domingo, 27 de outubro de 2013

Koiland

"Então e o raio do tempo, hein ??"


Esta é normalmente a frase mais batida em todas as conversas,  de todas as gentes, em todo o mundo. É a frase típica de quem já falou o que disse,  nada mais tem para dizer e quer fazer render o tempo.
 Hoje é a minha frase do dia, porque espelha a minha realidade. O raio do tempo anda a dar comigo em doida: saio de casa ainda sem luz e com um friozinho de corta-roupa, embrulhada até ao pescoço num casaco e numa echarpe, que depois, à laia de stripper vou retirando conforme o sol desponta e aquece as paredes de pedra e cal, até ficar praticamente em mangas de camisa. É nessa altura que o meu grande inimigo leva a melhor, e porque o que tem que ser tem muita força, ligo o ar condicionado.

Ora isto é diabólico para as minhas articulações, rijas como nós de madeira , que rangem, estalam e gritam como aspirantes a bruxas torturadas até à exaustão pela Santa Inquisição. E como quem sai aos seus não degenera, olho-me no espelho pela manhã e vejo lá , escarrapachadinha, a cara do meu primo Olheiras Grandes, que vive lá para trás do sol posto, numa terra chamada Koiland, onde quase todos os habitantes têm problemas nas juntas ( acredito que até nas Câmaras os têm, mas vá), e onde quase tudo tem um ar um tanto ou quanto fishy.




Visitei Koiland a convite do meu primo e fiquei em casa da Macaca Marca, marcada por muitas noites de trabalho de bate perna pelas esquinas da terra dos kois, que tal como eu tem um feitio complicado mas é levada da breca e  demo-nos logo bem. Com excelentes conhecimentos, como aliás o têm sempre estas senhoras macacas, apresentou-me a um monte de gente interessante, fishy-chic de primeira água, o que me levou a concluir que afinal  o Senhor Lei precisa de óculos, o Senhor Volumoso continua a encher-se, o Sonso e o Mafarrico, os Duendes irrevogáveis e ignorantes continuam a dar cartas marcadas , que o Senhor Sempre em Pé continua a afirmar a sua isenção de culpa no buraco que está a alargar ao lado do coreto, e que depois de se ter dado às mil maravilhas como comentador, vai voltar em força e fazer os Duendes idiotas andar num virote...
Conheci também o filho mais novo do Homem dos sinos, o Senhor Carrilhão, que agora é notícia em tudo o que letra tenha, por interpretar magistralmente aquele famoso clássico do folclore português " Sebastião come tudo, tudo, tudo..."

Não gostava de morar lá, é uma terra muito colorida para o meu gosto de pessoa antiga e  sóbria. Prefiro mil vezes esta realidade nua e crua à beira mar, do que uma terra de faz de conta onde toda a gente vive alegre e despreocupada, apesar dos buracos, dos ignorantes, dos enchidos, dos que nunca caem, ah! e de  terem todos problemas nas articulações que fazem com que qualquer junta se sinta melhor separada.




Mas são gente simpática e não me deixaram vir de mãos a abanar. Botaram-me duas no saco azul, pois nunca se sabe quando as minhas de origem darão as últimas e vou precisar de fazer uma swap.






6 comentários:

  1. No seguimento das cinzas de Vatsyayana, recomendo Patanjali que tinha uma solução boa para as juntas. Estalam ao princípio, é certo, mas depois, à medida que se deixa de estranhar e se começa a entranhar, portan-se como gatinhos de tenra idade, dobrando-se com um suave "puuurrr".

    Boa tarde M D :)

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  2. Se eu tivesse tido outro pensar há 20 quilos atrás, seguramente que os ensinamentos do Patanjali teriam assegurado o bom funcionamento das minhas juntas....
    Viva Xilre, bom tê-lo de volta ! :)

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  3. Muito engraçado. Quem conhece as histórias do Noddy, entende na perfeição . Excelente, parabéns

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  4. Obrigada Luisa. Eu lia o Noddy, ao Menino, o irmão mais novo, e depois há ainda o fascínio pela interpretação do Fernando Ribeiro. ;)

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  5. Olheiras Grandes bem apanhado ahahah

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É aqui que me mandas dar uma curva