terça-feira, 24 de julho de 2012

Galos, Galetos e Galarós...





Diziam os antigos, que onde há galos, não cantam galinhas… mas os antigos que criaram o célebre ditado, deviam ser  MESMO muito antigos, porque num galinheiro moderno, as galinhas mandam mais do que os galos, e muitas vezes até são elas que cantam de galo.


A palavra galo tem várias vertentes etimológicas, e  quase todas significam força, poder ou fúria, mas só por altura do Renascimento  o nome galo( gallus) foi associada ao animal , e tomado como emblema  dos franceses, depois  da redescoberta das suas raízes gaulesas.

“O declínio do galo é o declínio dos gaulois, é o fim do nacionalismo historiográfico e mitológico. Mas a diplomacia não consegue encontrar um outro emblema histórico que seja politicamente correto. São todos marcados, ligados à monarquia ou a momentos difíceis da história francesa. Só o rei do galinheiro é neutro” (in Conexão Paris).


As histórias fantásticas dos Gauleses e da antiga Gália foram imortalizada por Uderzo e Goscinny nas fantásticas aventuras de Asterix “Estamos no ano 50 antes de Jesus Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma aldeia habitada por irredutíveis gauleses resiste ainda e sempre ao invasor. E a vida não é fácil ás guarnições de legionários romanos dos campos entrincheirados de Babaorum, Aquarium, Laudanum e Petibonum...”
A máxima de Obelix, o extraordinário companheiro de aventuras, é tão actual, que serve que nem uma luva, a diversas situações presentes : "Estes Romanos são doidos"




Nós por cá, temos a Lenda do Galo de Bracelos, história incontornável do folclore nacional,  cuja figura principal depois de imortalizada em barro, se tornou um ícone português , que a par da Torre de Belém ou do Padrão dos Descobrimentos é  reconhecido nacional  e internacionalmente como símbolo nacional.


Histórias do quotidiano são associadas a galináceos e afins, dando origem á tradicional gíria popular, que criou expressões tão ricas de colorido como ouviu o Galo cantar, mas não sabe bem de onde, arrastar a asa, soltar a franga, acordar com as galinhas, quando as galinhas tiverem dentes, galo na cabeça, ou apanhar um grande galo, entre outras tantas que enriquecem o coloquial vocabulário português.


Em vários países as lutas de galos ou Rinhas, são consideradas desporto. Também as temos por cá, mas são práticas   ilegais, para além de violentas e bárbaras, o que é socialmente correcto   num país que proibiu os touros de morte e passou a desconsiderar as corridas de touros como forma de arte.



Deixei para o fim a expressão que considero ser a mais emblemática de entre todas que concernem galináceos : Cantar de Poleiro…. é incontável o numero de galarós que muito bem cantam de poleiro , mas quando chega a hora decisiva para  pôr ordem no galinheiro, aí é que já é outra história. É certo e sabido que qualquer engrenagem só funciona bem, se oleada e tratada com desvelo,mas será que já não chega de azeiteiros ?!?!? 

3 comentários:

  1. Gostei imenso do seu post! É um prazer passar pelo seu blog! Obrigada pela partilha.

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  2. Obrigada, meninas !!! Có-có-róóóóó

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É aqui que me mandas dar uma curva