quinta-feira, 21 de março de 2013

Às Voltas com a Língua da Sogra: Queres fiado, queres ??

"A moral da arte reside na sua própria beleza." Gustave Flaubert











Portugal e o Google  comemoram hoje o Aniversário de Rafael Bordalo Pinheiro. 


O Boldalo é um velho conhecido da casa da Bisavó Júlia , da casa da tia Adelaide e da casa da Mãe.



A Bisavó Júlia tinha um ror de peças do Bordalo, desde Zé Povinhos em N posições e actos provocantes, passando por Polícias e  meninas com cestos de pão, flores e frutas, cujo conteúdo era uma peça móvel que funcionava como tampa a um guarda-jóias de loiça, acabando em alguma loiça das Caldas mais tradicional e também brejeira, sapos, frutas, peixes e hortaliças e duas ou três das famosas canecas.


Como boa sogra, a bisavó Júlia deixou em herança os seus pequenos tesouros, não repartidos pelo triunvirato da sua prole, mas à única filha mulher capaz de lhe seguir os passos e transmitir o gosto pelas faianças decorativas. 


Durante os muitos anos da sua vida, em Natais ou aniversários, presenteava a Tia Adelaide a Mãe com uma ou duas peças da Bisavó Júlia, pois sabia o gosto e o cuidado que a Mãe lhes dispensaria. Também ficou com a mãe a gravura a preto e dourado do egrégio Manuel dos Toiros, o tetravô moço forcado que nos seus tempos foi uma intrépida celebridade.


Depois de 2005  e devido a problemas de saúde  viu-se a Mãe forçada a trocar a casa de Belém, na rua onde nascera, onde tinha nascido o seu pai e onde deu à luz os seus filhos ( com a vista mais deslumbrante sobre o Rio Tejo de montante a jusante de que a Sogra tem memória), por um primeiro andar com elevador, igualmente calmo e espaçoso, rodeado por um amplo espaço verde mas emparedado em concreto.

Temerosa pelo empacotamento e manuseamento das suas preciosidades durante a mudança e querendo deixar uma marca por mais ténue que fosse no panorama patrimonial português, a Mãe contactou um museu e transaccionou os seus "meninos" para que o mundo também os pudesse admirar. Claro está que se arrependeu, que ficou triste e saudosa, mas dentro duma vitrina num canto escuro não teriam o impacto que o seu gesto seguramente lhes proporcionou.

Assim sendo, e sem "Bordalos" em herança, a Sogra terá que se contentar em fazer os seus próprios manguitos o melhor que conseguir, apelando à sua memória das várias situações esculpidas em porcelana pelo Mestre, em que o  seu role model, o Zé, o tal,  era exímio em expressar os seus sentimentos com a exuberância que lhe conhecemos e em imortalizá-los para a posteridade. 


PS.: Que descanse o genrinho e não se tome de cuidados, porque a sogra está apenas e só a ilustrar uma recordação
 e (ainda) não a preparar-se para algum choque de titãs...

2 comentários:

  1. Em casa da minha avó também havia muita loiça das Caldas, couves frutas. Tinha até uma terrina- lombardo. Marina

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  2. Eu ainda tenho cá por casa uns pratos folha-de-couve :D:D

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É aqui que me mandas dar uma curva