quarta-feira, 27 de março de 2013

ÀS Voltas com a Língua da Sogra: Era o vinho, meu Deus, era o Vinho...





Numa noite agreste, andando eu  lenta e triste, 
Controlando a produção de curiosas receitas ancestrais, 
E já quase adormecia ( porque chovia) ouvi o que parecia 
O som de alguém que fazia um escarecéu danado nos umbrais 
«Uma visita», eu me disse, «está batendo a meus umbrais. 


            É só isso e nada mais.




Mas chegou e sobrou...



As noites de Inverno na  Guerra da Sogra ( pois apesar do regresso da Prima florida, ainda chove...), são um contra-senso de inércia em todos os sentidos.


Tem noites em que a Sogra se sente como personagem dum filme Europeu, de autor e com poucas falas, em que a acção se desenrola em slow motion, mas que não vale nem pelo diálogo nem pelas interpretações, porque as criaturas se limitam a pairar como almas tristes num purgatório de inexoráveis minutos e segundos, regido pelo adunco tirano de braços disformes.

A Sogra sabe que não vale a pena remar contra a maré e deixa-se ir com a corrente, desejando que o bom porto esteja já ali.

Tem outras noite diferentes. 
São aquelas em que o fragor e a estridência rasgam o silêncio, quebram a rotina e baralham o balanço dos sentidos.
São as noites dos bêbados, aqueles alienígenas exuberantes que, por demais intoxicados e com a realidade completamente alterada e distorcida pelos vapores etílicos que abundantemente emanam,  chegam com Veni, Vidi, Vici na ponta da língua,  com os egos nos Himalaias e com uma basófia tão extensa quanto a Grande Muralha da China.
Chegam quase à hora de dar por findo o dia de Guerra e a Sogra sabe pela muita experiência de longos anos nestas lides, que temos que ser rápidos e certeiros, para que bata forte ( porque bate sempre), mas passe depressa.

"In vino veritas" não é de todo verdade, porque a verdade é um oximoro por não ser verdadeira. Aquela célebre máxima do Clint Eastwood sobre as opiniões serve à "Verdade" que nem uma luva, pois que cada um tem a sua. E que verdade poderá ser mais verídica do que a verdade dum bêbado ?

Malhar em ferro frio mergulhado em eflúvios de porto Kopke com selo do Mini-Preço não é de todo apanágio da Sogra, pelo que atirou a toalha e deixou o desenrolar entregue a quem de direito compete regular distúrbios e teimosias.

Depois de encerrar a Guerra e dos Bravos Soldados recolherem às casernas para um merecido descanso, dirigindo-se a Sogra aos seus aposentos, deu de caras com os bêbados que lhe estavam a fazer uma "espera"... eram só 4 e para a Sogra, bêbados, só ao pequeno almoço consegue devorar pelo menos uma dúzia...Enfim...



Com o célebre quadro de Malhoa na ideia - e não, não é o senhor das 24 rosas, porque de natureza morta no quadro, só se forem os parasitas corporais exterminados pela sudação alcoólica dos retratados - respirou a Sogra de alívio e felicidade porque o genro, desportista e consciencioso  NÃO BEBE !! ... 

Finders, keepers... :)






segunda-feira, 25 de março de 2013

Going Bananas...

"Nenhum cidadão tem o direito de ser um amador em matéria de treinamento físico. Que desgraça é para o homem envelhecer sem nunca ver a beleza e a força do que o seu corpo é capaz" - Sócrates**


(** Só mesmo o Sócrates para nos aldrabar outra vez...)






Em dia de corrida, releguei para 2º plano os meus dotes de atlética Sofa Surfer e corri para a Minha Guerra, onde "correr" era a palavra de ordem.

Quando cheguei depois de uma Maratona de transportes, começava a Minha Guerra a ser invadida por atletas que tinham dado todos os litros na corrida, marcha ou simples caminhada e que pretendiam que os meus Bravos Soldados lhes recarregassem as baterias.

Como se debaixo de fogo cerrado estivessem, os Bravos Soldados movimentavam-se em diversas frentes, quase à velocidade do som, com o espalhafato que lhes é tão característico, com algumas escaramuças à mistura, mas num computo geral, muito profissionais e eficazes.

Eu, que costumo deambular pelas esquinas e recantos da Minha Guerra a uma velocidade de cruzeiro, tive que meter a 3ª, dar bem ao canelo e sprintar nalgumas lombas,  rectas e subidas, algumas vezes com os bofes  quase a sair pela boca, tal o efeito da inercia nas minhas curvas e contracurvas físicas.

Á porta da Guerra estava um mar de gente de todas as cores, tamanhos e feitios, os quais , provavelmente num apoio desesperado à coligação da Maioria Trapalhona, usavam sem excepção um qualquer apontamento laranja que contrastava com a desigualdade multicolor dos diversos equipamentos desportivos, e talvez por alusão á forma governativa dessa mesma maioria, se encontravam quase sem excepção a comer uma banana.



Este facto, que faria as delícias do Freud em N interpretações psicanalíticas, poderá ser ilustrado num simples slogan  " Portugal na recta final, com bananas no podium"...
O que interessa, nem é ganhar, é só participar e no fim receber os BRINDES!!! WoW!  Tem agua,  gelados, pacotinhos de leite, bebidas isotónicas e BANANAS!!!

Porque raio é que não fanei um dorsal e não fui para a "bicha" das bananas ?!?... é que sempre são BANANAS, pah, e da Madeira e tudo, como diria uma anafada matrona colorida e afogueada, sentada esparramada a arfar numa cadeira mais pequena que o seu "ponto" de apoio,  com o cabelo preso num toutiço e o saquinho laranja da EDP a abarrotar de...Bananas...

Enfim ... consumou-se a Bananalisação da 23ª Meia Maratona de Lisboa...

Na Minha Guerra, acabámos o dia com a satisfação do dever cumprido. Não foi dia de vitória suprema, não ficará nos anais da história,  mas ganhámos a batalha e ganhar , como diria uma "grande pensadora" portuguesa, é o contrário de perder, por isso  já não é chita.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Às Voltas com a Língua da Sogra: Queres fiado, queres ??

"A moral da arte reside na sua própria beleza." Gustave Flaubert











Portugal e o Google  comemoram hoje o Aniversário de Rafael Bordalo Pinheiro. 


O Boldalo é um velho conhecido da casa da Bisavó Júlia , da casa da tia Adelaide e da casa da Mãe.



A Bisavó Júlia tinha um ror de peças do Bordalo, desde Zé Povinhos em N posições e actos provocantes, passando por Polícias e  meninas com cestos de pão, flores e frutas, cujo conteúdo era uma peça móvel que funcionava como tampa a um guarda-jóias de loiça, acabando em alguma loiça das Caldas mais tradicional e também brejeira, sapos, frutas, peixes e hortaliças e duas ou três das famosas canecas.


Como boa sogra, a bisavó Júlia deixou em herança os seus pequenos tesouros, não repartidos pelo triunvirato da sua prole, mas à única filha mulher capaz de lhe seguir os passos e transmitir o gosto pelas faianças decorativas. 


Durante os muitos anos da sua vida, em Natais ou aniversários, presenteava a Tia Adelaide a Mãe com uma ou duas peças da Bisavó Júlia, pois sabia o gosto e o cuidado que a Mãe lhes dispensaria. Também ficou com a mãe a gravura a preto e dourado do egrégio Manuel dos Toiros, o tetravô moço forcado que nos seus tempos foi uma intrépida celebridade.


Depois de 2005  e devido a problemas de saúde  viu-se a Mãe forçada a trocar a casa de Belém, na rua onde nascera, onde tinha nascido o seu pai e onde deu à luz os seus filhos ( com a vista mais deslumbrante sobre o Rio Tejo de montante a jusante de que a Sogra tem memória), por um primeiro andar com elevador, igualmente calmo e espaçoso, rodeado por um amplo espaço verde mas emparedado em concreto.

Temerosa pelo empacotamento e manuseamento das suas preciosidades durante a mudança e querendo deixar uma marca por mais ténue que fosse no panorama patrimonial português, a Mãe contactou um museu e transaccionou os seus "meninos" para que o mundo também os pudesse admirar. Claro está que se arrependeu, que ficou triste e saudosa, mas dentro duma vitrina num canto escuro não teriam o impacto que o seu gesto seguramente lhes proporcionou.

Assim sendo, e sem "Bordalos" em herança, a Sogra terá que se contentar em fazer os seus próprios manguitos o melhor que conseguir, apelando à sua memória das várias situações esculpidas em porcelana pelo Mestre, em que o  seu role model, o Zé, o tal,  era exímio em expressar os seus sentimentos com a exuberância que lhe conhecemos e em imortalizá-los para a posteridade. 


PS.: Que descanse o genrinho e não se tome de cuidados, porque a sogra está apenas e só a ilustrar uma recordação
 e (ainda) não a preparar-se para algum choque de titãs...

sexta-feira, 15 de março de 2013

Às voltas com a Lígua da Sogra: O Código dá 20...

"Os erros mais breves são sempre os melhores."- Moliére





... Dar,já não dá, mas já deu... deu 20 minutos de seca e um melão brutal.

É facto provado que Sogra anda cansada das ideias. 

Não sendo de todo supersticiosa, a Sogra não crê em bruxas, mas acredita que as há por todo o lado, de todas as cores, formas e sexos.
O ano 13 do século XXI está a fazer jus à sua famigerada reputação de número aziago e não trouxe ainda nada de bom. De qualquer modo, a Sogra que é uma pessoa que pensa quase sempre positivo, aplica a teoria da psicologia invertida ao célebre provérbio "Entradas de leão saídas de sendeiro" e espera sinceramente que os fins justifiquem os meios... e os começos também.

Andando a Sogra de cabeça à nora e meio aluada, protagoniza situações caricatas recorrentemente.
 Ainda há dois dias, voltou a Sogra a embaralhar-se com o código da potra da rua e para não cair no ridículo da primeira vez, foi dar uma volta, para assentar as ideias e arejar o pensamento.

Toda a gente vive em função de códigos. Códigos de conduta, códigos de trabalho, códigos da estrada, códigos de Multibanco, códigos de telemóvel... códigos e mais códigos.

 Há uns tempos, vindo a Sogra com os alforges carregados depois de mais uma incursão pelo SuperCor, arrastou-se e mais à carga até à porta da rua e marcou o código. Acendeu a luz vermelha e nada aconteceu. A Sogra olhou para aquilo, qual burro a olhar para um palácio, e pensou para consigo   " 'Tá-te a dar, ou quê ??", respirou fundo e tornou a introduzir os quatro dígitos. Mais uma vez, luz vermelha, e nada...   " Fogo, não me faltava mais nada !"... e tentou uma terceira vez, depois dum momento de quase meditação e concentração, e imbuída de todo o positivismo que conseguiu concentrar... nada, zero, népia, néria, zilch, rien...
Tentando controlar a fúria que a assaltava, a Sogra tocou para a porteira para lhe pedir que abrisse a porta. Nada... ninguém em casa. Proferindo cobras e lagartos sobre a situação, a porteira e o raio que partisse aquela treta toda, decidiu a Sogra tocar às campainhas, como um bom distribuidor de folhetos publicitários e pedir que lhe abrissem a porta.
Neste ponto, convém explicar que  Sogra é uma pessoa sempre muito ocupada com as suas rotinas e tem muito pouco tempo para socializar na escada, pelo que não conhece 50% dos vizinhos do prédio, nem de se cruzar na escada ou no elevador, pois a Sogra não tem horários como as pessoas normais. Assim sendo, e sendo o oposto também verdade, como poucos vizinhos conhecerem a Sogra mesmo que seja de vista, ninguém respondeu ao toque da campainha.
A Sogra começou a ficar passada dos carretos e resolveu telefonar para a administração do condomínio na pessoa do Marido e disparar rajadas sucessivas de impropérios, que ilustravam o seu estado de espírito no momento.
O Marido da Sogra, que conhece o bicho há quase 35 anos, acalmou a fera, falou mansamente, repetiu palavras brandas e , quase em slow-motion, fez a Sogra introduzir o código de quatro dígitos que repetia com voz profunda e hipnótica.  E foi então que   MILAGRE, após premir Enter, a porta abriu !!


A Sogra lá subiu para o seu 9º andar, a contar vindo do céu ainda a fumegar, largou a tralha na cozinha e foi para o duche, para arrefecer a caldeira do juízo, que ainda fervia de indignação.
Já estava a Sogra a vestir-se quando um pensamento a tomou de assalto e a fez reviver toda a situação, fazendo com que chegasse às lágrimas, tal era a sua consternação : a Sogra insistiu vezes sem conta em introduzir os quatro dígitos do seu ano de nascimento ( número que usa como código para fins diversos) para abrir a porta da rua, sem lhe ter sequer ocorrido que o raio do código não era aquele. Não havia nada de errado com a porta da rua, a Sogra é que estava a bater mal e como boa Sogra que é, tal nem sequer lhe passou pela cabeça!

segunda-feira, 11 de março de 2013

Walk the Line.

" Não sou gordo, sou é baixo para o meu peso" - Garfield


Qualquer bicho careto que seja parco de palavras e raciocínio, sem  outra razão whatsoever  que não seja armar aos cucos, quando entabula um qualquer tipo de conversa à guisa de explicação , tem sempre " há uma linha que separa..." na pole position.


Parece que a publicidade pegou com força e que a frase se tornou o último cliché na  língua de Camões.



Oiço-a várias vezes por dia, principalmente na Minha Guerra e principalmente em conversas sobre tudo e sobre nada. Há sempre uma linha que separa ... o Benfica do Sporting ( tema mais frequente, principalmente se tivermos em consideração que uma linha é um conjunto de pontos); há sempre " uma linha que separa" os chefes dos que não são chefes.. pois, devia de haver devia, mas os chefes têm tantos rabos de palha, que se a linha lá está, quase nem se nota... etc, etc, etc...

Eu , que  nem sou muito de seguir tendências e até acho que os meus neurónios deveriam ser Património da Humanidade ( Cof...Cof...) , ontem dei por mim a repetir à Mãe, que "há uma linha que separa" o meu Vestido-de-Sogra ( ou vestido de mãe da noiva, como preferirem) ser número 44 e não ser 40... é uma linha curva fechada, chama-se circunferência e normalmente reside na zona do meu centro de gravidade....

Quem inventou as palavras dieta e ginástica devia ser primo do Torquemada e seguramente um grande inquisidor, pois magicou duas perfeitas formas de tortura. 
Ah, e tal, isso com uma dietazinha e uma ginástica localizada, ficas impecável no teu outfit e equilibrada nos teus stilettos. E eu tento... principalmente porque não quero parecer o Humpty Dumpty nem uma equilibrista maluca de saltos altos, cujo eixo de suspensão fica a milhas do dito centro de gravidade. 
Ah, e tal,  um ginásiozinho depois do trabalho... caramba, pah, haja bom senso ! eu passo o dia inteiro acondicionada numa couraça a suar as estopinhas e palmilho QUILÓMETROS !!! ... pois, já sei que o que eu faço não é andar (rolo os olhos à laia da miúda do Exorcista e faço uma  careta de dâ-â-â), é deslocar-me dum ponto para o outro com os pés e as pernas, porque caminhar para a linha, eu não caminho, ou pelo menos não o faço correctamente e por isso o resultado ser nihil ...


O Grande Acontecimento na vida da minha Pérola Maior aproxima-se a passos largos. Julho é já ali, e eu continuo na mesma : cara de sapo e c* de bomba.... É que "há uma linha que separa" a minha determinação em perder os tais quilinhos da grande vontade que tenho de o fazer... é a única linha na Terra que se avista do espaço à vista desarmada e que se chama Grande Muralha da China....

Já diz um sábio proverbio alentejano " Se um dia fores acometido por uma grande vontade de fazer algo, senta-te e espera que a vontade passe"


Tarde sed tute

quarta-feira, 6 de março de 2013

Ás Voltas com a Língua da Sogra : The Ring



"No meio da confusão, encontre a simplicidade. A partir da discórdia, encontre a harmonia. No meio da dificuldade reside a oportunidade" - Albert Einstein








Parafraseando um grande blogger, "Em verdade vos digo" que a Sogra anda com a cabeça à razão de juros.

É que nem os seus infames pensamentos de Sogra conseguem tomar forma neste turbilhão emocional que se instalou de assalto em casa da Sogra e lhe tem dado agua pela barba.

Sogra  como todas as Sogras, fala demais. 

A Sogra já desabafou por escrito o passamento da sua própria sogra, mas nunca falou que umas semanas antes do óbito da sogra da Sogra, a irmã da sogra da Sogra tinha falecido também. Nessa altura a Sogra, com toda a sensibilidade que lhe é extrínseca, disse levianamente ao Marido que " agora vão uns atrás dos outros, vais ver..."  E não é que foram ? Três no espaço dum mês ! - Foi horrível.

A Sogra não só perdeu familiares queridos, perdeu também muito da sua boa disposição, assim como uma boa oportunidade de estar calada, pois que nota que o Marido fala pouco. Crê a Sogra que o estado de espírito do Marido se deve ao abalo emocional e à tristeza que se instalou, mas não pode deixar a Sogra de pensar se depois de trinta e tal pacatos anos em comum este súbito dom divinatório de calamidades não o estará a assustar...

No meio de pensamentos desordenados e confusos e dum non-stop de contrariedades, a Sogra tem a sua casa para governar e a sua Guerra para dirigir. 

Esta semana a Sogra trocou o telefone de serviço por um modelo mais recente. A Sogra, apesar de tecnologicamente práfrentex,  está habituada a coisas básicas, como tipo de toque  telefone-macaco-preto. Depois de muitas voltas ao aparelho, não encontrou nada que lhe agradasse... Mulher moderna como é, a Sogra foi à internet buscar um toque do seu agrado tipo trrim-trrim, e instalou-o no telefone. Ouviu. Gostou. Guardou. Esqueceu.

A Sogra sempre que pode faz-se acompanhar pelo seu android particular - que tristemente não é nem o R2D2 nem o C3PO, mas que é um jeitosinho gadget do demo que traz a Sogra em permanente contacto com o Mundo Exterior, bem acomodadinho e sem som, no bolso do casaco da farda, mas do qual não sabe o número de cor...

 - Que é que querem ? Quantas vezes é que ligam para vocês próprios, Hãã-hãã-hãã ?????

Pois a Sogra utilizou o seu telefone particular para checar o toque que instalou no de serviço. E esqueceu o episódio. E pronto.

Pois nem queiram saber a aflição da Sogra quando encontrou 3 - TRÊS !!- não uma, não duas, mas TRÊS chamadas não atendidas no seu telefone de serviço, dum número vagamente familiar, do qual a Sogra não conseguiu decifrar a proveniência... É que foram 3 chamadas, e quando se insiste é porque é seguramente uma emergência... a Sogra andou agoniada, a sofrer por antecipação, até ter posto o seu próprio telefone com som e verificar estupefacta que estava a tocar, quando tentou pela enésima vez retribuir uma  "chamada não atendida"... 



A Sogra concluiu que está a precisar duma cabeça nova, ou de mandar recauchutar a que tem, porque está cheia de fugas de ar, e que tem que recuperar a sua estrelinha, porque anda deveras apagada...


sábado, 2 de março de 2013

Allons Enfants de la Patrie !



"Eu revolto-me, logo existo." - Albert Camus



Em Setembro estive lá.




Desde a Praça do Começo até à Praça de Espanha, assisti a uma demonstração ordeira da vontade popular.

Eu, que até não sou de esquerda ( já fui, mas curei-me a tempo e ser do PS nem é ser de esquerda, é ser assim...tipo socialista e coiso... ) entoei palavras de ordem e cantei a Grândola Vila Morena; não cantei o Avante Camarada, porque não, mas até podia ter cantado... no meio destas efusões, as coisas são como são e vai-se com a maré.

Outras mostras de desagrado se seguiram, todas com pouco impacto, salvo aquela em que o impacto de pedras e cassetetes se sobrepôs a todas as palavras de ordem e a desordem reinou, acabando com a razão,  e o propósito da exposição de reflexões e vontades esboroou-se, dissolvido na raiva e na insensatez.





Hoje não vou lá estar.

Sou o Oficial de Dia na Minha Guerra e as obrigações estão sempre nos lugares cimeiros das minhas prioridades, logo a seguir à família.
Tenho pena; poucos e poucos, fazemos muitos poucos e alguns muitos, que poderão fazer o todo, uma voz suficientemente forte que se consiga fazer ouvir para lá dos muros da teimosia, da incompetência, do descalabro total.
Para quem vai, para quem tem uma voz que não quer calar, um abraço e obrigada.

Chegou a altura de falar. 


The time is now!



Pode nem sequer fazer diferença, mas continuar a  personificar os 3 Macacos Sábios já não leva ninguém a lugar algum.
Escreveu Bulwer-Lytton que " a pena é mais forte do que a espada"... Que a palavra escrita, proferida  com força, determinação e ênfase  possa ser entendida... se não, tenho pena, muita pena...