sábado, 23 de novembro de 2013

Do Frio , do Saber e do Escuro



Semblantes lúgubres, ar frio, noite negra, vultos sem forma que buscam conforto num morrão dum cigarro há muito apagado .
Nas palavras do corcunda,  é mais um inverno do nosso descontentamento, mais uma travessia gelada; é o gelo que nos toma o ar que respiramos e nos prende nas trevas glaciais de pensamentos sem nexo, no futuro do passado que não volta mais.

  (J. Morton)



Balada interior




El corazón, 

Que tenía en la escuela 

Donde estuvo pintada 

La cartilla primera, 

¿Está en ti, 

Noche negra? 


(Frío, frío, 

Como el agua 

Del río.) 



El primer beso 

Que supo a beso y fue 

Para mis labios niños 

Como la lluvia fresca, 

¿Está en ti, 
Noche negra? 



(Frío, frío 

Como el agua 

Del río.) 



Mi primer verso. 

La niña de las trenzas 

Que miraba de frente 

¿Está en ti, 

Noche negra? 


(Frío, frío, 

Como el agua 

Del río,) 



Pero mi corazón 

Roído de culebras, 

El que estuvo colgado 

Del árbol de la ciencia, 

¿Está en ti, 
Noche negra? 



(Caliente, caliente, 

Como el agua 

De la fuente.) 



Mi amor errante, 

Castillo sin firmeza, 

De sombras enmohecidas, 

¿Está en ti, 

Noche negra? 


(Caliente, caliente, 

Como el agua 

De la fuente.) 



¡Oh, gran dolor! 

Admites en tu cueva 

Nada más que la sombra. 

¿Es cierto, 

Noche negra? 


(Caliente, caliente, 

Como el agua 

De la fuente.) 



¡Oh, corazón perdido! 

¡Réquiem aeternam!



(F. G. Llorca)



O sorriso estatuado quebra " Frio, frio..."  e  a luz tremeluzente dum cinzento opaco sol sem calor ajuda-nos a lembrar...  o riso volta e deixa pequenas marcas de pés mal calçados mas alegres,  na neve fria, saltitantes, seguros, alerta ... felizes " Caliente, caliente..."






10 comentários:

  1. Lindo,D, lindo! O frio tortuoso, a juventude a inocência e determinação que reflete a música da minha infância. Obrigada MD, e bom fim de semana

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    1. Foram fantásticas as mestre-escolas que me calharam por sorte. Já na 3a classe tinha no Pedro e o Lobo a minha caçada semanal pelos campos do imaginário. A professora Fernanda interessou-nos ao máximo pela obra de Prokofiev. Mais tarde, já no liceu, o Maestro José Atalaya, deliciou-nos com a descoberta dos diferentes sons e sonoridades dos vários instrumentos, a personagem de cada um na peça e como se conjugavam. O poema, acho-o lindo, e pueril. Isto de ler blogs extraordinários, faz-nos querer ser pessoas melhores e melhorar o nosso conhecimento. Agradeço ao Señor X as boas influências. Obrigada Ana Maria por pensar como eu. bom fim de semana

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  2. O Pedro e o Lobo andava perdido no meu baú de tesouros valiosos ! Que bom encontrá-lo aqui ! Já tocou duas vezes, e o André adorou ouvir. Adorei o poema.
    Mia

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    1. Quem bom saber que o André já gosta dos Clássicos. Grandes D-Jinhos !!! :)

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  3. Revisitar a infância faz bem à alma"

    Beijinhos Marianos, MD! :)

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    1. Quem não dava a dita ( alma) para voltar a ser menino/a??? É a única maneira de regredir no tempo, revisitar a infância.
      Uma noite fantástica para si. D-Jinhos :)

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  4. Cara M D, lá fui buscar o volumoso livro da Obra Poética de Llorca, na magnífica tradução de José Bento -- o poema deu-me a vontade de voltar a ele, ao poeta das canções da infância, dos romanceiros, dos desenhos, a quem as balas não conseguiram calar. Muito interessante vermos que sem Llorca, provavelmente não teríamos o Eugénio, o Ramos Rosa, entre outros, pelo menos, não da forma como os conhecemos e admiramos.

    Boa noite (e muito obrigado) M D :)

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    1. Señor X, o prazer é todo meu. Fico feliz por ter gostado. Uma santa noite para si também. :)

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  5. Viva Pipoca ! Também gostei ! D-Jinhos.

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É aqui que me mandas dar uma curva