terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Uma história de Governo


“We're something, aren't we? The only animals that shove things up their ass for survival” - Papillon



Como sou uma pessoa que gosta de seguir as tendências, vou falar de livros.


Sim, porque eu leio livros… e revistas… e o Borda d’ Água… Lamentavelmente, não leio as coisas da moda, por isso não me posso pronunciar acerca delas, nem posso criar tendências a pôr toda a gente a ler Corto Maltese … até o porque costumo ler em francês (cof cof) e há para aí TANTOS intelectuais que nem português sabem escrever… não estou sequer a ser crítica, como poderia ? Eu, que saramagueio a pontuação que é uma dor de alma !!

Este fim de semana deu-me mais uma travadinha na forma de (mais ) uma crise de ciática. É muito chato. Nem tanto a dor, que se vai mitigando com balas de um analgésico radioactivo, mas a sensação de se ser perneta; é a síndrome do Long Jonh Silver… ando a arrastar uma perna de pau e a tropeçar em todas as imperfeições do chão… e depois ainda há o purgatório das escadas…

Isto para dizer que o meu humor não era dos melhores, que não tinha maneira de estar sentada, de estar deitada, de estar em pé… uma seca brutal. Peguei num livro que já li três vezes desde os meus 17 anos, e empreendi uma quarta leitura.

Gosto de ler o Papillon. 


Conta a história dum homem injustamente condenado por assassínio ,  sentenciado à prisão perpétua e enviado para o degredo da Guiana Francesa, posteriormente para a Venezuela e Colômbia, logrando sempre  fugir.
Tido como um romance autobiográfico, é agora considerado um romance narrativo em que o personagem é um sumário de vários companheiros de degredo e das suas vivências no exílio.
Foi adaptado ao cinema em 1973, e o desempenho de Steve Mcqueen foi brilhante, se bem que para quem já tivesse lido o livro, o filme tenha deixado um valente amargo de boca.




À luz da actualidade , o livro Papillon explica factualmente o conceito fundamental de “Governo”:


- O Governo é imprescindível á subsistência
- O Governo entra-nos literalmente pelo c* adentro.
- O Governo regula o  futuro das nossas vidas, do meio da m*rda por onde se agita.


Ler livros “destes” não faz de mim  um crânio, porque o autor não era um bêbado drogado e viciado em sexo que escreveu coisas controversas e chatas, mas é  disto que eu gosto, minha gente… 

Quem achar que as quinhentas e tal páginas são um suplício intransponível, sempre pode ver o filme e comentar como o maior conhecedor literário do mundo !!

Papillon

7 comentários:

  1. Ah, agora já percebi... Uuuuuuuuui, ciática dizem que é de morrer! Coitadinha da Maria.

    Mas sim, o Paipillon é boa leitura para esquecer as dores próprias e pensar nas alheias ;)

    Quanto à BD na língua original, moi aussi je lis français et j'adore! :))))

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  2. Sabes que lhe imagino uma voz quente... não o consigo imaginar a falar português... então PT-BR até me arrepia...

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  3. Acho que vou ler... 500 páginas é um número muito simpático. 500 é para os principiantes :) E gosto da tua pontuação

    DESBOCADO!

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  4. A história é muito actual, se a quisermos ver como metáfora à presente conjuntura... e o "governo"... sempre na m*rda...

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  5. pássaro viajeirojaneiro 25, 2013

    Um bom livro soberbamente bem escrito.
    E sim, ver o filme é adulterar completamente a beleza do descritivo.
    Por isso não vou ver Anna Karenina no cinema, como não vi Guerra e Paz nem nenhum filme adaptado da grande literatura.


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  6. Verdade, amigo Pássaro... mas olhe que gostei da "Insustentável Leveza do Ser", do "Perfume"... peso que foram bem adaptados.

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  7. Se é essa a edição que tens do Papillon, então temos a mesma. A minha está velhinha, velhinha por ter sido já tantas vezes manuseada entre mim e o meu pai (o filho ainda não se aproximou deste).
    Já o li umas QUANTAS vezes e fico sempre em choque, como se fosse a primeira vez!

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É aqui que me mandas dar uma curva