domingo, 15 de julho de 2012

Miss Dandy Me


Significado de Dondoca

sf pop Mulher de boa colocação social, ociosa e fútil



 Vidinha de dondoca-trabalhadora


Aproveitar ao máximo tudo o que a vida tem para nos oferecer, sempre foi o meu lema. E realmente o tempo verbal está correcto FOI…


A idade que nos faz doutas, mais sábias   e prudentes, também acarreta um sem número de responsabilidades tanto a nível pessoal como profissional, e chega a uma altura do campeonato que aquela música dos REM começa a fazer sentido : It’s the End of the World as We Know It…


Acordo uma bela manhã um bocado abananada, e depois de constatar que andei o dia todo numa roda viva e só vou a casa dar um miminho ás Pérolas, ao marido, e aos gatos, tomar duche e mudar de roupa , pergunto-me por onde é que andará  aquela "piquena" que conseguia consecutivos e prodigiosos homeruns , possuía a força da juventude e a magia do tempo  e provavelmente tomava batidos de Duracell ao pequeno almoço.

Sinto falta da jovem que se punha a caminho do aeroporto com 2 malas enormes, carregadas de produtos estranhos como caldos Knorr, creme desfrisante e secadores de cabelo, embarcava no avião para a Ilha do Sal, tomava o pequeno almoço na Morabeza, deixava a encomenda, e enchia as malas com belíssimas lagostas embaladas em esferovite, e organizava orgias do crustáceo mais apreciado, como quem vai ali á churrasqueira da 
esquina.


A mesma que uns anos depois percorreu todos os WCs do recinto da Oktoberfest em Munique, depois de emborcar baldes de cerveja a acompanhar sauerkraut e o melhor leitão assado, tenro e crocante do mundo e arredores…



Por onde andará a trintona despachada que num repente acarta a Pérola Maior no primeiro voo da manhã para Roma, corre do Coliseum para o Panteão, para o Vaticano, para o Castel Sant’ Angelo, embute uma pizza paesana, fecha os olhos e pede um desejo na Fontana de Trevi e volta exausta e feliz para o Fiumicino antes do último avião da noite ?


Falta-me a trintona-já-entradota, que madrugou para Bruxelas subiu ao Atomium, tomou uma bela cervejola e comeu Mexilhões com batatas fritas na Grand Place, ia perdendo a pequenez do Manneken Pis , se deliciou com TinTinzices  e voltou ás tantas, rebentada, mas esfuziante...


Paro para pensar na quarentona desempoeirada que palmilhou Paris  no percurso da Linha Rosa da Arago, e foi espreitar a Pirâmide invertida do Louvre na esperança de vislumbrar o Túmulo da Maria Madalena , depois do passeio do costume pelos Champs Elisées, Torre Eiffel, Arco do Triunfo e Nôtre Dame …


Era uma vidinha de doncoca-mãe-trabalhadora, cansativa, mas simples e despreocupada, para o que muito contribuiu o Marido ser funcionário da transportadora aérea nacional

Praticamente overnight, descentralizo o meu mundo, repenso prioridades, faço novas escolhas e atribuo á  palavra profissão toda a sua acepção , ou pelo menos tento ,todos os dias.Não é fácil. Mesmo NADA fácil.

É natural que a nostalgia de tempos despreocupados me tome de assalto nas alturas mais stressantes, mas afinal é como diz no fim o título da tal musica dos REM… I feel fine

2 comentários:

  1. Muito bom! Como eu a entendo...o tempo passa e deixa as suas pequenas marcas! Mas somos como o vinho do Porto, quanto mais velhas, melhores!!

    ResponderEliminar
  2. Pois, o meu problema é mesmo o tempo, ou a falta dele... antes tinha sempre tempo para tudo, e agora ??? Mas na comparação com o vinho do Porto só falta dizer que somos duma RESERVA diferente, um LBV ou um Vintage de truz... ;D

    ResponderEliminar

É aqui que me mandas dar uma curva