quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Voando sobre um ninho de cucos


Voando sobre um ninho de cucos


Ninho de Cucos

O meu trabalho é uma nóia… é do mais stressante que se possa imaginar. Dá-me conta da cabeça, põe-me os nervos em franja, obriga-me a andar numa roda viva…. E isto numa base diária. Se há coisa que não me posso queixar, é de monotonia, principalmente no Verão.




É o protótipo dum pequeno país onde existe o Presidente, os  Chefes de Estado, a Eminência Parda ( se por gralha parecer que escrevi Parva, não é grave…),os Ministros, os Secretários de Estado, os Presidentes das Juntas, cada qual a pregar na sua Freguesia,  os obreiros, na sua maior parte trabalhadores e responsáveis, e depois há os outros, aqueles que em maior ou menor escala parasitam pelo local de trabalho, ou os Felisbertos Desgraçados, que têm problemas todos os dias, ou os doentinhos de ocasião, que têm doenças que só atacam aos fins de semana, dias feriados e no Verão, quando já não têm dias de férias para gozar, e o calor aperta e a praia está lá de longe a fazer pirraça…


Vou-vos contar da minha gente:


Temos o exemplo vivo do Tio Patinhas, velho proprietário , endinheirado e ganancioso, sem dúvida alguma muito trabalhador e responsável, mas altamente egoísta e conflituoso , cujo objectivo principal é amealhar notas grandes numa qualquer caixa forte, que no caso deverá ser uma caixa de sapatos embrulhada num plástico e refundida em algum buraco no chão. Adora semear a discórdia e armar-se em arauto da justiça, quando é do mais viperino que conheço em relação aos colegas,principalmente quando a plateia se resume ao chefe.



Temos o modelo do Zézé Camarinha de trazer por casa, que “no seu tempo” engatou meio mundo e arredores, que conta e reconta as suas proezas de namoradeiro inveterado, das conquistas que os seus atributos físicos (?) lhe proporcionaram, e de como , ainda agora, já velho e a arrastar os pés, ainda é capaz emanar o charme irresistível que é a sua imagem de marca, e de arrancar poses provocadoras e olhinhos de carneiro mal morto a piquenas com idade para serem suas netas … J,
 e de partir corações, entrando de quando em vez numa onda de mete-nojo, complicada de controlar. Como não há quem possa confirmar ou desmentir os factos que relata e como se enquadra no antigo dito popular “são mais as vozes do que as nozes”, tornou-se um dos nossos Mitos Urbanos: toda a gente ouve falar, mas poucos acreditam


                    Temos o típico MRPP
Quem está lembrado ou ouviu falar dos discursos do saudoso Arnaldo de Matos, sabe a que me refiro. Fala muito, não diz nada, é um revoltado contra a classe dominante, seja ela qual for, e pura e simplesmente não se cala.

 Já pensei convidar o D.Juan Carlos para passar umas tardes por aquelas bandas só para abrir a boca de 15 em 15 minutos e proferir “ Porque no te callas ?!?”.
 Diligente, trabalhador e responsável, prefere fazer do que mandar fazer, porque não quer manter os acólitos sob um jugo de tirania, o que lhe granjeia alguma popularidade e frequentes esgotamentos, alturas em que a sua farta eloquência rasa a insanidade.


Temos o Vasco Santana no seu melhor Rufino Fino, trolaró-laró-laró. Trabalhador diligente, competente e profissional ….quando vem trabalhar… Tem milhentos problemas que justificam faltas constantes, alguns familiares e com alguma seriedade, mas todos os outros, quase que se resumem aos excessos com que castiga o fígado, que por este andar pouco 

faltará para competir com Portugal pela liderança da produção mundial de cortiça.




Já perdi a conta às vezes, de tantas que são,  em que a cena do candeeiro no Pátio das Cantigas se repete…. Felizmente a mecânica do serviço vai conseguindo mascarar as imperfeições.




Temos a Mata Hari … é estranho, porque não consigo entender o conceito de Hilda Furacão nesta pessoa em particular. Quem atentar neste individuo também não vai seguramente entender todas as façanhas amorosas que lhe são atribuídas, pois tem todo o aspecto de “mata ari” dito com pronúncia alentejana, que é como quem diz, “não faz mal a uma mosca”.



 É profissional , competente e até inteligente , não fora aquela faceta estranha, que ataca com alguma frequência, assim  tipo dupla personalidade e lhe tolda completamente as ideias .



Temos muitos mais, castiços, engraçados, trapalhões, aldrabões , repulsivos, etc… se fosse escrever sobre toda a gente este post seria seguramente comparável em tamanho á lista telefónica nacional.



Mas não posso deixar de mencionar  as  aves raras tipo mocho reboludo, como eu, que á força de tentarem ser calmas e competentes, fervem mais depressa e estouram mais alto e com mais estrondo e eco do que um foguete na noite de  S. João.



4 comentários:

  1. Existe uma pequena amostra do que é Portugal, no seu local de trabalho...Portugal no seu melhor e no seu pior! :)) Adorei o post!!

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  2. Ui! Que animação!!! Nem temos tido tempo para falar, mas já vi que a animação é mais do que muita!!! Bjs Lúcia

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  3. É a animação do costume elevada á potência V de Verão, e está o baile armado... mas que malta se diverte, disso não tenho dúvida :D :D

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  4. Isso é mesmo um país miniatura!
    Tens de ter uma paciência!
    Confesso que a paciência, embora cada vez mais seja obrigada a melhorar, não é uma das minhas melhores qualidades.
    Fervo em pouca água e tenho a mania de desmascarar aldrabões e afins. Acho que a minha convivencia não seria pacifica nesse lugar...
    Por outro lado...que maná para quem escreve! Que personagens!
    Mulher dedica-te à escrita!

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É aqui que me mandas dar uma curva