terça-feira, 17 de julho de 2012

A Banhos !!


A Banhos



Como a previsão do tempo para amanhã é de 41º para Lisboa, e não consigo imaginar-me espartilhada e a destilar uma nojeira untuosa por todos os poros, prefiro divagar pelo éter das lembranças da minha feliz infância, e falar sobre ir a banhos.


Ora a preparação começava com um par de dias de antecedência, com a escolha do farnel e das roupas de praia e de passeio, e confirmar se a “cortina” estava em condições de ser usada. A  “cortina” era uma espécie de saco largo que se vestia pela cabeça e tinha um elástico que apertava ao nível do pescoço, e por dentro da qual se mudava da roupa de passeio  para o traje de banho, sem mostrar vergonhas nem chocar ninguém.


Na manhã do grande dia , o rendez vous era normalmente  às 8 da manhã na estação fluvial de Belém, onde tomávamos o Barquinho para a Trafaria. Normalmente nestes passeios íamos numa espécie de excursão com amigos e vizinhos, que tagarelavam os últimos mexericos com alegre despreocupação.

A travessia era lindíssima á medida que o Barquinho atravessava o Tejo e deixava Belém e Lisboa para trás, a tornarem-se pontos minúsculos cada vez lá mais longe.

Ainda agora, dias há em que quando preciso desanuviar as ideias, atravesso o Tejo no barquinho até á Trafaria ou ao Porto Brandão, só para poder sentir o balanco das ondas, os borrifos da água e o cheiro do mar... E sempre a trautear o Adeus Lisboa de António Gedeão... É um calmante natural.


Mas prossigamos… chegados á Trafaria, seguíamos de autocarro para a Costa da Caparica, onde apanhávamos o Comboio inter praias, para a Fonte da Telha . Outro passeio giro através das dunas, com o ar que soprava do mar a despentear-nos o cabelo. 


Chegados ao nosso destino, alugava-se um toldo ou uma barraca de praia  usava-se a “cortina” para as mudanças enchíamo-nos de creme Nivea,  que não nos evitava escaldões de 1º grau, e estávamos prontos para mais um dia de banhos de mar.

Eu tinha uma fatinho de banho todo mimoso vermelho com bolinhas brancas e folhinhos. O Avô uns calções tipo ceroulas; a Avó limitava-se a trocar o vestido de passeio por uma espécie de saco com alças quase até aos pés. Então era uma festa!   , Com uma pá, um ancinho e um baldinho, eu era um mestre na criação de estranhas figuras, construções e paisagens futurísticas que me entretinham por horas a fio, O Avô empunhando a sua máquina fotográfica, fazia as marcações no set escolhido, e conseguia uma séria de momentos Kodak a preto e branco, em que a modelo-eu- farta de fazer poses, se apresentava invariavelmente de costas.

Merendava –se e começavam os preparativos para o regresso , com a precisão do rewind duma antiga VHS. Sobre a viagem de regresso não posso tecer grandes considerações porque normalmente adormecia, e ferrava no sono com os embalos do mar, na travessia do Tejo.

Os dias seguintes passava-os com pachos de vinagre frio na costas, e muito, muito pó de talco, e chá fio com açúcar e limão.J




 Ah!!! E como estava calor e eu estava abrasada, podia andar só de calçãozinho por casa. É ou não é para morrer de saudades????


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É aqui que me mandas dar uma curva