domingo, 22 de julho de 2012

Tanta Maria !!


As Marias



Sempre me perguntei porque raio há tanta Maria… Eu ainda sou do tempo em que a todos ou a quase todos os indivíduos do sexo feminino se chamava Maria Qualquer Coisa ou Qualquer coisa Maria. Sei que fui “baptizada” com este nome, porque o Pai adorou o desempenho e os olhos azuis da actriz homónima no filme de 1950 Frei Luis de Sousa, e devia aspirar a uma filha sofredora e frágil , tal qual D. Maria de Noronha.  Eu sou uma bocado dada a cenas, um tanto trágica e algo melodramática, mas querido Pai… não tem MESMO nada a ver…

Um dos grandes desgostos da Mãe, é ter sido a única das 3 irmãs que não tem Maria no nome !!! – o Drama, o Horror !!! Isto é lá coisa que se faça a uma pobre criança, não lhe dar o nome de Maria ?!?!



Etimologicamente, Maria é a versão romanizada e latina  do  Hebreu  Miriam, que significa rebelião, tendo sido popularizado com o advento do Cristianismo, por ser o nome da mãe de Jesus Cristo. Lá por volta do século I ou II, deve ter-se tornado tão popular como Kátia Vanessa, e perdurou a par do culto Mariano por séculos e séculos até aos dias de hoje, tornando-se inquestionável parte integrante de   todos os nomes femininos após as aparições de Fátima em 1917.


Ser Maria tem muito que se lhe diga; senão vejamos por exemplo o brilhante estratega e Condestável do Reino,  D. Nuno Alvares Pereira depois de entrar para a ordem dos carmelitas, adoptou o nome de Irmão Nuno de Santa Maria. Tivemos duas rainhas Marias: a primeira D. Maria Pia que sucedeu a seu pai D. José I ,  sendo ela própria também mecenas das artes e ciências, funda entre outras instituições a Casa Pia de Lisboa.

 A segunda de seu nome Maria , filha de D. Pedro IV de Portugal (I do Brasil)reinou durante os conturbados tempos do Levante Absolutista e da Revolução Liberal. Por esses tempos,  viveu também uma mulher minhota, instigadora dos levantamentos populares da Póvoa do Lanhoso contra as políticas cartistas, motins esses conhecidos como a Revolução da Maria da Fonte




Em 1920 o Primeiro Ministro português era António Maria da Silva (várias vezes indigitado), já em 1921 o Maria era outro, o Manuel Maria Coelho. Pela 1ª vez em 1979, uma mulher, a independente Maria de Lurdes Pintasilgo toma as rédeas do País. Apesar de mais Marias terem ocupado algum posto na ribalta da governação nacional, penso que mais nenhuma marcou pela positiva.




Expressões tão coloquiais como há mais Marias na terra ou Maria vai com as outras fazem parte do nosso léxico popular, e apesar de não ser um nome de fazer perder a cabeça ( qual Maria Antonieta),é um nome sobrano, com raízes fortes, e mesmo  corriqueiro ( apesar de nome de consorte presidencial ...) é muito fixe.





Quando eu era miúda, gostava de me esconder numa esquina da Rua da Praça, e dar um berro :”Ó Maria!!”… era vê-las olhar á volta, mais do que muitas... Traquinas, esta Maria....JJJ

Apesar de Bragança a Lisboa serem 9 horas de distância, eles vêm sempre correndo para quem ???  




MARIA !!!!




Oui, Lulu, C’est Moi !!!!

2 comentários:

  1. Pois eu sou mais uma das Marias, tal como as minhas irmãs!!
    Terá sido uma doença vírica que se propagou naqueles tempos? :))

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  2. Muito prazer, cara Maria ! :D. Devíamos formar um club " A importancia de ser Maria" :D

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É aqui que me mandas dar uma curva