segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Bom Ano Novo !

Você não pode impedir que os pássaros da tristeza voem sobre a sua cabeça, mas pode, sim, impedir que façam um ninho no seu cabelo.  - Provérbio Chinês


Faço votos para que o ano que vai entrar vos seja frutuoso.


Saúde
                          Paz
          Trabalho
                                     Paciência
Calma
                    Alegria




 Um Grande Abraço para todos os que aqui vêm e que ajudaram a pintar a minha vida com tons mais alegres. 

Bem hajam e bom 2013

sábado, 29 de dezembro de 2012

Oops ! I did it again !!!



"Mas o que sou eu então?
 Uma coisa que pensa.
 E o que é uma coisa que pensa?"- René Descartes


Quem me conhece pessoalmente, ou mesmo só desta coisa dos blogs, de ir aqui e ali de vez em quanto escrever umas larachas, tem-me como uma pessoa perspicaz qb , que vai dizendo umas coisas acertadas e com algum humor.

Eu, com toda a modéstia que me assiste,  considero-me muitíssimo mais astuta e sagaz do que qualquer um poderá imaginar ( parafraseando um "Influente" blogger :"Cof Cof" ) … ainda as ideias vêm no ar e já as estou a apanhar, e raramente há algo que escape à minha análise meticulosa e mordaz. Olho de lince, língua afiada, toma e embrulha…

A minha percepção do Mundo é astuta e sempre vigilante… SEMPRE vigilante… SEMPRE



Aqui há uns tempos fui com o Marido às compras numa grande superfície comercial. Enquanto ele com as lunetas empoleiradas na ponta do nariz, procurava o 560 nos códigos de barras dos produtos, eu ia seguindo calmamente a dissertar sobre as propriedades e benefícios das bagas Goji. Depois de pesar duas beringelas, três courgettes e um pimento de cada cor enquanto tagarelava alegremente, agarrei-o por um braço e impeli-o na direcção dos escaparates das frutas uns passos mais à frente. Realmente na altura surpreendeu-me bastante a sua relutância e forte resistência em me acompanhar...  
Que raio é que o prendia à caixa dos tomates chucha ?!? Já tínhamos concluído que não eram Espanhóis e inclusive pensei que ele andava com os tomates na mão… num saco que tinha ido pesar. Chiça, pah, que coisa ! Voltei-me para ele ao mesmo tempo que proferia pespineta : “ ’Tão ??”
… e foi quando dei de caras com um perfeito  desconhecido, completamente apavorado por estar a ser arrastado com alguma violência por uma maluca que falava sozinha e lhe perguntava se tinha os tomates pesados… alguns metros atrás, o Marido tinha a cara mais vermelha do que os ditos que trazia no saco, de tanto rir à custa da minha atrapalhação…

Está visto que daí para a frente em todas as reuniões de família, a “Cena dos Tomates” passou a ser contada e recontada até à exaustão.




Tudo bem, que rir é saudável e é bem feito, porque que a displicência deve ter um preço, e como diz o ditado " À primeira, qualquer cai; à segunda, cai quem quer... por isso, "barracadas", no more...para além de que eu tenho que manter os meus padrões, ora essa !!




Ontem… pumba ! Here I go again … no balcão de reclamações duma outra superfície comercial, quando confundi um rapazola  com o meu Genro-to-be, o agarrei por um braço e lhe chamei “filho”… bem, nem queiram saber a cara que me fez… assim tipo “Olha olha a velha maluca a ver se me engata… Arrgghhhhh”… Credo! Eu , uma Cougar !? … quando o único Cougar que conheço é ( ou era) o Mellencamp !!!!

Ritalina,já ! … antes que me aconteça trazer para casa o Brad Pitt e deixar o Marido sufocado debaixo da filharada da Angelina Jolie !

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

SOGRA !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


“Adão era o mais feliz dos homens: não tinha sogra.”- Sholem Aleichem


Os nossos filhos são sempre os nossos bebés, nem que vivam 100 anos e andem de bengala. São a “ Fininha” a “Menina” a “Chiquinha” a “Charroquinha”… sei lá … uma miríade de nomes ternurentos que para nós têm um significado carinhoso, uma grande cumplicidade, uma carga de imenso amor, enquanto que quem vem de “fora” e nos ouve pronunciá-los, há-de seguramente pensar que não temos os 5 alqueires bem medidos.

Como é normal e inato nos seres humanos, amamos incondicionalmente os nossos filhos, queremos o melhor para eles, e o melhor nunca, mas nunca é demais.

As minhas duas Pérolas são o meu orgulho e a minha grande Paixão.


Na noite da consoada, o meu Futuro-Genro-Mais-Velho, pediu a minha Pérola Maior em casamento dum modo lindo, romântico e surpreendente, que nos pôs a todos a chorar de baba e ranho e que me restaurou a esperança no género masculino, mostrando que um homem pode ser emotivo sem vergonhas nem falsos pudores , criando um momento de pura fascinação que a todos deixou em suspenso. Foi um Sonho de Natal.

Hoje, já refeita dos momentos mágicos, caí na realidade da minha iminente condição de SOGRA !

Eu não tenho nada contra as sogras, muito pelo contrário: a minha sogra é uma santa senhora que sempre me tratou com toda a deferência. Pode ser que a distância de 300 quilómetros tenha ajudado, mas à minha sogra só posso tecer elogios.

A dicotomia genro/sogra  tem sido ao longo da existência humana motivo para todo o tipo de ditos e piadas:

“Como saber a diferença entre tragédia e desgraça? Tragédia é quando uma onda gigante vem e leva sua sogra, desgraça é quando o mar devolve”

Ou então:

“Em dia de tempestades e trovoadas o local mais seguro é perto da sogra, pois não há raio que a parta”

E ainda :

Sogrinha, eu gostava tanto que a senhora fosse uma estrela!
- Ah sim? Porquê?
- Porque a estrela mais próxima está a milhões e milhões de kms da Terra.





E é assim, que uma pessoa habituada a rir-se de si própria, vai ter que se habituar a rir ainda mais e a levar a vida numa “naice” ,não deixar que a sua condição de sogra lhe afecte o julgamento e interiorizar que não ficou sem a filha, pelo contrário, ganhou um filho, que até é bom rapaz, que gosta mesmo muito da sua filha,  que a trata bem apesar de lhe chamar “Sogrinha” (Eheheheheh) e que tem a vantagem de não lhe ter dado trabalho a parir… afinal estou a queixar-me de quê ??

domingo, 23 de dezembro de 2012

É Natal

"The only blind person at Christmas time is he who has not Christmas in his heart."- Helen Keller






Com muita paz, Amor e Fé no porvir.

Beijinho. D.



..."Then He smiled at me, pa rum pum pum pum 

sábado, 22 de dezembro de 2012

Diário do Fim do Mundo


"Eppur si muove!" Galileo Galilei



A sério que ontem me fartei de esperar…. Andei por aí a cirandar toda a manhã às voltas com aqueles afazeres que os homens não admitem, mas as mulheres praticam em larga escala  – aliás não conheço sequer uma mulher que fique em casa sem fazer nada….

Depois fui a casa da Mãe, porque com tanta conversa idiota nos programas nacionais de audiências bombásticas, tipo Querida Júlia que tem o Tarot da Maia e tudo (!!!), supus que a sua ancianidade não lhe desse o discernimento necessário para separar o trigo do joio das notícias e estivesse muito assustada e não quisesse deixar transparecer. Nada disso !!! Estava a ver as suas novelas – umas 80, sei lá-  na base do zapping, nem por isso me passou muito cartão, e deglutiu vorazmente os chocolate chip cookies que lhe levei, tipo provisão para uma semana.



Bolas ! ... Que cabeça a minha !!!

No caminho para a minha marcação de manicura, reparei que não tinha trazido o meu kit de sobrevivência, directamente importado  da Rússia e que conservo sempre junto à porta da rua para qualquer emergência, num saco do SuperCor, para dar mais sainete. Tem, entre outras coisas imprescindíveis,  cereais, uma barra de sabão, um canivete, pastilhas purificadoras de água, um estojo de primeiros-socorros, velas, uma caixa de fósforos e uma garrafa de vodka.


Era suposto acompanhar-me para onde quer que fosse, mas esqueci-me de todo. Gelei ! Tenho que ser prática e inventiva qual MacGyver, e em caso de emergência conseguir safar-me mesmo sem o  bendito kit. Isto é tudo uma questão de   concentração -  tipo “Oooommmm” -  e celeridade: 

- Cereais – Camisa 100% Algodão… o Algodão é uma fibra obtida pelo cultivo duma planta... marcha.
- Barra de sabão – O ginásio é meias portas. O chão do Balneário masculino deve estar pejado delas…
- Canivete – Estou na Manicura !  Posso muito bem afanar um  alicate de unhas e uma lima…
- Pastilhas purificadoras de água – ora bem… se a treta do kit nem sequer traz uma garrafinha de água, as pastilhas serão para meter onde ??? … deixei o pensamento on hold para mais tarde…
- Velas - pois… tenho um isqueiro, recordação dos meus tempos de esbelta fumadora… com uns fiapos de camisa, numa repartição pública ali em baixo ( Finanças, da Segurança social, Centro de Emprego) onde os funcionários passam a tarde a fazer cera, talvez me safe…
- Garrafa de Vodka – Suponho que para além da função de arma de arremesso quando começar a ser atacada por zombies, é bom para fazer dormir… até já tinha feito um letreirozinho e tudo a dizer “Wake me up when December ends”
- Estojo de primeiros socorros -  Hummmmm… depois de emborcar a Vodka, penso que mais perna, menos braço, mais orelha, menos mão,   não irei seguramente dar por nada…  

Com o reconfortante pensamento de que apesar de ter dois terços dos neurónios queimados pela fermentação alcoólica dos derivados do açúcar que devoro diariamente, ainda tenho dois dedos de testa, continuei o meu dia, com compras, arrumos, jantar… sempre a olhar pela janela, sempre com um olho no burro e outro no cigano enquanto o Passos Coelho falava no Parlamento… sempre à espera…

Hoje, quando acordei , realizei que estava no mesmo sítio onde ficara antes de adormecer e fiquei um bocado desapontada… tantas expectativas, e nem um Annunaki jeitoso me invadiu … Acordei o Marido, e disse :” Bora lá, que temos 10 penduras para o cozido”... 

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

O Fim da macacada



"O fim justifica os meios."- Niccolo Maquiavel  ( ... e o meu "meio" que precisa de urgente "justificação" e tudo...)


Então, já é 6ª Feira ??


Bolas… nunca mais é 6ª Feira, pah !!! Que seca !!!  Já tenho aqui 12 edições diferentes de “Os Maias”, porque diz-se que só se aperceberá da Mudança, quem conhecer “Os Maias” a fundo, e eu, que gosto de estar sempre actualizada e não quero perder pitada, até aluguei uma primeira edição na Biblioteca para que não me escape nada !!!



“Estamos nos direcionando para uma dimensão onde o amor, a verdade, honestidade, caridade, os bons pensamentos e emoções reinarão. Todos estão se encaminhando para o "shift" dimensional? Sim e não. Sim, porque eventualmente todos os seres humanos chegarão lá. Não, porque de início apenas alguns terão a capacidade para realmente compreender e assimilar o que está realmente se passando com seus corpos, espíritos e mentes.”*

“Verdade, honestidade, caridade”- Estou a prever um grande evento, onde o Gasparzinho, o Sócrates e a Jonet, como paradigmas desses mesmos valores e sob conjuntura astrológica auspiciosa , distribuem wine and roses por todos  os Portugueses, para os ajudar a conseguir atingir o tão almejado plano superior, uma “nova dimensão e mais um capítulo da história da humanidade terá se iniciado de fato.”* ... Só espero que, à semelhança de muitos outros planos anteriores, este não saia também furado...


No que me diz respeito, e antecipando o que se irá passar com corpos, espíritos e mentes, espero que a mudança me tire uns bons 3 ou 4 centímetros nas ancas, que tenho medido religiosamente numa base diária e até agora nada, apesar de rezarem as premonições que a Grande Mudança teria início no dia 12...


 
Sim, porque a elevação pessoal no meu caso, só será seguramente possível com uns quilinhos a menos, e eu que acredito na perfeição do Universo, pressuponho que o dito crie a tal harmonia Mens/Corpore , and don’t miss the target   ( the target is not at all hard to miss, but you never know...)


Enquanto aguardo por mais um solstício e me embrenho na leitura para tirar a limpo se o Carlos afinal era médico ou astrólogo/astrónomo, porque com "Os Maias" assim na ribalta,  reina por aqui alguma confusão, desejo-vos um bom dia, com “The End of the World, as we know it” … de qualquer modo  estamos tão habituados a apanhar os cacos, que mais fim do mundo, menos fim do mundo, já não aquece nem arrefece.

* Frases de texto sem autor definido retiradas do Yahoo





        Não resisti Eheheheheheheheheheheh

                Já é 6ª Feira !!! 

          Férias do Fim do Mundo !!!     

sábado, 15 de dezembro de 2012

Músicas e Natal


On the twelfth day of Christmas, my true love gave to me...
12 Drummers Drumming
11 Pipers Piping
10 Lords-a-Leaping
9 Ladies Dancing
8 Maids-a-Milking
7 Swans-a-Swimming
6 Geese-a-Laying
5 Gold Rings
4 Colly Birds
3 French Hen
2 Turtle Doves
And a Partridge in a Pear Tree.



Nos meus  anos de inglês no liceu, na altura em que o ensino era a doer e líamos Shakespeare, Milton, Oscar Wilde, James Joyce… todos os anos pelo Natal produzíamos uma pequena peça de 15/20 minutos escrita a 15 mãos (que normalmente acabavam por ser só duas ou três, mas enfim…) sobre uma das obras que tínhamos estudado e cantávamos vários Christmas Carrols, mas sempre sempre The Twelve Days of Christmas, música que a professora adorava e vibrava ao entoá-la connosco.

Não sei bem porquê, nunca fui muito fã de tal canção festiva, porque sempre a achei muito estúpida e não lhe percebia o sentido.

Qual o apaixonado, por muito apaixonado que estivesse , que seria tão estúpido ao ponto de juntar toda aquela tropa fandanga que não servia absolutamente para nada – excepto os anéis de ouro, claro, mas 5 ?!? Seria um para cada dedo da mão??
Se o Marido no tempo em que andava a arrastar-me a asa, se lembrasse de tal despautério, teria seguramente gritado “Ó da Guarda!”, teria fugido horrorizada e provavelmente teria ficado para tia.  Uma pessoa já se vê grega em equilibrar o orçamento numa humilde casinha com 5 divisões, 3 alminhas, dois batráquios felinos e o duende do papel higiénico, quanto mais com toda aquela cangalhada de presente Natalício!


O Pai era doido pelo Natal. Adorava decorar a árvore, levava-nos a todos à noite à Baixa, bem embrulhadinhos em casacos, gorros e cachecóis, ver as iluminações das ruas e decorações das montras, adorava os doces e os cozinhados… adorava juntar a família à volta da árvore e entoar os cânticos de Natal só com as luzes do pinheiro ligadas e a piscar.

 

 Ainda choro que nem uma Madalena com a sua música preferida “The Little Drummer Boy”. O Pai tinha bom gosto, e também não era grande amante da perdiz na pereira, por isso não fazia parte do repertório familiar.







Só há bem pouco tempo, com o aparecimento duma melodia que “went viral”, vá lá saber-se porquê, chamada “ E o Pintinho Piu” , é que condescendi com aquela música de Natal, porque em termos de estupidez, como diria Camões” Outros valores mais altos se levantam”…


Isto tudo por nada e porque ontem , na Minha Guerra, um dos meus piquenos informou-me que ia seguir uma carreira  paralela como “cantor”; fez-me ouvir umas gravações terríveis e tendo eu alegado muito ruído nas mesmas, cantou ali mesmo, ao vivo, a cores, unplugged e sem voz nem afinação. 
 O pior mesmo é a convicção e o empenho que ele pôs na actuação …
Ainda não me recompus.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Lavagens com a minha tia

"Os avarentos não crêem numa vida por 

vir, para eles o presente é tudo.
Honoré de Balzac


Puxando um avarento de um pataco 
Para pagar a tampa de um buraco 
Que tinha já nas abas do casaco, 
Levanta os olhos, vê o céu opaco[...]

João de Deus


Quando Dickens escreveu o Conto de Natal, inspirou-se seguramente no modelo Tia Adelaide. A Tia Adelaide, irmã do Avô Américo e filha da Bisavó Júlia era uma mulher e pêras.  Não era uma beleza e sempre foi “adoentada”, recitando o seu rol de maleitas a todos os que com ela privassem, mas sobreviveu a dois maridos, a uma crise económica com consequências financeiras desastrosas , à tuberculose e ao tempo.

 Nasceu com a República em 1910 e cresceu com as dificuldades comuns às pequenas famílias das classes trabalhadoras de então. Foi servir para um palacete na Lapa com 9 anos de idade. Com 13 foi trabalhar para o Confeiteiro ( a Antiga Confeitaria de Belém) a embrulhar rebuçados. Aos 18 casou com o Tio João, dono de mercearias e bem na vida. Aos 22 era viúva, sem dinheiro e sem saúde, sobrevivente à consunção que lhe levou o marido.

Era prima direita da Rosalina e do querido Francisco Gomes, e as noitadas de fado com a Amália deram-lhe animo e forte determinação. Ganhou forças para seguir em frente e começou a vender frutas e legumes numa pequena banca do Mercado de Algés. O negócio depressa prosperou e a vida floresceu de novo, tendo contraído segundas núpcias com o Tio Marcelino, excelente pessoa mas mais dado ao descanso do que ao trabalho, o que tornou a Tia Adelaide num Scrooge de saias, que administrava a casa e os negócios com mão de ferro e unha de fome.

Como família tradicional,  passávamos os Natais sempre todos juntos, sempre às dezenas, sempre com muito barulho, sempre com muito comer e sempre com uma panóplia de aromas fantásticos.

Um Natal, há muitos, muitos anos, o Pai foi presenteado com um estupendo peru ,  que tinha tão somente o pequeno problema de estar vivo. Claro está que a Tia Adelaide - A Velha Máquina, como era carinhosamente apelidada - se propôs logo a tratar da saúde ao bicho. Munida duma garrafa de bagaço, alguns jornais, uma faca e um alguidar ( como nos romances eheheh ), fechou-se com a imensa ave na marquise da casa de Belém. Ainda a vi dispor os instrumentos de degola qual Dexter avicida, e literalmente montar o bicho. Depois só ouvi.  Ouvi o estrondo, o espalhafato, a gritaria, a tragédia, o horror… Então segundo rezam os anais, foi bem sucedida na decapitação e no sangramento da ave, mas não esperava que depois de morto, o peru se revoltasse e corresse pela varanda fora sem cabeça, aspergindo gotas vermelhas de vida por todo o lado e num último torpor vingativo, entornasse o alguidar do sangue que correu livremente pelo ralo para o quintal da vizinha, pintando um dripping digno de meter qualquer Pollock num chinelo. Aquele não foi com certeza um Natal Branco, mas foi bem lavadinho.

Mesmo com a família a diminuir, a tradição manteve-se e continuámos a passar Natais juntos, com peru na mesa , mas de preferência assado (um mimo de crustáceo cozinhado com muito amor e paciência ), bem acompanhado com Roupa Velha, Arroz de Miúdos, batatas novas com alho, alecrim e mel, castanhas e esparregado com puré de alho. 




A Tia Adelaide marcou presença enquanto a deixaram as suas 95 primaveras, levando-nos às lágrimas com as suas tiradas filosóficas enquanto ruminava vorazmente sem qualquer dente ( placa, só para a fotografia...) vários pratos de comida. Aceitava alegremente todas as partidas que lhe faziam (como a Mousse de chocolate com azeitonas, na qual achava os pinhões muito rijos…)… era uma personagem e tanto. Agora é mais uma linda recordação no Panteão das Memórias Felizes da nossa vida.


                                          

domingo, 2 de dezembro de 2012

Amor em Palco de Guerra

"Lembra-te de esquecer." - Emmanuel Kant


Nunca me canso de falar na Minha Guerra. De todas as guerras é a guerra mais aguerrida que conheço: é estranha, é divertida, é alienante,  é surreal… é a Minha.



Como já contei em escritos anteriores (1)(2)(3)(4)(5), a Minha Guerra é praticamente uma guerra mundial, onde Friends or(and) Foes de todas as nações, raças e credos , se cruzem e interagem diariamente, deixando-nos frequentemente  com um sentimento de gratificante realização pessoal, que relega quase sempre qualquer ponta de fadiga física ou psíquica para 2º plano.

Tem sido recitado através dos tempos na sempre proficiente sabedoria popular , que “quem vai à guerra, dá e leva”. Noutros tempos, talvez fosse inquestionável, mas nos dias de hoje, o moto é outro : “quem vai à Guerra, não dá e depois não leva”…

E perguntam vocês : “-  Que raio é que isso quer dizer ??”

E respondo eu : “- Toda a população civil que passa pela Minha Guerra traz consigo objectos pessoais necessários aos seu dia a dia. 
Mergulhados num mundo de deleite e estonteados  com as maravilhas com que se deparam, deixam ao partir muitos dos seus bens para trás – um espólio que guardamos religiosamente no caso de a curto prazo  poder ser reclamado, sendo posteriormente remetido para as autoridades competentes que lhe darão o tratamento que a Lei prevê"


Senão vejamos alguns exemplos:



Documentos e Cartões, telemóveis, máquinas fotográficas, aparelhos de GPS, carteiras, lenços, óculos de sol, casacos, chapéus, guarda-chuvas, livros, acessórios diversos,DINHEIRO !! 




Dentre as mais variadas coisas deixadas para trás na debandada, gosto sempre de salientar as bengalas e canadianas, prova provada de que a Minha Guerra é benéfica a todos os níveis, se não mesmo milagrosa,  porque é claramente um local onde entram pessoas coxas  ou estropiadas e saem na boa, deixando os bordões para trás , sem nunca mais se lembrarem que alguma vez deles necessitaram, porque poucos foram os que voltaram para reclamar tais objectos.
 Temos no nosso rol dentaduras postiças, seguramente de  alguém que depois duma visita achou por bem fazer dieta do modo mais tradicional e garantido – deixar de comer. Temos aparelhos de ortodontia… temos chaves de automóveis…  Ó meus amigos !!! Quem raio é que vai para algum lado no seu belo carrinho, esquece a chave numa Guerra qualquer e não volta para a buscar ?? Expliquem-me lá como é que regressa à origem ???

Vou acabar esta dissertação sobre objectos estranhos com que os civis minam a Minha Guerra, falando sobre o mais recente ACHADO num recipiente para lixos ( sim, porque a Minha Guerra é uma Guerra muito limpinha!! ), na linha da frente, mesmo à entrada : um… âââ.. como direi… massajador facial de formato fálico ?!?? … Esse é um daqueles objectos que eu adoraria ver quem o viesse reclamar…

Obs.: Enviaram-me um e-mail a perguntar se eu pertencia às Forças Armadas... aproveito para esclarecer que a Minha Guerra, é o meu trabalho, a minha luta, igual a tantas outras lutas de tantos milhões de almas. Talvez quem me escreveu tenha pensado reconhecer algum graduado nas descrições que fiz da minha gente, mas asseguro que qualquer semelhança com membros das nossas FAs é pura coincidência.

sábado, 1 de dezembro de 2012

A Cor e o Dinheiro


"O maior pensar da criatura humana é comer; desde que o homem nasce até que morre anda a procurar o pão para a boca."- Padre António Vieira


Eu sou uma tipa meio pelintra…


Faço compras no Dia, no Mini-Preço, no Jumbo, no Continente, no Pingo Doce… Ontem armei-me em Super-Tia e fui visitar as novas instalações do SuperCor no Restelo.



 Informo desde já que estou proibida pelos médicos de fazer compras no supermercado do El Corte Inglés. 
Como o tabaco, a erva ou a coca, ir ao supermercado do El Corte Inglés significa para uma cozinheira- gastrónoma uma adicção incontrolável… Ele é todo o tipo de cogumelos, malaguetas,ervas aromáticas frescas, fruta e outros legumes com aspecto divinal, ele é a carne ( tem Posta Mirandesa !!!) , ele é o peixe, as azeitonas (aiiii), ele é sobretudo a charcutaria, com toda aquela panóplia de queijos que me deixa de cabeça  à roda. 

Antigamente havia uma qualidade de queijo chamada Rabaçal, que se assemelhava muito aos queijos artesanais da minha Tia Maria Adelaide de Rodeios e que eu comia enquanto houvesse e ficava a chorar por mais. A Tia é uma saudade, o queijo também.  Mas é que não há nada parecido à venda em lado nenhum… só no SuperCor… 

Dado a recusa da parte da família em me acompanhar (principalmente devido ao pesadelo do silo do estacionamento), e do meu Sponsor nos AA ( Alarves Anónimos) me ter dito que o primeiro dos 12 passos era admitir uma adicção e o segundo controlá-la, deixei-me de SuperCor , por ser longe e porque também deixei de fumar, raios! Sou pelintra, mas tenho garra! 

Mas a vida surpreende-nos com aqueles twists irónicos de que é tão capaz:  abriu um SuperCor a 5 minutos a pé da Minha Guerra… Ontem, qual viciado,tive uma recaída e lá fui eu, expectante e ansiosa. Não me defraudou em nada as expectativas. Não tão grande como o central, este satélite preenche todos os requisitos que possam alimentar-me… e às minhas adicções.


Dizem os antigos que os olhos também comem; os meus são  do mais alambazado que existe e perdem-se nas cores, brilhos e texturas. É daquelas coisas que são inatas : olho para uma curgete, salta uma receita, olho para uma beringela, salta outra… e  a mim só me faltava salivar.


E desengane-se quem pensa que abrir uma nova área comercial nesta altura seria um risco mal calculado. Como é do conhecimento geral, os preços são um bocado upa-upa, mas se formos ver bem, a relação preço qualidade existe e é compensadora: Estava literalmente CHEIO! Qual crise, qual carapuça! 

Lá vim com um carrego considerável, e hoje já passei grande parte da manhã a dar largas á imaginação e a deixar as papilas gozar por antecipação.

Trouxe o prazer no sabor, no cheiro, na cor… um pequeno luxo que a minha peralvilhice ainda pode pagar… Para a semana estou lá caídinha, ó se estou !!