quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Down the Memory Lane

Pobre memória, que só anda de marcha atrás - Lewis Carrol


Setembro sempre foi o meu mês de férias de eleição, assim como Portimão e Alvor os meus destinos de férias favoritos.

Naquele ano de 2001 tínhamos alugado um apartamento num condomínio fechado, com 2 piscinas, barbecue e relva verde e cheirosa all around,  à beira da Av. Comunidades Lusíadas, para podermos aceder à praia a pé.

Aquele dia amanheceu lindo, fomos para a praia como de costume, e como de costume, comigo sempre a lanzuar porque a Praia dos 3 Castelos era lá no fundo da falésia... descer era de somenos, mas depois subir no pico do calor... a minha índole de Drama Queen que não suporta escadarias fulgia logo pela manhã, bem cedo, mas já ninguém dava muita importância.




Quando eu digo bem cedo, refiro-me a uma hora compreendida entre as 8 e as 8:30h da manhã, horário mais tardio imaginável de chegada à praia, porque o Marido, qual senhor feudal das idas a banhos, mantinha-nos sob o seu jugo com mão de ferro. Quatro horas de manhã e 3 horas à tarde, ali ao minuto, ao segundo, tudo controladinho.

Maïtre de pequenos almoços como só ele, acordava-nos com um cheirinho maravilhoso de café acabado de fazer e pão acabado de torrar que nós, as damas, devorávamos acompanhados de tudo o que mais nos apetecesse, iogurtes, fruta, compotas, cereais... saíamos sempre bem dispostos e confortavelmente alimentados, apetrechados com tudo o que um banhista profissional deve levar e era fantástico, se não fosse toda aquela imensa escadaria , que até me fazia crer não ser, sem qualquer sombra de  dúvida, uma boa pessoa, pois se  até passava o tempo de férias a pagar promessas, arre !

Naquele dia voltámos a casa depois do meio dia, como era da constância diária. Os duches iniciaram-se por ordem  de etiqueta : Primeiro as senhoras - ou seja eu - que saltei para as saladas e grelhados e preparei a mesa para almoço, ao mesmo tempo que ligava a TV. 
Para além dos 4 canais generalistas, o apartamento estava ligado à rede satélite do edifício e tínhamos variadíssimas opções. 

Eu, para desespero do marido que adora ver as aberturas dos 4 Jornais Informativos nacionais, fazia alegremente zapping grelha fora.  

Parei na FOX News :" Olha, está a dar imagens em directo de Nova Iorque, do WTC a arder". Mudei para a RTP1 e não se falava em fogo algum. Voltei à FOX e aumentei o som da TV ( que era deplorável, diga-se de passagem) e continuámos a ver enquanto almoçava-mos, tentando perceber o que se estaria a passar. Falava-se num avião, mas não conseguiam ainda adiantar pormenores. Continuámos a olhar as imagens de helicóptero, do chão,de Jersey,  com a torre Norte a arder. " Foi um jacto" diz o Marido, pessoa entendida em aviões e no perigo de ter aeroportos quase dentro das grandes cidades com aviões a sobrevoá-las.



De repente, saído do nada, vê-se  outro avião e o embate na torre Sul. Ficámos parados a olhar as imagens, a olhar um para o outro, sem sequer mastigarmos. " Isto não foi por acaso, não pode ter sido acidente" diz o Marido. Telefonei de imediato para o Mano, mas as nossas FAPs não estavam ainda informadas qb para dar respostas... nem as deles, lá no outro lado do Atlântico no palco de toda a tragédia.

Claro está que nesse dia não houve mais praia para mim; ninguém me conseguiu arrancar de frente do monitor; tive medo, a sério que tive. Aquilo não era um filme; não tinha o Paul Newman nem o Steve Macqueen, por isso eu tinha a certeza que não ia acabar bem. 
E não acabou para tanta gente ! Pessoas que foram trabalhar alegres e bem dispostas, que não resmungavam com a família por causa de escadas ou de dá cá aquela palha, saíram e não tornaram a entrar. Tantos milhares... e nós vimos todo aquele horror, e o mudo não voltou a ser o mesmo.

O tempo passa, mas a memória não deixa esquecer.

Também sei exactamente onde estava no dia 25 de Abril de 1974 : às 8 horas da manhã estava a entrar para uma aula de Inglês no Liceu Rainha D. Amélia, completamente alheia ao que me rodeava. Não tive medo, mas o meu mundo não voltou a ser igual.

4 comentários:

  1. foi um dia marcante. por acaso fiz mesmo agora um post no meu blog sobre esse dia. este dia esta viralmente colocado em todos os blogues, normal, ninguém esquece :(

    http://ocarteiravazia.blogspot.pt /

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  2. Faz parte daqueles marcadores que deixam marca no livro das nossas vidas. :\

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  3. Foi um daqueles acontecimentos de tal modo marcantes, que todos nos lembramos do momento em que soubemos o que se passava. O mais engraçado é que eu também estava em Portimão, mas só soube a notícia mais tarde, quando fomos ao Modelo ( ainda era Modelo) por volta das 16 horas .

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  4. Portimão mudou TANTO nos últimos 10 anos, que avançámos na direcção a Lagos e parámos em Alvor, que por enquanto se enquadra na nossa definição de Férias :D

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É aqui que me mandas dar uma curva