terça-feira, 26 de novembro de 2013

Um Génio Em (O) Moção

"Deus ter-nos-ia posto água nas veias, em vez de sangue, se nos quisesse sempre imperturbáveis." - Jules Verne



L'ombre
Suit


Sombre
Nuit ;
Une
Lune


Brune
Luit.

Tranquille
L'air pur
Distille
L'azur ;
Le sage
Engage
Voyage
Bien sûr !

L'atmosphère
De la fleur
Régénère
La senteur,
S'incorpore,
Evapore
Pour l'aurore
Son odeur.

Parfois la brise
Des verts ormeaux
Passe et se brise
Aux doux rameaux ;
Au fond de l'âme
Qui le réclame
C'est un dictame
Pour tous les maux !

Un point se déclare
Loin de la maison,
Devient une barre ;
C'est une cloison ;
Longue, noire, prompte,
Plus rien ne la dompte,
Elle grandit, monte,
Couvre l'horizon.

L'obscurité s'avance
Et double sa noirceur ;
Sa funeste apparence
Prend et saisit le coeur !
Et tremblant il présage
Que ce sombre nuage
Renferme un gros orage
Dans son énorme horreur.

Au ciel, il n'est plus d'étoiles
Le nuage couvre tout
De ses glaciales voiles ;
Il est là, seul et debout.
Le vent le pousse, l'excite,
Son immensité s'irrite ;
A voir son flanc qui s'agite,
On comprend qu'il est à bout !

Il se replie et s'amoncelle,
Resserre ses vastes haillons ;
Contient à peine l'étincelle
Qui l'ouvre de ses aquilons ;
Le nuage enfin se dilate,
S'entrouvre, se déchire, éclate,
Comme d'une teinte écarlate
Les flots de ses noirs tourbillons.

L'éclair jaillit ; lumière éblouissante
Qui vous aveugle et vous brûle les yeux,
Ne s'éteint pas, la sifflante tourmente
Le fait briller, étinceler bien mieux ;
Il vole ; en sa course muette et vive
L'horrible vent le conduit et l'avive ;
L'éclair prompt, dans sa marche fugitive
Par ses zigzags unit la terre aux cieux.

La foudre part soudain ; elle tempête, tonne
Et l'air est tout rempli de ses longs roulements ;
Dans le fond des échos, l'immense bruit bourdonne,
Entoure, presse tout de ses cassants craquements.
Elle triple d'efforts ; l'éclair comme la bombe,
Se jette et rebondit sur le toit qui succombe,
Et lé tonnerre éclate, et se répète, et tombe,
Prolonge jusqu'aux cieux ses épouvantements.

Un peu plus loin, mais frémissant encore
Dans le ciel noir l'orage se poursuit,
Et de ses feux assombrit et colore
L'obscurité de la sifflante nuit.
Puis par instants des Aquilons la houle
S'apaise un peu, le tonnerre s'écoule,
Et puis se tait, et dans le lointain roule
Comme un écho son roulement qui fuit ;

L'éclair aussi devient plus rare
De loin en loin montre ses feux
Ce n'est plus l'affreuse bagarre
Où les vents combattaient entre eux ;
Portant ailleurs sa sombre tête,
L'horreur, l'éclat de la tempête
De plus en plus tarde, s'arrête,
Fuit enfin ses bruyants jeux.

Au ciel le dernier nuage
Est balayé par le vent ;
D'horizon ce grand orage
A changé bien promptement ;
On ne voit au loin dans l'ombre
Qu'une épaisseur large, sombre,
Qui s'enfuit, et noircit, ombre
Tout dans son déplacement.

La nature est tranquille,
A perdu sa frayeur ;
Elle est douce et docile
Et se refait le coeur ;
Si le tonnerre gronde
Et de sa voix profonde
Là-bas trouble le monde,
Ici l'on n'a plus peur.

Dans le ciel l'étoile
D'un éclat plus pur
Brille et se dévoile
Au sein de l'azur ;
La nuit dans la trêve,
Qui reprend et rêve,
Et qui se relève,
N'a plus rien d'obscur.



La fraîche haleine
Du doux zéphir
Qui se promène
Comme un soupir,
A la sourdine,
La feuille incline,
La pateline,
Et fait plaisir.

La nature
Est encor
Bien plus pure,
Et s'endort ;
Dans l'ivresse
La maîtresse,
Ainsi presse
Un lit d'or.

Toute aise,
La fleur
S'apaise ;
Son coeur
Tranquille
Distille
L'utile
Odeur.

Elle
Fuit,
Belle
Nuit ;
Une
Lune
Brune
Luit


(Jules Verne)



Cresci com a fantasia de Jules Verne. Eu que sempre enjoei no mar, tive a minha primeira paixoneta pelo Capitão Nemo ( a outra, a eterna, pelo mestiço de La Valletta, que seguramente conheceu Dorian Grey numa das suas viagens, pois , passados tantos anos, continua belo, sedutor e misterioso). Atravessei a Terra em 5 semanas com a cabeça cheia de aventuras e ar quente, percorri as estepes geladas acompanhando o correio do Czar, lutei no Arquipélago contra filibusteiros e caí rendida quando  Brando foi o Chistian de todos os Christians.
Georges Mélies , cineasta genial, foi pioneiro em adaptar as obras de Verne ao cinema,  em produções surpreendentemente bem conseguidas para a época.

Chamaram-lhe  merecidamente o grande  visionário, como anteriormente o tinham feito a Da Vinci

Com dezenas de obras fantásticas publicadas, é curioso descobrir em si o poeta sensível. Dentre muitas, Tempête et calme - (1828-1905) . Gostei.


                  

12 comentários:

  1. Jules Vernes, o favorito do meu pai.
    Assim me cativou o meu pai para as leituras; iniciou-me nestas coisas da magia dos livros lendo-me Jules Vernes todas as noites.
    Já na noite da sua vida ainda relembrávamos as aventuras maravilhosas que tinhamos lido na manhã da minha vida.

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  2. Ainda me lembro da desilusão que tive com o Raimund Harmstorf... não era o "meu " Michel Strogoff, aquele que saltava do livro e vivia mil peripécias que eram os temas das conversas de recreio. Queres saber uma coisa ? Há uns dias dei comigo a ler os livros dos 5... Penso que foi o Pipoco que falou neles... velhinhos, amarelos e empoeirados, mas tão cheios de recordações felizes que chegava a comover. D-Jinhos, querida !

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  3. Então e a Volta ao Mundo em 80 Dias ? Poderá haver obra mais perfeita de Verne que essa ?

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  4. Viva Luisa. Adoro as peripécias do Philleas Fogg, que era um inventor, e cujo o engenho era secundado pelo espertíssimo Passepartout, nem creio que haja quem não goste... desde que a versão cinematográfica que desde logo visualizamos tenha um gentleman e maravilhosos David Niven e o Fenomenal Mario Moreno. Créditos também a Shirley Maclaine que teve excelentes prestações na sua fase pré-espírita. Tal como As Atribulações dum chinês na China... Clássico... mas creio que de Júles Verne são todos clássicos. D-Jinhos

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    1. De longe o meu favorito "Atribulações de um chinês na China"!

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    2. Um suicida trapalhão eheheheh

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    3. Tantas, tantas vezes no meu dia me lembro de situações do livro, ou então falo de mim como o chinês de atribulações na China (infelizmente poucos me percebem).
      Uma delicia!

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    4. Mas é isso mesmo.! Não te costumas perguntar " onde é que já vi isto?" E de repente vem-te à ideia que é papel químico duma situação que já leste.. Confesso que o meu passatempo favorito (quando tenho tempo para passar) é fazer um Who's Who entre os meus companheiros de Guerra e personagens dos livros do Asterix. Dou N vezes comigo desmanchada a rir, sem capacidade sequer para conseguir explicar porquê. :):):):)

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  5. Já repararam que os autores da nossa meninice a adolescência nunca passam de moda ?

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    1. Todos os bons autores escrevem sobre coisas que conhecem. Acontecimentos, passados ou presentes e até sobre as suas repercussões futuras. Há obras maiores, duma excelência ímpar, livros agradáveis e imaculadamente escritos para o seu público alvo. Há os de culto, que todos os intelectuais must have& must read, e há os intemporais, que leram os meus avó, os meus pais, os meus filhos, e acredito que lerão os meus netos, bisnetos e trinetos, com a mesma alegria e a mesma emoção que eu senti quando tinha a sua idade. D-Jinhos Ana Maria

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  6. Devorei enquanto petiz a colecção do meu pai... literalmente imersivo!

    Beijinho

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    1. Viciantes e sedutores , levavam-nos, nas sábias palavras do Buzz Lightyear "para o infinito e mais além "
      D-Jinho, Eros

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É aqui que me mandas dar uma curva