quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Long Life and Prosper


When I get older losing my hair,
Many years from now,
Will you still be sending me a valentine
Birthday greetings bottle of wine?

If I'd been out till quarter to three
Would you lock the door,
Will you still need me, will you still feed me,
When I'm sixty-four?


(Lennon/McCartney)


A consciência da velhice é do caraças.
Não são só as rugas, os papos, as dores nas articulações, nas cruzes, nos intestinos insuflados como enormes balões de hélio... A perpétua irritabilidade, falta de vista, os esquecimentos, as brancas repentinas, a dislexia visual e verbal...
Todos os indicadores estão lá, bem à vista e temos que nos habituar a contorná-los, a conviver com eles, a levá-los para o trabalho, às compras, de férias, a passear. Faz parte do envelhecimento, faz parte da vida, faz parte de nós.

Se custa ? Então não custa ! A quantidade de coisas que temos que deixar de fazer, fazer de outro modo ou encontrar uma maneira soft de contornar, simplesmente porque o que é normal não funciona... normalmente.

Há uma coisa que é nós sabermos que algo não está bem, mas protelarmos indefinidamente a ver se passa ; há outra coisa outra que é  ouvirmos da boca de quem sabe das coisas , que não, que não passa e que há solução, mas não é a solução que nós queremos. Vade retro satanás !! Isso não !

E há ainda uma terceira coisa, que é ficarmos a saber que em vez dum problema, temos seguramente dois, eventualmente três, e que a solução a curto, médio ou longo prazo é a mesma;  que em vez de maldizermos a solução que não queremos, deveremos isso sim, dar graças a Deus por ela ainda existir e ter plena consciência que tratamos por tu o pior amigo de todas as soluções, um gajo chamado tempo.





A nós, as pessoas que estão vivas por dentro, cuja vontade é de ferro e a garra deveria ser de aço, resta-nos a consciência que a velhice não perdoa e agarrar com unhas e dentes a lucidez e o espírito que possuímos, ensinar-lhe a conviver com a  leprosidade do corpo e com todas os problemas e dificuldades that come with the territory.

Ontem olhava para a fonte dos meus tormentos, e com um sorriso cínico constatei que curiosamente adquiriu um trejeito de coisa de culto, muito próprio dum companheiro de muitas noites de Domingo, dos tempos em que tudo era são, em  não havia pacotes de TV com 200 canais e os computadores que faziam o mesmo que o meu faz agora, eram do tamanho do meu prédio. 


                       Long Life and Prosper

Assaltou-me a nostalgia, mas também constatei que, curiosamente,   já vem sendo um assaltante contumaz, tão recorrente como a saudade.

(Será que também acabarei por ficar com as orelhas em bico, devido a alguma gipose auditiva ou whatever, assim estilo elfa, que Vulcano faz-me lembrar o esquentador que também anda meio avariado....)



4 comentários:

  1. O tempo...esse companheiro inseparável.
    Eu bem tento deprimir nos aniversários, esquecê-los, zangar-me, mas não há volta a dar.

    O melhor mesmo é tratá-lo por tu, como tu referes.

    Grande post!
    Como te compreendo!

    Beijinhos

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  2. É mesmo como dizes, é preciso saber envelhecer e aprender a conviver com as mudanças.

    Adorei este post.

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  3. Obrigada, minhas queridas! Dêem tempo ao tempo e aproveitem-no bem. Beijinho Vera. Beijinho Pérola !

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  4. Só é velho quem deixa a juventude do espírito à porta.

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É aqui que me mandas dar uma curva