quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Acto de Contrição


Eu, pecador me confesso
Confesso a Deus Todo-Poderoso
e a vós, irmãos,
que pequei muitas vezes
por pensamentos e palavras,
actos e omissões,
por minha, culpa,
minha tão grande culpa.
E peço à Virgem Maria,
aos anjos e santos
e a vós, irmãos,
que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.





Ensinaram-nos na catequese – eu frequentei, aprendi, pratiquei - que o Acto de Contrição e a Confissão purgavam todas as iniquidades, e depois de bater no peito três vezes , assumir e pedir perdão a Deus, podíamos regressar a casa limpos de pecados e gratos pelas bênçãos recebidas.

Deixei de ser praticante há MUITO tempo. A fé não me desiludiu, desiludiu-me a igreja, os seus interesses mundanos e apego aos bens terrenos. Desiludiram-me os homens. Desiludi-me a mim própria.


No íntimo, sou uma pessoa simples que trabalha e vive do produto do seu labor. Permito-me uma extravagância por outra de quando em vez, não sou pessoa de excessos e tento sempre ser justa, contemporizadora e compreensiva. Normalmente sou precavida, mas também sou impulsiva, e apesar de tentar não ser consumista, por vezes tenho deslizes.

Há uns anos para cá, desisti de ver telejornais. A informação sobre o País era sempre um logro, mascarado pelas parangonas de abertura das desgraças que grassam no mundo. Normalmente o Marido, ávido consumidor de todo o produto informativo, fazia a resenha geral dos acontecimentos diários e punha-me a par duma forma light para eu não me fartar depressa.

Há cerca de dois anos a esta parte, quando todo o programa governativo do XVIII Governo Constitucional se tornou anedota nacional, tornei-me mais interessada e participativa na vida política Portuguesa. 
Fui dos que assinaram petições contra a palhaçada do governo de José Sócrates; fui das vozes que não se calaram e insistiram na sua demissão e em procurar soluções com fundamento que ajudassem o País a sair do pântano onde se achava enterrado até ao pescoço.

Nas Eleições Legislativas de 5 de Junho de 2011, fui MESMO votar, coisa que não fazia há muito tempo, e votei num dos partidos que formam o actual XIX Governo Constitucional. Votei mal.
Como muitos milhares de portugueses, fui ao engano; dei dois tiros nos pés, e ajudei a formar o pelotão de  fuzilamento que vem aniquilando lentamente o Povo Português.


Passado um ano, a minha consciência, porque tenho uma, não me deixa sossegar. Violei o mais sagrado de todos os Mandamentos da Lei que Deus deu aos homens. Violei o 5º mandamento.


Eu, Maria D Roque, votei na coligação que, desde que um economista de Santa Comba Dão esteve á frente dos destinos da Nação, detém mais poder para ditar as leis que governam o País.


 Eu, Maria D Roque sou uma vil criminosa, que ajudei a matar pessoas à fome, e isto não se purga com rezas e pancadas no peito.


Eu, Maria D Roque, culpada de cumplicidade no crime que se desenrola perante a nossa passividade , não tenho palavras. Se palavras houvesse, já não bastariam.

6 comentários:

  1. Estou arrepiada Maria, arrepiada!
    Parabéns por este acto (eu não aderi ao acordo) de contrição!

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  2. Obrigada pelo teu apoio SX. Estou triste. Estamos todos. E eu sou dos que têm culpa :(

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  3. Aqui me confesso também!!! Também fiu "pecadora" e cometi a mesma má acção...e tenho a certeza que mesmo que os outros me perdoem eu nunca o vou fazer!! Se o arrependimento matasse...

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  4. Errar é humano, e fazer por corrigir os erros pode ter que ser sobre-humano, mas desistir não é opção

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  5. Fazemos sempre o melhor de acordo com o que sabemos na altura.

    Arrependermo-nos resolve algo?

    Beijinho

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  6. Não minha querida, não resolve nada, mas roi-nos as entranhas, envenena-nos a alma e tolda-nos a visão.

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É aqui que me mandas dar uma curva