Houve aqui uma altura em que me desinteressei completamente pelos noticiários; eram o que antigamente se chamava “vira o disco, e toca o mesmo”.
Sempre com alguma fatalidade de proporções bíblicas como notícia de abertura para
cativar a audiência, ou à falta de melhor, a promessa do desvendar dum mistério,
duma fofoca , de algo apelativo à nossa inata curiosidade, qualquer coisa que
prendesse o espectador ao écran até ao
fim, enquanto o/a ancora enchia chouriços durante quase uma hora.
Pontualmente assisto a comunicações ao País e conferências
de imprensa, para não ficar completamente descontextualizada da conjuntura,
mas não sou espectadora muito atenta ou pertinaz. Para além disso, o Marido, fonte de
inesgotável sabedoria sobre a actualidade nacional, costuma pôr-me sempre ao
corrente dos últimos desenvolvimentos.
Há umas semanas, depois do frio comunicado ao País do tipo
que eu ajudei a eleger para um dos cargos máximos da nação, o mesmo que imediatamente
após informar todos nós que íamos ter que ir fazer um Tour pelas Ruas da
Amargura durante uns dois ou três anos, foi cantar a Nini para o Tivoli, deu-se-me
um vaipe, um daqueles que a revolta vai buscar ao fundo da nossa consciência, e
comecei a devorar notícia atrás de notícia, a comentar declarações online, a
participar activamente em demonstrações da vontade popular, a subscrever
petições, a entrar em debates polémicos, enfim a revolucionar o meu modus
vivendi, se bem que quem me conhece, sabe que eu sempre concordei em discordar,
mas em coexistência continuamente pacífica J
Como não podia deixar de ser, depois da corrente telúrica de
Sábado 15 de Setembro, as placas tectónicas da governação que se consideravam intransigentemente
consolidadas, ficaram estruturalmente abaladas e um bocado à deriva, não
encontrando qualquer apoio para se firmarem.
E então choveram os comentários , os comentadores, as reuniões de emergência, os
ditos por não ditos, as sacanices, as convocações de todos os Conselhos
possíveis e imaginários, os avanços, os
recuos, e com isto tudo a exploração da notícia até à exaustão, de tal modo
massacrante e violenta, que não há noticiário que não debite todos os dias e
vezes sem conta no período de pouco mais duma hora, a mesma informação, só que pintada de cor
diferente, e vista de vários ângulos, mas sempre igual a si própria.
Cansei !!
Vou voltar à minha
condição de news hater , pegar no meu livrinho a seguir ao jantar, e deixar o
Marido entregue aos noticiários e ao desporto do zapping, porque palavra de
honra, a falta de imaginação dos
redactores, ou a sua pretensão de que somos todos mentecaptos e verbos de encher já enjoa por
demais.
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| Com música ainda é melhor |



Tal qual como eu!
ResponderEliminarSabes que sinto que a única maneira de estar a par do que se passa é escolhendo eu o que ver, ler e, tal qual como tu, através da triagem e sumula feita pelo MQT.
Enquanto "paparmos" tudo o que nos quiserem impingir não estamos em condições de avaliar nada!
A agenda-setting (http://pt.wikipedia.org/wiki/Agendamento) está feita de forma a pôr o povo onde e como se quer; diminuido e assustado!
Deveríamos todos desligar os televisores e não comprar nem ler mais os jornais!
Como te compreendo.
ResponderEliminarA repetição e o desinteresse das noticias cansam...
Beijinho.
És tu e eu, notícias leio na internet *
ResponderEliminarprefiro 1000 vezes ler os títulos dos jornais e pesquisar as notícias que me interessam, do que ser violentada pelos noticiários televisivos.
ResponderEliminarOlá, parabéns pelo blog!
ResponderEliminarSe você puder visite este blog:
http://morgannascimento.blogspot.com.br/
Obrigado pela atenção