Somos Piões
Para andar lhe pus a capa
E tirei-lha para andar;
Gira pião, roda peão,
preso de pés e mãos á capa que (in)vestiu… não anda, nem deixa andar.
Temos sido uns tipos afortunados.
Depois da Primeira Grande Guerra , em que o Corpo Expedicionário Português não foi mais do que carne para
canhão na Flandres, e em que biplanos e zepelins alemães sobrevoavam o território nacional, fomos quase sempre
espectadores das atrocidades que as guerras fizeram no mundo :
Mesmo aqui a
portas meias, passou-nos ao lado a Guerra Civil de Espanha;
a 2ª Grande guerra, a Guerra da Coreia, as nossas guerras Coloniais, primeiro na India
e depois nas colónias africanas e em Timor,
a Guerra do Vietnam, as
guerras Israelo-árabes a Guerra do Golfo, a Guerra do Afeganistão, as Guerras nos Balcãs, o 9/11, a Guerra do Iraque….
É claro que sustentámos durante mais de 15 anos uma guerra no Ultramar, porque, como referi em
Comemorações, o Estado Novo apropriou-se dos feitos dos Heróis Nacionais da Grande Guerra ( a 1ª) para efeitos propagandistas, o que até se
compreende, para quem tem possessões ultramarinas e deseja enaltecer o poder
colonial e a guerra como meio de assegurar a paz. Tanta morte sem sentido,
tantos peões na linha da frente dum jogo de xadrez com xeque-mate á partida.
Tivemos uma revolução praticamente sem derramamento de
sangue, que nos libertou, nos inebriou, nos ensandeceu, e mais uma vez logramos
conseguir a viragem sem fustigo da terra nem das gentes… do corpo, ou do
espírito.
Vivemos o que nos permitiram viver, fizemos o que nos
permitiram fazer, porque podíamos, porque queríamos, porque tínhamos.
Agora queremos, mas não podemos, porque não temos.
Elegemos mal o Homem do Leme: em vez de Capitão do Titanic, afigura-se-nos agora como o Iceberg.
Receio por nós como povo e como País, tantas vezes poupado
aos infortúnios do mundo, mas com sangue aguerrido nas veias, que mais tarde ou
mais cedo acordará para a realidade e não mais querererá ser espião, espectador da vida alheia; não mais se contentará em ser peão em jogos de tácticas em que todos se sacrificam para
que os reis possam sobreviver. Chegará a hora em que, fartos de girar como
piões na mão de meninos inconsequentes, teremos que dizer JÁ CHEGA!
Então e depois ?
A análise e interpretação "sem rede" das novas medidas , está aqui e logo a seguir aqui, disponível, verdadeira e concisa... a não perder !!!





Chega de facto! Erros atrás de erros, asneiras atrás de asneiras sempre com governantes incapazes. Está na altura de batermos o pé!
ResponderEliminarVamos fazer uma guerra? Outra revolução?
ResponderEliminarEu alinho!
Também posso emigrar se arranjar contrato. E não me importonada de mudar de nacionalidade. Sem orgulho de ser portuguesa, estou triste por o ter dito.
beijinho
Praça José Fontana, dia 15 às 17 horas: EU VOU !!!!
ResponderEliminarhttp://aventar.eu/2012/09/10/que-se-lixe-a-troika-manifestacao-15-setembro/
ResponderEliminarE não vou porque não estou em território nacional mas vou gritar muito desde onde estou!
ResponderEliminarPérola, por favor, gosto tanto de te ler e tu sabes, mas não digas mais isso; Portugal é algo de que nos devemos orgulhar sempre!
Passamos um mau, péssimo momento, mas isso nada tem a ver com a nobre nação que somos.
Estamos desapontados, temerosos, sem esperança que estamos, mas diz-me a experiência dos meus 45 anos que o tuga come e cala até que se lhe faça luz e acredite que vale a pena lutar; já aqui (aí) vi no burgo acontecer coisas fantásticas; assisti a uma revolução ainda nada percebia do que estava a acontecer, não correu assim tão bem porque o povo infantilizado durante anos, também não percebeu muito bem o que tinha de fazer, mais tarde assisti e participei naquilo que posso designar como um levantamento popular em defesa de um povo a quem todo o mundo fazia ouvidos de mercador. Foi tão forte, tão intenso, que tudo registei (fotos que fiz, relatos onde descrevi o que via e sentia, recortes de jornais) para que o meu filho um dia, se calhar num tempo de crise e dúvida como este agora, percebesse e se orgulhasse do povo que somos; um povo que é capaz de defender outros que não o podem fazer.
Cresci, observando um sentimento de vergonha em ser português; por ser pobrezinho, por ter sido colonizador, etc. Nunca tive!
Estou triste e assustada e não sei para onde caminhamos ainda, mas perece-me que começamos a emergir do marasmo. Não tenhas vergonha Inês...orgulha-te! Olha para quem fomos e vê o que podemos vir a ser!
Ps- Maria D. Roque, desculpa-me por ter ocupado tanto tempo e espaço no teu blog, mas fiquei tão triste que tive de o fazer; talvez seja só por estar tão longe de casa e aqui ainda serem só seis da manhã... deu-me para a sensibilidade e juro-te que fiquei de lágrimas nos olhos!
Minha Sexinho das Arábias, és sempre bem vinda, e podes até escrever os Maias aqui , que mi casa es su casa, e de todos os amigos que me visitam e apoiam. A Pérola desabafou. Quem não tem vontade de mandar isto tudo às urtigas ?? Mas temos que fincar o pé. O mau mesmo, é desistirmos. Deixem lá que eu no Sábado representarei todas as que não puderem comparecer. Se tiver a sorte da minha presença ser questionada, explicá-la-ei como um acto de contrição duma vil criminosa,EU, que votando nesta coligação ajudou a matar pessoas à fome... é assim que eu me sinto...com uma imensa tristeza na alma..
ResponderEliminarObrigada Maria :))
ResponderEliminarClaro que eu sei que foi só um desabafo da perolazinha que é um amor de miúda e escreve bem que se farta, mas o orgulho, não isso não podemos perder! Estou com o Mais Que Tudo nas Arábias (e volto breve) porque em Portugal não há oportunidades e isso obriga-nos a viver ele aqui, por ora, e eu e o miúdo aí; é altura de recuperarmos o nosso país! Ninguém poderia saber Maria... sou tão pecadora como tu; tu pecaste por actos (votaste) e eu pequei por omissão (não votei em ninguém- branco); e não votei porque não acredito em ninguém; acredito, infelizmente, que depois de entrar no sistema todos são iguais. Ainda que houvesse boa vontade é dificil ir contra o que está instituido. Só uma revolução e fazer tudo de novo...completamente desorientada...eu, e todos!
Um beijinho Maria.
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