segunda-feira, 30 de julho de 2012

Neverland



Think of the presents you've brought
Any merry little thought
Think of Christmas, think of snow
Think of sleigh bells Here we go!
Like a reindeer in the sky
You can fly! You can fly!

Quem disse que crescemos a cada dia que passa ???  O corpo amadurece a personalidade  ganha forma, define-se e solidifica , ficamos mais sábios, mais tolerantes, mais sensatos, mais serenos, mas a criança que fomos continua latente no nosso espírito,  sempre  inquieta e imparável, e mesmo 100 anos que passem, ela permanece jovem e turbulenta, a alar a nossa imaginação.


No ano em que a Pérola Menor completou 8 primaveras, decidimos que a comemoração do aniversário cujo número representa o infinito, teria que ser infinitamente especial. Na véspera de manhã de malas aviadas, embarcámos num Airbus da Air France rumo a Orly, onde aguardámos o shuttle especial e “Disneyland, here we go !!!!”



Depois do checkin no Hotel New York atravessámos a Village e já passámos o resto da tarde e princípio da noite no parque.


Eu cresci a ler BD. Eu adoro BD, e os almanaques Disney foram companheiros inseparáveis de muitas horas de viagem e de muitos momentos de tristeza e solidão.
 Cresci a conviver com os Irmãos Metralha, o Donald e os sobrinhos, o Tio Patinhas, o Mickey e o Pateta, a Madame Min e a Maga Patalójika… e de repente estavam todos ali, a falar connosco, a encherem-nos de atenção, darem-nos mimo… e de repente dou por mim a chorar copiosamente perante o olhar comovido ( e algo incrédulo) das minhas Pérolas !  A chorar de saudade ?  A chorar de alegria?  
… A chorar porque ao fim de tantos anos, os meus amigos de infância estavam de volta para afagar com ternura a menina de tranças que acompanhava e bebia sofregamente todas as suas aventuras.


O mundo que a Disney criou é mágico, e se depois de verter aquele caudal de lágrimas me senti um tanto embaraçada, imediatamente constatei que aquele tipo de sentimento de realização pessoal era comum a tantas pessoas da minha idade, que abraçavam chorosos e desinibidos, os seus heróis e  melhores amigos da sua meninice.


As atracções, os shows, as paradas, a noite, o fogo de artifício… tanta cor, tanta música, tanta alegria – tudo nos remete para a nossa infância, e fomos 3 miúdas  malucas durante 4 dias, qual delas a mais travessa e irrequieta.











A Pérola Menor teve um aniversário de truz, com todos os amiguinhos a paparica-la durante as refeições, e sendo sempre chamada a interagir nos  shows e paradas . Está tudo registado em 8mm e sempre que a nostalgia ataca, uma caneca de chá quente, e os filmes da Disneyland operam maravilhas.

As Pérolas voltaram ao Mundo Encantado há cerca de 4 anos e levaram a avó- a Mãe.

Os relatos das peripécias das três estarolas, a alegria nas suas vozes, o brilho nos olhos da Mãe quando regressou, deixaram-me cheínha de  vontade de lá voltar.


Um dia destes pego o meu velhinho por um braço, e levo-o a conhecer os meus amigos de infância…  tenho a certeza que vai adorar. Eu sei que virei mais leve, feliz e rejuvenescida, porque a juventude não se compra em boiões de creme, vem do interior… é só dar um pulinho ali ao lado porque “It’s a Small World, after all”…



It's a world of laughter,

A world of tears.
It's a world of hopes,
And a world of fears.
There's so much that we share,
That it's time we're aware,
It's a small world after all.

It's a small world after all.
It's a small world after all.
It's a small world after all.
It's a small, small world

sábado, 28 de julho de 2012

China


A China ...



...........e as Chinesices ...





Os mistérios das terras e dos povos a Oriente sempre exerceram um poderoso fascínio nos ocidentais. A partir do oitavo milénio  a.C. são conhecidos contactos comerciais entre os povos Europeus e povos do Extremo Oriente  , através da famosa Rota da Seda.

Marco Polo relata-nos em   Il Milione os seus périplos por terras orientais, cheios de aventuras  , tribulações e encanto .


A partir de 1497 com a  descoberta do Caminho Marítimo para a India por Vasco da Gama, tornou-se mais fácil a interação cultural e comercial, e  a evangelização naquela parte do mundo. A presença dos Portugueses nos mares da China foi tão marcante e benéfica, que lhes foi ofertada a ilha de Macau.


A China era naquela altura governada por sucessivas dinastias de Imperadores  proclamados filhos do céu e reconhecidos como divinos dirigentes máximos do mundo. O último imperador chinês foi Pu Yi, o 12ª da Dinastia Qing, forçado a abdicar quando da Revolução Xinhai, a Primeira Revolução Chinesa de 1911.


Sob um regime de expressão popular de esquerda  e isolada do resto do mundo a partir de 1966 quando Mao Tsé-Tung liderou a Grande Revolução Cultural Proletária, a China viveu fechada dentro de si própria durante décadas, até despertar lentamente  para a abertura a uma economia de mercado.

 
Sendo considerada A economia emergente mais poderosa do 
         mundo,

parte das contrapartidas do intercâmbio económico são a atribuição de alvarás a  restaurantes e pequenas lojas de emigrantes Chineses, onde se podem encontrar quase toda a espécie de produtos a preços altamente competitivos.É certo que se a relação preço qualidade é excelente, a última deixa muito a desejar, mas é uma óptima alternativa para consumistas de parcos recursos.


Há tudo no Chinês, e há Chinês em quase tudo. Quando ligamos um interruptor que acende uma qualquer lâmpada em qualquer ponto do país, estamos a contribuir para a riqueza da China. A influência chinesa há muito que ultrapassou a lojinha dos preços baixos, ou o restaurante dos crepes e das das hóstias de camarão, encontrando-se agora patente em quase todos os ramos da actividade  nacional.


Descoberto o caminho aéreo para a Europa, é vê-los entrar e estabelecerem-se… é raro  vê-los sair. Vieram para ficar e quem sabe conquistar o Oeste, um grão de arroz de cada vez.


大哥你!


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Palavras, palavras


Palavras

Costuma dizer-se que para bom entendedor, meia palavra basta… ou bons entendedores são uma espécie em vias de extinção , ou o ditado não pode ser mais errado.


Eu assumo que falo pelos cotovelos e penso que ainda não me calei desde que por volta dos meus 6 meses pedi  um guardanapo. Quantas palavras não terei já pronunciado na minha vida desde esses meus dias de bebé de colo ?


Aprendemos as letras que formam palavras, que formam frases, que nos  ajudam  a comunicar e assim podermos viver em sociedade. É também dito antigo que a falar é que as gentes se entendem… ou então não. Falar cansa, e repetir as mesmas frases vezes e vezes sem conta leva-nos á exaustão.


A palavra escrita 
numa língua comum a todos os que a lêem, não deveria ser o bastante ?  No nosso país não se escreve em cirílico, nem em mandarim, nem sequer em grego, apesar de eu muitas vezes me ver grega para explicar uma simples mensagem, que nem sequer precisaria de explicação. Será que a maior parte desta  população demográfica é míope ???


Preocupa-me que o meu cérebro ainda não tenha feito reboot, e não consiga distinguir os acéfalos dos seres pensantes  e ande a embrulhar tudo no mesmo saco, inclusive ele próprio...
 Será que sofro da síndrome da península e penso que ando rodeada de gente irracional e relapsa por quase todos os lados ?! ( se bem que os seres redondos não têm lados, mas enfim… JJJ )


Quando  “ as palavras, leva-as o vento”, damo-nos conta que estamos a falar “para o boneco”, e seria seguramente mais fácil gravar um CD com a retórica do costume e deixar á mão de semear com a indicação Se lhe faz Confusão, carregue no Botão e oiça a Explicação”.


É certo que estamos a atravessar tempos conturbados, que as pessoas andam alteradas, mais tristes, mais desanimadas, mais cansadas, mas será que isso afecta a compreensão e tornando-a mais lenta e estupidificada?  Não acredito, pela simples razão que a compreensão não é selectiva,  mas  as pessoas só entendem o que lhes convém. Creio sim, e piamente,  que o chico-espertismo voltou a estar na moda( se é que alguma vez saiu) , e as pessoas fazem-se e fazem-nos de parvas .



Para redobrar a capacidade, vou comer uma bela tijela de Sopa de Letras, porque penso que, mais do que dar uma palavra, vou ter que despejar os 3 volumes do Koogan-Larousse .
 





耐心是一種美德


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Branca



Hoje deu-me uma branca




Se abanar a cabeça, oiço ruido de água choca, se fechar os olhos não me chega qualquer imagem, só uma tela cinzenta, como se o filme se tivesse de repente partido.



Estou sem ideias, sem vontade, sem pachorra…. Parece que de repente me fizeram um buraco na cabeça, e o conteúdo escorreu duma vez  deixando para trás um espaço triste e vazio.




Nem consigo projectar o meu dia de trabalho; normalmente enceno mentalmente dois cenários possíveis, um bom e um mau, e preparo-me para a luta… depois há sempre o melhor ou o pior de um dos dois, mas aí entra o improviso e a solução no momento e de acordo com a situação .


Tento ter sempre um pensamento positivo e boas energias, mas hoje não tenho nada: nem energia, nem pensamento.
Vou beber um café, contar aviões e tentar fazer reboot ao sistema.





quarta-feira, 25 de julho de 2012

Bruxo !!!!!


Bruxo !!!





Citando o conhecido ditado  galego, tão popularizado entre nós pelo Homem de la Mancha, yo no creo en brujas pero que las hay las hay…






Ontem quando cheguei em casa, a Pérola Menor esperava-me para me dar um miminho e receber dois ou três. Estavam a anunciar as cenas dos próximos capítulos, de O Astro, nova novela da TV Globo, remake do sucesso bombástico de 1978, e que entre outras tramas,  conta os mistérios de Herculano Quintanilha, vulgo professor Astro, um charlatão envolto numa aura de mistério, que por meias palavras vaticina acontecimentos futuros, e dá motes à resolução dos enigmas do presente.



Dou comigo a pensar que quero um Astro ! Á falta duma Sibila,  ou duma Meiga Gallega com pelo na venta e voz aterradora, quero um professor Banfa, um SôZé,  pode ser mesmo o professor Alexandrino … até já me contentava com  o Tarot da Maia…. Algo eficaz que me limpe do enguiço, do  encosto, do mau olhado, sei lá, de todas as idiotices em que não acredito, mas que me vão caindo em cima “like a ton  of bricks”….


A vida é repleta de momentos mágicos, por isso a magia faz parte do nosso dia a dia. Mas convenhamos que ultimamente só me saem Voldemorts na rifa, e eu sem uma capazinha da invisibilidade nem nada parecido para ajudar… sim, porque é sabido que “quem tem capa, sempre escapa”, e escapadelas são  algo que decididamente não me assiste .


Hoje vou sair de casa  mais cedo e vou á ervanária comprar Arruda e Alecrim, e passo nos chineses que devem ter seguramente um kit anti Olho Gordo, com uma  figa, um corno, uma mão cornuda, uma meia lua, um corcunda, e um elefante… não sei exactamente para o que é que serve o quê, mas devem ser poderosíssimos. Isto tudo junto numa bolsinha com as ervas mágicas, uma fotografia do Santinho Padre Cruz e outra do Dr. Sousa Martins, depois de me benzer 3 vezes e entrar com o pé direito, “should do the trick”.









Se conseguir emergir e voltar à tona, e amanhã escrevinhar um novo "Escrito", é porque sobrevivi a mais um dia de enguiço. "Inté".....

MUST:

Entidades que povoam a mistica do folclore e da tradição Portuguesa in  Calçada da Miquinhas