Eu, pecador me confesso
e a vós, irmãos,
que pequei muitas vezes
por pensamentos e palavras,
actos e omissões,
por minha, culpa,
minha tão grande culpa.
E peço à Virgem Maria,
aos anjos e santos
e a vós, irmãos,
que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.
Ensinaram-nos na catequese – eu frequentei, aprendi,
pratiquei - que o Acto de Contrição e a Confissão purgavam todas as iniquidades, e depois
de bater no peito três vezes , assumir e pedir perdão a Deus, podíamos
regressar a casa limpos de pecados e gratos pelas bênçãos recebidas.
Deixei de ser praticante há MUITO tempo. A fé não me desiludiu,
desiludiu-me a igreja, os seus interesses mundanos e apego aos bens terrenos.
Desiludiram-me os homens. Desiludi-me a mim própria.
No íntimo, sou uma pessoa simples que trabalha e vive do
produto do seu labor. Permito-me uma extravagância por outra de quando em vez, não sou
pessoa de excessos e tento sempre ser justa, contemporizadora e compreensiva.
Normalmente sou precavida, mas também sou impulsiva, e apesar de tentar não ser
consumista, por vezes tenho deslizes.
Há uns anos para cá, desisti de ver telejornais. A
informação sobre o País era sempre um logro, mascarado pelas parangonas de abertura
das desgraças que grassam no mundo. Normalmente o Marido, ávido consumidor de
todo o produto informativo, fazia a resenha geral dos acontecimentos diários e
punha-me a par duma forma light para eu não me fartar depressa.
Há cerca de dois anos a esta parte, quando todo o programa
governativo do XVIII Governo Constitucional se tornou anedota nacional,
tornei-me mais interessada e participativa na vida política Portuguesa.
Fui dos
que assinaram petições contra a palhaçada do governo de José Sócrates; fui das
vozes que não se calaram e insistiram na sua demissão e em procurar soluções com
fundamento que ajudassem o País a sair do pântano onde se achava enterrado até
ao pescoço.
Nas Eleições Legislativas de 5 de Junho de 2011, fui MESMO
votar, coisa que não fazia há muito tempo, e votei num dos partidos que formam o actual XIX Governo Constitucional. Votei mal.
Como muitos milhares de portugueses, fui ao engano; dei dois tiros nos pés, e ajudei a formar o pelotão de fuzilamento que vem aniquilando lentamente o Povo Português.
Passado um ano, a minha consciência, porque tenho uma, não
me deixa sossegar. Violei o mais sagrado de todos os Mandamentos da Lei que Deus
deu aos homens. Violei o 5º mandamento.
Eu, Maria D Roque, votei na coligação que, desde que um
economista de Santa Comba Dão esteve á frente dos destinos da Nação, detém mais
poder para ditar as leis que governam o País.
Eu, Maria D Roque sou
uma vil criminosa, que ajudei a matar pessoas à fome, e isto não se purga com
rezas e pancadas no peito.
Eu, Maria D Roque, culpada de cumplicidade no crime que se desenrola perante a nossa passividade , não tenho palavras. Se palavras houvesse, já não bastariam.




Estou arrepiada Maria, arrepiada!
ResponderEliminarParabéns por este acto (eu não aderi ao acordo) de contrição!
Obrigada pelo teu apoio SX. Estou triste. Estamos todos. E eu sou dos que têm culpa :(
ResponderEliminarAqui me confesso também!!! Também fiu "pecadora" e cometi a mesma má acção...e tenho a certeza que mesmo que os outros me perdoem eu nunca o vou fazer!! Se o arrependimento matasse...
ResponderEliminarErrar é humano, e fazer por corrigir os erros pode ter que ser sobre-humano, mas desistir não é opção
ResponderEliminarFazemos sempre o melhor de acordo com o que sabemos na altura.
ResponderEliminarArrependermo-nos resolve algo?
Beijinho
Não minha querida, não resolve nada, mas roi-nos as entranhas, envenena-nos a alma e tolda-nos a visão.
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