva- 
con suave tacto y aroma, aceite que se rocía 
como liquido cremoso de mejor gastronomía, 
y orgullo de un campesino que le dedica su vida.

Besando el Guadalquivir mi Córdoba se levanta; 
artesanía de calles y rinconcito con plaza,
blanco de cal es el fondo de sus macetas colgadas. 
En la plaza de la Concha -como un pañuelo de ancha- 
luce un farol en su calle que en la noche se destaca, 
y el murmullo de la fuente que al silencio te reclama.

Para conocer Sevilla ¡Hay que beber manzanilla 
y visitar Santa Cruz o Plaza de Doña Elvira!, 


vestirse de faralaes en su feria tan castiza, 
llevar en Semana Santa una peineta y mantilla. 
Es tierra de señoritos, alazanes, romería, 
de patios con muchas flores... Rejas, cortijo, ¡alegría!

Cádiz es puerto de mar, donde dos mares se abrazan,
situado en la bahía del "pescaíto" y las barcas, 
un baluarte en los castillos configura sus murallas 
si el viento levanta el mar... El sol de nuevo lo calma. 
¡Al Sur de mi Andalucía -en esa punta de España- 
mi "Cai" canta en sus murgas la verdad de lo que pasa!

Donde está el cabo de Gata tiene la costa Almería; 
arrecife, acantilados y una Alpujarra con vistas. 
Contrastan con su desierto montes, valles y campiñas, 
almenas escalonadas en las torres se divisan. 
Si tapeas hay jureles, delicioso pulpo y chirlas.
No encontrará lo que busca aquel que no la visita.

A Málaga de vacaciones, pasearse por la playa 
y comer los boquerones pescados de madrugada. 
Tiene un barrio musulmán cerquita de la Alcazaba, 
que es el más antiguo barrio que se conserva en España. 
Noches de discos y coplas, de movida, de jarana, 
salir al anochecer y volver por la mañana.

Y a mi Huelva marinera... La del Rocío y marisma 
le ves los barcos venir al amanecer del día. 
Es la del Parque Doñana, ¡es la del choco y coquina!, 
es la de tres carabelas y una brújula de guía 
saliendo hacia el horizonte, María, Pinta y la Niña, 
para entregarle a Colón el sueño de su conquista.

Y Granada... ¿Alguien nos sabe decir cómo es Granada? 
¿Quién te puede describir su amanecer en la Alhambra? 
La nieve que hay en los montes... ¡O esa etnia tan gitana 
que le dio a Sacromonte en todo el mundo la fama! 
¡Y cómo explicar que el sol cuando ya el día se acaba... 
va derrochando el color y la viste de naranja!

    


(Ángeles Asensio)



Nós vivemos história. A vida faz parte da história. A morte faz parte da história. Todos os dias são mais um dia com histórias para a história. A história de cada um faz parte do universo imenso da história de todos nós, que nos define como homens.
Conta-se da história nas cavernas rupestres, nas runas, nos manuscritos de sanscrito em milenares folhas de palmeira, conta-se da história em histórias que passam de geração em geração em volta do fogo da família. Cada letra constroi uma palavra, que se junta a outras e formam frases, que se escrevem em papiros, em pergaminhos, em papeis e nos contam da história.
Nós ibéricos em particular somos ricos em tradição. Somos ricos em querelas, em ideiais e paixões. 
Demos ao mundo em prosa e em verso maravilhosas histórias da história.

Da costela do Al-Andalus, pelo tempo dos homens bravos aos dias que  por nós passam.








sábado, 23 de novembro de 2013

Do Frio , do Saber e do Escuro



Semblantes lúgubres, ar frio, noite negra, vultos sem forma que buscam conforto num morrão dum cigarro há muito apagado .
Nas palavras do corcunda,  é mais um inverno do nosso descontentamento, mais uma travessia gelada; é o gelo que nos toma o ar que respiramos e nos prende nas trevas glaciais de pensamentos sem nexo, no futuro do passado que não volta mais.

  (J. Morton)



Balada interior




El corazón, 

Que tenía en la escuela 

Donde estuvo pintada 

La cartilla primera, 

¿Está en ti, 

Noche negra? 


(Frío, frío, 

Como el agua 

Del río.) 



El primer beso 

Que supo a beso y fue 

Para mis labios niños 

Como la lluvia fresca, 

¿Está en ti, 
Noche negra? 



(Frío, frío 

Como el agua 

Del río.) 



Mi primer verso. 

La niña de las trenzas 

Que miraba de frente 

¿Está en ti, 

Noche negra? 


(Frío, frío, 

Como el agua 

Del río,) 



Pero mi corazón 

Roído de culebras, 

El que estuvo colgado 

Del árbol de la ciencia, 

¿Está en ti, 
Noche negra? 



(Caliente, caliente, 

Como el agua 

De la fuente.) 



Mi amor errante, 

Castillo sin firmeza, 

De sombras enmohecidas, 

¿Está en ti, 

Noche negra? 


(Caliente, caliente, 

Como el agua 

De la fuente.) 



¡Oh, gran dolor! 

Admites en tu cueva 

Nada más que la sombra. 

¿Es cierto, 

Noche negra? 


(Caliente, caliente, 

Como el agua 

De la fuente.) 



¡Oh, corazón perdido! 

¡Réquiem aeternam!



(F. G. Llorca)



O sorriso estatuado quebra " Frio, frio..."  e  a luz tremeluzente dum cinzento opaco sol sem calor ajuda-nos a lembrar...  o riso volta e deixa pequenas marcas de pés mal calçados mas alegres,  na neve fria, saltitantes, seguros, alerta ... felizes " Caliente, caliente..."