quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Às Voltas com a Língua da Sogra : Ir às compras







"Depois de nos precavermos contra o frio, a fome e a sede, tudo o mais não passa de vaidade e excesso." - Séneca

Ser Sogra não é assim toma lá, já está. Há todo um noviçado durante os anos de namoro como preparação para a tomada dos votos , votos esses que a Sogra terá obrigatoriamente que engolir  quer queira quer não, e só depende de si a sua aceitação, aplicação e desenlace futuro.


Ora isto para dizer, que a escassos meses do "point of no return", a Sogra foi às compras com a Mãe (da Sogra...) , à Baixa, para aproveitar o que ainda resta dos preços baixos de princípio de estação e compor o seu outfit de Mãe da Noiva (AKA Sogra, mas enfim...),  como manda a etiqueta.

Como já expliquei noutras paragens, a Mãe da Sogra (e as suas respeitáveis 78 primaveras) é a Consultora de Moda  do Clã, que acompanha sempre que a Família precisa de comprar algum modelito mais rebuscado do que camisolas e jeans; é a Mãe quem vê se assenta bem, se a medida é exacta, se pode ser um número diferente que ela possa alterar, etc... Faz parte da tradição familiar levar a Mãe por companhia, sempre que se vai "às compras".


A Sogra é uma criatura roliça, que sai à Mãe, sem tirar nem pôr. A Baixa é grande. Arrastar a Mãe pela Baixa a passo de caracol, é uma nóia ! ... A Sogra é uma pessoa despachada, que não pede licença a um pé para poder mexer o outro, é veloz como um hipopótamo a saltar de nenúfar em nenúfar... a sério, minha gente, a Guerra da Sogra, com todo a sua majestade e grandeza, fez da Sogra um papa léguas, capaz de palmilhar metros em milésimos de segundo, sem nunca perder a postura, sem nunca correr... Não há Mãe que a consiga acompanhar... nem Pérolas-Filhas... nem Marido... Pensando bem, acho que a Sogra descobriu porque é que ninguém gosta de ir com ela às compras...

A par dos clássicos intemporais " A Day at the Races" ou " A Night at the Opera", acreditem que este "Shopping Downtown with the Mother-in-Law's Mother" daria um filme  nonsense dos bons...

No fim , o objectivo saldou-se positivo : A Sogra terminou a tarefa agradavelmente  produzida no aspecto e bastante, muitíssimo mais aliviada na carteira.



 No fim do dia, dorida e exausta, a Sogra teve que ser assistida e confortada, mas adormenta-a o acalento do dever cumprido.




Gostava de acrescentar que a cultura consumista da Sogra é pobre,  que vai poucas vezes "às compras" e que quando o faz, escolhe o centro comercial mais próximo por uma questão de comodidade.
Não estava a Sogra preparada para o deserto que é a Baixa durante a semana. A Rua Augusta está às moscas. A rua da Prata parece uma cidade fantasma. A rua do Ouro só junto à entrada para o Elevador de Santa Justa se vislumbra o resultante movimento de turistas que diariamente fazem a subida... A Rua do Carmo, a Rua Garrett e o Chiado, ainda mexem, mas nem por isso muito...

A Sogra ficou triste e nostálgica de outra Baixa, de outros tempos...




 A Sogra tornou-se uma galinha de capoeira...




terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Minority, majority, morality....

"Sou velho de mais para censurar, mas suficientemente jovem para agir."- Johann Goethe







Sempre defendi que a velhice é um estado de espírito, que bastava manter a mente com as engrenagens bem oleadas, sagaz ,  crítica e ginasticada, para poder acompanhar os mais jovens até onde a somática o permitisse. 
Nunca me meti em cavalarias altas, nem andei a armar ao pingarelho em correrias e outros atletismos que tais, valorizando sempre a robustez intelectual.
Também nunca me imaginei idosa. Sempre pensei que o "live fast and die young (and pretty)" me assentava como uma luva...

Gosto de música. Gosto muito de música. Gosto dos clássicos, da música da minha geração e principalmente da música dos anos 80 e 90.
Gosto de Green Day.


Este ano esta banda é cabeça de cartaz num dos dias do Optimus Alive, e eu decidi que ia ver o concerto.

Caiu o Carmo e a Trindade ! ... pois que não é definitivamente coisa para eu fazer, não é um concerto para pessoas da minha idade, não me ia sentir bem, poderia mesmo vir de lá magoada ou até pior ... porque é que não vou ver antes os Bon Jovi ????

Que não reste qualquer dúvida que eu adoro os Bon Jovi, mas com toda a admiração que me merecem, não quero ir ao seu concerto, pah, quero ir aos punks, aos drogados  aos que se pintam, que gritam, que escarram... quero ir ver os Green Day 

Sempre me vi uma pessoa cool, que sabia das coisas, cuja opinião contava, sempre me tive como uma pessoa com um nível de  conhecimento infinitamente superior à medida das ancas... que desapontamento.

Dá vontade de dar um chuto no balde, de entornar o caldo, de virar tudo do avesso... dá vontade de um destes dias, quando os descrentes menos esperarem, entrarem em casa e  darem comigo na maior, envolta no fumo de vinte e uma armas,  num Green Day of my Very Own...








quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Às Voltas com a Língua da Sogra: Ебут русских!


"O tempo e a paciência são dois eternos beligerantes."Lev Tolstoi









Sendo a Sogra como é e parafraseando António Gedeão,"Bichinho alacre e sedento, De focinho pontiagudo, Em perpétuo movimento" não descansou enquanto não se inteirou sobre os Russos: os Éves, os Óves, os Ines, os Kys, os Óis, os Ais e outros que tais.





Nos meus tempos de Globe-Trotter, a Praça Vermelha era o maior negócio turístico de Moscovo e um pouco o paradigma da sociedade soviética de então: Pintura de fachada com um interior corroído, onde se venerava um morto como se fosse um Deus.
(A maior parte dos Russos são uma seca, mas tenho memórias fantásticas de St. Petersburg...)



Como não há crime sem castigo, esta minha deserção à ressurrecta deferência pelos grandes mestres das estepes e consequente abraço a outras tendências culturais da palavra escrita, trouxe-me alguns dissabores: Não só me tornei uma Sogra completamente descontextualizada da actualidade literária, como é definitivo que já não vejo um boi à frente do nariz sem usar óculos.




Moral da história: A Sogra quis tanto armar aos cucos com os Russos, que  acabou por se ver Grega com isto tudo...





"A parte que ignoramos é muito maior que tudo quanto sabemos."- Platão


PS : Assim à  laia de Post-Scriptum não posso deixar de acrescentar  que a minha relação com os Russos, certifica a veracidade do proficiente ditado " Quem desdenha, quer comprar"... MUITOS !!!!




Мать скучно!  .....   Συμφωνώ απόλυτα!

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Uma história de Governo


“We're something, aren't we? The only animals that shove things up their ass for survival” - Papillon



Como sou uma pessoa que gosta de seguir as tendências, vou falar de livros.


Sim, porque eu leio livros… e revistas… e o Borda d’ Água… Lamentavelmente, não leio as coisas da moda, por isso não me posso pronunciar acerca delas, nem posso criar tendências a pôr toda a gente a ler Corto Maltese … até o porque costumo ler em francês (cof cof) e há para aí TANTOS intelectuais que nem português sabem escrever… não estou sequer a ser crítica, como poderia ? Eu, que saramagueio a pontuação que é uma dor de alma !!

Este fim de semana deu-me mais uma travadinha na forma de (mais ) uma crise de ciática. É muito chato. Nem tanto a dor, que se vai mitigando com balas de um analgésico radioactivo, mas a sensação de se ser perneta; é a síndrome do Long Jonh Silver… ando a arrastar uma perna de pau e a tropeçar em todas as imperfeições do chão… e depois ainda há o purgatório das escadas…

Isto para dizer que o meu humor não era dos melhores, que não tinha maneira de estar sentada, de estar deitada, de estar em pé… uma seca brutal. Peguei num livro que já li três vezes desde os meus 17 anos, e empreendi uma quarta leitura.

Gosto de ler o Papillon. 


Conta a história dum homem injustamente condenado por assassínio ,  sentenciado à prisão perpétua e enviado para o degredo da Guiana Francesa, posteriormente para a Venezuela e Colômbia, logrando sempre  fugir.
Tido como um romance autobiográfico, é agora considerado um romance narrativo em que o personagem é um sumário de vários companheiros de degredo e das suas vivências no exílio.
Foi adaptado ao cinema em 1973, e o desempenho de Steve Mcqueen foi brilhante, se bem que para quem já tivesse lido o livro, o filme tenha deixado um valente amargo de boca.




À luz da actualidade , o livro Papillon explica factualmente o conceito fundamental de “Governo”:


- O Governo é imprescindível á subsistência
- O Governo entra-nos literalmente pelo c* adentro.
- O Governo regula o  futuro das nossas vidas, do meio da m*rda por onde se agita.


Ler livros “destes” não faz de mim  um crânio, porque o autor não era um bêbado drogado e viciado em sexo que escreveu coisas controversas e chatas, mas é  disto que eu gosto, minha gente… 

Quem achar que as quinhentas e tal páginas são um suplício intransponível, sempre pode ver o filme e comentar como o maior conhecedor literário do mundo !!

Papillon

domingo, 20 de janeiro de 2013

Tormenta




"Quanto mais violenta a tempestade, tanto menor a sua duração." Séneca


Outside the rain begins
And it may never end
So cry no more on the shore a dream
Will take us out to sea
For ever more.. for ever more
Close your eyes Ami
And you can be with me
'Neath the waves through the caves of hours
Long forgotten now
We're all alone..we're all alone
Close the window calm the light
And it will be all right
No need to bother now
Let it out let it all begin
Learn how to pretend
Once a storys told
It can't help but grow old
Roses do lovers too so cast
Your seasons to the wind
And hold me dear..oh hold me dear
Close the window calm the light
And it will be all right
No need to bother now
Let it out let it all begin
All's forgotten now
We're all alone..all alone
Close the window calm the light
And it will be alright
No need to bother now
Let it out let it all begin
Throw it to the wind my love
Hold me dear
All's forgotten now my love
We're all alone...





 Todos os Cabos das Tormentas podem ser dobrados, só temos que ter fé, e uma vontade de ferro.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Cansaço...


CansaçoO que há em mim é sobretudo cansaço — 
Não disto nem daquilo, 
Nem sequer de tudo ou de nada: 
Cansaço assim mesmo, ele mesmo, 
Cansaço. 

A subtileza das sensações inúteis, 
As paixões violentas por coisa nenhuma, 
Os amores intensos por o suposto em alguém, 
Essas coisas todas — 
Essas e o que falta nelas eternamente —; 
Tudo isso faz um cansaço, 
Este cansaço, 
Cansaço. 

Há sem dúvida quem ame o infinito, 
Há sem dúvida quem deseje o impossível, 
Há sem dúvida quem não queira nada — 
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles: 
Porque eu amo infinitamente o finito, 
Porque eu desejo impossivelmente o possível, 
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser, 
Ou até se não puder ser... 

E o resultado? 
Para eles a vida vivida ou sonhada, 
Para eles o sonho sonhado ou vivido, 
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto... 
Para mim só um grande, um profundo, 
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço, 
Um supremíssimo cansaço, 
Íssimno, íssimo, íssimo, 
Cansaço... 

Álvaro de Campos, in "Poemas" 
Heterónimo de Fernando Pessoa























É assim tão mau não querer ver nada, não querer ouvir ninguém, não me apetecer falar ?

É assim tão mau querer algumas horas de paz e silêncio sem toques de telefone, sons de mensagens, campainhas, motores de máquinas, centrifugações…

É assim tão mau apetecer gritar que me deixem em paz, que me dêem sossego, que me deixem o peito vazio de opressões e o cérebro relaxado, sem ter que estar a 100 à hora, sempre a correr para algum objectivo de escolhas múltiplas, em que cada resposta cria um universo paralelo?



É assim tão mau querer o coração a bater tranquilo e compassado dentro do peito e não gémeo dum puro sangue, sempre na recta final duma corrida desesperada, sempre a galopar, sempre a martelar um eco surdo nos ouvidos, sempre a arfar nós na garganta...

É que cansa. Cansa muito. Cansa saber, cansa ainda mais pretender saber e não poder. Cansa querer fazer e ser impotente. Cansa querer.

Quero paz.
Querer cansa.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Língua da Sogra : Emigrar


Às voltas,  com Língua da Sogra

Emigrar…

"Em Portugal a emigração não é, como em toda a parte, a transbordação de uma população que sobra; mas a fuga de uma população que sofre." Eça de Queiroz


O meu olho clínico de sogra não poderia deixar passar a correlação entre estas duas notícias.



 ( in O Público)




 ( in O Público)

Longe de mim alvitrar sequer que a classe docente deste país é explosiva ( até porque as filhas da sogra seguramente  crucificá-la-iam)...

A Verdade é que eu, sogra-to-be, se tivesse que emigrar porque me tiraram o chão debaixo dos pés, puxaram o tapete, levaram os sapatos e as meias, não sei se não compraria um livro “Terrorismo para Totós” e aprenderia a fazer bombas em garrafas de Möet & Chandon ou Veuve Cliquot, ou mesmo em simpáticas caixinhas de Cohiba Behike e enviava de presente, ao melhor estilo do UNA Bomber, para todos os filhos da mãe que contribuíram para a titanice deste país, começando por S. Exa. o honorável Bacalhau Seco que mora no Palácio Cor de Rosa e leva uma vida de igual cor.

É que nem compreendo como é que esta gente caminha tão direita, depois de todos os tiros nos pés que têm dado nesta carreira de tiro aos patos á beira mar plantada que é Portugal…

Muito bem diziam os Troianos “ Timeo Danaos et dona ferentes”… e as sogras, não ?? ... É que é sabido que as sogras, tal como os políticos só são boas quando as vemos pelas costas.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

O Regresso dos heróis


"A restituição do respeito é muito mais difícil do que a do dinheiro."- Padre António Vieira


Ontem na Minha Guerra e a propósito do despautério dum dos soldados recrutas, queixava-se um veterano de que o respeito é um conceito que caiu em desuso e que antigamente é que era bom, havia consideração e era tudo muito diferente.

Mas seria realmente assim, ou somos nós que temos dificuldade em conciliar as nossas  lembranças com a nossa memória de curto prazo e a nossa memória de longo prazo ?

Não referirei a pré-história da minha existência, em que era a menina linda, boazinha, excelente aluna… um tédio… Reportarei sim a Idade Média, quando era meio aracnídea – só pernas, braços e cabelo – aluna de quinzes e um terror no Liceu. A sério que fazia trinta por uma linha ( muuuiiitooo pela calada...), desde cartoons “picantes” até partidas abjetas a professoras e colegas,  e lutas político-partidárias a atirar para o mete nojo…

Tive uma professora de Inglês que tinha o condão de me irritar sobremaneira pela anglofonia que imprimia ao meu nome, quando o pronunciava. Eu que sempre me pautei pela invariação fonética dos nomes próprios das pessoas, coisas e lugares, abominava que a senhora me chamasse aquela coisa.
 Vamos supor por exemplo que os meus pais me baptizaram com o nome Francelina;  porque carga de água é que para a stôra R teria eu que ser Franceláina ?!? … E é que tal opróbrio não se limitava unicamente à sala de aula : era repetido ad nauseam sempre que me interpelava, independentemente do local ou pessoas presentes, malgrado os meus esforços para passar despercebida… pimba! Acredito que a senhora teria algum prazer em pronunciar aquela coisa, senão não o faria tão amiúde.

Numa das aulas em que estávamos particularmente instáveis,” fomos para a rua” umas três ou quatro, o que quer dizer que a stôra R se fartou de más criações e mandou as senhorinhas dar uma curva. Ficámos danadas e decidimos como vingança, comprar uma dúzia de ovos e brindar com eles a stôra R à saída do eléctrico. Preparámos tudo ao pormenor, e escondemo-nos atrás da arca dos gelados dum cafezinho que havia ao lado do liceu, propriedade dum gordo asqueroso que tinha a mania de se roçar pelas miúdas…




AZAR !  … A stôra R vinha acompanhada da directora do Liceu, por isso o plano foi por água abaixo… para não se perder o investimento na dúzia dos ovos, tomámos como alvo o gordo asqueroso… que se foi queixar à directora do Liceu, e tivemos como consequência uma acção disciplinar com 3 dias de suspensão… verdade seja dita, que tivemos os nossos 15 minutos de fama no regresso… fomos as maiores, fomos os heróis…

Nossa Senhora… se alguma das minhas Pérolas se metesse neste tipo de caldeiradas, excomungava-a… dava-lhe um sermão acerca de ética, educação, comportamento…  e depois teria seguramente que comprar fósforo e magnésio…

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Língua da Sogra


“Never rely on the glory of the morning nor the smiles of your mother-in-law”  Japanese Proverb




Como preparação para o grande evento que irá mudar o Mundo como o conheço – a minha passagem oficial á condição de Sogra no próximo mês de Julho – irei iniciar no Blog uma rubrica com periodicidade semanal onde comentarei “ à Sogra”, factos e acontecimentos pessoais, nacionais, mundiais e até mesmo de Lisboa e arredores !!

Cá estarei todas as 4ªs Feiras a afiar a língua e a destilar veneno, a praticar para vir a ser um bom Diabo em Forma de Gente….
Então sejam bem vindos à  


Língua da Sogra



“Portugal está a gritar por comida de rua”



Comida de rua, comida na rua... O mais recente "Simulador de Contas" não nos mostra bons augúrios para as tais contas de que toda gente fala, mas a maior parte não faz sequer ideia de como vão ser, porque o "afinal como é?" nunca ficou bem claro e o pessoal está expectante a  aguardar pelo recibo do ordenado no fim de Janeiro, para poder fazer contas à vida. O mais certo é levarem-nos o couro e o cabelo, e acabarmos todos  por andar aos caixotes ...

 Ó Andy, pah, afinal tens toda a razão!!  Provavelmente o nosso futuro passa por andarmos aos  gritos e a pelejar por um pedaço de  comida na rua... 

Como boa futura sogra que cometeu o crime imperdoável de votar nesta maravilhosa coligação governamental, dou comigo a pensar que gente bem mais douta do que eu alguma vez serei, criou sabiamente um dito que assenta aqui que nem uma luva :

"Mas com quem casei a minha filha?!"



segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

A Dupla


"Sempre notei que as pessoas falsas são sóbrias, e a grande moderação à mesa geralmente anuncia costumes dissimulados e almas duplas." - Jean Jacques Rousseau

... Eu cá duplo, só no tamanho...

Passadas as extravagancias gastronómicas das Festas, é tempo para parar, reflectir e decidir sobre o futuro a curto prazo.

A minha recém adquirida condição de Sogra-To-Be com assento já para o próximo mês de Julho, enche-me de vontade de fazer trinta por uma linha em relação aos pneus e outras gordurinhas extra.

Mas a vontade não é tudo… aliás, a vontade não é nada, porque de boa vontade anda o inferno cheio… assim como o meu estômago… 


Boa vontade da caixa das Tâmaras Medjool, que me catrapiscam sempre que abro o despenseiro; boa vontade do Queijo da Serra, a quintessência do divino , pois que não há nada neste mundo capaz de superar um belo dum queijo da serra amanteigado e que me diz “Alô” sempre que abro o frigorífico (… sacrilégio, eu sei, mas tem que ser)
 … Boa vontade do tigelão ( o 3º destas Festas) de coscorões, que a Mãe fez segundo a receita tradicional da Avó( que aprendeu com a sua avó em Oleiros, na Beira Baixa) e que me sorri do cimo da mesa; boa vontade dos Mon Cheris que tive que empandeirar… às caixas… e caixas... o drama… o horror…

Ora se não quero ir a rebolar no dia mais feliz da vida da minha Pérola Maior, tenho que pensar seriamente em fazer  uma dieta, uma ginástica, sei lá, fazer algum sacrifício medonho, que me vai seguramente deixar stressada e intratável, e eu não quero ser mais chata do que o habitual – o que acreditem , é MUITO.


Tem noites em que me deito a pensar no quão a vida seria TÃO mais fácil se eu vestisse dois números abaixo… da cintura para baixo… mas deixar de lado os meus pequenos prazeres só para fazer número, é ideia que não me cativa.

Além disso, já comprei um vestidinho nos saldos - tem que se ser prevenida e aproveitar os 60% - que tem a particularidade ser ajustável e  de me fazer parecer  “leve e vaporosa”, tal qual uma fada madrinha… ou uma espécie de snitch de Hogwarts...

Sumo de limão ou Raspberry  Ketone em jejum?
 Depois um café e um iogurte para o colesterol … e depois, se for para a Guerra, é o descalabro total, se ficar em casa ainda engano o estômago com uns cereais… A elíptica olha para mim, eu olho para ela… ela devolve o olhar e eu também… Pah, isto não é o faroeste , e a xôdona está muito enganada se pensa que me pode descaradamente tirar as medidas… Como eu não ligo a mal vestidos que nem sequer me falam, vou mas é lá para dentro ler o meu livro e fazer algum exercício mental.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

A Série Misteriosa


"Os pequenos factos inexplicados contêm sempre algo com que deitar abaixo todas as explicações dos grandes factos."  - Paul Valéry


Não é segredo para ninguém que eu gosto muito de ler, farto-me de ler e leio tudo o que posso. Tem livros que leio em horas, outros que deixo ir ficando e por vezes nem um ano chega para acabar, porque perdi o interesse.


Adoro BD, como em Hugo Pratt , Bourgeon, Boucq, Bilal… e gosto de tudo um pouco, mas sobretudo de mistérios com história como os do Steven Saylor ou da Lindsay Davis… eu sei, eu sei... tudo muito pimba, tudo muito pouco intelectual, mas… azar quem não gosta, come menos.

Melhor do que ler só pode ser mesmo  ver séries. E eu devo ser a rainha das séries, porque vejo os pilotos de tudo o que mexe, e faço a minha triagem .

Há bem pouco tempo deparei-me com uma séria fascinante “Oliver Stone's Untold History of the United States”.



É do conhecimento geral que o Oliver Stone, para além de ser um brilhante cineasta( às vezes),  que nos apresentou pérolas cinematográficas como Salvador, Platoon  ou mesmo The Doors,  alimenta profusamente as chamadas teorias da conspiração, facto patente em JFK, e é também do conhecimento geral que os americanos têm tendência para alimentar este tipo de teorias até à exaustão ou se quiserem até à paranóia total.

A série começa com os acontecimentos que levaram os americanos a entrar na 2ª Grande Guerra e prossegue de episódio em episódio até aos dias de hoje.  É muito bem documentada e é narrada pelo Stone himself.

No final de qualquer um dos episódios ficamos com a sensação que o mundo poderia ser um lugar COMPLETAMENTE  diferente…

                      WHAT IF … ?????

Será revisitar a história recente com um twist à Oliver Stone, ou ter finalmente conhecimento de parte da realidade velada ?

Então e que tal ver, ver com atenção e perguntar-se : "Was it worth it ???