"Os factos são teimosos." Vladimir Ilitch Ulianov
Não sou uma pessoa de trato fácil.
Sou uma tipa porreira e bonacheirona, tenho sentido de humor(
muito negro, mas sempre muito), gosto de rir e fazer rir, de piadas
inteligentes e trocadilhos, de conversar , de barafustar, de reclamar, de
ralhar, mas sempre com conta peso e medida, e não, não tenho dois pesos e duas
medidas. Muitas vezes, por mais que me custe, ou há igualdade, ou comem todos,
sabendo de antemão que uns são mais todos que os outros, mas enfim, tem que ser,
porque a justiça é cega, e eu considero-me uma pessoa justa.
O PM que nos assiste ( ou então não), visitou ontem a Minha
Guerra.
Sonhei centenas de vezes com o que faria se tal acontecesse;
ensaiei até as falas para que saíssem primorosamente, com todas as palavras bem
pronunciadas, dicção perfeita e voz bem colocada.
… Acontece que ontem, assim como anteontem, foi dia santo:
são os dois dias do descanso do guerreiro, os dois dias em que dispo a farda e
deixo a pele do Panda do Kung Fu pendurada num cacifo do 2º andar, e me dedico àquelas
coisas a que eu gosto de me dedicar quando não tenho que ir para a beira
mar pelejar .
E foi assim que eu perdi a oportunidade de dizer ao PM que
eu ajudei a chegar ao poleiro do poder, aquilo que me roí por dentro, que me
envenena a alma e tolda a razão. Gostava de poder encará-lo, olhos nos olhos, e
dizer-lhe que ele é um puto irresponsável, que cresceu sem nunca saber o que
são dificuldades, um fraco,um impreparado, que se rodeou de gente imprestável e incompetente, um embusteiro contumaz, e que
há-de ficar na história pelas piores razões, ou então nem isso, porque é certo e
sabido que dos fracos, não reza a história.
Acredito que se estivesse estado na Minha Guerra ontem teria
tido o gosto de encarar o homem de frente … e não lhe teria dito nada… afinal um oficial tem que honrar a farda e não pode ser polémico: deve ser apartidário, aclubista,
agnóstico… deve ser profissional.
Tem que ser experiente e sábio...
Tenho o conhecimento com que a minha idade e anos de trabalho me
contemplaram, e acho que é muito fixe ser-se intelectual e ter-se a erudição
conferida pela leitura de meia dúzia de livros que explicam as coisas da vida.
Então e vivê-las na pele, não conta ?
Quem fala de ânimo leve sobre revolução, greves, manifestações,
violência, direitos, termos que conhece tão bem da sua ficção literária e que
em 74 e 75 ainda estaria seguramente no limbo da sua existência, não sabe MESMO o
que é a realidade fora da simbologia das páginas de um qualquer tomo escrito
por um qualquer génio de QI à potência N.
A realidade não se aprende em livros nem se explica por uma
fórmula matemática. A realidade está lá fora e apodera-se de todos os outros sentidos que não só a visão... a tal, a dos livros que os autores XPTO escreveram no conforto dos seus sofás, a tal que ninguém percebe mas todos entendem, porque é fixe ser-se intectual e entender coisas sem nexo.
A realidade é física, há que vivê-la, senti-la, para poder tirar a
prova dos nove… senão é mesmo “noves fora - NADA “

Muito bom!!!!!
ResponderEliminarGrande Maria!
ResponderEliminarE é por estas e por outras que gosto tanto de ti!
Gostei muito, but... I beg to differ!
ResponderEliminarNão é tanto o que se sabe, mas o que se compreende... E para isso, nem sempre é preciso ter lá estado.
Ó piqueno RCA... nós até andamos numa onda idêntica de pensamento, apenas com algumas décadas de separação... é um gapzinho praí duma geração, ou talvez duas.. mas no fundo no fundo, até é uma discordância concordante...
ResponderEliminar"Ver aquilo que temos diante do nariz requer uma luta constante."- George Orwell
ResponderEliminarNão queres emprestar um pouco do teu bom senso aps politicos da praça?
ResponderEliminarBijinho e obrigado pela organização de ideias. Ando carenciada.
Beijinho