segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Mão de Obra


"A mão que embala o Berço,é a mão que governa o mundo"Victor Hugo

... e não só...




Já vos falei da minha guerra: é um micromundo, cheio de gente, luz e sombras,  sabores, barulhos e personagens castiças.



A minha guerra ao Domingo é quase uma Guerra Mundial, palco de gentes de muitas nações, credos e locuções.





Os soldados são verdadeiros gladiadores que vão conquistando terreno passo a passo, numa luta muitas vezes desigual. Como na maior parte das guerras a sério, muitos são atingidos e ficam temporariamente incapacitados pelo friendly fire, o que na hora do rush, é um pesadelo.


A hora do rush, normalmente compreende as horas da tarde até ao escurecer,  em que depressa e bem é moto, a adrenalina ultrapassa a barreira do som, e a energia irrompe muitas vezes em acções impensadas, mas de um modo geral, é mais frequente disparar-se para o ar palavras que geram confusões , algumas vezes de proporções imensas.



(Abro um pequeno parêntesis para deixar extravasar os pensamentos que me assolam nessas alturas : 
Gostava de poder estalar um chicote e ladrar meia dúzia de impropérios alto e bom som , de preferência em alemão, coreano, bantu, ou qualquer outra língua áspera  que tivessem o efeito de surpreender e atemorizar a caserna, para conseguir ordem nas hostes e conquistar mais rapidamente alguma normalidade nas funções)


Ontem foi a Crise dos Bules ( ou Cubas, ou até mesmo Bulls, para parecer mais cosmopolita), mesmo depois de ter informado que uma tarde com autismos e birrinhas não ia acontecer…  No meio de cantilenas, assobios e uivos (!!), conseguir algum silêncio é um feito considerável, e conseguir entender o cerne dos problemas, então nem se fala. 

Um dos soldados, que até por sinal é um dos bons soldados, queixava-se muito amofinado que estava a ser deliberadamente prejudicado por quem lhe fornecia o armamento, ao mesmo tempo que ostensivamente agarrava com uma mão uma nádega do soldado que estava ao seu lado, e que parecia nem se incomodar ou estar sequer a dar por tal - síndrome de futebolista-em-campo ???



“ Escute , está falar a sério, certo ? – Claro que estou ! – Então quer que eu leve em conta o que me está a dizer, verdade?  - Claro que sim ! É que tem sido toda a tarde… - Então tire lá a mão do rabo do outro e repita lá tudo mais devagar …. “


No fim e como de costume, a montanha pariu um rato e no dia seguinte o episódio até irá dar origem a algumas larachas e muita risota. 
Nas horas mortas vão-se contar os feitos e as peripécias e vamos acabar como sempre começamos, um por todos, e todos por um.

sábado, 27 de outubro de 2012

A Montanha Mágica


“Conheço muitos que não puderam quando deviam,

 porque não quiseram quando podiam.”

François Rabelais



Há lá melhor prazer na vida do que comer ?

Pois, dirão vocês, claro que há !

Ora, direi eu, é tudo uma questão de prioridades…


Cenário nº 1 : Uma piquena chega a casa cansada, farta de ver gente e ouvir barulho, com dois salgados,  um sumo e 4 cafés no bucho, ducha-se… e faz o quê ? Veste uma lingerie sexy e espera que o Marido chegue, deitada languidamente em posse provocante ?-  Uéééééée -  ERRADO ! – Não está para aí virada! Está resmungona, irritada e irritante, e com vontade de dar um pontapé ao desgraçado do gato que está ronronar e a pedir festinhas…




Cenário nº 2 : Uma piquena chega a casa cansada, farta de ver gente e ouvir barulho, com dois salgados,  um sumo e 4 cafés no bucho, ducha-se… e faz o quê ? Veste-se confortavelmente, vai para a cozinha, põe o avental do Manneken Pis e prepara uma boa refeição – tosta com ovo, maionese e ovas de salmão ( o caviar dos pobres),

 penne rigate com um molho de pesto cujo aroma a manjericão fresco toma todos os sentidos de assalto, nuggets de frango panados com amêndoa ralada, salada mista com dressing de mostarda, mel , balsâmico e miolo de nozes ,

 e para sobremesa, trifle de frutos silvestres,
tudo acompanhado com sumo de melancia,  laranja, limão e morangos… 



...na prateleira do meio do frigorífico ainda repousa um fresquíssimo requeijão de Seia e uma embalagem de uvas pretas sem grainha; no despenseiro estão religiosamente guardados dois frascos de doce de abóbora com nozes da Tia Dores… just in case…. 



 Depois de se oferecer e às papilas gustativas uma experiência única , inolvidável e de inebriante  deleite, e de se sentir relaxada, espreguiçada e de bem com o mundo , aí sim, os sentidos estão despertos e irrequietos, prontinhos para o trick or treat, e como já tiveram treats… leeet’s beee  trickyyy!!!!!




Pois, e tal,  é tudo muito giro, mas a montanha de gordura que se acumula na linha de cintura e que contraria qualquer estilo ou tendência da moda é o preço a pagar pelos momentos de prazer intenso que a pantagruélica degustação proporcionou.  É um alvo a abater, mas é um alvo difícil. É abominável tentar fazer abdominais. Pessoalmente, estou quase a conseguir concluir  o meu primeiro ! É escusado ! Todos os esforços são em vão … a balança não mente e foram 5 quilos á viola, mas a montanha de banha continua a circundar-me magicamente, como se de uma bóia salva-vidas se tratasse. Dizem que ande a pé , que faz bem… até parece que passei  a vida a andar de gatas, ou a fazer o pino. Ginástica localizada… Depois de muito procurar no Google Maps, ainda não a localizei… Ó pá… quero lá bem saber destas tretas todas. Para o ano faço dieta, e seguramente não vai ser porque escolhi fazer. Até lá que se lixe. Acabei de fazer arroz doce, e o cheirinho a canela está a tirar-me do sério… Bye !!

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

As Horas

Em horas inda, louras lindas

Em horas inda louras, lindas 

Clorindas e Belindas, brandas, 
Brincam no tempo das berlindas, 
As vindas vendo das varandas, 
De onde ouvem vir a rir as vindas 
Fitam a fio as frias bandas. 
Mas em torno à tarde se entorna 
A atordoar o ar que arde 
Que a eterna tarde já não torna ! 
E o tom de atoarda todo o alarde 
Do adornado ardor transtorna 
No ar de torpor da tarda tarde. 

E há nevoentos desencantos 
Dos encantos dos pensamentos 
Nos santos lentos dos recantos 
Dos bentos cantos dos conventos.... 
Prantos de intentos, lentos, tantos 
Que encantam os atentos ventos.


Fernando Pessoa  in Cancioneiro


Os seres humanos em geral, e eu em particular, somos estranhos animais de rotinas.
 Quando canta o galo (curiosamente é o meu  toque de despertar) às 5:45h da manhã , eu, como já tive oportunidade de referir , levanto-me ensonada e mal humorada, maldizendo o mundo que me faz levar esta vida de morcego contra a minha vontade, pois que ainda dormiria de bom grado o sono dos inocentes por mais meia dúzia de horas,  pois que anseio que seja dia santo para poder ficar na cama até quando me apetecer e dormir as horas que me der na gana, sem ser escrava do maldito galo, pois que é melhor ninguém armar aos cucos antes de eu tomar  café, para não madrugar mais um dia de elefante.

 Consciente das minhas fraquezas, relego o diabinho que abelhuda no meu ombro esquerdo e que repete incessantemente “mais cinco minutos, mais cinco minutos” e sigo o conselho do anjinho que se dependura do meu ombro direito e que sabiamente me mostra que mais cinco minutos de prazer morfínico redundarão numa correria stressante e num mau começo de dia.


As Quartas e as Quintas Feiras, são dias santos : não tenho que ir trabalhar e consequentemente posso parasitar por casa em pijama, sem sapatos, nem soutien, nem qualquer outra artificialidade a que a minha aparência humanóide me obriga diariamente. Seriam óptimos dias para “dormir até partir”… seriam… mas não são. 

Não sei se é o raio do Morfeu a gozar comigo, porque de quando em vez lhe espeto com uma benzodiazepina em cima para o espevitar a ver se chega mais depressa, ou se são as idiossincrasias dos meus hábitos matinais a marcar posição, o certo é que, por mais que eu queira e tente, às 8 da manhã a minha cama ganha subitamente um colchão de faquir, e acabou-se o descanso.


Deambulo silenciosamente, como uma sombra,  um borrão,  qual entidade fantasmagórica sem força anímica, pejorando as horas que não dormi, até que o aroma e o sabor do café me despertam os sentidos ,  reconfortam os pesares e animam os humores.


Puxo as orelhas ao estaminé, trato dos gatos, adianto o almoço, pego no meu livro de autor-fora-de-moda-para-intelectuais, embrulho-me num polar e respiro fundo.  O tip-tap na janela e a cor plúmbea no céu confirmam as minhas suspeitas : vai estar de chuva… e eu ralada !


sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Que vês tu da tua Janela, D ????



Vejo Beleza e gente bonita!!!


Vem, anda comigo ver os aviões, o céu e o mar !!!


Espreita !!!!






Sempre que a luz for diferente e o céu e o mar mudarem de cor,sempre que o azul for mais aul, o verde mais verde e a chuva cair e lavar o espaço, o que vejo da minha janela terá muito mais para ver !!!


PS.: Todas as fotos foram tiradas pela treme-treme... moi même... ( já comprei um tripé) e a maior parte delas (pasmai) com os meu telefones !!!... daí a c*gada brutal de algumas delas...

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Smile ! :D :D :D


Solitude

Laugh, and the world laughs with you;
Weep, and you weep alone.
For the sad old earth must borrow it's mirth,
But has trouble enough of its own.
Sing, and the hills will answer;
Sigh, it is lost on the air.
The echoes bound to a joyful sound,
But shrink from voicing care.

Rejoice, and men will seek you;
Grieve, and they turn and go.
They want full measure of all your pleasure,
But they do not need your woe.
Be glad, and your friends are many;
Be sad, and you lose them all.
There are none to decline your nectared wine,
But alone you must drink life's gall.

Feast, and your halls are crowded;
Fast, and the world goes by.
Succeed and give, and it helps you live,
But no man can help you die.
There is room in the halls of pleasure
For a long and lordly train,
But one by one we must all file on
Through the narrow aisles of pain.

Ella Wheeler Wilcox


Não acredito que haja muita gente com motivos para sorrir.



O saudoso Raul Solnado, na sua fase musical, gravou um 45 rpm com uma espanholice que se chamava “Es preferible…  reir que llorar”, e deixou como reminder a todos nós,  uma frase memorável : “Façam o favor de ser Felizes”. 







Ora como é certo e sabido que tristezas não pagam dívidas, e que a “nossa” é um Buraco Negro, de que é que seve baixar os braços e enterrar a cabeça na areia ?? Ostrich syndrome é coisa que não me assiste… como diz o Simba ( sim, porque eu vejo filmes de autor) eu rio na cara do perigo, da desgraça, da intolerância, da estupidez, da incompetência.


E é assim que tem que ser. Durante 40 anos de ditadura foram as anedotas, as piadas com duplo sentido, os guiões do Teatro de Revista  (que o Pai me levou a ver ao Parque Mayer), a Parada da Paródia, o Graça com todos, o Vira o Disco, o Teatro Trágico (programas radiofónicos dos saudosos Parodiantes de Lisboa),  que a brincar a brincar diziam as verdades e consciencializavam o povo para a realidade do País.







É por isso que temos que sorrir!  Temos que rir, temos, que gargalhar da desgraça, porque não está sempre atrás da porta e se está , toca a enxotá-la !!





Vamo-nos rir da chuva, e dizer-lhe que está chover no molhado ! Vamo-nos rir do sol, que diz que quando nasce é para todos, e mostrar-lhe que alguns são mais todos do que os outros todos ! Vamo-nos rir da lua, e dizer-lhe que estamos com ela…e de pedra e cal ! Vamo-nos rir do Mar, que diz que há ir e voltar, mas para nós só tirou bilhete de ida!  Vamo-nos rir do Céu, que se diz sempre azul, mas agora tomou-lhe o gosto pelo crepúsculo laranja, e parece que nunca mais  muda !  Vamo-nos rir do vento e dizer que já nem sopra nada de jeito… só se sente uma Brisa ! Vamo-nos rir do Mundo e dizer-lhe que já não o melhor do dito e arredores! Vamo-nos rir do tempo e dizer-lhe "I'm Watch-ing you"! Vamo-nos rir da Crematística e dize-lhe que ainda acabará cremada ! Vamo-nos rir de Portugal e dizer-lhe que nos havemos de voltar a ver na Shutter Island ….





Não é a raiva que faz a mudança: é a determinação, a audácia e o sentido de humor. E nós temos tudo isso dentro de nós, só temos que abrir a porta ,  deixar fluir e dizer o que temos para dizer ... e o Mundo sorri...

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Este país vai ser para velhos




"As crianças acham tudo em nada, os homens não acham nada em tudo." Giacomo Leopardi





As minhas crianças cresceram, amadureceram e estão prontas para dar frutos. Estão prontas para poder conceber e receber as suas próprias crianças, e eu estou mais do que pronta para ser avó.



Gostar, gostava; querer, queria muito; acontecer, não sei…


A juventude de agora que tem 2 dedos de testa, pensa nas consequências antes de consumar os factos. Pensa no amanhã, na renda da casa, na prestação do carro, no preço da comida, no preço da roupa, no aumento criminoso dos impostos. Pensa que criar um filho é complicado, não só a nível das limitações que impõe à vida de cada um, mas também e principalmente a nível financeiro naqueles casais que não têm uma futura avó ou avô reformado e disponível para fazer as vezes de ama ou de infantário.


O quadro de acordar antes do sol , preparar uma criança violentamente desperta do seu sono,  transportá-la como uma trouxa  para depois  a depositar  em mãos desconhecidas  a troco de metade do nosso salário mensal, sem garantias de desvelos que aquietem o nosso coração angustiado, não tem moldura nem cores apelativas, bem pelo contrário, afigura-se triste e tormentoso.


Quantas e quantas vezes se faz ouvidos moucos ao amargurante tic-tac do relógio biológico, só porque não se vislumbra outra solução ?



Acredito que a população Portuguesa entrou numa fase de crescimento negativo : as mulheres têm cada vez menos filhos e cada vez mais tarde.



Por este andar, daqui a mais uma dúzia de anos Portugal vai ser a Gerontolândia da Europa, um recinto de e para a 3ª idade, que como um carrossel gira á roda dum eixo imaginário,  sem qualquer tipo de diversão nem futuro, e em que a alegria dum riso de criança é um conceito descrito em livros de alfarrabistas.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Um Estudo em Verde - Na toca dos Leões



Rugidos estridentes e garras afiadas, são as palavras que melhor definem os  grandes felinos do  covil. Esta é a história de 2 grandes gatos e da sua descendência.




 O Rei Leão, espécime possante,  oriundo dos vigorosos clãs das terras altas do Norte, vivido e sábio, encontrou território de caça por estas paragens inóspitas há mais de 40 anos, tomou como seu o moto verde da pradaria da reserva selvagem  de Fernando Fonseca, e vai levando os seus dias entre muitos tormentos e poucas alegrias, mas sempre com  o coração de Leão cheio daquele sentimento também de cor verde, que torna as suas convicções cada vez mais fortes e inabaláveis. É o macho dominante, o protector e o líder do clã.



A Leoa nasceu em terras alfacinhas num quente dia de Agosto, sob o auspicioso signo de Leão. Pouco dada a clorofilas, tem sangue azul e é  a mais ruidosa do grupo. Já viu melhores dias;  já foi A Leoa por excelência, mas apesar de menos ágil, é excelente caçadora, tem o espírito indomável do antes quebrar do que torcer, e orienta o covil com mão de ferro, caçando dia e noite para assegurar o conforto e subsistência do clã e deixando complacentemente ao Rei Leão a ilusão da autoridade, prestando submissa vassalagem entre patadas e rugidos, mas sempre (  e tão ao jeito de boa fêmea)  uns passinhos mais à frente do que o senhor seu soberano possa imaginar …



Do acasalamento destes portentosos felinos, nasceram duas crias fêmeas, ambas fulvas e formidáveis, ambas geniosas , indomáveis e concretizadoras, ambas imbuídas do moto verde da pradaria que vive no coração de Leão do Rei seu pai, desprezando completamente o sangue azul da descendência materna, porque também elas tomaram por companheiros jovens Leões da pradaria, movidos pelo mesmo sentimento que transforma derrotas em estrondosas vitórias e endurece o espírito, tornando-o impermeável a todas as misérias que lhe possam travar a caminhada ou inundar o percurso.




Uma Leoa é sempre uma Leoa, mesmo quando está em minoria… mas como o clã é gregário e o seu bem estar está acima de tudo e de todos, a Leoa irredutível vai amolecendo e dá por si a vibrar com o conjunto, a aplaudir algo que não aprecia muito, a rejubilar com as poucas alegrias, a consolar as muitas tristezas… em suma a afagar e lamber as feridas, como uma boa matriarca.





É então, que os que estavam habituados a ouvir os seus rugidos à distancia de quilómetros, conseguem somente distinguir um miado tranquilo e um ronronar de felicidade de quem na vida cumpriu a sua missão.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A máquina do tempo




À falta dum DeLorean , a memória é a única e perfeita máquina do tempo que nos deixa visitar uma e outra vez momentos que foram marcos na nossa vida, que nos deixa sorrir alegrias e chorar tristezas, que nos deixa lembrar.
 A vida é um conjunto de vivências e recordações, que o tempo que passa vai deixando cada vez mais ténues…

A minha máquina do tempo não funciona a cascas de banana:  os meus álbuns de fotografias são o mais precioso combustível que a minha máquina do tempo pode ter.  Segurar uma foto na mão, é segurar o tempo que passou, é agarrar aquele segundo importante na nossa vida cuja imagem ficou imortalizada em película e impressa em papel, é prender o tempo e não o deixar fugir nunca mais.

Prendi o tempo na mão e nunca mais o larguei…..Shhhh... Não fales, não vá o tempo assustar-se e querer fugir...


Pai
Mãe












Moi même

Mano Cossaco e Menino Príncipe



















Marido, o Combatente
Menino do Olho Azul

















AQUELE DIA da nossa vida
Pérola Maior













Pérola Menor




Pérolas e Piquenos na Terra no Norte






Momentos de ontem que recordamos hoje, amanhã e sempre , e que a erosão dos anos nunca vai poder apagar.
A melancolia arranca-nos um suspiro sentido, mas também um sorriso e um até já.

Mãe , Pai e a Saudade a espreitar




quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Virtual e Realidade





Segundo notícia avançada hoje pelo Público, a realidade virtual permite ver o cérebro de ratinhos a tomar decisões (aqui).
 
… I wonder…


Será que também funciona com coelhos, bichos preguiça, ornitorrincos, em suma, com outros animais que não ratos ? Funcionará com o animal humano ?



Numa altura em que tudo e todos servem para uma peça documental em qualquer TV, rádio,  jornal ou revista , em que qualquer anónimo bicho careto  é assunto de entrevista ou especulação,  em que  se fazem reportagens enredadas por dá cá aquela palha, seria no mínimo curioso e esclarecedor ver como funciona o cérebro,  quando quem decide toma decisões.

Será que o hemisfério esquerdo se ilumina com as acções da direita ?





Temos a percepção que o Lobo Temporal e o Lobo  Occipital, que coordenam a audição e a visão, devem estar com  algumas limitações : Durante bastante tempo quem decide esteve cego e surdo às consequências das suas decisões… talvez a terapia de choque de movimentos de massas populares tenha ajudado e haja alguma recuperação ? …. Aguardemos.

Constatamos que o Lobo Frontal, que regula a locomoção também não está em pleno funcionamento, porque quem decide, ou não se move per se, ou move-se pouco e de forma entediante e circunspecta;  o mesmo pode  dizer-se do Lobo Parietal e do seu papel somato-sensorial : quem não tem sentimentos nem se sente ( nem sequer sei se é ou não  filho de boa gente…), pouco ou nenhum uso lhe poderá dar.

Se a área de Wernicke está operacional dentro do razoável e quem decide até entende o que se lhe diz,  o mesmo não acontece com a área de Broca ( o que por associação de ideias com o jargão, me leva a crer que andam um bocado under  the influence… ), porque a produção do discurso falado é no mínimo babélica e enfadonha.

Uma coisa é garantida : O Lobo Pré-frontal está seriamente danificado. Senão vejamos :

“O lobo pré-frontal tem como funções decidir que sequências de movimento activar e em que ordem, e avaliar o seu resultado. As suas funções parecem ainda incluir o pensamento abstracto e criativo, a fluência do pensamento e da linguagem, respostas afectivas e capacidade para ligações emocionais, julgamento social, vontade e determinação para acção e atenção selectiva” in Funcionamento global do cérebro 
… e está tudo dito !!!

Hoje é dia de conhecer novas decisões. Se vivêssemos numa realidade virtual e pudéssemos ver o cérebro de quem decide a tomar decisões, veríamos seguramente grande luminosidade nos Lobos temporais : 

 “Os lobos temporais são ainda determinantes para a aprendizagem e para a memória. De resto, as sensações de estarmos a passar por algo que já vivemos - o chamado déjà-vu - podem ser provocadas através de estímulos eléctricos aplicados aos lobos temporais “in Funcionamento global do cérebro.


   
Não acredito que  aqui a realidade se afigure virtual. 
Penso que seja o que for que iluminou o cérebro de quem decidiu, vai ser real e doloroso, e vai criar mais descontentamento e instabilidade.


 Até que ponto, não sei… temos que esperar para ver, porque o povo é sereno, mas está a ficar impaciente, e isto é um país real e não um anúncio da Cacharel .