quarta-feira, 29 de maio de 2013

O Ataque dos Vermes Malditos ou laivos de anormalidade

"Se o nariz de Cleópatra tivesse sido mais pequeno, toda a face da Terra teria mudado" -Blaise Pascal





Este ano não tem sido nada fácil.





Estou para aqui sentada sem vontade para nada. Tenho um feitio desgraçado e tem alturas em que separar as águas não funciona comigo... eu tento  mas não dá. Costumo usar  e gastar a velha piada de que também não sou o Moisés , mas a malta cá de casa já anda um bocado farta das minhas obsessões,sendo a primeira e principal A Minha Guerra. A Minha Guerra já dá pano par mangas lá no Quartel;  trazer a Guerra e viver a Guerra cá em casa... A Pérola Menor quando hoje  chegou da faculdade, tinha passado pela loja Chinesa mais próxima, e trazia consigo um saco com um pack de interruptores . Entregou-mo e disse :"Desliga!"

Fui fazer um Bolo Inglês para descomprimir....



Neste mpmento está a dar na SIC uma reportagem (diária) sobre a Feira do Livro. O Reinaldo Serrano escolhe um livro e fala sobre ele. Hoje calhou a vez do "Messiah" do Boris Starling (não li). Conta  sobre um serial killer que arranca as línguas das suas vítimas e as substitui por colheres de prata....





Diz-se que ter língua de prata é ser-se eloquente, ter o dom da palavra... 
Portugal no máximo teria um serial killer que arrancava línguas e as substituía por pano.... Somos uns línguas de trapos....





Eu não sou desportista. Gosto mais de Mind Games... gosto de Xadrês... até costumava dar uma abada aos machos da família, que diziam sempre que era sorte. Recuso-me a jogar jogos no Face Book. Adoro um bom Mahjong.

Tenho paixão pelo clube da família. Sou Belenenses, sem fanatismos. Não vejo futebol na TV senão for Portugal a jogar... Entendo bem o que é  perder, entendo tão bem... entendo melhor ainda, O saber perder... to Laugh and Walk Away...
 Quando os últimos acontecimentos futebolísticos a nível de clube culminaram nos resultados que se viram, elaborei um comentário neutro que dizia que "Ibn Arrik , el Bortukali irá dormir esta noite com um sorriso sacana nos lábios..." Que até publiquei à gisa de comentário humorístico em diversos blogs....
Nem me passou pela cabeça ferir susceptibilidades, tampouco que na minha caixa de correio electrónico viesse a encontrar 3 (três) mensagens do mais baixo que já li em qualquer blog que já li até hoje, e já li muitos, alguns com bolinha vermelha e tudo.
Chocou-me mais do que devia, é certo, mas se não destilassem ódio , vulgaridade e ordinarice, não me teria sentido suja com aquela verborragia imunda.
Chocou-me mais porque quem escreveu conhece-me destas coisas dos escritos no blogger, conhece o que eu escrevo , conhece os meus posts...

Nem sei se é para rir, se para chorar.

Bem hajam todos os que aqui estão por bem.

PS_: A título de curiosidade,  o meu professor de historia dizia que eu tinha um " Nariz à Cleópatra"... acreditem, sempre fui muito senhora dele.... 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Crimes (...) and Misdemeanors




My brain? That's my second favorite organ.” Woody Allen




Isto dos BILFS e das BILFAS, para alem de me fazer sorrir e até arrancar sonoras gargalhadas, pôs-me a pensar em coisas sérias como amor , casamento e infidelidade.

Ontem , depois de ler um post da Sexinho, fiquei a pensar em infidelidades matrimoniais e relações extraconjugais. O que é que eu faria se o Marido tivesse um "caso" ?

( Entendo e exponho aqui o significado de "caso" como nuvem passageira ou one night stand...)

Provavelmente não faria nada. E sabem que mais ? Nem quereria saber. Há coisas que acontecem fortuitamente e que estragam relações de vidas inteiras. Penso que iria intuir ( aquele chamado 6ª sentido), mas não iria querer saber ( what you don't know sure can't hurt you)- chamem-lhe síndrome da avestruz, chamem-lhe o que quiserem... para mim é uma questão de sense and sensibility....

 Não quero claro,  ter como hobby enfeitar chapéus de corno, mas torturar-me para quê ? Não creio que a imaginação me desse paz nem parasse de atiçar a fogueira da raiva, da repulsa e da revolta, sentimentos que por direito das circunstâncias tornariam a minha vida e a vida da minha família num inferno permanente. A idade avança e nós vamos avançar com ela, os dois, enquanto pudermos ser um par. Voilà !

E depois há aquela parte de se estar habituado a levar outros para a cama. Depois de décadas de vida em comum, já nem se repara quem é que lá está a mais...

o Marido nunca me recriminou por eu passar manhãs, tardes, noites com outros na cama.
Opinou que o Pasternak era uma múmia, que o Poe era tétrico, que o Follet era velho... olha , ainda na semana passada me deitei com o o MEC, e ele achou que ficávamos um bocadinho apertados...




É talvez por isso que eu, que também sou danada para a brincadeira,  tenho que aproveitar quando ele não está em casa para ter na minha cama o outro verdadeiro grande amor da minha vida.

Fará isto de mim uma infiel, pula cerca, cabrita ( assim para o mais pesado) ?


segunda-feira, 13 de maio de 2013

Há sempre uma linha que separa, e outra que mete dó...





"A realidade é inacreditável." - Clarice Lispector





Na vida tudo é uma questão de prioridades, por isso tem vezes que dou por mim a pensar como é que nestas décadas todas que me assentam nos ombros, nunca fiz isto ou aquilo. Está claro que engendro mil justificações, mas nenhuma me soa convincente. Não fiz , porque não fiz, e pronto.

Não estou a falar num safari no Quénia, ou ir ao Extremo sul da Tierra del Fuego passear nos glaciares e saborear um Martini on the mellennial rocks , ou sequer apanhar uma bateria de vacinas para me poder purificar no Ganges... estou a falar de coisas tão simples para um Lisboeta, como ir ao Cristo Rei, ou subir ao Padrão dos Descobrimentos ou ir ao Jardim da Estrela ( toda a gente vai ao Jardim da Estrela !!)  por exemplo.



Isto a propósito dum evento no trabalho do Marido, que ontem teve lugar em Cascais. Há que tempos que não vou a cascais, pah !!! Cascais é já ali ! 
Bora lá, que troco o plantão na Guerra  e vamos de COMBOIO.

E fomos.

E agora, duas ou três palavrinhas sobre a a linha de Cascais, cujo percurso não fazia com olhos de ver há algum tempo, sim, porque pegar na filha e ir comer um gelado ao Santini enquanto se conversa pelo caminho sobre aquelas coisas tão importantes que fazem parte das cumplicidades das mulheres , não é seguramente apreciar o percurso com olhos de ver... ou talvez tenha sido a companhia sempre sagaz e crítica do Marido,   ou talvez porque estou inevitavelmente  mais velha e seja por isso, sei lá.

A linha está como estava há trinta anos ... ou mais...
As novidades são passagens pedonais, umas construções estranhas cujo gabinete do PDM na altura deve ter jantado fartas mariscadas acompanhadas dum Chardonnay branco Louis Jadot de 2006...
É deprimente a sujidade, ruínas, espaços imensos devolutos... O Mónaco... ai o Mónaco onde o Tobias afagava gentilmente o piano enquanto a elite jantava calmamente e a suavidade pairava no ar ( saudade do Tobias, do Funil Gordo, da Casa do Canto...) . O Mónaco é uma ruína  é uma vergonha. É um atentado à vista e à história.

A Fundição de Oeiras, outro espaço burocraticamente abandonado, albergando somente drogados e os fantasmas dos seus dias de glória, quando em metalurgia e metalomecânica dava cartas no panorama económico português...Outro crime de lesa- património...




O Edifício da Colónia Balnear Infantil O Século, essa pelo menos  está de cara lavada...



A CP ... A CP recebe os utentes nacionais e estrangeiros, em estações com edifícios degradados e encerrados, máquinas-bilheteiras avariadas, ou então moldadas em caça-niqueis, NÃO EXISTE QUALQUER INFORMAÇÃO seja em que língua for.... os comboios do tempo da Maria Carqueja, com a cara lavada, mas verdadeiramente metidos num chinelo pelos da Linha de Sintra... decepção, enorme.

É a linha, o paredão , à laia de calçadão... vá lá, algo positivo, mas que fez recuar metros e metros de mar, e depois é uma construção desordenada, onde predominam hotéis que ferem a vista e onde os areais de praia encolheram subitamente... Onde é que está AQUELE Tamariz, pah ????    E estradas, muitas... e viadutos, muitos... e verde??? onde ???

E que coisa amorfa e pálida é aquela no cimo do dum jardim do Casino que já viu melhores dias ???

Mas não era este percurso  a nossa Costa do Sol ? Não era esta a panorâmica do postal Ilustrado das praias de Lisboa ??

Salvou-se Cascais. O Parque das Merendas foi parcialmente vendido para edifícios de apartamentos e as fortalezas deixaram o  antigoesplendor nas mãos dos pós-modernos,  mas o mar ... está lá o mesmo mar mar... Ahhhhhh o mar é sempre o mar.



"Homem livre, tu sempre gostarás do mar."
Charles Baudelaire



quarta-feira, 8 de maio de 2013

As Cruzes que Carrego

 "Há dias de manhã em que uma pessoa à tarde não pode sair à noite"- Sabedoria popular ? Albino Forjas Sampaio ? Sei lá ?



Ontem foi dia de "intervenção técnica" da ZON.
Não é que eu não me tenha fartado de explicar que, com toda a estupidez que me assiste em relação á sapiência dos operadores de call center nestes misteres, o problema NÃO era cá em casa. Tínhamos 3 TVs a funcionar perfeitamente, só a Internet e o telefone não funcionavam desde Domingo, apesar do famoso cabo coaxial estar para cada um dos casos, ligado a um equipamento diferente ( 1 Modem, 1 Hub, 2 Zon Iris, 1 PowerBOX) .
 Mas pronto, eu ainda tentei, mas lá saltou a tão aguardada como temida pergunta :" Encontra-se junto ao equipamento? ... Então vamos ter que realizar testes de despiste"... perante a minha recusa em arredar móveis, ficou então agendada uma intervenção técnica para 2ª feira de manhã.

Foram pontualíssimos, o que é raro. Como os vizinhos do andar de baixo reportaram idêntico problema, enviaram duas equipas técnicas, o que demonstra claramente que a Zon sabe gerir eficazmente os seus efectivos.
Como eu, resumida á minha ignorância preconizara, o problema estava na caixa da escada, 2 andares abaixo, e era uma reparação algo demorada. OK. Fechei os gatos na sala, abria a porta para o técnico montar a base no hall, e fui para a cozinha tomar café.

Entretanto tocaram á porta e era o funcionário dos CTT que vinha fazer uma entrega. Claro que fui receber. Estava a tentar ver o raio da linha no papel que o homem me estendia e onde tinha que assinar, e recordo-me vagamente do técnico da Zon me perguntar se podia ir à sala ler o sinal do modem do telefone e eu anuí.
Arrumei com o embrulho, voltei para fora , e o meu "sentido de aranha" deu logo por uma anomalia... não sabia bem o quê, mas algo não estava bem. Olhei em meu redor, fazendo um checklist mental , ok, check...ok, check... porta da sala aberta, porta da rua escancarada...uncheck... OS GATOS !!! Pronto, já foste !!!

Respirei fundo e parti á descoberta, O Sam, que é um maricas, estava refundido atrás das almofadas da cama do estúdio. Faltava o Dean, texugo e bonacheirão, devia andar a cheirar por aí as novidades... dever, devia, mas não andava. Nem cozinha, nem quartos, nem sala, nem roupeiros, nem armários, nem máquinas de lavar e secar, nem caixotes, nem despensa... nada do Sr. Dean.
Este mafarrico reboludo, sempre pronto desfrutar dos prazeres duma trinca seja no que for que possa ser comestível e que responde numa fracção de segundos ao restolhar duma folha de alumínio, fez-me gastar um rolo completo, e não apareceu.

Munida de mais folha de alumínio, qual maluquinha acabada de fugir do set de "Signs" larguei-me escada acima até ao 13ª Andar, chamando o bichano pelo nome e abanando freneticamente o alumínio, enquanto inspeccionava cada centímetro dos compartimentos das condutas do lixo. Nada. Parece que subir, não tinha subido

Carreguei no botão para fazer subir o elevador , e desci à cave 3, a partir da qual prossegui energicamente a actividade do achamento do texugo agatado, que já me estava a tirar do sério.

Até chegar ao meu 9º andar, vasculhei cada recanto, cada sombra, sempre a amachucar a folha de alumínio e a gritar ( mais e mais alto) pelo Dean. Os técnicos da Zon, achando-me com cara de psicopata perigosa a arfar ruidosamente e sem saber o que fazer, começaram também a chamar "Dean", "Dean" e a bater nas portas,  afastar almofadas e levantar tapetes... nunca se sabe...
Tornei a subir até ao terraço, e do Gordo do Gato, nem banha...

Bem... tenho mesmo que ir à rua, raios !

Calcei a primeira coisa que apanhei : as botas.

Ó meus amigos... peço-vos o favor de respirar fundo, fechar os olhos e imaginar uma figura anafada de peugos polares de aquecimento às riscas laranja e branco, calças Roxas Lamborghini-Pipoco com o Spongebob na anca, uma camisola com os anões da Branca de Neve, um robe vermelho mal amanhado pelas costas e umas botas "à biker" desatadas, a andar literalmente de gatas e c* para o ar a espreitar para debaixo de todos os carros do estacionamento, a abanar uma folha de alumínio e a gritar "Dean, Dean"... conseguiram visualizar ? ... agora voltem a respirar fundo, abram  os olhos e imaginem ( ou melhor, constatem) que... me conhecem, disto dos Ditos & Escritos, de comentar os vossos posts... Nem consigo imaginar como se sentem... o drama, o horror...















Resumindo... voltei para casa em prantos... o meu gordinho !!! Oh Meu Deus ... o que poderia eu dizer ao Marido e às Filhas perante a ignomínia de perder um gato ?

Entrei desesperada no estúdio, pontapeando a porta e eis que, de dento dum saco da Massimo Dutti que tinha dentro uma caixa de sapatos enorme, me salta o energúmeno, com cara de quem  se tentava escapar despercebido. Ah! Velhaco, que  me desgraçaste as cruzes e que estou que nem posso, e tu a tentares sair de mansinho ?!?!  Peraí que já te atendo !!! Cozinha com ele e sem comida. Jejum até vir o dono ! Quais olhos de carneiro mal-morto, qual quê !!!!




Mas foi um alívio dum stresse tão grande, que desregulou de tal modo as minhas funções que  entrei de Oficial de Dia  na Minha Guerra uma hora e meia mais cedo, sem sequer dar por isso...

Aqui há gato(s), mas assim não, pobre de mim... Cruzes !!! ( pobres delas...)

domingo, 5 de maio de 2013

Mãe, Madre, Mère, Mutter, أم ,মা, Matka, 母親 , Mother, Mor, μητέρα , אמא , मां, Moeder, Anya, מוטער ,母, Matka, мать ... todas as mães

"Toda a mulher acaba por ficar igual à sua própria mãe. Essa é a sua tragédia. Nenhum homem fica igual à sua própria mãe. Essa é a sua tragédia." - Oscar Wilde



Ah o amor e tal, essa coisa que arde sem se ver e que doí e não se sente... sabe lá bem o que é REALMENTE o amor, quem nunca  foi mãe ?






Feliz dia da Mãe  para todas as mães


... e nunca esqueçam que parir é dor, mas que  criar é  que é o verdadeiro amor. 


PS.: As rosas madrugaram no meu regaço, lindas e cheirosas, como os meus amores.

sábado, 4 de maio de 2013

Maio, maio...


"O que impede a entrega a um só vício é termos vários." - , François La Rochefoucauld 




Assim um bocado à laia  de aficionada,  idólatra de Sagas e Epopeias de culto:




May the fourth be with you !!!


Ahhhhhhhhhh, a Primavera....

Kisses for you !!!!

O Humor da Língua

"O bom humor é a única qualidade divina do homem." - Arthur Schopenhauer 





A escrita é um jogo de sedução. Juntam-se letras que formam vocábulos, que formam palavras, que formam frases, que formam parágrafos, que formam capítulos , que formam livros.
A arte está em saber a dança das letras, a combinação dos vocábulos, a magia das palavras,o magnetismo das frases, o dinamismo dos capítulos, em suma, a arte está em transmitir a sedução dos livros.

Eu sou uma alma simples que gosta de ler bem e ler bom. Nomes que não consigo pronunciar dizem-me muito pouco. Não sou de seguir tendências só porque sim. Não sou chauvinista só porque sim: nem tudo é que é nacional é bom...

Ontem trouxe uma pequena pérola comigo. Não  vou armar ao pingarelho e dizer que comecei a ler  e prossegui noite adentro  porque foi tão empolgante que fui incapaz de parar. Isso é para outros leitores, para outros blogues, para gentes doutras intelectualidades ( salvo se estivermos a falar na tetralogia da Saga Twilight)...).


Um autor que consegue explicar  as cambiantes da mentalidade felina tem forçosamente que ter um lado sensível, um lado feminino que explica tão certeiramente o amor como ele.





As crónicas no jornal diário são directas e incisivas e ainda não lhe li um livro que tivesse " não gostado" mesmo. A vida dá, a vida tira, a vida matura, a vida renasce.
Vou seguramente adorar ler este livro, porque afinal a p*ta da via é MESMO linda.

Um grande Beijinho