quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Victor/Victoria ?!?- Ná !


"E amanhã não seremos o que fomos / nem o que somos." - Ovídio



Hoje é 4ª Feira…. Como é habitual às 4ªs Feiras, estou de licença da Minha Guerra, e posso levar o dia como me der na real gana.

A ideia é sempre dormir até partir e depois cirandar por aí em arrumações e afins, porque isto duma mulher ficar em casa a descansar, é um mito urbano: nunca dá para estar parada.  É por isso que depois de me propor dormir até vir a mulher da fava,  me encontro sem sono nenhum e às 8 da matina estou a olhar para ontem e a remoer a minha desdita.

Um clarão na varanda que está transformada em escritório capta-me a atenção “- Que raio, ainda há pedaço estava sol…  “ Na minha cadeira da secretária ,  estava uma tipa gorda com ar desmazelado mas brilhante, como se tivesse despejado na cabeça um balde de purpurinas da loja dos chineses. Peguei logo no taco de basebol que tenho sempre á mão para  as invasões domiciliárias“- Calma D, calma! Não me reconheces? Sou a tua fada madrinha ! “

Como poderia eu reconhecer tal trambolho, se nunca lhe tinha posto a vista em cima em toda a minha vida ??? “ – Eu sei,  eu sei … tenho sido uma pessoa muito pouco presente na tua vida, mas tenho mais afilhadas e muito pouco tempo. Só que nos últimos meses tens sido demais. As tuas queixas são constantes; passas o dia a carpir as tuas mágoas e a reclamar de tudo e de todos, e francamente lá na Fadolândia também precisamos de descansar e as tuas lamurias nem dormir nos deixam. Como é época de promoções, e tu queres porque queres, porque almejas desesperadamente por uma mudança, estou aqui para te conceder esse desejo : vou transformar-te num homem!!”.

Perante a minha expressão de estupefacção, continuou  ”- É pegar ou largar ! Olha que há para aí muito quem queira e estou a oferecer-te a TI em primeira mão,  com 80% de desconto, pago a 36 meses , TAEG 21,3% - é uma oportunidade única, vá decide-te”

Envolta num turbilhão de pensamentos e perante a pressão constante do pespego , tentei pesar os prós e os contras : “- Lavar roupa/Estender roupa/Passar roupa: nicles- contra! Cozinhar, aspirar,limpar pó, limpar cozinha e banheiros: nicles-contra ! Poder vestir-me na Pull&Bear, andar de barco engravatado, usar calças vermelhas e achar-me o suprassumo da batata: Yep! – Pró! Poder escrever blogues snob-chic, ver coisas da minha janela, gostar de vinho e encantar gajas com a minha prosápia, ou ser um génio e escrever tretas que ninguém percebe sobre autores que ninguém gosta e ter uma audiência de fieis comentadores que não percebem puto do que estão a dizer, mas dizem,  porque comentar posts intelectuais faz deles outros que tais, nem que seja por osmose, yep! - Pró !  Posso também escrever sobre sexo bruto , com palavrões e imagens proibidas a menores de 18 , e pôr o mulherio cheio de comichões…yep! Pró ! .. Ehpah !! A coisa parece que promete...

 “- Ó fada madrinha, posso escolher o gajo em que me vai transformar ?” – “ – Olha lá, com um desconto destes e a pagar a perder de vista não estás á espera que te transforme no Hugh Jackman, pois não ? … O negócio é o seguinte : não precisas ir ao Ângelo Ribeiro por teres as mamas nos joelhos, e ficas com um “órgão” diferente sem precisares de cirurgia intrusiva . De resto, o corte do cabelo, a barba na cara ( já vais no bom caminho) e o guarda-roupa é por tua conta. Dois ou três gargarejos com bagaço dão-te aquele tom tão másculo na voz, e é tudo." 
“- Então e o que é que eu digo ao meu marido ?... é que eu acho que ele vai dar por isso, vai,  e não acredito que fique encantado com os resultados…”
 “- Isso é problema teu, mas se ele quiser também uma transformação, talvez ainda se arranje uma com um número acima do dele, mas que com uns arranjos é capaz de servir. Não está é com uma promoção tão grande, e tem que ser paga a pronto”

A ideia de ver o meu rapaz de leggings tigresse e top com decote generoso , dois tamanhos abaixo do dele a sair de casa todas as manhãs de malinha ao ombro para o Aeroporto revolveu-me as entranhas, e num repente peguei num braço do tropeço alapado na cadeira e pedi-lhe que se pusesse na alheta, porque não estávamos interessados. Ainda me tentou convencer, oferecendo-me como prémio um dia de spa, para fazer  vinhoterapia ,  mas não me demoveu. Só queria mesmo era vê-la pelas costas. Nem lhe ofereci um cafezinho… também nem tenho cá a maquina, está avariada e foi para reparar. 

domingo, 25 de novembro de 2012

Falar para o boneco...


"Há pessoas tão aborrecidas que nos fazem perder um dia inteiro em cinco minutos." Jules Renard


- Já viste que tempo de m*rda ?


- O ser humano é muito inconstante, caraças… passo o raio do Verão todo a queixar-me do tempo, e porque está quente, e porque tenho afrontamentos, e porque não aguento, e porque suo como um cavalo, e porque raios partam a porcaria do calor, e porque nunca mais acaba esta trampa e vem o frio… sim, porque o frio é bom e a malta controla o frio com a roupa, enquanto o calor é incontrolavelmente sufocante e não dá para andar nua...ainda matava alguém do coração... nunca me almejei serial killer, pah...


- Então não me dizes porque é que tenho os ossos húmidos, os olhos fechados de inchados que estão e o nariz a pingar?? … Então não é o frio que é 5 estrelas !?!?... Parece-me é que já não sei bem o que é que quero…



- Sabes, duma coisa tenho a certeza: sou seguramente uma reclameante profissional. Passo a vida a reclamar de tudo e de todos. Passo a vida a reclamar da própria vida e nunca estou satisfeita com coisa nenhuma. Reclamo do tempo, do trabalho, do governo, da casa, dos gatos, dos achaques da idade, do barulho, do silencio, reclamo porque sim, reclamo porque não, reclamo porque…reclamo…


- Tu sabes bem... passas tempo suficiente comigo para me conheceres de ginjeira... sabes que eu sou assim... só desabafos... muita parra e pouca uva... fogo de vista... muito barulho por nada... 


- Achas que estou a ficar uma chata? … É que por vezes dou pelos meus interlocutores a responderem-me com monossílabos ou simplesmente sons… Sintomático, não achas ? Penso que me estou a tornar na minha Mãe muito mais depressa do que gostaria… Não me interpretes mal, pah ! A Mãe é uma querida, adoro-a, mas é TÃOOO chata… Ó pra mim, que não devo estar muito aquém… Provavelmente já há quem se benza quando me telefona, e reza para que a seca seja levezinha…





- Pah, tem lá paciência, mas uma pessoa tem dias ( até tem muitos) que está um bocado desanimada e precisa de desabafar. És um bom ouvinte eu sei. É por isso que falo tanto contigo… nunca me fica aquele amargo de boca, aquela sensação desagradável de quem esteve horas a fio a falar para o boneco… 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Madness


"É uma infelicidade da época, que os doidos guiem os cegos."- William Shakespeare


Todos temos a nossa dose de loucura, que passamos a vida toda a tentar rastrear, conhecer,  manobrar e conviver.
O que é que nos faz diferentes e ao mesmo tempo tão iguais ,não é o conhecimento, nem a habilidade, nem a agilidade, mas sim a capacidade de controlar o animal que somos, de domesticar a selvajaria que nos assola, de reprimir a raiva que nos sufoca. O ténue verniz da civilização que nos reveste, estala ao mais pequeno toque  e a bestialidade que vive sob o polimento solta-se e vocifera e mata e esfola e grita e espuma e arranha…


O que é que nos faz rir incontrolavelmente de coisa nenhuma, o que é que nos faz chorar convulsivamente por nada, o que é que nos faz gritar desvarios a plenos pulmões sem  qualquer razão ?
Na era da tecnologia, onde tudo está ao alcance dum clique, ainda não há como medir a loucura, e o clique é por vezes o bastante para virar tudo de pernas para o ar.



Se eu hoje aventar uma opinião considerada polémica, sou rotulada de louca. Amanhã, noutra latitude, a mesma opinião com toda a controvérsia inerente, pode ser considerada uma tirada genial


"A ciência não averiguou ainda se a loucura é ou não a mais sublime das inteligências." – Edgar Allan Poe


O louco mais louco, debaixo da sua capa de sanidade, é provavelmente menos suspeito de ser louco do que os reconhecidamente loucos, que não tentam sequer esconder a sua loucura .


"Afinal, quem é que tem a pretensão de não ser louca?... Loucos somos todos, e livre-me Deus dos verdadeiros ajuizados, que esses são piores que o diabo! "Apesar de tudo, a loucura não é assim uma coisa tão feia como muita gente julga. Há tantas loucas felizes!" – Florbela Espanca


Mais valia não ter escrito nada, do que estar para aqui a extravasar loucuras…


“Se o cavalo tivesse conhecimento da sua força, seria tão louco que se sujeitasse ao jugo, como acontece ? Mas, caso ele se tornasse sensato e se libertasse, então dir-se-ia que tinha enlouquecido.”- August Strindberg

terça-feira, 20 de novembro de 2012

I love the smell of napalm ....


We skipped the light fandango
turned cartwheels 'cross the floor
I was feeling kinda seasick
but the crowd called out for more
The room was humming harder
as the ceiling flew away
When we called out for another drink
the waiter brought a tray
And so it was that later
as the miller told his tale
that her face, at first just ghostly,
turned a whiter shade of pale


O dia de ontem na Minha Guerra foi quase de trégua total. Um daqueles dias em que os soldados dão uns tirinhos e depois de verem que não há resposta “de lá”, aguardam que chegue a contra-ofensiva, que se afigurou esporádica e fraca, com umas investidas mais fortes aqui e ali, mas basicamente frouxa, como se o inimigo não tivesse balas para gastar.

Estando eu de revista à messe, a minha presença é requerida na linha da frente, onde alguém pediu para falar com o oficial de dia.

Duas simpáticas senhoras aguardavam que lhes pudesse dar a informação necessária para uma acção de reconhecimento, situação que segundo as normas de serviço, deverá ser explicada e posteriormente remetida para as altas esferas no quartel general, donde sairá o parecer.
Uma das senhoras que trazia consigo publicidade institucional que ilustrava o pedido, quando separou o panfleto para mo entregar, deixou-o cair no chão e rapidamente se baixou para o recuperar.

 Foi aí que aconteceu…

Booom !!! Estourou um morteiro !

E perguntam vocês: “-Estourou um morteiro?!? “

E respondo eu:”-Pois foi… um traque monumental, ruidoso, e com um rasto de destruição que se podia cheirar a quilómetros”


Acredito que já tenha acontecido a toda a gente. Falo por mim, que já tive dois ou três episódios idênticos, e o embaraço foi tanto que acho que o arco íris não é suficiente para descrever as tonalidades de desespero que me ensombraram o semblante.

Como em tudo na vida, somos sempre compelidos a rir das desventuras dos outros. Quem nunca riu à gargalhada quando viu alguém estatelar-se ao comprido no chão ? Está bem que acorremos a ajudar quase de imediato, mas o primeiro impulso é rir, ou não é ??? …Nem acredito se me quiserem impingir o contrário !!! …É primário,  básico e incontrolável !!


E eu, como bom animal humano que sou, acredito que … sorri. Disfarcei, mas seguramente que devo ter exteriorizado o frémito interior. Também penso que me recompus depressa e bem, mas a pobre senhora não. Ficou de todas as cores, passando no espaço dum minuto do vermelho vivo ao pálido embaraço. 

Estávamos no único local da Guerra onde havia alguma acção, e o estrondoso episódio foi efectivamente presenciado por mais de trinta pessoas, e garanto que todas elas tinham estampado no rosto aquela expressão imbecil do “faz de conta que não dei por isso”. Eu constatei o facto; ela também .


Como é que se tranquiliza uma pessoa completamente transtornada por ter involuntariamente feito uma figura ridícula com uma plateia considerável a assistir ? Não sei, não faço ideia… até porque o que ficou no ar não foi o amor… mexia com o faro e não era nada agradável.



Atrapalhada, a senhora embrulhou rapidamente a situação e em posse dos contactos necessários saiu o mais rápido que conseguiu.



Num dia sem história, foi sem dúvida uma presença ATORDOANTE.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Noves fora, NADA !


"Os factos são teimosos." Vladimir Ilitch Ulianov

Não sou uma pessoa de trato fácil.

Sou uma tipa porreira e bonacheirona, tenho sentido de humor( muito negro, mas sempre muito), gosto de rir e fazer rir, de piadas inteligentes e trocadilhos, de conversar , de barafustar, de reclamar, de ralhar, mas sempre com conta peso e medida, e não, não tenho dois pesos e duas medidas. Muitas vezes, por mais que me custe, ou há igualdade, ou comem todos, sabendo de antemão que uns são mais todos que os outros, mas enfim, tem que ser, porque a justiça é cega, e eu considero-me uma pessoa justa.



O PM que nos assiste ( ou então não), visitou ontem a Minha Guerra.

Sonhei centenas de vezes com o que faria se tal acontecesse; ensaiei até as falas para que saíssem primorosamente, com todas as palavras bem pronunciadas, dicção perfeita e voz bem colocada.

… Acontece que ontem, assim como anteontem, foi dia santo: são os dois dias do descanso do guerreiro, os dois dias em que dispo a farda e deixo a pele do Panda do Kung Fu pendurada num cacifo do 2º andar, e me dedico àquelas coisas a que eu gosto de me dedicar quando não tenho que ir para a beira mar pelejar . 

E foi assim que eu perdi a oportunidade de dizer ao PM que eu ajudei a chegar ao poleiro do poder, aquilo que me roí por dentro, que me envenena a alma e tolda a razão. Gostava de poder encará-lo, olhos nos olhos, e dizer-lhe que ele é um puto irresponsável, que cresceu sem nunca saber o que são dificuldades, um fraco,um impreparado, que se rodeou de gente imprestável e incompetente, um embusteiro contumaz, e que há-de ficar na história pelas piores razões, ou então nem isso, porque é certo e sabido que dos fracos, não reza a história.

Acredito que se estivesse estado na Minha Guerra ontem teria tido o gosto de encarar o homem de frente … e não lhe teria dito nada… afinal um oficial tem que honrar a farda e não pode  ser polémico: deve ser apartidário, aclubista, agnóstico… deve ser profissional.
Tem que ser experiente e sábio... 

Tenho o conhecimento com que a minha idade e anos de trabalho me contemplaram, e acho que é muito fixe ser-se intelectual e ter-se a erudição conferida pela leitura de meia dúzia de livros que explicam as coisas da vida. Então e vivê-las na pele, não conta ?
Quem fala de ânimo leve sobre revolução, greves, manifestações, violência, direitos, termos que conhece tão bem da sua ficção literária e que em 74 e 75 ainda estaria seguramente no limbo da sua existência, não sabe MESMO o que é a realidade fora da simbologia das páginas de um qualquer tomo escrito por um qualquer génio de QI à potência N.

A realidade não se aprende em livros nem se explica por uma fórmula matemática. A realidade está lá fora e apodera-se de todos os outros sentidos que não só a visão... a tal, a dos livros que os autores XPTO escreveram no conforto dos seus sofás, a tal que ninguém percebe mas todos entendem, porque é fixe ser-se intectual e entender coisas sem nexo. 
A realidade é física, há que vivê-la, senti-la,  para poder tirar a prova dos nove… senão é mesmo “noves fora -  NADA

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Farniente....




Fazer greve não é uma forma de luta.  Não concordo com greves. Greves são mais uma forma de destruir o País e a economia que já é praticamente inexistente.




Às organizações sindicais com orientação Marxista-Leninista-Estalinista-Maoista que convocam e organizam greves como a de hoje, pergunto quais os exemplos de greve em países com orientação política de esquerda, que tiveram impacto suficiente para derrubar um governo ou implementar uma mudança radical na política do país, exceptuando as dos estaleiros de Gdańsk em 1980, que foram o ícone da mudança nos países da Cortina de Ferro.

Gostava de ver uma greve  num país com um regime comunista e uma ditadura de esquerda … é só lembrarmo-nos dos protestos na Praça Celestial (Tian'anmen) em 1989, e da brutalidade com que foram reprimidos.

Esta gente que pusemos ao leme deste rectângulo á beira mar plantado, não vai lá com greves, e depois do vergonhoso investimento na segurança da Madrinha há dois dias atrás, ainda nos fustigará com mais impostos…  greves à parte, não alterará um milímetro aos impostos que vamos nós, trabalhadores e empresas ter que pagar, para além de não recebermos o dia que, apesar de justificado, foi de não comparência ao serviço... Ah...mas fizemos greve, lixámos os gajos !! Quais gajos ?! Greve pela culatra, é o que é...


Esta semana deveria ficar para História como a Semana Negra da Vergonha.


 Foi a semana em que nos rebaixámos á condição de capachos e recebemos uma megera com a pompa, circunstância, segurança e opulência que não temos. Que Vergonha !!!

 Foi a semana em que o País parou para protestar. O que é que adiantará parar para protestar ??? Ainda me lembro que a seguir ao 25 de Abril e com a economia de rastos, nos foram pedidos dias de trabalho A MAIS para ajudar o País, e estes sindicalistas da treta, estes teóricos do socialismo e da igualdade ainda nos param o raio do trabalho mais um dia, como se anteontem não bastasse !!! Que Vergonha !!!


Eu estou em casa… estou de folga… como sou do contra, apetece-me ir trabalhar só para contrariar. Porque é que não se fazem greves e grandes manifestações aos feriados, por exemplo ??? Ah!! Já sei… são dias para não fazer nada, pah !!!...

Faço minhas as palavras do Senhor Presidente da República, venerando senil que reside em Belém á conta dos contribuintes 1, quando era Primeiro Ministro:

 “DEIXEM-NOS TRABALHAR !!!”

(1)    Sabiam que os presidentes eleitos depois da implantação da República PAGAVAM RENDA para morarem no Palácio de Belém ????



Belém na 2ª Feira 12... cenas dignas do Castaway, com meia dúzia de Tom Hanks a olharem com caras de parvos para centenas de polícias, que nem atravessar a rua deixavam, e sem terem uma bola que batesse bem, como o Wilson para desabafar...isto é de gente normal ? Os deslumbrados do Governo massacram-nos com a crise e gastam milhões numa m*rda destas ? Estará tudo a dormir, como Belém esteve na 2ª Feira passada ??

sábado, 10 de novembro de 2012

Trick and "Treat"....


"É sem dúvida mais fácil enganar uma multidão do que um só homem."- Heródoto


Este ano, à semelhança de tantos outros,  preguei a minha partida de Halloween e por mais incrível que pareça toda a gente acreditou (!!!).


A foto no Facebook com o comentário “A porta já lá estava... distracções do diabo...” teve MUITO mais impacto do que estava à espera. É que para além dos habituais comentários que eu tratei de desmistificar imediatamente ( pois o Marido deixou de achar graça no momento em que recebeu um telefonema a insinuar problemas conjugais… :)), o telemóvel não parou de tocar ou receber SMSs a desejar boas melhoras.



Quando no dia seguinte voltei à Minha Guerra, quase toda a gente olhava estupefacta para a  minha cara, pois estavam provavelmente à espera do tal olho à Belenenses ou até mesmo óculos escuros,  para mascarar uma história surpreendente em como tinha ido de encontro a uma porta ou batido com a cara na bancada da cozinha.


Fiquei a saber que alguém fez o download da foto e como as “Pombinhas da Catrina”, tinha andado de mão em mão , e já se tinha cozinhado uma história apimentada da minha pessoa(!!!!) pega em flagrante com o leiteiro, o padeiro, os homens das entregas do Continente Online, o Corpo de Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Famalicão, sei lá… qualquer coisa de extrema gravidade que terá despertado a fúria homicida do Marido (!!!) … E já se sabe: quem conta um conto, acrescenta um ponto, e como tal deviam estar a contar que eu aparecesse também manca e de braço ao peito… Como já tive a oportunidade de explicar, a população da minha guerra é maioritariamente masculina… homens.. está tudo dito.



Para meu castigo, esta semana tive uma crise aguda de sinusite, que não me deixou os olhos  "azuis", mas mais a parecerem duas batatas gordas e conseguir abri-los de manhã é um cabo dos trabalhos. O mais estranho é que chego à Minha Guerra ainda completamente transfigurada, e ninguém repara… porque não tem sangue, nem está negro….


A Minha Guerra, é uma guerra  séria, violenta, louca, mas muito gira,  se bem que os soldados, ( como já mencionei algumas vezes(1)(2)(3)) nem sempre joguem com o baralho inteiro... 
Ontem à noite, telefonaram-nos da TSF a perguntar quais os nossos planos para 2ª Feira… Business as usual, porquê ?!?! … é que  “Vamos ter a visita da Senhora Merkel “… eeeeee ?!?!?!... ainda pensei que o tal Fim do Mundo do tal Calendário Maya tinha sido antecipado do mês que vem para o próximo dia 12 … é que já estou por tudo... nunca se sabe que raio é que esta trampa de governo irá alterar a seguir…

PS.: Não posso deixar de referir que a comunicação social anda completamente louca com o "encerramento" de meia Lisboa devido à visita de "alto risco" da Chanceler Alemã. Por estes lados, a partir das 2 horas de 11 de Novembro, começaram a impedir estacionamentos e rebocar carros. Diz ainda quem sabe, que quem quiser ver a figura em Belém, terá que ficar na Avenida de Brasília, ou seja, para lá da linha do comboio !! Malta !!! Toca a trazer o telescópio !!! Ó valha-me Deus !!!!

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Me, Myself and I.....


"Viver torna-se uma tão estúpida obsessão que dormir bem - sempre mais do que se precisaria, esticando a ronha até ao limite do olho fechado - é cada vez mais considerado como um abraço acamado que se dá à Morte. Que disparate: dormir é viver bem."Miguel Esteves Cardoso


Que grande confusão

Não estou habituada a ter muita gente em casa a não ser quando tenho a família reunida para jantar e tenho que andar numa fona dum lado para o outro…

Isto de ter alguém na cozinha à volta com os meus tachos e panelas faz-me um bocado de impressão, porque ninguém está autorizado a mexer nos meus utensílios de cozinha !!! O lava-loiças está apinhado… pessoa desarrumada ! Para fritar um ovo, suja 3 frigideiras !! … soa a coisa familiar…



No quarto revolve-se o roupeiro… 
”- Peraí, que isto não é o What not to Wear, e os fatinhos e vestidinhos dos casamentos não são para mandar fora !!!!” … nunca se sabe quando é que eu volto a conseguir caber num deles, ou quando é que poderão ser necessários para a vida social agitada que eu costumo levar… sempre posso combinar com umas meias de descanso ou um par de sapatos ortopédicos… Isso NÃO !!! A minha camisa hippie em cetim roxo, jamais(leia-se jámé)… pshhhté , largue lá o colete de pelo de camelo, que ainda vai voltar a estar na moda  !!!!!!!!!!!!!!! – vou-me é embora daqui que isto mete pilhas… assim não sai nada do armário… soa a coisa familiar…


Raios… quando preciso ir … porque preciso  ir, está sempre ocupado…. E há que tempos que está lá gente … e nas duas !!!! … e com a água a correr há quase meia hora !!! “ Oiça lá, não pode fechar a torneira enquanto se ensaboa??”… é que a água está cara e o gás nem se fala e não é para estar para aí a correr de castigo… é tipo  “ Que se lixe… está quentinha e sabe tão bem”, não é ??? … soa a coisa familiar…


Olho para a sala e vejo os meus batráquios felinos alapados num colo e penso “Traidores!!  “, colo quentinho é colo quentinho… só querem comer,  dormir , festinhas e calor… estão gordos que nem uns texugos e pesam… Ahahahah… Bem feita !! … alguém já está desconfortável com 7 quilos em cima do diafragma e outros 7 em cima da perna esquerda… soa a coisa familiar…


Bolas, nem o meu refúgio escapa… está por lá alguém espojado com o meu livro na mão a ver a SIC notícias e a fazer zapping para o Food Channel,  diz mal do Governo, atira com alguns impropérios ao Relvas e maldiz o tipo que não lhe afiambrou um par de estalos nos Açores, ao mesmo tempo que aponta meticulosamente uma receita de Butterscotch… soa a coisa familiar…


Eu acho isto tudo muito confuso,  e confusões já bastam as da minha guerra, aqui em casa é para tentar estar sossegada… é por isso que não digo mais nada. Estou calada, quieta, quentinha… e a babar-me na almofada…  Bolas !!!!! … já são 11 da manhã !!!! Raios ! Não posso  adormecer  a ver o Identity…

sábado, 3 de novembro de 2012

O Fim



"Aproximo-me suavemente do momento em que os filósofos e os imbecis têm o mesmo destino."- Voltaire




Este é um post parvo.


É sobre O Fim....


Quem é que gosta de ler coisas secantes e deprimentes acerca da morte ?



Eu , que costumo gravitar pelas novidades da blogosfera e dos Blogs que costumo seguir, se me deparasse com uma dissertação sobre a iminente mortalidade de todos nós, saía do raio da página a sete pés, porque coisas que nos ralem já nós temos QB na nossa vida, e não precisamos da opinião destrambelhada duma tipa que escreve umas coisas de vez em quando.

Podem não querer a minha opinião, mas eu dou-a na mesma. É de borla e só lê quem quer. A morte é a única certeza que temos na nossa vida a partir do exacto minuto em que nascemos. Não escolhe hora ,idade, sexo, religião, raça ou extracto social. Chega quando quer, é silenciosa e eficaz , e nós deixamos de ser.


E perguntam vocês: “ – Hoje ‘tá-te a dar, não ?!??”

E respondo eu:” - Quando um rapaz saudável com 28 anos se senta a ver televisão e a mulher o encontra morto uma hora depois, vítima duma embolia, dá que pensar, não dá?”



Dá que pensar e muito, naquilo que não queremos pensar. Já vos aconteceu num “Dia Não”, na véspera dum exame médico mais específico, por exemplo, olhar para o espelho e pensar “- Se calhar já estou morta e ainda não dei por isso”…

Eu acho que não tenho medo da morte. Acho hoje… daqui a uns tempos e algumas doenças, se calhar mudo drasticamente de opinião. Não perco tempo a pensar se morrer é o final. Não me interessa, não quero saber… nunca ninguém voltou para contar como foi, por isso é coisa que não me preocupa. Não gostava de ficar para aí a vegetar sem noção do tempo e do espaço, sem conhecer ninguém, sem controlo das minhas funções psicossomáticas. Poderá ser a morte pior que a completa perda de dignidade e humanidade? Poderá ser a morte pior que o sofrimento atroz duma doença terminal ?

Faço mil e um malabarismos para não ter que acompanhar funerais, mas sei que há um em particular que por muito que não queira, não posso deixar de comparecer.


Quem é crente reza pelo reino dos céus, por um paraíso, seja em que religião for. Eu sou crente á minha maneira e no fim espero poder encontrar paz.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Toda a Verdade


In vino veritas Plinio



O chamado néctar dos Deuses, é coisa que não me diz muito. Na minha família, tanto do lado do Pai, como do lado da Mãe, bebia-se moderadamente e às refeições. Consumiam-se socialmente outros tipos de bebidas alcoólicas, principalmente nas reuniões de fim de semana da entourage, e só tenho ideia do Tio A ser menos tolerante às espirituosas e, com o espírito a extravasar, tratava de  fazer a festa, deitar os foguetes e apanhar as canas, para deleite dos demais. Era figura de proa deste grémio de saudáveis malucos, que recordo sempre com tanto carinho.


Sendo o Marido um Verde ( de consciência ecológica, de clube, da Terra Verde do Norte, onde tem origem o Vinho com o mesmo nome… ), seria natural que tentasse acompanhar as suas preferências de consumidor moderado da sua bebida de eleição, mas não consegui.




E perguntam vocês:”- Então D, custava muito acompanhar o Marido às refeições, como casal maravilha que são, e tomar com ele um copinho de vinho ???”
E respondo eu:” – Quem já bebeu um vómito, que atire a primeira pedra!!!”



Pois é, rapaziada, vinho verde TINTO, o tal, o bom, o da Terra, não é para qualquer um, e sobretudo não é garantidamente para mim.





Mas eu tentei , pah !!!  … Depois do casamento, fomos para o Minho, conhecer o resto da (muita) família que não veio a Lisboa para o enlace.

 Quem conhece as gentes do Minho, conhece a generosidade e o calor com que recebem as pessoas. Lá na Terra, porta sim, porta sim, morava um tio, um primo, uma madrinha ou um padrinho. Porta sim, porta sim eramos sempre recebidos com um lanchinho, onde constava invariavelmente o jarro de Verde Tinto gelado, vindo directamente da adega. Ao princípio, eu debicava a comida, mas o bicóque, jamais ! (leia-se jámé). Com o passar do tempo, tive a vaga sensação que não me gramavam… a mim, que era uma querida, uma linda, o cúmulo da simpatia, um doce de pessoa….

Um dia, em se aproximando a data da viagem anual á Terra, manifestei o desejo de se não realizar desta vez, pois a tal sensação de exclusão ainda permanecia mesmo passados alguns anos. Finalmente o Marido teve a bondade de me explicar que eu não me entrosei nas tradições deles: pouco comia e não bebia, e que isso me qualificava como uma niquenta fedúncia de Lisboa. Choquei !!!!!!!!


Decidida a dar uma volta de 180 graus ao meu prestígio no Minho, decidi começar a emborcar de “pénalti” todas as malgas daquela nojeira carrascuda, que me pusessem á frente, aquele fel  que deixava as alvas tigelas tintas de sangue e a minha psique  transtornada.

Eu, que sou uma piquena que se gaba de memórias nítidas dos seus dois anos de idade,  deixei de ter memória dos dias que passava na Terra, onde no Inverno o Café do Mata-Bicho era pingado com “branquinha” , e eu amanhecia  e continuava completamente zombificada  durante praticamente todo o dia e  maior parte  da estadia.

Com a idade, veio a sabedoria do provar, gabar e (Blarrrghhh) saborear em pequenos sorvos, de modo a nunca ter a malga vazia e não haver chance de a voltarem a encher.


Só com a idade veio o deslumbre e a capacidade de conseguir apreciar condignamente toda a magnificência do Gerês, mas ao Vinho Verde, ou mesmo ao Vinho em geral, deixo para os poetas, músicos  e cantores a sua apologia, porque eu não me reconheço  mérito para tal, nem hoje nem nunca.