quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Um Estudo em Verde - Na toca dos Leões



Rugidos estridentes e garras afiadas, são as palavras que melhor definem os  grandes felinos do  covil. Esta é a história de 2 grandes gatos e da sua descendência.




 O Rei Leão, espécime possante,  oriundo dos vigorosos clãs das terras altas do Norte, vivido e sábio, encontrou território de caça por estas paragens inóspitas há mais de 40 anos, tomou como seu o moto verde da pradaria da reserva selvagem  de Fernando Fonseca, e vai levando os seus dias entre muitos tormentos e poucas alegrias, mas sempre com  o coração de Leão cheio daquele sentimento também de cor verde, que torna as suas convicções cada vez mais fortes e inabaláveis. É o macho dominante, o protector e o líder do clã.



A Leoa nasceu em terras alfacinhas num quente dia de Agosto, sob o auspicioso signo de Leão. Pouco dada a clorofilas, tem sangue azul e é  a mais ruidosa do grupo. Já viu melhores dias;  já foi A Leoa por excelência, mas apesar de menos ágil, é excelente caçadora, tem o espírito indomável do antes quebrar do que torcer, e orienta o covil com mão de ferro, caçando dia e noite para assegurar o conforto e subsistência do clã e deixando complacentemente ao Rei Leão a ilusão da autoridade, prestando submissa vassalagem entre patadas e rugidos, mas sempre (  e tão ao jeito de boa fêmea)  uns passinhos mais à frente do que o senhor seu soberano possa imaginar …



Do acasalamento destes portentosos felinos, nasceram duas crias fêmeas, ambas fulvas e formidáveis, ambas geniosas , indomáveis e concretizadoras, ambas imbuídas do moto verde da pradaria que vive no coração de Leão do Rei seu pai, desprezando completamente o sangue azul da descendência materna, porque também elas tomaram por companheiros jovens Leões da pradaria, movidos pelo mesmo sentimento que transforma derrotas em estrondosas vitórias e endurece o espírito, tornando-o impermeável a todas as misérias que lhe possam travar a caminhada ou inundar o percurso.




Uma Leoa é sempre uma Leoa, mesmo quando está em minoria… mas como o clã é gregário e o seu bem estar está acima de tudo e de todos, a Leoa irredutível vai amolecendo e dá por si a vibrar com o conjunto, a aplaudir algo que não aprecia muito, a rejubilar com as poucas alegrias, a consolar as muitas tristezas… em suma a afagar e lamber as feridas, como uma boa matriarca.





É então, que os que estavam habituados a ouvir os seus rugidos à distancia de quilómetros, conseguem somente distinguir um miado tranquilo e um ronronar de felicidade de quem na vida cumpriu a sua missão.

3 comentários:

  1. Eu, que sou, leoa comoveu-me o texto.

    Nada como uma escrita como a tua.

    Adorei!

    Beijinho

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  2. Querida e sensível Perolazinha, obrigada pelo teu apoio . Beijinho grande.

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É aqui que me mandas dar uma curva